sábado - 14/02/2026 - 15:28h
Reconhecimento

João Marcelino recebe o Prêmio Funarte Mestres das Artes

João Marcelino agradece e divide o reconhecimento (Foto: divulgação)

João Marcelino agradece e divide o reconhecimento (Foto: divulgação)

O cenário cultural potiguar e brasileiro celebra uma importante conquista: o diretor de arte, figurinista, cenógrafo, aderecista, diretor teatral, dramaturgo, visagista e cineasta João Marcelino, natural do Rio Grande do Norte, foi agraciado com a 2ª edição do Prêmio Funarte Mestras e Mestres das Artes 2025. A distinção nacional reconhece sua trajetória de mais de quatro décadas de dedicação ininterrupta ao teatro, à formação de novas gerações de artistas e à preservação e construção da memória cultural do Estado e do País.

Conhecido carinhosamente como um “arquiteto de miragens, tecelão de redes, mestre de gerações”, Mestre João Marcelino é uma figura central e inspiradora no universo teatral potiguar. Sua atuação no Rio Grande do Norte é marcada por uma profunda paixão e um talento multifacetado, dirigindo espetáculos aclamados como o icônico “Chuva de Bala no País de Mossoró”, uma obra que se tornou um marco e ressoa profundamente na cultura local.

Além de sua brilhante carreira como artista de palco e diretor, João Marcelino é o visionário fundador da Cia. A Máscara de Teatro. Este grupo, sob sua liderança, transformou-se em uma referência na formação de talentos e na difusão da cultura popular, solidificando seu legado como um verdadeiro pilar para o desenvolvimento artístico e cultural do Nordeste e do Brasil. A premiação pela Funarte coroa não apenas sua excelência artística, mas também sua inestimável contribuição para o fortalecimento do teatro brasileiro.

Ao receber a notícia, Mestre João Marcelino expressou sua emoção: “Este prêmio é um reconhecimento não apenas do meu trabalho e de minha paixão pelo teatro, mas de todos aqueles que, ao longo dos anos, compartilharam comigo o palco, os ensaios e a dedicação à arte. É uma honra imensa ver a cultura potiguar sendo celebrada em nível nacional e saber que contribuímos, com cada espetáculo e cada formação, para tecer a rica e diversa tapeçaria da cultura brasileira.”

João Marcelino nasceu em 1959, em Macaíba/RN, numa casa onde a costura era linguagem cotidiana. Filho de uma mãe costureira, cresceu entre tecidos, linhas e bordados que se transformavam em vestidos e fardamentos para a comunidade. Esse ambiente de criação manual e afetiva forjou o seu olhar para o detalhe, para o gesto e para a potência estética contida no ato de confeccionar. Ainda adolescente, descobriu-se no palco do Cine Teatro Cometa, quando, interpretando versos de Carlos Drummond de Andrade, percebeu que sua vida seria guiada pelo teatro.

Aos 20 anos, em 1980, iniciou profissionalmente sua trajetória no Grupo Manacá, sob a direção de Costa Filho, como ator, figurinista e cenógrafo. Dois anos depois, integrou o Teatro da Esquina Colorida e a Stabanada Cia. de Repertório, consolidando- se como artista múltiplo. Desde então, construiu uma carreira de 45 anos, atuando como Diretor de Arte, Figurinista, Cenógrafo, Aderecista, Diretor Teatral, Dramaturgo, Visagista e Cineasta.

Percurso

Seu percurso soma 158 trabalhos em diversas regiões do Brasil, em especial no Nordeste, Sudeste e Sul. Seus figurinos estiveram presentes na Quadrienal de Praga (2015), maior evento internacional de cenografia e indumentária. Em cada criação, João compreende o figurino como uma pele prolongada do ator, uma dramaturgia visual que carrega memória e afeto.

Trabalhou com grupos de referência nacional como o Grupo Imbuaça (SE), Clowns de Shakespeare (RN), Armazém Companhia de Teatro (RJ) e Coletivo Alfenim (PB). Manteve parcerias continuadas com a Casa de Zoé, o Grupo Estação de Teatro e a Bobox Produções, além de importantes coletivos do RN, como Máscara de Teatro, Pão Doce, Estandarte e a Casa da Ribeira.

Idealizou e dirigiu grandes espetáculos de caráter popular e comunitário, como “Chuva de Bala no País de Mossoró”, dirigido por 13 anos, o “Auto da Liberdade” e o “Oratório de Santa Luzia”, todos de grande impacto na cena potiguar e que envolveram centenas de artistas e milhares de espectadores.

De 2002 a 2009, foi diretor do Centro Experimental de Formação e Pesquisa Teatral da Fundação José Augusto, onde coordenou oficinas permanentes, ciclos de leituras dramáticas e montagens que reuniram mais de 2.500 alunos em sete anos. Esse espaço tornou-se um marco na formação de artistas potiguares, revelando nomes que hoje atuam em todo o Brasil.

Espaço de memória coletiva

Recentemente, estreou em dezembro de 2025, o espetáculo “Sonho de uma Noite de Natal” produzido pela Bobox Produções e realizado pela Prefeitura do Natal, percorrendo 5 (cinco) bairros pelas quatro regiões da cidade.

Ao longo de quatro décadas e meia, João Marcelino construiu um arquivo cênico feito de tecidos, volumes, adereços e imagens que atravessam gerações. Sua obra se apresenta como um gesto político e poético: transformar a costura em linguagem, o ateliê em território de invenção e o teatro em espaço de memória coletiva.

O Prêmio Funarte Mestras e Mestres das Artes tem como objetivo valorizar e dar visibilidade a artistas e grupos culturais que se destacam por sua notável contribuição à cultura brasileira, especialmente aqueles com longa trajetória, profundo conhecimento e impacto significativo em suas comunidades e no cenário nacional.

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Categoria(s): Cultura

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