domingo - 22/02/2026 - 06:02h

Nem tudo é saudade

Por Bruno Ernesto

Bancos na Praça da saudade, Cemitério São Sebastião/Mossoró (Foto: Bruno Ernesto, 04-02-2026)

Bancos na Praça da saudade, Cemitério São Sebastião/Mossoró (Foto: Bruno Ernesto, 04-02-2026)

Já reparou que tem dia que pensamos estar numa época distante de nossa vida?

Num dia lembra a nossa adolescência – a volta do colégio, da casa dos avós, da missa, da volta do supermercado, ou até do ambulatório quando sequer existia o SUS -, no outro, só dá saudade.

Mesmo que estejamos equidistantes entre o início e o fim, é mais que uma nostalgia.

Enquanto o sinal do trânsito está fechado num de chuva copiosa, você percebe a sua total desnecessidade, pois o trânsito, por si só trava. Nem vem, nem vai.

Você olha a chuva, o trânsito, o relógio, a correria, o cansaço de uma noite mal dormida, o compromisso daqui a quinze minutos – no trajeto de vinte e cinco ou trinta minutos.

Mais tarde, alguém surge com uma gentileza imponderável de deixar o carrinho de compras bem no meio da única vaga do estacionamento do supermercado ou escolhe indecisamente o que quer pedir para o almoço, quando o restaurante só tem um garçom e quinze mesas.

Quem sabe, bem na hora de você abastecer o seu carro, a motocicleta avança na sua vez, embora você tenha esperado impacientemente por quase cinco minutos, e o frentista vai atender primeiro o motociclista, claro.

Decerto, uma hora ou outra, alguém vai demonstrar o verdadeiro charme que o filósofo francês Gilles Deleuze dizia sempre residir nas pessoas, que é justamente quando elas perdem as estribeiras, quando essas pessoas não sabem muito bem em que ponto estão.

Ao contrário do que se pense – dizia -, não são pessoas que desmoronam. Pelo contrário, nunca desmoronam.

E neste ponto, que se você não captar a pequena marca de loucura de alguém, não pode gostar deste alguém.

Simplesmente você jamais gostará dele, pois é justamente este lado que de fato interessa. É esse lado que todos nós temos.

Os inimigos e invejosos se revelam no nosso velório. Os amigos verdadeiros nos prestigiam em vida e sem obrigação.‎

Não entenda mal. Eu quis dizer isso mesmo.

Nem tudo é saudade.

Bruno Ernesto é advogado, professor e escritor. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de -Mossoró – IHGM

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Categoria(s): Crônica

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