Por Bruno Ernesto
Arte é tudo aquilo que, intencionalmente emociona, convida a refletir por uma outra perspectiva ou, simplesmente mostra que o extraordinário para um não passa de ordinário para outro, e vice-versa.
Se você puser os olhos em algo que se encaixe minimamente nessa perspectiva, ela alcançou o seu objetivo. Não importa se o que despertou em você seja um bom ou mau sentimento. A arte é assim mesmo.
Muitas vezes, a intenção da obra é mesmo prospectar um sentimento antinômico entre o objeto e o espectador.
Não por onde, o papel do curador de uma exposição anda pari passu ao do próprio artista, e convida o espectador a percorrer um percurso que, se não lhe passa uma impressão direta sobre a mensagem do autor ou temática daquelas obras, ao menos mostra que é possível enxerga-la sob outra ótica.
Não é incomum – por vezes até compreensível – que alguém pense que cabe exclusivamente ao curador direcionar a impressão do público de uma exposição. Nem sempre.
Assim como qualquer arte, um pintor, um escultor, um fotógrafo, um músico ou um escritor, percorrem verdadeiros ciclos criativos ou desimaginativos. E é aí que um curador atento pode pinçar o que aquele ciclo pode despertar no expectador.
Evidente que, desde a concepção, com a escolha do tema ou obras de determinado artista, passando pela expografia, com a organização da galeria, iluminação, cores, público e circulação dele, até a exposição em si, antes de tudo, a curadoria é uma operação intelectual que envolve teoria crítica de matizes cultural, política, estética e de visão de mundo.
E essa condição do curador, além de envolver escolhas do curador, envolve escolhas e consequências do próprio autor – e do curador também -, e propõe uma interpretação que estrutura, em última análise, nossa relação com a própria arte, quer seja ela visual, olfativa, tátil ou sonora.
Claro que a mesma obra pode ter inúmeras leituras com o passar dos tempos ou com o tipo de público que a observa, pois é uma relação sinalagmática.
O que faz da obra ou de uma exposição realmente interessante e instigadora é, em última análise, o que ela desperta em você; ainda que inconscientemente.
Bruno Ernesto é professor, advogado, escritor e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM
























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