Candidatas da família Rosado disfarçam o poder real por trás das "cortinas"
Habituada a eficiente propaganda ufanista que superdimensiona sua imagem externamente, Mossoró resume na política a essência dessa postura. Nem tudo que parece, é.
Na sucessão municipal de 2008, a disputa familiar que se repete há 20 anos entre Rosado e Rosado, esconde outra faceta que confirma esse modelo "paraguaio" de ser. Está em evidência outra artimanha político-familiar à perpetuação no poder: é a versão "Rosado-laranja".
A prefeita Fafá Rosado (DEM) e sua adversária Larissa Rosado (PSB) são apresentadas por seus respectivos grupos como modelo de capacidade administrativa. O substrato da propaganda é esse. Na prática, ambas são estandartes mais palatáveis ao gosto do eleitor.
Quem se eleger vai ter alguém governando por si nos bastidores. O eleitor vota no que vê e acerta o que não quer.
A prefeita Fafá Rosado, que tenta a reeleição, resume na atualidade o papel de "rainha da Inglaterra." A notória empatia popular e a intimidade com os cliques das máquinas fotográficas não a transformaram em gestora.
Seu irmão caçula, o agitador cultural Gustavo Rosado, chefe de Gabinete da prefeitura, é quem assumiu o posto de "prefeito de fato."
Nada é resolvido no governo Fafá Rosado sem que Gustavo aprove ou descarte. De uma lantejoula para o espetáculo teatral "Chuva de balas" à assinatura de convênio milionário. Em seu círculo de amizades, é tratado pelo epíteto pomposo de "prefeito." Faz sentido.
Na própria campanha da mana, ele autonomeou-se coordenador.
Com Larissa Rosado, a expectativa é de que sua mãe e deputada federal Sandra Rosado (PSB) encarne esse papel. Larissa está no segundo mandato como deputada estadual e é a esperança do seu ramo familiar para retomada da hegemonia municipal. Esse gosto só foi provado em 1996.
Com a morte do prefeito Dix-huit Rosado no exercício do mandato, a vice-prefeita dissidente Sandra Rosado assumiu à titularidade até o fim, com 70 dias restantes de gestão.
Adaptação
Para ser secretária da Agricultura do estado até bem poucas semanas, Larissa teve como adjunto o professor e ex-titular da pasta, Pedro Almeida Duarte. Homem de confiança de Sandra, ele foi a garantia à segurança técnica da filha no cargo. Foi o "secretário de fato."
Os Rosado não reinventam a política e a gestão do poder com a fórmula em questão. Fazem uma adaptação aos seus interesses e peculiaridades.
Em Mossoró, quem primeiro inaugurou esse instituto de mando quase invisível foi Carlos Augusto Rosado (DEM), então deputado estadual.
Com a eleição a prefeito da mulher e hoje senadora Rosalba Ciarlini (DEM) em 1988, ele pegou as rédeas da prefeitura. Em mais dois mandatos (1996 e 2000), Carlos consolidou a fama de mandachuva.
Para emblematizar a força que gosta de demonstrar, Carlos Augusto assumiu o apelido provocativo de "Ravengar", personagem de uma novela da Rede Globo interpretado por Antônio Abujamra. Era um todo-poderoso de reino fictício, acostumado a mandar e desmandar. Perfeito. Carlos adorou.
No Brasil Império, o príncipe dom Pedro I teve o intelectual José Bonifácio como tutor e principal conselheiro da infância ao reinado. O cardeal Jules Mazarin foi primeiro-ministro e condutor da política absolutista em prol de Luís XIV. Seu antecessor, Cardeal de Richellieu, tinha assumido esse posto bem antes com Luís XIII na mesma França, sendo também primeiro-ministro.
Mas a história também reserva papel nefasto para outros personagens que ficavam por trás da cortina.
O caso mais emblemático talvez seja do "místico" e charlatão Grigori Rasputin, nascido na fria Sibéria. Transformou-se no queridinho do czar Nicolau Romanov e da czarina Alexandra na Rússia.
Até ser assassinado, ele ajudou a empurrar a corte para o fim trágico, em meio a um poder desmedido e profunda devassidão. Era conhecido como "a eminência parda."
Rasputin continua se reencarnando até hoje.
























