Por Odemirton Filho
As ondas do mar batiam em suas pernas, e ele ria, afastando-se, com medo, daquela ruma de água. Foi a primeira vez que Pedrinho foi à praia. Contava, então, com dez anos de idade. Era um menino nascido e criado na zona rural, lá pelas bandas do Alto Oeste das terras potiguares. Tão emocionado ficou, que talvez dissesse como a personagem da escritora Ana Maria Gonçalves, no livro Um Defeito de Cor, “eu achei que o mar era da cor do pano de Iemanjá, só que mais brilhante e mais macio”.
Desde novinho, ele desejava conhecer o mar. Os seus pais, no entanto, eram pessoas humildes, viviam de lavrar a terra, trabalhando de sol a sol, com pouco dinheiro. Por isso, o menino Pedrinho sonhava com esse dia. E, finalmente, chegou.
Ele ficava correndo pra lá e pra cá pela praia; fazia castelo de areia; jogava bola com o seu pai e um irmão mais novo. Antes de entrar no mar, fazia o sinal da cruz, rogando proteção a Deus. Como não sabia nadar, ficava no raso, fazendo as mãos em concha e molhando a cabeça. “Tocado pelo vento, o mar ia de um lado para outro, fingia que ia e voltava”. Os pais riam do seu jeito, e ficaram imensamente felizes por terem oportunizado um momento tão especial.
Para muitos ir à praia é algo banal, trivial. Contudo, para o menino Pedrinho, aquele dia foi um verdadeiro presente. Para uma pessoa humilde, criada em meio a tantas dificuldades, o simples se transforma em algo mágico, grandioso. Cada um tem o seu sonho, é certo. Uns sonhos podem ser grandes; outros, podem parecer pequenos. Entretanto, todos são sonhos, dependem do coração.
Ali, na praia, ele conheceu Maria Clara, também com dez anos de idade. Ela, vindo da cidade grande, conhecia o mar desde pequenininha. Logo, eles firmaram amizade e começaram a conversar. O menino contou sobre a sua vida; era do interior do estado do Rio Grande do Norte, estudava numa escola pública e os pais eram agricultores. A menina disse-lhe que era da capital potiguar e já estava acostumada em conhecer lindas praias e que os seus pais eram médicos.
Apesar de cada um viver em seu mundo, com condições financeiras diferentes, eram crianças. Juntos, brincaram, sorriram, tomaram banho de mar, chuparam picolé, fizeram castelos de areia; ainda estavam imunes à arrogância e à vaidade humana.
Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos










































