Por Odemirton Filho
Vez ou outra, eu gosto de ouvir meus pais sobre algumas histórias da Mossoró do passado. Histórias de um tempo, no qual eles estavam no junho da vida; “causos” de uma cidade ainda pequena, interiorana, com seus moradores e lugares que já não existem.
Quando eu ando pelas ruas, principalmente no centro da cidade, gosto de imaginar como era a Mossoró de antigamente. Assim, quando passo em frente a algum imóvel antigo, como por exemplo, a casa que pertenceu a dona Odete Rosado, o casarão de doutor Leodécio Néo, a sede da prefeitura, a casa onde hoje funciona a Procuradoria do Município, o atual museu municipal, o prédio da antiga União Caixeiral, entre outros, fico a imaginar as pessoas e os costumes doutra época.
Contou-me meu pai que, quando tinha nove anos de idade, começou a ajudar um senhor, dono de uma mercearia no Mercado Central. Como meu pai era de família humilde, morando ali na Jerônimo Rosado, desde cedo queria ganhar o seu dinheirinho. A mercearia pertencia ao senhor Pedro Pereira da Costa, e meu pai o ajudava, bem como, levava as compras dos fregueses até as suas residências, pois a maioria residia pelas redondezas do Mercado. Em troca, recebia umas moedinhas. Era comum, naquela época, as pessoas fazerem suas compras no Mercado.
No Mercado Central de antigamente existiam várias bancas, as quais vendiam, sobretudo, gêneros alimentícios. Havia um comerciante apelidado de Rolô que, segundo meu sogro Luiz Fausto, vendia a melhor linguiça que ele já comeu. Existia, ainda, um comerciante que ficava do lado de fora do Mercado, com uma mala preta, vendendo joias, salvo engano, seu nome era João ou José Soares.
Falou-me, também, que fez o curso de datilografia na escola de Antônio Amorim, localizada na esquina, onde fica, atualmente, o Banco do Brasil. Ali, como se sabe, funcionava o colégio Diocesano, o colégio dos padres. O primeiro emprego formal do meu pai foi no Cartório de Santídio Gurgel, localizado na praça do Codó. Depois, o Cartório passou pra titularidade de dona Rita.
Quem chegou a comprar material escolar na Casa Valério, de propriedade de seu Napoleão e dona Corina? Quem depositou o seu dinheiro na Casa Bancária S. Gurgel? Quem tomou umas no Falorito Bar? Quem assistiu a um filme no Cine Jandaia? Pois é, tempo, tempo…
Havia na esquina da rua Dr. Almir de Almeida Castro, uma mercearia pertencente ao senhor Saturnino. Sobre ele há um fato pitoresco: dizem que foi candidato a vereador e anotava os nomes dos eleitores num caderno. Certa vez, uma pessoa disse que votaria nele e pediu para que anotasse o nome no tal caderno. Saturnino, então, respondeu sem meias palavras: “não precisa, já tem nome demais, tô eleito. Porém, abertas as urnas, pra sua decepção, ele não se elegeu.
Minha mãe, contou-me que meu avô, Vivaldo Dantas de Farias, costumava fazer a feira no Mercado Central. Um dia, no entanto, lá estando, começou a conversar com as pessoas e, como gostava de prosear sobre política, a conversa se estendeu. Alguns que estavam no bate-papo começaram a pedir dinheiro. O velho Vivaldo, de enorme coração, acabou doando toda a quantia que tinha no bolso.
Ao retornar pra casa, minha avó, Placinda Dutra, viu meu avô com “as mãos abanando”, perguntou sobre a feira, e ele respondeu-lhe que tinha doado todo o dinheiro. A partir daquele dia, minha avó começou a fazer feira, pois não queria correr o risco de ver os filhos e filhas “sem comida”.
Lembro-me, também, que dias antes da comemoração das bodas de ouro dos meus avós, mamãe me levou a uma alfaiataria, num primeiro andar, em uma esquina próximo à União Caixeiral. Não lembro o prenome do alfaiate (mas acho que o sobrenome era Caldas) para que tirasse as minhas medidas e confeccionasse um terno. Nada como uma roupa sob medida, ficou uma “belezura”.
Bom, são algumas histórias sobre a Mossoró das “antigas”. Se você viveu, deve se lembrar ou, quem sabe, ouviu os seus pais ou avós contarem sobre essas pessoas e/ou lugares. Eu acho bacana conhecer um pouco sobre o passado do chão que a gente pisa.
Se houve algum equívoco em relação a nomes de pessoas ou fatos, deixo consignado as minhas sinceras desculpas.
Por hoje é só.
Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos














































