sábado - 30/08/2025 - 19:34h
Roberto Freire

“País precisa superar a tóxica polarização”, diz ex-senador

Freire esteve em Mossoró para evento da ACJUS (Foto: Reprodução da TCM)

Freire esteve em Mossoró para evento da ACJUS (Foto: Reprodução da TCM)

Por Vonúvio Praxedes (Diário Político)

O advogado, escritor, ex-ministro e ex-senador/deputado estadual/deputado federal por Pernambuco Roberto Freire, 83, esteve em Mossoró para participar do Fórum de Debates “Pensando o Brasil”, promovido pela Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró (ACJUS), na sexta-feira(29). Em entrevista ao Cenário Político da TV Cabo Mossoró (TCM), Canal 10, na quinta-feira (28), Freire revisitou marcos da política nacional, cobrou prioridade para investimentos em infraestrutura, defendeu harmonia entre os Poderes e pediu um pacto pela superação da polarização.

“O Brasil desperdiçou recursos no consumo e investiu pouco em infraestrutura. Em 2025, ainda lutamos por duplicações de rodovias essenciais. Isso atrasa o desenvolvimento”, afirmou, ao citar a BR-304 como exemplo do déficit estrutural do Rio Grande do Norte e do Nordeste.

Freire avaliou que o Congresso tem se afastado do debate estratégico do país ao priorizar a liberação de emendas. Segundo ele, a pulverização de recursos “retira a capacidade de planejamento nacional” e compromete obras estruturantes.

Ele destacou, por outro lado, que a Reforma Tributária (com a criação do IVA) tende a ampliar receitas municipais de forma automática, reduzindo a dependência de peregrinações por verbas: “Distribuir no consumo fortalece a autonomia local”.

Judiciário e liberdade de expressão

O ex-parlamentar criticou o que considera intervencionismo político do STF e defendeu que o tema seja enfrentado institucionalmente, preservando o equilíbrio previsto na Constituição.

No campo digital, Freire pediu respeito à liberdade de expressão e respaldo ao artigo 19 do Marco Civil da Internet, que condiciona a retirada de conteúdo à ordem judicial:

“Plataformas são o novo espaço público. Remoções administrativas ferem a democracia.”

Ao discutir rótulos ideológicos, Freire afirmou que esquerda e direita precisam ser relidas à luz de um novo modo de produção, marcado por automação e inteligência artificial.

“Há setores que reagem ao mundo digital como antigos ‘quebradores de máquinas’. Não é ser de esquerda negar o novo, e sim orientá-lo com valores de liberdade, justiça e fraternidade.”

Questionado sobre o governo federal, Freire disse não dar “nota”, mas registrou que votou em Lula no segundo turno por rejeição a Bolsonaro e que mantém baixa expectativa:

“O Brasil precisa de um estadista. O populismo voltado à reeleição não enfrenta os problemas de fundo.”

Freire encerrou com um apelo à moderação e ao diálogo:

“A mensagem é cada um de nós ter a expectativa e a esperança de que a gente pode fazer um mundo melhor e, portanto, também o Brasil. Mas é uma coisa: ninguém pensa que o que você pensa é o que é o melhor, até porque muitos pensam, pensam diferente e a gente vai ter que ter a capacidade de diálogo. O Brasil está precisando muito disso. Uma das questões fundamentais e que eu poderia dizer é que o Brasil precisa encontrar uma alternativa para superar essa tóxica polarização que não resolve nenhum problema e, ao contrário, cria um sentimento de quebra de solidariedade que você vive na base do atrito e da intolerância. E a gente precisa ter um momento em que, mesmo na nossa divergência, a gente pense o Brasil melhor para todos nós”.

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Categoria(s): Política

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