Em cada município do RN, a governadora Wilma de Faria (PSB), os senadores José Agripino (DEM), Rosalba Ciarlini (DEM) e Garibaldi Filho (PMDB) têm discurso e aliança próprios. Às favas o partido.
É o que está sendo formado na sucessão municipal em 167 municípios.
Nunca estivemos num lodaçal tão espesso e caudaloso como agora, ao longo de pouco mais de 160 anos de história partidária brasileira. A elite política do estado tripudia e ridiculariza o povão, promovendo todo tipo de acerto, conchavo, arrumação e acordão.
Oficializa a infidelidade partidária – que defende da boca para fora – e adota o lema "primeiro eu!" Trata-se de uma prostituição assumida. Não há menor esforço ao disfarce. Transformam o RN num enorme serralho de beiço de cais. Quem não come, é comido.
Eis o ecossistema político potiguar. A suruba ideológica é feita à base do poder a qualquer preço.
Ainda leio teses antropológicas, de sociologia política, história etc que tentam explicar esse atraso multissecular do Brasil e América Latina. Um monte de elucubrações tolas. Vamos ao xis da questão e pronto.
Somos resultado da perpetuação da ignorância através dos tempos. Tudo instalado num presidencialismo caudilhesco e centralizador, que alimenta a exploração do homem pelo homem. Esse é o DNA da dominação passada como herança de pai para filho, da miséria e da submissão patológica que experimentamos.
Por isso não faltam estátuas e bustos em qualquer cidade latina deste lado do Atlântico, com o propósito de massificar a imagem de supostos benfeitores sociais. A única vingança a que o povão idiotizado tem direito a ver, é a natureza fazer a sua parte. Pombos e outros pássaros os cobrem de excrementos merecidos.
Desprovido de conhecimento, inculto e treinado para não ouvir, não enxergar e não falar, uma leva de mortos-vivos apenas aplaude. Inocentes úteis. Os "caciques" têm sempre uma migalha na mão e o porrete na outra. Conhecem a manada.
Há uma coletiva reprodução da "Síndrome de Estocolmo" (apreço e admiração do dominado pelo espoliador), sem que a massa perceba a doentia relação de convivência. Ninguém parece identificar que é apenas objeto de uso e expurgo, ao sabor das necessidades do dominador.
Os que reagem são adesivados como "recalcados", "loucos", "anarquistas" ou "do contra." Por isso temos a manutenção da vassalagem "voluntária", como escrevia Ettiene La Boétie há uns 500 anos.
Ele dissertou sobre o gênero humano e sua vocação ao servilismo, como poucos até aqui. Atualíssimo. Serve como uma luva ao RN de ontem e hoje. Este país não muda por decreto ou com bolsa-qualquer-coisa.
Há um lento e continuado processo de transformação, que passa pelo saber. A educação é um bem imaterial que, após plenamente inoculado em nós, passará a se constituir numa herança geração a geração. Nenhum populista sabido ou tiranete em verde-oliva nos devolverá às trevas, de joelhos encardidos e a cervical curvada.
Um dia esta terra ainda vai cumprir seu ideal.
Faça um Comentário