Reeleição de Sandra e Betinho Rosado dão sinais de exaustão para 2010
Dona do segundo maior colégio eleitoral do RN (153.027 votos), Mossoró vive um paradoxo. Há o temor de ter sua representatividade política reduzida na Câmara Federal. A apreensão tem razão de ser. Não se trata de psicose.
O monopólio do voto que o clã Rosado perpetua há décadas está ameaçado por seu próprio gigantismo. Surgem sinais de exaustão. A autofagia entre suas facções compromete um ciclo longevo de presença na Câmara Federal, de mais de 40 anos.
Na chamada baixa câmara, o município tem dois representantes nominais, afinados por parentesco e ligeiramente afastados pela política. São os deputados Betinho Rosado (DEM) e Sandra Rosado (PSB). Estão lá graças a trapaças da sorte e afago da legislação eleitoral em vigor.
Em 2006, o primeiro foi derrotado quando tentava o quarto mandato consecutivo. Virou deputado com a morte do titular Nélio Dias (PP). Sua prima também escapou por um triz ao obter o segundo mandato seguido. Elegeu-se com a sobra abundante de votos proporcionada por campeões eleitorais estreantes, Fábio Faria (PMB), João Maia (PR) e Rogério Marinho (PSB).
O agravante em 2006, é que Mossoró transformou-se num território aberto. Não é mais inexpugnável, uma cidadela exclusiva dos Rosado. Caiu de vez o mito laboratorial do bairrismo, como critério de seleção nativa e sem vez para candidatos “de fora”.
Os números revelaram essa tendência (veja postagem seguinte).
O discurso contra “forasteiros” foi quebrado até mesmo por quem mais o defendia, caso do vereador Júnior Escóssia (DEM), presidente da Câmara – primo de Sandra e Betinho. Meses antes das eleições, ele advogava a tese. Na campanha, Júnior apoiou Rogério Marinho.
Em relação a 2010, há diversos agravantes à sobrevivência das duas candidaturas Rosado. Betinho não terá, novamente, a ajuda especial da cunhada, a hoje senadora Rosalba Ciarlini (DEM), pré-candidata a governador. Já ocorrera assim em 2006 e ele sentiu o prejuízo.
Sandra convive com “fantasmas” de jaleco branco. A “Máfia dos Sanguessugas” desgasta a imagem de seu grupo. O escândalo bota o ex-deputado federal e seu marido Laíre Rosado (PSB), com um dos principais protagonistas, acuado por vários processos.
Pesa ainda no tocante a Betinho e Sandra, o custo de campanha e sua dimensão efetivamente estadual. É pouco provável que qualquer postulação tenha investimento inferior a R$ 5 milhões. Como fazer frente à exigência?
Não fica por aí o cipoal diante dos primos. Há o fator “Leonardo Nogueira”. Deputado estadual, ele deverá ser o terceiro candidato à Câmara Federal no município, com a mesma raiz da genealogia política: deriva do rosadismo. Um agregado incômodo.
Marido da prefeita Fafá Rosado (DEM), Leonardo e sua ala sabem que não podem vacilar. Ao final do segundo mandato de Fafá (em dezembro de 2012), é preciso ter em mãos outros mandatos ou podem desaparecer politicamente.
Betinho e Sandra que se virem.
* Matéria veiculada no jornal "Na Semana" (Natal).
Prezado Carlos Santos. É uma abordagem interessante enfocando Mossoró, vale lembrar que uma eleição a câmara federal, se realiza em todo o estado, portanto julgo precipitado condenar ao insucesso, nossos deputados.
No caso de Betinho, Mossoró representou em 2006 35% de seus votos e para Sandra, 28%. A analise precisa ser feita como um todo. Precisamos saber onde nossos deputados ganharam e onde eles perderam municipalmente.
Em minha opinião, o oba oba de votos da chapa governista não será repedida, acredito que esta derrota governista em alguns municípios “chave” dificultara bastante a vida de alguns deputados bem votados.
Portanto a coisa aqui não ta preta não, ta marrom.
Caro Carlos, pode surgir nas proxímas eleições um novo nome de Mossoró para deputado federal, trata-se do vereador Daniel Gomes que poderá fazer dobradinha em todo o estado com o deputado Antônio Jácome. Anote aí, grande abraço.