segunda-feira - 29/12/2025 - 12:50h
Brasil

Banco Central e STF batem de frente em nome do Banco Master

Toffoli determinou acareação estranha (Foto: Tom Molina/STF)

Toffoli determinou acareação estranha (Foto: Tom Molina/STF)

Do The News para o BCS

2025 tem sido um ano de tensão constante em Brasília. Teve disputa Congresso vs. Planalto, Congresso vs. Supremo Tribunal Federal (STF) e por aí vai. Agora, já aos 48’ do segundo tempo, surgiu mais um “climão” para fechar o ano: Supremo vs. Banco Central. No fim da última semana, o BC pediu esclarecimentos a Dias Toffoli sobre o pedido feito pelo ministro para uma acareação do Master. O procedimento coloca pessoas com depoimentos contraditórios cara a cara para esclarecer divergências.

Quem também havia se manifestado foi o procurador-geral Paulo Gonet, solicitando ao STF a suspensão da audiência.

Toffoli, no entanto, rejeitou os recursos e manteve a decisão de realizar uma acareação em pleno recesso judicial. Assim, a audiência — marcada para amanhã — vai colocar frente a frente o dono do Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino.

A reação foi imediata

Entidades que representam cerca de 90% do sistema financeiro brasileiro divulgaram uma nota em defesa da independência técnica do BC.

Auditores do Banco Central também falaram em indignação, argumentando que o movimento expõe servidores antes da conclusão das investigações.

Como resposta, o Banco Central deve entrar com recurso no STF contra a participação de um diretor da instituição na acareação, já que Aquino e o BC não são investigados no caso.

Pano de fundo

Além disso, a razão de tanta preocupação por parte do mercado financeiro é sobre a possibilidade de que Toffoli possa reverter a liquidação do Master, o que poderia enfraquecer a imagem do BC.

Vale lembrar que o ministro, que é relator do caso no STF, viajou a Lima para assistir à final da Libertadores no mesmo jatinho em que estava o advogado do Master.

No fundo, o embate vai além do Master. Ele toca num ponto sensível: até onde vai o poder de interferência do Judiciário sobre decisões técnicas do regulador financeiro.

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Categoria(s): Política
domingo - 08/07/2018 - 09:38h

Toffoli talvez seja ateu

Por Honório de Medeiros

Antes de mim nada era existente
Além do eterno e eu eterno sou.
Deixe aqui toda a esperança e entre.”
Inferno, III, 1-9
Dante Alighieri

Quando Dante, conduzido por Virgílio, como se lê em “A Divina Comédia”, chegou à porta do Inferno, e leu a advertência acima nele escrita, se encheu de medo. Não era para menos.

No poema o inferno é descrito como tendo nove círculos de sofrimento localizados dentro da Terra. O oitavo círculo, o “Malebolge” (fraude), é todo em pedra e da cor do ferro, assim como a muralha que o cerca. Aqui estão os fraudulentos.

Este círculo está dividido em dez fossos (ou Bolgias), semelhantes aos fossos que defendem certos castelos, e os fossos estão ligados entre si por pontes.

A “Sexta Bolgia” contém os hipócritas vestidos com roupas brilhantes, atraentes, porém pesadas como o chumbo. Este é o peso que não sentiram na consciência ao fazerem maldades. No inferno, sentem o peso de seu falso brilho. Nele esta Caiphás, o sacerdote que condenou Jesus, crucificado no chão e sendo pisoteado pelos outros condenados, sofrendo as mesmas dores que Cristo sofreu.

A esses hipócritas Jesus destinou uma das suas mais belas pregações (Mateus, 23, 1-39):

(…)

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia!”

(…)

“Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado.”

Pois bem, o jornalista Ruy Fabiano, nestes dias, escreveu um artigo cujo título é “STF: sem juízes e sem juízo”. Transcrevo alguns trechos:

“No dia 3, o ministro Dias Toffoli negou habeas corpus a Evanildo José Fernandes de Souza, morador de rua que furtou e depois devolveu à loja uma bermuda de R$ 10.

A Defensoria Pública da União recorreu à tese da irrelevância do furto e ao fato de o morador ter devolvido a mercadoria. Toffoli foi implacável: tratava-se de reincidência – e ponto.

Evanildo cumprirá pena de 1 ano e sete meses.

Já José Dirceu, reincidente dos reincidentes – condenado no Mensalão e duas vezes no Petrolão por desvios multimilionários –, foi posto em liberdade pelo mesmo Toffoli, sem que a defesa do condenado o pedisse.

Não há irrelevância, nem devolução do roubo. E não é só: um dia antes de condenar o morador de rua, Toffoli, usurpando as prerrogativas do juiz da causa, Sérgio Moro, mandou tirar a tornozeleira eletrônica de José Dirceu. Nada de medida cautelar.

Trata-se agora de um homem livre, embora condenado duas vezes, em segundo grau, e já cumprindo pena. Pode agora, se quiser, comparecer à 24ª reunião do Foro de São Paulo, em Havana, no próximo dia 19. Não se sabe se irá, mas não será o STF a barrá-lo.

Toffoli integra a 2ª Turma do STF, onde, ao lado de Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, tem sido sistemático na defesa e libertação dos réus políticos da Lava Jato. Em circunstâncias normais (algo que inexiste há muito tempo), nem poderia julgar José Dirceu, a quem deve não apenas o cargo, mas a própria carreira.

Foi seu chefe de gabinete, advogado e assessor. A ele, deve a nomeação ao cargo de Advogado Geral da União, de onde, ainda por meio dele, foi guindado à mais alta Corte de Justiça do país – ele que fora reprovado em dois concursos para juiz de carreira.

(…)

Não se trata apenas de juízes: está faltando juízo ao STF.”

Talvez Toffoli seja ateu.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN

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Categoria(s): Artigo
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terça-feira - 08/05/2018 - 21:04h
PRIMEIRA MÃO

Agripino e Rosalba são julgados na 2ª turma do STF

Relator vota por denúncia contra senador por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e outro crime

Agripino e Rosalba: problemas (Foto: Web)

A 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começou por volta das 19h58 de hoje (terça-feira, 08), a julgar o recebimento de denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o senador José Agripino Maia (DEM) e à prefeita de Mossoró e ex-governador do Rio Grande do Norte Rosalba Ciarlini (PP).

Relator, o ministro Ricardo Lewandowski votou para receber denúncia contra José Agripino por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e uso de documento falso. O caso é sobre suposto caixa 2 de R$1,15 milhão de empresa prestadora de serviço de inspeção veicular ambiental. Em relação à Rosalba, votou por rejeição da denúncia.

Ambos denunciados teriam recebido dinheiro via caixa 2 de um empresário e, em contrapartida, viabilizariam a manutenção da empresa como prestadora de serviço de inspeção veicular ambiental no início do governo Rosalba Ciarlini (2011-2014).

Agripino também é acusado de apresentar documentos falsos à PGR.

Viagem e tensão em Brasília

A prefeita Rosalba viajou no início da semana para Brasília, com o objetivo de acompanhar ao lado do marido e ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado, o andamento desse processo.

Mas sua assessoria tem divulgado uma agenda eminentemente administrativa, na tentativa de despistar a prioridade da viagem.

A denúncia contra ambos vem no bojo da “Operação Sinal Fechado”.

Conheça AQUI a petição assinada por seis promotores, com pedidos de busca e apreensão, sequestro de bens e prisão de supostos envolvidos na “Operação Sinal Fechado”. É uma peça com 189 páginas. Caso se arrasta há cerca de sete anos.

Depois o Blog Carlos Santos trará mais detalhes sobre o caso.

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Categoria(s): Justiça/Direito/Ministério Público / Política
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