Havia em Mossoró, num tempo a perder de vista, uma figura hilariante e pitoresca de nome Odílio Pinto. Apesar do clima da terrinha ser constantemente abrasador, Odílio era visto sempre em conversas amistosas com amigos comuns, de paletó, gravata borboleta, chapéu de massa. Quase sempre, também, com um cigarro de palha no canto da boca.
A rotina era de constante diversão. Os participantes das rodas de bate-papo tinham a garantia de uma conversa leve, descontraída e de muitas gargalhadas, graças ao jeito brincalhão do amigo. Dominava os encontros por ser, além de alegre, muito espirituoso.
Auxiliado por Waldir Uchôa e Valdeci dos Santos (Vavá do Banco do Nordeste), era o principal apresentador, na Rádio Difusora, de um programa político bem humorado, de grande audiência, denominado “Boteco do Pituca”.
O pico de ouvintes se dava com a proximidade dos pleitos eleitorais.
Radialista nas horas vagas, seu trabalho primeiro, no entanto, era de escrivão da Polícia Civil. E na sua atividade de servidor da segurança pública, Odílio Pinto não cumpria outro papel. Simplificando: não tinha outra cara e jeito de ser. A verve era a mesma.
No seu ofício na delegacia, ao receber o depoimento do participante de uma briga entre “amigos”, telefonou para o hospital com a finalidade de saber como estaria o outro contendor. A informação preliminar era de que tinha saído muito ferido à faca.
– Aqui quem fala é Odílio Pinto, da delegacia. Gostaria de saber o estado de saúde de um cidadão que levou 6 cutiladas de faca peixeira na noite de ontem.
Da recepção do nosocômio lhe informaram que o paciente estava “passando bem”. Isso mesmo: “Passando bem”.
Odílio, com seu humor e grande presença de espírito, retrucou:
– Não acredito de jeito nenhum. Eu não levei nenhum arranhão e não estou passando bem, quanto mais um infeliz que está aí todo esfaqueado.
Paulo Menezes é meliponicultor e cronista
























