domingo - 17/08/2025 - 03:44h

Um imortal entre nós

Por Bruno Ernesto

João Almino na ACJUS fala com acadêmicos e convidados Foto: Bruno Ernesto)

João Almino na ACJUS fala com acadêmicos e convidados (Foto: Bruno Ernesto)

No último dia 11 de agosto de 2025, a Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró (ACJUS), recebeu em sua sede, Palácio Cultural Acadêmico Milton Marques de Medeiros, o mossoroense, acadêmico e imortal João Almino, único potiguar a integrar a Academia Brasileira de Letras (ABL), eleito em 8 de março de 2017, na sucessão de Ivo Pitanguy na Cadeira nº 22, e empossado em 28 de julho de 2017, da prestigiada academia literária fundada em 26 de julho de 1897, e presidida por Machado de Assis.

João Almino traduz e é a prova maior de que Mossoró é um berço profícuo da cultura e que tem alcance para muito além de suas fronteiras.

A simplicidade de João Almino pode ser constatada em sua trajetória de vida, marcada pelas suas vívidas lembranças de uma Mossoró que lhe acolheu aquela criança nos primeiros anos de vida até, literalmente, ganhar o mundo como diplomata.

Sua mente e criatividade literária, aliada à sua sensibilidade como um observador atento do cotidiano e das transformações sociais e interrelacionais, refletem prodigiosamente em suas obras literárias, como nos romances “As cinco estações do amor”, “Samba-Enredo”, “Homem de papel”, “Cidade livre”, “Enigmas da primavera”, “Ideias para onde passar o fim do mundo”, “Entre facas, algodão” e “O Livro das Emoções”.

Além para esse olhar literário, suas obras não-ficcionais também demonstram que o seu olhar técnico como diplomata enxerga muito além da crítica comum, como nas obras “Os Democratas Autoritários”, “A Idade do Presente”, “500 anos de Utopia” e tantas outras.

Ao contrário daqueles encontros mais formais ou ritualísticos, sua passagem por Mossoró, segundo ele próprio registrou, foi um reencontro com o seu passado, com os personagens reais que marcaram sua primeira fase de vida e, visivelmente emocionado, detalhou sua trajetória e o orgulho de ser mossoroense, demonstrando como a força de vontade e, sobretudo, uma mente brilhante e criativa, o fez trilhar um caminho sempre amparado na literatura.

Foi interessante constatar que suas memórias de infância e juventude nas ruas de Mossoró, assim como nos sítios da família, em muito se assemelha a outras tantas, como nos episódios de livramento que teve, ao quase sofrer de um choque elétrico fatal ao brincar; ao quase ser arremessado cerca a fora pela freada do cavalo em disparada, e ao ser salvo pela irmã de um atropelamento – certamente fatal – quando partiu em disparada bem em frente à sua casa. A diferença, talvez, seja que ele consiga contar esses episódios com vontade de repeti-los.

Sua passagem por Mossoró essa semana também foi marcada ao ser homenageado na vigésima edição da Feira do Livro de Mossoró, onde participou de uma sessão de autógrafos e uma conversa literária com os leitores.

Almino testemunha foto sua sendo fixada em mural da ACJUS Foto: Bruno Ernesto)

Almino testemunha foto sua sendo fixada em mural da ACJUS (Foto: Bruno Ernesto)

Aliás, em sua recepção na sede da Academia de Ciência Jurídicas e Sociais de Mossoró, registrou que foi com um prêmio literário – o seu primeiro -, que conseguiu as passagens para poder ir ao Rio de Janeiro e prosseguir com a sua formação acadêmica, graduando-se em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mestrado em sociologia pela UnB, doutorado em História Comparada das Civilizações Contemporâneas pela École des Hautes Etudes en Sciences Sociales de Paris e pós-doutorado no Centro de Estudos Avançados da USP, além de ter sido agraciado com a Medalha de Ouro do Rio Branco, após ter sido aprovado em primeira colocação no Curso de Preparação à Carreira Diplomática do Instituto Rio Branco, o qual dirigiu posteriormente.

Numa conversa franca e direta, portanto, João Almino fez questão de registrar que valoriza todas as instituições de promoção e preservação da cultura e da literatura, pois são o contraponto e o elo entre quem produz e quem vive a cultura, e que é importante manter viva e a veia cultural pulsante de todas as formas possíveis.

De fato, João Almino é um exemplo para todos que ainda acreditam que a cultura, arte e, sobretudo, a literatura, ainda vivem, e que é necessário resistir para ser cada vez mais valorizada.

É interessante notar, todavia, que poucos veículos de comunicação registraram a passagem histórica de João Almino por Mossoró essa semana. Não por onde, isso reflete e faz constatar que a pauta literária e cultural vem perdendo espaço para outras menos proveitosas, embora resista.

Aliás, se não fosse a criatividade literária, que nos permite essa fuga da realidade controlada, se assim podemos dizer, a vida – bem ou mal – seria menos interessante para todos nós e, talvez, o narrador de “O Empréstimo”, conto do Bruxo do Cosme Velho, tivesse razão, ao dizer que podemos elogiá-la à vontade: está morta.

Bruno Ernesto e advogado, professor e escritor

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Categoria(s): Crônica / Cultura
sábado - 17/12/2022 - 22:34h
Cultura

Morre a acadêmica Nélida Pinõn

A escritora e acadêmica brasileira Nélida Piñon morreu aos 85 anos em Lisboa neste sábado (17). Ocupante da Cadeira 30 da Academia Brasileira de Letras (ABL), para qual foi eleita em 27 de julho de 1989, ela foi a primeira mulher a presidir a entidade em 100 anos.

escritora Nélida Piñon, ocupante da cadeira 30 da Academia Brasileira de Letras (Foto: Reprodução)

Escritora Nélida Piñon, ocupante da cadeira 30 da Academia Brasileira de Letras (Foto: Reprodução)

A causa da morte não foi divulgada. Segundo o atual presidente da ABL, Merval Pereira, ela teve problemas nas vias biliares e passou por uma cirurgia de emergência, mas não resistiu.

Nélida Piñon nasceu no Rio de Janeiro em 1937 e se formou em Jornalismo, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Segundo o site da ABL, ela foi a primeira mulher no mundo a presidir uma academia de letras.

Com mais de 20 livros publicados, suas obras foram traduzidas em mais de 30 países. Entre eles, romances, contos, ensaios, discursos, crônicas e memórias.

Saiba mais AQUI.

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quarta-feira - 27/05/2020 - 15:38h
RJ

Morre o jornalista e acadêmico Murilo Melo Filho

Murilo nasceu em Natal (Foto: ABL)

G1

Morreu nesta quarta-feira (27), aos 91 anos, o escritor e jornalista Murilo Melo Filho, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Segundo a ABL, Murilo Melo Filho morreu de manhã no Hospital Pró-Cardíaco, vítima de falência múltipla de órgãos. O sepultamento será no mausoléu da Academia Brasileira de Letras.

Diante da recomendação de se evitar reuniões e aglomerações por conta do coronavírus, não haverá velório.

Murilo Melo Filho nasceu em Natal no dia 13 de outubro de 1928 e foi o mais velho de sete irmãos. Já aos 12 anos de idade começou a trabalhar no Diário de Natal, com Djalma Maranhão, escrevendo um comentário esportivo. Posteriormente passou por outras publicações da região.

Aos 18 anos, veio para o Rio, onde estudou no Colégio Melo e Souza e foi aprovado em concursos públicos para datilógrafo do IBGE e do Ministério da Marinha, ingressando a seguir no Correio da Noite, como repórter de polícia.

Trabalhou também na Tribuna da Imprensa, com Carlos Lacerda; no Jornal do Commercio, com Elmano Cardim, San Thiago Dantas e Assis Chateaubriand; no Estado de S. Paulo, com Júlio de Mesquita Filho e Prudente de Moraes Neto; e na Manchete, com Adolpho Bloch.

Repórter e ABL

Estudou na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e na Universidade do Rio de Janeiro, pela qual se formou em Direito. Chegou a advogar durante sete anos.

Como repórter free-lancer, entrou para a Manchete, criando a seção “Posto de Escuta”, que escreveu durante 40 anos. Nessa mesma época, dirigiu e apresentou na TV-Rio, com Bony, Walter Clark e Péricles do Amaral, o programa político Congresso em Revista, que ficou no ar ininterruptamente durante sete anos, sendo a princípio produzido e apresentado no Rio e, depois, em Brasília.

Viveu em Brasília de 1960 a 1965, que testemunhou em centenas de reportagens. Construiu ali a sede de Bloch Editores e da Manchete e foi, a convite de Darcy Ribeiro e de Pompeu de Souza, professor de Técnica de Jornalismo na Universidade de Brasília.

Sexto ocupante da Cadeira nº 20 da ABL, foi eleito em 25 de março de 1999, na sucessão de Aurélio de Lyra Tavares e recebido em 7 de junho de 1999 pelo Acadêmico Arnaldo Niskier.

Nota do Blog – Murilo é uma referência da reportagem política e sintetizou parte dessa sua trajetória em livro. Tenho comigo segunda edição de “Testemunho político”, em que conta “quatro décadas da História do Brasil” que ele narrou.

Testemunho Político é um livro que narra várias situações da política nacional no século passado

Que descanse em paz.

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Categoria(s): Blog
segunda-feira - 13/11/2017 - 16:55h
Mossoró

Membro da Academia Brasileira de Letras lançará livro

No próximo dia 17 de novembro (sexta-feira), o escritor mossoroense e diplomata João Almino desembarcará em Mossoró.

Ele vai lançar o seu mais novo livro: “Entre facas, algodão”.

O evento acontecerá no Teatro Municipal Dix-huit Rosado, a partir das 18h30.

O evento terá outras atividades, promovidas pela Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró (ACJUS).

Almino é membro da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Tomou posse no dia 28 de julho último.

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Categoria(s): Cultura
  • Repet
sábado - 11/11/2017 - 09:18h
Vazio

Afastar de quê?

Por François Silvestre

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou pedido do Ministério Público Federal (MPF) para afastar das funções o governador Robinson Faria (PSD). Agiu corretamente.

Primeiro, porque o MP é pródigo em pedidos e recomendações sem fundamentação legal. Segundo, porque não se afasta quem já está afastado.

Isso me leva à memória de um episódio de ocupação de uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL). Era para ocupar a cadeira de Rui Barbosa.

Um grupo de acadêmicos defendia a tese de que a cadeira de Rui deveria ficar vazia. Outro grupo, vitorioso, discordou e elegeu Osvaldo Orico para ocupar a cadeira.

Agripino Grieco, crítico literário, escreveu: “Nessa disputa, os dois grupos venceram. Os que queriam um acadêmico ali sentado, conseguiram. E os que queriam a cadeira vaga, também”.

O STJ agiu dentro da avaliação do ilustre crítico.

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Categoria(s): Opinião
sábado - 21/10/2017 - 15:44h
Em Mossoró

Mossoroense da Academia Brasileira de Letras lançará livro

No próximo dia 17 de novembro, o escritor mossoroense e diplomata João Almino lançará o seu mais novo livro: “Entre facas, algodão”. O evento acontecerá no Teatro Municipal Dix-huit Rosado.

A noite de autógrafos se somará à homenagem da Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de Mossoró (ACJUS) ao escritor, que recentemente foi empossado como novo imortal na Academia Brasileira de Letras (ABL).

Nascido em Mossoró em 1950, Almino foi diretor do Instituto Rio Branco, se formou em direito pela Universidade do Estado do RJ (UERJ) e é mestre em sociologia pela Universidade de Brasília (UNB).

Entre seus livros, podem ser listados “Ideias para onde  passar o fim do mundo”, “As cinco estações do amor” e “O livro das emoções” – destaques da crítica.

Foi eleito para a ABL no dia 8 de março deste ano e tomou posse no dia 28 de julho último.

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sábado - 29/07/2017 - 08:08h
Cultura

Posse de João Almino é prestigiada por mossoroenses

A posse do novo imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), diplomata e escritor João Almino, foi bastante concorrida à noite dessa sexta-feira (28) no Rio de Janeiro.

Foi prestigiada por diversos potiguares e por uma delegação de mossoroenses, como ele, nascido por essas plagas em 1950.

Clauder Arcanjo, David Leite, João Almino e Pedro Fernandes Neto posam para a posteridade na ABL (Foto: cedida)

Na foto acima, Almino é ladeado pelos editores e escritores da Editora Sarau das Letras, Clauder Arcanjo e David Leite, além do reitor da Universidade do Estado do RN (UERN), professor-doutor Pedro Fernandes Neto.

João Almino substitui Ivo Pitanguy na cadeira 22 da ABL.

Leia também: Mossoroense toma posse na Academia Brasileira de Letras AQUI;

Leia também: Escritor mossoroense chega à Academia Brasileira de Letras AQUI;

Leia também: João Almino e o pulsar das letras, por David Leite AQUI.

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Categoria(s): Cultura
sexta-feira - 28/07/2017 - 16:10h
Hoje

Mossoroense toma posse na Academia Brasileira de Letras

É hoje (sexta-feira, 28), às 21h, a posse do diplomata e escritor mossoroense João Almino, na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro-RJ.

Almino: grande momento (Foto: Veja)

A solenidade acontecerá no Petit Trianon, local para as reuniões regulares dos Acadêmicos e para as Sessões Solenes comemorativas e de posse de novos membros da ABL (conheça AQUI).

Ele ocupará a cadeira que anteriormente era de Ivo Pitanguy, a de número 22. A acadêmica Ana Maria Machado fará discurso de recepção ao novo integrante da casa

Livros

Nascido em Mossoró em 1950, Almino foi diretor do Instituto Rio Branco, se formou em direito pela Universidade do Estado do RJ (UERJ) e é mestre em sociologia pela Universidade de Brasília (UNB). Entre seus livros, “Ideias para onde  passar o fim do mundo”, “As cinco estações do amor” e “O livro das emoções” são alguns destaques de crítica.

Foi eleito para a ABL no dia 8 de março deste ano.

Uma delegação de amigos e escritores potiguares viajaram ao Rio de Janeiro para prestigiá-lo.

Leia também: Escritor mossoroense chega à Academia Brasileira de Letras AQUI;

Leia também: João Almino e o pulsar das letras, por David Leite AQUI.

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quinta-feira - 20/07/2017 - 15:13h
Ciro Leandro Costa da Fonseca

Aluno de doutorado da Uern ganha prêmio literário nacional

Do Blog da Chris

O Prêmio Literário Escritor Universitário Alceu Amoroso Lima, promovido pelo Centro de Integração Empresa Escola (CIEE) e pela Academia Brasileira de Letras (ABL), teve, pela primeira vez, um potiguar entre os vencedores.

Aluno do doutorado em Letras no campus de Pau dos Ferros da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Ciro Leandro Costa da Fonseca ficou em terceiro lugar na 17ª edição do prêmio, que neste ano teve como tema “A inspiração literária em Lygia Fagundes Telles”.

Ciro, para realizar o trabalho, pesquisou sobre a vida e os trabalhos da autora.

Para Ciro, o prêmio representa um reconhecimento por seu trabalho e por sua linha de pesquisa. “Eu vejo como um incentivo para que eu participe de outros prêmios e para que outros estudantes participem também”, destaca.

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Categoria(s): Cultura
domingo - 12/03/2017 - 08:24h

João Almino e o pulsar das letras

Por David Leite

Novembro de 2015. Lá estávamos numa sala de apoio da Feira do Livro de Mossoró: João Almino, Jotta Paiva e eu. Jornalista, Jotta Paiva tinha o objetivo preciso de entrevistar João Almino. Enquanto que a minha “obrigação” era a de acertar detalhes para a sequência da “mesa”, que logo se desenrolaria no palco principal do evento, onde Almino seria o protagonista e eu, um mero coordenador.

Naqueles poucos minutos, estava meio complicado avançarmos nas tarefas, pois éramos interrompidos constantemente: primos e amigos de João adentravam à saleta desejosos em abraçá-lo, saudá-lo, ávidos em manifestarem a satisfação do reencontro. Por outro lado, representantes de entidades literárias e culturais também irrompiam reivindicando alteração no roteiro pré-estabelecido, no afã de prestar-lhe homenagens.

Intuitivamente fiquei observando o comportamento de João Almino. Aos parentes e amigos, João esboçava humanísticas reações, ou seja, sem alardes descabidos, contudo extremamente afetuoso, dispensava uma cordialidade que se estendia, na medida do possível, ao esforço de corroborar com as “reconstruções” das lembranças, muitas das quais sacadas dos recôncavos das memórias.

Almino e David Leite na Feira do Livro (Foto: cedida)

Em relação aos representantes das entidades, João delineava concordância quanto às ampliações propostas, porém sempre olhando para mim, como a perguntar se eu, como coordenador, não se opunha. Claro que a minha resposta era de aquiescência.

Seria descabido tolher aquele espectro de euforia que pairava no ar. Afinal de contas, era um filho ilustre que voltava à sua cidade numa condição especialíssima.

Particularmente, até então, não conhecia pessoalmente o nobre conterrâneo. Éramos amigos “virtuais”, vamos assim dizer; e, há tempo, fazíamos o chamado “escambo” de livros.

Enviei-o, por exemplo, nosso livro Cartas de Salamanca (Sarau das Letras, 2011), e recebi dele um agradecimento mais ou menos assim: “David, gostei especialmente desse seu livro, pois tanto fala sobre a Espanha, onde estou servindo como diplomata, como retrata aspectos de nossa Mossoró”.

Ainda estava em Salamanca, nos últimos meses do doutorado, quando João chegou à Espanha, na qualidade de cônsul. Costumava brincar com os colegas: “Estou doido que apareça um problema em meu ‘visto de permanência’ para eu ir ao consulado em Madri. Afinal de contas, seria muito bom um mossoroense ser atendido por outro mossoroense”.

Claro que era da boca pra fora, pois nem augurava o problema e, muito menos, queria importuná-lo.

Mas a vida nos reservou o momento de convergência literária. Significativo momento, diria. Já havia lido outros livros de João, entretanto Enigmas da Primavera (Record, 2015) me propiciou um prazer especial. Ambientado entre Brasília e Espanha, o romance desenrola-se dentro de uma perspectiva jovial, movimentada e calcada em um lastro de bem urdidas abordagens histórica e filosófica, num melhor diapasão possível.

Sem pedantismo, a obra nos leva a navegar, avaliar e sopesar sentimentos religiosos e políticos, que se tangem, na maioria das vezes, de forma equivocada. Naquela tarde-noite, tive oportunidade de entabular perguntas sobre o referido livro, para que o público pudesse ouvir esclarecedores comentários do próprio autor.

Ao fim e ao cabo, já nos bastidores, João Almino me fez um comentário, deixando-me com uma ponta de vaidade, confesso: “David, depois das perguntas, posso dizer que a sua leitura foi atenta e perspicaz”.

Bem, agora, quando da eleição de João Almino para uma das cadeiras da Academia Brasileira de Letras (ABL), me veio logo a vontade de escrever estas linhas. Por vivermos um momento ímpar: é o primeiro filho de Mossoró a galgar uma cadeira no mais festejado templo das letras brasileiras. Registre-se, o quarto potiguar.

Porém, por um cacoete mnemônico ou bairrista, derivado, talvez, pela aproximação dos nomes, o que não para de ressoar em minha cabeça é uma frase de Almino Afonso, tribuno da Abolição: “Os ventos do deserto prologam ainda estrofes suavíssimas de primor patriótico, repetindo, cem vezes o nome de Mossoró”.

Canhestramente, valho-me da frase de Afonso, para dizer que desta feita é o outro Almino, o João, que reverbera o nome de nosso chão com seu primoroso pulsar das letras. Elevando-o, assim, por inesperadas alturas.

David Leite – Doutor pela Universidade de Salamanca (Espanha) e professor da Universidade do Estado do RN (UERN).

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Categoria(s): Crônica
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quinta-feira - 09/03/2017 - 14:33h
"Besta se ler"

Rumo à “academia”

Depois que o mossoroense João Almino chegou à Academia Brasileira de Letras (ABL) – veja AQUI, eu e Caby da Costa Lima disputamos outra vaga.

Temos livros da série “Besta se Ler”, quase “Best-sellers”.

Vamos à luta, “camaradinha”!

Mas na condição de um escritor “mundialmente desconhecido” levo certa desvantagem, admito.

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Categoria(s): Cultura / Só Pra Contrariar
quinta-feira - 09/03/2017 - 06:44h
João Almino

Escritor mossoroense chega à Academia Brasileira de Letras

Por revista Veja online

O diplomata e escritor João Almino foi eleito o novo imortal pela Academia Brasileira de Letras (ABL). Por unanimidade, o vencedor vai ocupar a Cadeira 22, antes pertencente ao médico Ivo Pitanguy, que morreu em agosto de 2016.

Almino: escolha na ABL (Foto: Veja)

A votação contou com 23 acadêmicos presentes e 10 por cartas de 37 possíveis votantes. Quem não o escolheu, optou por abster-se.

Natural de Mossoró, no Rio Grande do Norte, Almino foi diretor do Instituto Rio Branco, se formou em direito pela UERJ e mestre em sociologia pela UNB.

O acadêmico elegeu a cidade de Brasília como principal cenário de seus romances mais populares, entre eles Ideias para Onde Passar o Fim do Mundo, As Cinco Estações do Amor e, o mais recente, Enigmas da Primavera.

Também assinou livros de ensaios filosóficos e políticos, como Era uma Vez uma Constituinte e Naturezas Mortas.

Nesta quinta-feira, dia 9, a ABL elege outro imortal, substituto de Ferreira Gullar. O poeta Antonio Cicero segue como favorito, após ficar de fora na primeira votação para escolher quem ocuparia o lugar de Pintaguy.

Na ocasião, nenhum nome alcançou a maioria simples para se eleger.

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Categoria(s): Cultura
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