É recorrente: a cada período chuvoso em Mossoró, a ladainha é a mesma em artérias do centro da cidade – e outros setores, com águas pluviais que avançam sobre prédios comerciais, equipamentos públicos, ruas, travessas, praças, avenidas e residências.
Por nossa cultura, a prevenção só é lembrada quando o problema está instalado.
Também é uma recidiva a queixa, sempre, atribuindo ao poder público a culpa e responsabilidade por tudo.
Alto lá!
Infelizmente, vivemos numa sociedade que se acostumou à dependência em menor ou maior escala da ação pública, com escassa mobilização popular e rara postura proativa.
É sempre mais fácil terceirizar responsabilidades do que assumir seu papel de protagonista, na defesa dos seus próprios interesses e do coletivo.
É lamentável, por exemplo, que Sindicato do Comércio Varejista (SINDIVAREJO), Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e Associação Comercial e Industrial de Mossoró (ACIM) não mobilizem associados para campanha educativa e ação prática que atenue ou evite a sobrecarga das galerias pluviais.
Boa parte do que testemunhamos ao final de cada chuva é resultado dessa postura inerte, distante e alheia. Não temos uma “sociedade comunal”, como identificou o escritor francês Alexis de Tocqueville, num estudo ainda no século XIX, sobre o comportamento do cidadão norte-americano.
O prefeito (a) de ocasião é culpado por tudo e, esse, por vezes acha mais fácil apontar o dedo para o antecessor, para se livrar de qualquer culpabilidade.
Atribuir apenas à Prefeitura a responsabilidade pelo não-funcionamento de galerias, acúmulo de lixo em esgotos, construções que comprometam o fluxo das águas, é de novo uma postura escapista e atrasada. Mais uma vez, em uso, o complexo de transferência de culpa que termina por comprometer a vida de muitos.
Quando as chuvas passarem e as ruas voltarem à normalidade, banhadas por panfletos, lixo, aquelas garrafinhas para água mineral que jogamos da porta do carro (para não entulhar seu interior), tudo cairá no esquecimento. Até às próximas chuvas e inverno, quando elegeremos São Pedro, o prefeito (a) e outros como culpados pelos estragos das águas.
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