domingo - 17/11/2024 - 09:02h

Bebelplatz

Por Bruno Ernesto

Bebelplatz (Foto do autor do texto)

Bebelplatz (Foto do autor do texto)

Em mais uma tarde escura e num frio intenso e persistente – porém agradável -, caminhávamos em direção à Universidade de Humboldt para alguns registros e, enfim, conhecer pessoalmente a tão conceituada universidade que Leonardo Martins, meu professor de direito constitucional alemão na época do mestrado, em Direito na UFRN, tanto me incentivou a lá cursar o doutorado e que, por circunstâncias da vida, não foi possível.

Já havíamos passado por lá no dia anterior, entretanto, posterguei a parada diante do roteiro já traçado, hermeticamente confirmado, reconfirmado e ratificado por e-mail pelo controle de acesso ao Bundestag, que fica um pouco mais adiante, já próximo ao portão de Brandemburgo.

Embora já familiarizado com a cultura alemã, a fama de sistematicidade alemã ainda é muito amadora em relação à, digamos, hermenêutica empírica brasileira. Keith Rosenn certamente fica extasiado e envaidecido em relação à sua obra “O jeito na cultura jurídica brasileira”. Recomendo a leitura aos interessados no assunto.

Quem quiser visitar o parlamento e o prédio histórico do Reichstag alemão – aquele que foi criminosamente incendiado no dia 27 de fevereiro de 1933, quatro semanas após a ascensão de Adolf Hitler ao cargo de Chanceler do Reich alemão – , deve enviar por e-mail ou Fax – sim, ainda utilizam o fac-símile – um formulário um tanto extenso por eles disponibilizados, escolhendo um dos dias, horários e roteiros disponíveis para que eles analisem a sua requisição e, se for o caso, você conseguirá visitá-lo.

No dia pretendido não havia mais a possibilidade de visitar apenas o prédio do Reichstag e, assim, acessar o terraço panorâmico e a cúpula, uma vez que seria apenas por visita guiada, razão pela qual não me restou outra alternativa, senão, apenas assistir à sessão do Parlamento.

A propósito, tal cúpula é bem famosa e foi milimetricamente posta acima do plenário do Bundestag, de modo que você pode ver os parlamentares sentados naqueles simples assentos cor púrpura, os quais, frente aos do nosso homérico Parlamento, mais parecem de um anfiteatro de uma faculdade, enquanto faz sua caminhada pela espiral em direção ao terraço panorâmico.

Se bem que a cor púrpura no mundo místico significa espiritualidade, mistério e libertação do medo, algo que não deve ter nenhuma correlação séria diante dos sisudos parlamentares e da tépida receptividade dos alemães, apesar de no trajeto entre Berlim e Amsterdã o restaurante do trem só vender comida vegana. Vá entender.

Me perguntaram algumas vezes se eu portava alguma arma. Só tive coragem de brincar quando uma senhorinha muito elegante também me perguntou, porém com um sorriso sincero. Respondi: apenas armas nucleares. Por sorte ela sorriu fervorosamente e disse que isso não seria problema.

Após assistirmos à sessão, a primeira após ao que já se tem considerado como sendo um colapso político da coalizão que governa a Alemanha, uma vez o chanceler Olaf Scholz acabara de demitir o ministro das Finanças e agendou uma moção de confiança para o início do próximo ano, na saída do plenário, perguntei à mesma senhorinha – perguntei seu nome, porém acabei por esquecer – se poderíamos ir à cúpula; ela sorriu e disse que não haveria problema. Bem, objetivo alcançado.

Lá, tal qual o túnel que liga o edifício principal ao anexo II do Senado, que é conhecido como o “Túnel do Tempo”, há a cronologia política do Estado alemão moderno.

Lá pude ver a famosa constituição de Weimer, assinada em 11 de agosto de 1919 e que é um marco para os direitos sociais, os quais, nos últimos dias, são objeto de uma acirrada discussão acerca da redução da jornada de trabalho no Brasil e que vendo algumas postagens de alguns advogados autointitulados experts, despejam nas redes sociais uma verdadeira verborragia. Alguns eu até admiro pela coragem de passar tanta vergonha em público.

Sim, no conjunto do tempo, havia um destaque para Hitler. Eles não omitiram esse fato histórico e obscuro que ocorreu no país entre os anos trinta e quarenta do século XX.

O detalhe é que ninguém correlaciona o nazismo ao povo alemão. O próprio povo alemão se enoja por isso e levam muito a sério e repudiam veementemente quem ousa correlacioná-lo.

Você, caro leitor, deve me perguntar, pois, qual a correlação entre a minha visita ao Reichstag, a Universidade de Humboldt e a Bebelplatz.

É simples: na mesma quadra, Adolf Hitler foi nomeado Chanceler da Alemanha em 30 de janeiro de 1933; no dia 27 de fevereiro de 1933, incendiaram o prédio do Reichstag e no dia 10 de maio de 1933, queimaram milhares de livros na Bebelplatz, que fica em frente à Universidade de Humboldt.

O que se seguiu, também se resumiu a queimar e pude ver com meus próprios olhos.

Mas isso ainda serão outras histórias.

Bruno Ernesto é advogado, professor e escritor

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domingo - 22/01/2023 - 15:20h
História

O vinho mais antigo do mundo tem quase 1.700 anos

Do portal Terra

Na Alemanha, mais precisamente na cidade de Speyer, existe o Museu Histórico do Platinado, lá é possível conhecer mais sobre a Idade Média, ver peças de ouro centenárias e ver de perto a garrafa de vinho mais antiga do mundo, com quase 1700 anos.

Garrafa tem produto há mais de 1.700 anos em seu interior (Foto: Reprodução)

Garrafa é de origem romana (Foto: Reprodução)

Estima-se que a “garrafa de vinho Speyer” tenha sido produzida em meados de 325 dC. Ela foi encontrada enterrada com um par de romanos de classe alta. Em 1867 este túmulo foi encontrado e a garrafa ainda encontrava-se intacta e completamente lacrada.

De acordo com um artigo publicado no IFL Science, sim, é possível beber o vinho que está guardado há 1700 anos nesta garrafa. “Microbiologicamente, provavelmente não está estragado, mas não traria alegria ao paladar”, disse a professora de vinhos Monika Christmann ao Futurism.

Ainda segundo a professora, o que é visto dentro da garrafa é uma mistura firme, que pode ser comparado com resina, porém, não pode ser considerado vinho, isso porque todo teor alcoólico já foi perdido.

Em um post sobre a garrafa no Instagram, o Museu escreveu que o sabor “provavelmente seria comparado ao de uma goma de mascar sem gosto“. O que pode não parecer uma ideia horrível, mas também não convence.

O chefe de coleção do museu, Ludger Tekampe, falou com o The Local sobre a garrafa, contou que era o único membro da equipe que já havia manuseado a peça e ainda afirmou que era estranho tocá-la. “Não temos certeza se ele aguentaria ou não o choque [do] ar. Há quem acredite que deva ser submetido a novas análises científicas, mas não temos certeza.”, disse ele.

Garrafa não foi aberta até hoje (Foto: reprodução)

Garrafa não foi aberta até hoje (Foto: reprodução)

DE ACORDO COM O MUSEU, os romanos colocavam azeite sobre o vinho para não deixar o ar entrar em contato com o líquido. E aparentemente, deu certo! O vinho continua estável após vários séculos. Uma fina camada de cera sobre a boca da garrafa também ajudou no processo, ela manteve o vinho lacrado com segurança.

A garrafa não foi aberta até hoje e provavelmente não vai ser, isso porque, segundo o IFL Science, os especialistas não estão seguros de que o vinho resistiria depois disso. Então, a curiosidade continua.

Além do líquido, a garrafa também é uma obra de arte, possui 1,5 litro e é adornada com alças inspiradas em golfinhos.

A entrada do Museu Histórico do Platinado é gratuita, então se você estiver de passagem pela Alemanha e quiser conhecê-la, nem terá que gastar seus euros para isso.

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sexta-feira - 25/03/2022 - 16:44h
Europa

Músico potiguar faz turnê com filarmônica dos países nórdicos

A Filarmônica do Mar Báltico, orquestra nórdica que reúne músicos da Dinamarca, Estônia, Finlândia, Alemanha, Letônia, Lituânia, Noruega, Polônia, Rússia e Suécia, está em turnê pela Europa, mas com um tempero bem potiguar: a presença entre seus músicos do trompetista Grácio Zaqueu.

Trompetista Grácio Zaqueu, de Campo Grande-RN para o mundo (Foto: divulgação)

Trompetista Grácio Zaqueu, de Campo Grande-RN para o mundo (Foto: divulgação)

Nascido em Campo Grande, cidade do Médio Oeste potiguar, Zaqueu iniciou seus estudos em música, ainda criança, no Instituto Gentil. Primeiro na Escolinha de Flauta Doce e, posteriormente, dedicou-se ao trompete.

Continuou seus estudos na Escola de Música da Universidade Federal do RN (UFRN). Seu talento e sua dedicação o levaram à Helsinki, Finlândia, onde mora e faz mestrado na Academia Sibelius, um dos maiores conservatórios europeus.

“Sempre que falo sobre minha carreira de músico, gosto de citar o Instituto Gentil, onde iniciei meus estudos na flauta doce e onde, além da música, eu tive acesso a livros, à aula de informática e a outros cursos, o que ajudou muito a me tornar a pessoa que sou; se eu não tivesse esta oportunidade que o Instituto me deu, de poder aprender música, talvez eu não estivesse onde estou hoje”, ressalta Grácio Zaqueu.

E ele não esquece de seus primeiros professores, os maestros Ranieri Soares e José Wilson, já falecidos, e Cláudio Jales.

Em sua turnê, a Filarmônica do Mar Báltico já se apresentou esta semana na Sala Queen Elizabeth, na Antuérpia (Bélgica), e fará mais dois concertos: na Sala de Concerto da Filarmônica de Berlim, na Alemanha, e no Centro Europeu de Solidariedade, na cidade polonesa de Gdańsk.

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sexta-feira - 26/11/2021 - 13:28h
Bye

Ex-prefeita se prepara para viagem à Europa

tipos-de-malasA ex-prefeita Rosalba Ciarlini (PP) afivela as malas para viagem demorada à Europa.

Agora em dezembro, bye.

Residindo entre Mossoró e Tibau, a ex-prefeita viajará na companhia do marido e ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado.

Ano novo e mais umas semanas serão por lá, em especial na Alemanha.

Boa viagem, gente!

Cuide-se.

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terça-feira - 02/11/2021 - 07:20h
Economia

De malas prontas para trabalho de vulto

Carlos, Cleílma e Anna Júlia: boa nova Foto: rede social)

Carlos, Cleílma e Anna Júlia: boa nova (Foto: rede social)

O economista e consultor de negócios Carlos Duarte vai embarcar no próximo dia 19 para excursão de trabalho a países da Europa.

Aterrissará na Espanha e Alemanha, com possibilidade de esticar estada em outros países na região da Escandinávia.

Ele faz trabalho para holding internacional que aposta investimentos de muitas cifras no Brasil e Rio Grande do Norte, em especial.

Adiou o embarque que deveria ter acontecido mês passado, em face de mais uma ótima notícia: na quarta-feira (20) chegou Anna Júlia, mais uma criança para ele e dona Cleíma Fernandes.

Depois esbarro por aí, para conhecer minha ‘sobrinha’.

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domingo - 03/10/2021 - 12:48h

Bandido/herói

Por Inácio Augusto de Almeida

Julho de 1944. A guerra perdida para a Alemanha.  Oficiais de alta patente sabiam que a derrota era inevitável e que, continuar lutando era apenas sacrificar ainda mais o sofrido povo alemão. Só que não tinham coragem de dizer isto ao louco que continuava acreditando na vitória.

E por conta da covardia do alto comando das forças armadas, milhares de militares e civis morriam todos os dias.

Um coronel não suportou ver tanta covardia causando tanto mal ao povo alemão e resolveu agir.

Explosivos foram acionados, mas Hitler conseguiu se salvar do atentado (Foto: reprodução)

Explosivos foram acionados, mas Hitler conseguiu se salvar do atentado (Foto: reprodução)

Chamou para si a tarefa de matar Hitler e negociar uma rendição condicional com os aliados. Rendição que, por não ser incondicional, manteria à Alemanha numa posição não humilhante e preservaria milhões de vidas.

STAUFFENBERG sondou vários generais e todos se mostraram simpáticos à ideia. Até mesmo o grande Rommel concordava que a guerra estava perdida.

Stauffenberg armou a OPERAÇÃO VALQUÍRIA e partiu para uma reunião na Toca do Lobo, onde Hitler se reuniria com generais, levando dentro da pasta uma bomba de alto poder explosivo. Stauffenberg chegou a colocar a pasta com a bomba armada para explodir minutos depois e conseguiu sair da sala.

A bomba explodiu e Stauffenberg retornou a Berlim certo que Hitler tinha morrido.

A Operação Walquíria começou a funcionar e todos aderindo ao projeto que buscava pôr fim a uma guerra que já não tinha sentido.

Logo que a voz do Hitler é ouvida nos rádios dos alemães, ele tinha sobrevivido, todos começaram a se afastar de Stauffenberg a quem passaram a chamar de traidor.

O Coronel Stauffenberg foi fuzilado imediatamente. Outros também foram fuzilados, mas sempre apontando Stauffenberg como o responsável pela traição.

E como TRAIDOR DA ALEMANHA Stauffenberg entrou para a história.

O tempo passou e a verdade surgiu.

Hoje uma enorme estátua do HERÓI Claus Von Stauffenberg pode ser vista na mais movimentada avenida de Berlim.

De bandido a herói.

A verdade pode demorar a aparecer, mas sempre aparece.

Que o exemplo de Stauffenberg sirva para covardes que mentem, encobrindo atos espúrios, reflitam.

A história está repleta de exemplos de que os imediatistas, os covardes, os mentirosos, terminam mergulhados na vala do esquecimento.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

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Categoria(s): Crônica
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terça-feira - 02/06/2020 - 05:48h
Pandemia

A marcha fúnebre da Covid-19 no Brasil

Tudo dentro do previsto, tudo como foi antecipado na Europa e Ásia, em especial na Itália, mas com bons exemplos vindos da Coréia do Sul e Alemanha.

Sepultamento no país chega a números espantosos, com doença tendo campo fértil para avançar (Foto: O Globo)

Tudo como ocorre nos EUA, que desdenhou do vírus e paga seu preço.

A infindável guerra política que testemunhamos e um ano eleitoral em 5.570 Municípios, com seus interesses paroquias, tornam Brasil ambiente pronto e acabado para tragédia em andamento.

A Covid-19 segue sua marcha fúnebre.

Infelizmente.

* Brasil chegou a 29.937 óbitos. O resultado divulgado nessa segunda-feira (1º) representou um aumento de 2,1% em relação ao dia anterior, quando foram contabilizados 29.314 falecimentos por covid-19 (veja AQUI).

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domingo - 12/04/2020 - 10:14h

Um inimigo invisível e sua força há mais de um século

Por José Edilson de A. G. Segundo

Era 1918. Nessa época, estava em curso, em seu quinto ano, a Primeira Guerra Mundial. Iniciada em 28 de julho de 1914, também conhecida como Grande Guerra foi um conflito global concentrado na Europa e que envolvia as maiores potências mundiais. Divididas em dois grandes grupos: de um lado, Reino Unido, França e Rússia, formado em 1882, e denominado de Tríplice Entente; e, no campo oposto, Itália, Alemanha, Áustria e Hungria, constituído, em 1907, a denominada Tríplice Aliança. A Itália migraria para o outro grupo em 1915.

Inspetoria de Higiene do Estado de SP fazia orientação parecida com as de hoje (Reprodução: Site Migalhas)

O Brasil também participou, enviando para os campos de batalha enfermeiros e medicamentos para ajudar os países componentes da Tríplice Entente. A “Grande Guerra” chegou ao fim em 11 de novembro de 1918, com vitória dos aliados da França e grande derrota da Alemanha.

Ainda em janeiro de 1918, surgiu uma outra batalha igualmente devastadora, a “gripe espanhola”. O termo “espanhola” não faz referência à suposta origem da doença, mas sim ao fato de que a imprensa espanhola ficou conhecida por divulgar as notícias dela pelo mundo. A explicação para isso tem relação direta com a Primeira Guerra Mundial.

A gripe espanhola afetou todos os continentes e teve um forte impacto nos países que lutavam na Primeira Guerra Mundial. Por conta desse conflito, era necessário que as informações da doença fossem escondidas de forma a não prejudicar o moral dos soldados, não criar pânico na população e nem passar imagem de fraqueza para o adversário.

Assim, as notícias dessa gripe letal eram censuradas em grande parte dos países europeus. A Espanha, no entanto, não participava da guerra, e sua imprensa tinha liberdade para falar da doença. Isso fez com que a cobertura espanhola ficasse conhecida no mundo, e a pandemia passou a ser nomeada como “gripe espanhola”.

Também chamada de “gripe de 1918”, era causada por um inimigo invisível, invasor e oportunista: o vírus influenza. Disseminada rapidamente, logo se transformou numa pandemia. Uma violenta mutação do vírus da gripe veio a bordo do navio Demerara, procedente da Europa.

Em setembro de 1918, sem saber que trazia o vírus, o transatlântico desembarcou passageiros infectados no Recife, em Salvador e no Rio. No mês seguinte, o país todo estaria submerso naquela que até hoje é considerada a mais devastadora epidemia da sua história.

Nem o presidente da República foi poupado. Rodrigues Alves, eleito em março de 1918 para o segundo mandato, contraiu a temível gripe e não tomou posse. O vice, Delfim Moreira, assume interinamente em novembro, à espera da cura do titular. Rodrigues Alves, porém,este faleceu em 14 de janeiro de 1919 no Rio de Janeiro, então capital da República.

De forma indireta, a gripe espanhola plantou a semente do Ministério da Saúde, que foi criado em 1930.

Em Mossoró, a gripe espanhola apavorou uma grande parcela da população, no período de 8 de outubro de 1918 a janeiro de 1919. De uma população estimada em 16.000 habitantes, em 1917, 6.000 pessoas contraíram a doença, ocasionando 60 mortes. Ao resultado, deve ser acrescidas às precárias condições sanitárias, em uma cidade sem saneamento básico.

Na época, o Presidente da Intendência (Prefeito, nos dias atuais), era Jerônimo Rosado (1861-1930). O serviço clínico ficou a cargo de seu colega de Intendência, o médico Antônio Soares Júnior, por sinal, o primeiro mossoroense a se formar em Medicina.

Foi criado um hospital de emergência (de campanha), o São Sebastião, que prestou serviços essenciais.

Jerônimo: gripe (Foto: reprodução)

Um século depois, surgiria outra doença viral, mais precisamente em 31 de dezembro de 2019, na China, causada por um vírus com formato de coroa. Por essa razão, ficou conhecido como coronavírus, originando a terrível enfermidade Covid-19. Em poucos meses se transformou em pandemia.

No Brasil, os primeiros casos de Covid-19 foram registrados em 25 de fevereiro de 2020. No RN, o primeiro caso foi registrado no dia 12 de março. Nove dias depois, dia 21 de março, Mossoró apresentava o primeiro caso. Uma semana depois, Mossoró registrava o primeiro óbito do Estado.

Com pouco mais de um mês, Mossoró, até o momento, é a cidade com maior número de óbitos do Estado: 6; e a segunda com número de casos: 65. Os números não parecem ser por acaso. A proximidade com o estado do Ceará, onde faz divisa, pode agravar a situação. E, talvez, o maior risco seja decorrente da população que resiste, em grande parcela, ao isolamento social.

A pandemia Covid-19 preocupa bastante. O isolamento social é a melhor estratégia para conter a propagação dessa temível enfermidade. Precisamos lutar juntos para vencer. A vida vencendo a morte. Por isso, em defesa da vida, por ela e mais nada, fique em casa.

* Texto dedicado aos profissionais da saúde, em especial, aos Fiscais de Vigilância Sanitária da Prefeitura de Mossoró, do qual, com grande honra, faço parte.

José Edilson de A. G. Segundo é biólogo, servidor público municipal e escritor

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sábado - 11/04/2020 - 08:22h
Pandemia

Experiência alemã mostra como é difícil guerra contra Covid-19

O jornalista Ricardo Senra, da equipe da BBC News Brasil, baseado em Londres, mostra como um dos países mais ricos do mundo, com uma estrutura de saúde invejável e alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a Alemanha, está enfrentando a Covid-19.

A experiência alemã se baseia em quatro pontos fundamentais, descritos por Senra.

Os resultados preliminares no enfrentamento são bons, mas não significa que a doença está vencida e superada. Os alemães sabem que o pior está por vir e o tamanho do estrago depende só deles.

O relato do jornalista revela profundas diferenças com o que testemunhamos, por exemplo, no Brasil.

Outra guerra

Tem relação direta com perfil do próprio povo (disciplinado, consciente, austero) e a liderança de seu governo, comandado pela premier Angela Merkel.

A antecipação de medidas logo ao surgimento dos primeiros casos, até aqui tem sido um dos pontos cruciais nessa guerra que é vista por Merkel como o grande desafio da Nação pós-Segunda Guerra Mundial.

Nessa postagem, também colocamos um pronunciamento de Merkel, feito há poucas semanas (20 de março), em que fala dos problemas e da necessidade de superação. As dificuldades estavam apenas começando.

Um país destruído por duas guerras mundias na primeira metade do século passado, obrigado a assumir enorme sacrifícios de reparações a vencedores dos conflitos, dividido em dois durante décadas e reunificado no fim dos anos 80, tem muito a nos ensinar.

Óbitos

Mesmo com todos os esforços, a nação unida e grande volume de recursos, a Alemanha tem hoje 2.736 óbitos, 65.522 registros da doença e 53.913 recuperados.

Acompanhe por esse visualizador (clique AQUI) atualizado, como está a pandemia em todo e qualquer país do mundo.

Às 8h18 deste sábado (11), o mundo contabiliza 103.502 óbitos (6.05% dos registros), com 1.225.017 de casos ativos382.053 (22,33%) recuperações.

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Categoria(s): Política / Saúde
sexta-feira - 27/03/2020 - 08:40h
Pandemia

Pacote de R$ 750 bilhões é preparado para irrigar economia

Do Canal Meio e Blog Carlos Santos

O ministro Paulo Guedes está trabalhando em um pacote que somará R$ 750 bilhões para enfrentar o impacto econômico do novo coronavírus. Parte deste dinheiro já havia sido anunciado — são medidas como liberação de depósitos compulsórios do Banco Central, reforço no Bolsa Família e antecipação de 13º dos aposentados.

Temor do governo federal e, do mundo afetado, é que a onda seguinte seja ainda mais catastrófica (Foto Web)

Haverá ajuda do governo para que micro e pequenas empresas mantenham seus empregados — em alguns casos, o Estado poderá arcar com até 100% dos salários. Em grande parte, não é dinheiro novo, apenas adiantamentos. (G1)

A Câmara dos Deputados aprovou, ontem um projeto que destina R$ 600 a toda pessoa que comprovar não ter renda, por pelo menos três meses. Mães que comandam sozinhas famílias podem receber duas cotas, totalizando R$ 1.200. Ainda será preciso passar pelo Senado. (Poder 360)

Nas contas do governo, o benefício atingirá 24 milhões de pessoas. A campanha Renda Básica que Queremos, que conta com o apoio de inúmeras empresas e economistas, avalia que pelo menos 77 milhões de brasileiros precisarão de uma ajuda assim.

Os bancos, ah, os bancos!…

Na outra ponta, os bancos estão apertando o torniquete — empresas, de micro a grandes, que os procuram para negociar dívidas, em busca de capital de giro ou empréstimos a longo prazo, estão encarando maior rigidez do que antes da pandemia.

Os mais atingidos são bares e restaurantes, os primeiros a sentir o impacto da crise. A promessa da Federação Brasileira dos Bancos (FEBRABAN) era outra. (Folha)

Reino Unido

Na Inglaterra, governo anunciou que vai pagar até 80% dos ganhos dos trabalhadores autônomos. A base de cálculo será a média dos últimos três anos. O limite é de cerca de 2,5 mil libras, algo em torno de R$ 15 mil/mês.

EUA

O Congresso deve aprovar um pacote de estímulo de US$ 2 trilhões nesta quarta-feira, incluindo um fundo de US$ 500 bilhões para ajudar indústrias afetadas com empréstimos e uma quantia comparável para pagamentos diretos de até US$ 3.000 a milhões de famílias norte-americanas. Outras medidas já foram anunciadas pelo Federal Reserve (FED), o Banco Central norte-americano.

Alemanha

Em 23 de março, acertou um pacote de até 750 bilhões de euros; 100 bilhões de euros para um fundo de estabilidade econômica que pode assumir participações diretas em empresas; 100 bilhões de euros em crédito ao banco público de desenvolvimento para empréstimos a empresas em dificuldades; o fundo de estabilidade oferecerá 400 bilhões de euros em garantias de empréstimos para garantir dívidas corporativas sob o risco de inadimplência.

Itália

Foi baixado decreto de emergência no valor de 25 bilhões de euros que suspende o pagamento de empréstimos e hipotecas para empresas e famílias e amplia os fundos para auxiliar empresas a pagarem trabalhadores demitidos temporariamente.

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sexta-feira - 22/11/2019 - 18:56h
Consórcio Nordeste

Governadores encerram missão européia na Alemanha

A primeira missão internacional dos governadores do Nordeste foi encerrada nesta sexta-feira (22), em Berlim. Como último compromisso na Europa, eles estiveram nas sedes dos Ministérios da Economia, Educação e Cooperação e Desenvolvimento da Alemanha, onde explicaram o funcionamento do Consórcio Nordeste.

Governadora do RN compôs delegação no Ministério da Economia da Alemanha (Foto: Elisa Elsie)

Ampliar o fluxo de negócios com investidores europeus e fortalecer as relações de cooperação foram os principais objetivos da viagem.

Na passagem por Paris, Roma e Berlim, o consórcio destacou o potencial de consumo e de desenvolvimento do Nordeste, que reúne 57,1 milhões de habitantes e tem um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 898,1 bilhões, equivalente a 14% do PIB brasileiro.

Tanto no Ministério da Economia como no da Cooperação e Desenvolvimento Econômico, em Berlim, nesta sexta-feira, a questão ambiental foi destacada pelos gestores alemães.

Energias limpas

“Temos muitas empresas com experiências nos setores de saneamento e energias limpas que podem se interessar por projetos no Nordeste. Queremos fazer uma parceria com vocês nessas áreas. Para nós é importante a preservação da Floresta Amazônica para aceitação desses projetos com o Brasil”, explicou o secretário de Estado do Ministério da Economia, Ulrich Nussbaum.

Participaram da missão os governadores Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte), Rui Costa (Bahia), Renan Filho (Alagoas), Camilo Santana (Ceará), João Azevêdo (Paraíba), Paulo Câmara (Pernambuco), Wellington Dias (Piauí) e o vice-governador Carlos Brandão (Maranhão).

O governador de Sergipe foi representado pelo superintendente de PPPs, Oliveira Junior.

Com informações do Governo do RN.

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quarta-feira - 20/11/2019 - 17:28h
Europa em família

Rosalba é flagrada em outro episódio de “meia verdade”

Viagem de prefeita, sob justificativa de presença em evento internacional, esconde outra prioridade

Postagem desta quarta-feira (20) do Blog Thaísa Galvão informa: a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) não custeou a viagem da prefeita de Mossoró, Rosalba Ciarlini (PP), a Barcelona, na Espanha, para participar do congresso de cidades inteligentes.

Rosalba viajou às custas da Prefeitura – asseverou a jornalista e blogueira na mesma matéria.

Em seu Instagram, Rosalba 'prova' que está em evento (Foto: reprodução)

Apenas não pagou a inscrição no evento, no valor de 995 euros (quase 5 mil reais) – acrescentou, com base em consulta feita à própria FNP.

Rapidamente, a Assessoria de Comunicação da municipalidade se apressou em se pronunciar, relata Thaísa Galvão:

“O Executivo Municipal está custeando as despesas da viagem da prefeita Rosalba Ciarlini e do secretário de Fazenda Abraão Padilha”.

“A Prefeitura também confirmou que as despesas do marido (Carlos Augusto Rosado) e filho da prefeita (Kadu Ciarlini), e da esposa do secretário, como o Blog publicou, estão sendo pagas pelos próprios, e não pelo poder público”.

Esse imbróglio que mistura dinheiro público com custeio pessoal, informação institucional com relatos particulares, segue nebuloso. Por quê? Em face do recorrente hábito da prefeita em não deixar tudo às claras, sempre largar por aí uma pequena mentira ou espalhar meias verdades por inteiro.

Versão oficial

Na última quinta-feira (14) – veja AQUI, a gestão municipal noticiou que ela iria para Barcelona – “com participação sendo custeada pela Frente Nacional dos Prefeitos”. O Blog Carlos Santos é que deu maiores esclarecimentos, acrescentados em postagem no sábado (16) – veja AQUI.

Agora, com o embaraço da matéria do Blog Thaísa Galvão, testemunha-se o corre-corre para remendar ou complementar a versão oficial. A municipalidade pagaria sua estadia na Espanha e apenas a inscrição no evento Congresso Internacional de Cidades Inovadoras, o Smart City Expo World Congress (SCEWC), caberia à FNF.

Um pouco diferente do que oficialmente tinha sido noticiado.

Mas esse enredo não acaba aí. Não mesmo.

A prioridade da viagem da prefeita não foi o SCEWC, mas visitar a filha Karla e netos na Alemanha ao lado de outros parentes, como filhos e marido. O SCEWC acontece desde ontem, terminando amanhã.

Caos para trás

A prefeita encaminhou comunicado à Câmara Municipal na quinta-feira, para informar que estaria ausente no período de 15 a 24 de novembro.

Dez dias.

Omitiu cavilosamente, sabe-se lá por qual razão, que o evento seria de apenas três dias.

O caos vivido pelo município com remuneração de pessoal tendo atrasos, desabastecimento de remédios (veja o caso da insulina AQUI) em unidades de saúde, débitos com fornecedores, centenas de terceirizados com folhas em aberto, recursos bloqueados para pagamento de médicos/hospitais e várias pequenas obras inconclusas, talvez recomendasse sua presença em Mossoró.

Leia também: Cacoete da mitomania marca Rosalba à porta de eleição.

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quarta-feira - 21/08/2019 - 22:20h
Consórcio Nordeste

Natal receberá governadores antes de missão na Europa

Governadores estiveram no Piauí hoje (Foto: Assecom PI)

O Consórcio Nordeste (veja mais abaixo ou AQUI) resolveu em reunião nesta quarta-feira (21) em Teresina (PI), que a próxima reunião do colegiado acontecerá em Natal, no próximo mês.

A anfitriã será a governadora Fátima Bezerra (PT), que participou do encontro de hoje. Expectativa é de que os governadores se reúnam em Natal entre os dias 15 e 17 de setembro, durante o encontro Brasil-Alemanha.

A 1ª agenda internacional do grupo de governadores acontecerá provavelmente na segunda quinzena de novembro. A missão deverá manter encontros institucionais e empresariais em quatro países – Espanha, Itália, Alemanha e França – e será encabeçada pelo governador da Bahia e presidente do Consórcio, Rui Costa (PT).

O Consórcio Nordeste irá preparar portfólios com projetos e oportunidades de investimentos na região.

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quinta-feira - 25/07/2019 - 14:16h
Política

Vereadora, aos 100 anos, tem esperança nos jovens

Da Exame (Agencia France Press)

A decisão da alemã Lisel Heise de entrar para a política foi tomada quando cortaram o microfone enquanto ela falava em uma reunião pública. Aos 100 anos, ela se tornou vereadora e agora luta ao lado dos jovens pelo clima.

Há 40 anos, quando se aposentou das salas de aula, ela já defendia a reabertura de uma piscina pública.

Lisel Heise: Alemã de 100 anos entra para a política com bandeira climática (Daniel Roland/AFP)

“Quando eu comecei (a falar), algumas pessoas não queriam realmente me ouvir e foram até desligar o microfone”, contou ela à AFP.

O que mudou desde então foi sua eleição na primavera (hemisfério norte), contrariando qualquer expectativa, para a Câmara Municipal de Kirchheimbolanden, na Renânia-Palatinat (oeste), apenas algumas semanas depois de soprar as velinhas por seu centenário.

“Hoje, pessoas do mundo inteiro vêm falar comigo. Quem está rindo agora?”, brinca ela.

Lisel Heise

“Um líder político deve ter uma visão e um pensamento lógicos, mas também humanistas”.

“Os jovens me dão realmente esperança”, diz, com entusiasmo, essa senhora que briga com a indústria automobilística alemã e caminha até hoje, todos os dias, pela pequena cidade pitoresca de Kirchheimbolanden, com cerca de 8.000 habitantes.

Heise faz parte de uma onda crescente de pessoas da terceira idade que se recusam a se afastar da vida pública, a exemplo do movimento “Oma gegen Rechts” (“Avós contra a direita”).

Viúva há quatro anos, após mais de sete décadas de casamento, ela mora com um de seus quatro filhos e um neto. Lisel tem oito bisnetos.

A sra. Heise gosta de receber os visitantes em uma sala cheia de livros, incluindo um volume, bem à vista, de fotos do ex-presidente americano Barack Obama.

Veja matéria completa clicando AQUI.

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domingo - 07/07/2019 - 06:38h

Armas, por que (não) te querem?

Por Eduardo Cavalcanti

Vamos às estatísticas. Há dados para todos os gostos e interpretações divergentes. A manipulação de pesquisas acerca do aumento ou não da violência diante da liberação ou não do porte de arma de fogo para os cidadãos provoca sérias distorções sobre a opinião pública.

Por mais incrível que pareça, autorizar ou não arma de fogo para o cidadão possui pouca relação quanto ao aumento ou redução da violência. Portanto, trata-se mais de um discurso ideológico e político do que um fato empírico. Basta uma simples análise acerca da situação de alguns países para entender tal fato.Alemanha e Suíça, por exemplo, possuem legislação bastante favorável no que diz respeito ao acesso às armas de fogo. E estão classificados entre os países mais seguros do mundo (Alemanha, 17º; Suíça, 12º), de acordo com o Índice Global da Paz.

O Japão, considerado o 9º mais seguro ainda pelo mesmo índice, possui, de outro modo, legislação muito restritiva quanto ao acesso às armas. Honduras, segue a mesma linha legislativa adotada pelo Japão, mas é o líder quando o assunto é insegurança (considerado o país mais violento do mundo).

Já nos EUA, cuja situação se caracteriza pelos extremos, pois há estados que chegam a estimular o uso de armas de fogo pela sociedade civil (com pontos de venda em lojas e supermercados), como também estados em que há maiores restrições legais, a polêmica sobre o tema sempre está na ordem do dia.

Estudos realizados pela Universidade de Stanford, na Califórnia, informam que a maior facilidade para se obter armas de fogo aumenta os casos de homicídios e suicídios entre os jovens. Ao contrário, pesquisas divulgadas pela  Universidade de Harvard, em Massachusetts, defendem que há uma inegável correlação positiva entre mais armas e menos crimes.

Assim, não há qualquer consenso científico quando o assunto é a relação causa e efeito entre população mais armada e redução/aumento da violência.

Resta claro, em determinados momentos, que o tema do armamento/desarmamento se centra menos como problema que envolve estudos, pesquisas e dados sobre a realidade do que questões econômicas, políticas e midiáticas. Ora, não se pode esquecer que, assim como os entorpecentes, o tráfico ilegal de armas de fogo gira uma economia global imensurável, podendo-se acreditar, por vezes, que a situação de ilegalidade é até mesmo estimulada.

NO BRASIL, estudo promovido pela ONG Small Arms Survey, indicou que, em 2016, existiam 14,84 milhões de armas em posse de civis no país. Com isto, o Brasil se coloca em sétimo lugar no ranking de países com mais armas de fogo em circulação. Como em 2017, havia 328.893 armas registradas no Brasil, segundo a mesma ONG, nota-se claramente a situação de ilegalidade da imensa maioria das armas de fogo.

Portanto, o simples argumento de que mais armas matam mais, defendido por aqueles contrários à ideia de diminuição de exigências legais para o uso de armas de fogo pelos cidadãos brasileiros, não se adequa de forma consentânea com a nossa realidade.

Como raciocínio lógico, menores barreiras para a posse de armas pela sociedade civil no Brasil trazem como consequência imediata maior controle e fiscalização sobre as armas de fogo circulantes e sobre as pessoas que as adquirem.

De modo geral, há alguns fatos que permitem certas concordâncias. Não existe muita interferência na diminuição/aumento do número de homicídios diante de quadro legislativo que restrinja ou facilite a posse de armas de fogo pelos civis. Mas, em sentido contrário, o uso da arma de fogo pode evitar certas situações de violência, como, por exemplo, furtos, violência doméstica e crimes contra liberdade sexual.

A diminuição da violência, portanto, passa por outros vieses mais complexos e que requerem medidas de médio e longo prazo. O debate, deste modo, acerca da diminuição/aumento das restrições legais para as armas de fogo nas mãos de civis pouco interfere quando o assunto é redução da violência.

Por óbvio, que o uso de armas de fogo por pessoas sem qualquer qualificação pode gerar uma lógica inversa, qual seja, transformar-se no próprio instrumento do crime contra quem a utiliza.

Por isto, defendo que devemos transformar a legislação pertinente para uma normativa chamada Estatuto do Armamento, com o estabelecimento, por óbvio, de requisitos e condições mínimas para o porte de armas de fogo.

Eduardo Cavalcanti é promotor de Justiça no RN, mestre em Direito pela PUC/RS e doutorando em Direito pela Universidade de Lisboa

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domingo - 14/10/2018 - 11:34h
Genocídio

A fábrica de extermínio em massa de Adolf Hitler

Escritor mostra como a morte de milhões de judeus se tornou uma "necessidade" da máquina de guerra

Por Luís Antônio Giron (IstoÉ)

O historiador e documentarista inglês Laurence Rees, de 61 anos, se tornou especialista no Holocausto judeu porque ficou intrigado com o surgimento e o progresso do monstruoso modo de produção e destruição nazista. Por isso, sentiu necessidade de compreendê-lo para estabelecer uma interpretação racional de um dos maiores monumentos à incoerência, à violência e ao genocídio.

Sua pesquisa durou 25 anos e resultou no livro “O Holocausto — Uma Nova História”, lançamento da Editora Vestígio. Rees entrevistou centenas de sobreviventes, soldados e oficiais nazistas responsáveis pelos campos de concentração. Tratou de organizar depoimentos inéditos em uma narrativa que busca explicar o nexo entre a chamada “solução final” e a dinâmica da guerra. O resultado é uma história sistemática de um tema muito abordado, mas, até agora, superficialmente analisado.

Rees descortina o nascimento do monstro e o descreve do seguinte modo: no final de 1941, o exército alemão dava aos primeiros sinais de que começava a perder a Segunda Guerra Mundial para os Aliados. Era preciso incentivar a produção das indústrias do Terceiro Reich com um aporte numeroso de mão de obra produtiva — e eliminar aqueles que atrasavam o avanço econômico, como os deficientes físicos e mentais, além da população de judeus. O chanceler alemão Adolf Hitler acreditava que o afluxo de migrantes judeus inviabilizaria o estoque de alimentos e resultaria em fome para toda a população.

Três anos antes, na Conferência de Evian, convocada pelo presidente americano Franklin Delano Roosevelt, que reuniu representantes de 32 países no balneário francês, Hitler havia proposto que todos os países acolhessem os judeus radicados na Alemanha. Ele os culpava por terem desencadeado a Primeira Guerra Mundial.

O Führer (em alemão, “condutor”, “guia”, “líder”) se dispusera a expulsar os judeus aos países que simpatizassem com eles, “até em navios de luxo”, como declarou. Mas ninguém aceitou recebê-los, fato que Rees identifica como um dos dois fatores causadores do Holocausto, como ficou conhecido o extermínio judeu, além do de outras populações, como poloneses, ciganos e minorias, como os homossexuais.

O segundo fator foi a crescente escassez de recursos da Alemanha. Isso acelerou a construção da indústria da morte nazista.

Adolf Hitler em rara aparição no fim da guerra: atribuiu a derrota aos judeus (Crédito:Walter Frentz)

“Evian foi um momento crucial do Holocausto”, diz Rees em entrevista.

“Por que os Aliados não tomaram providências? Ainda que o restante dos países tenha se manifestado de forma simpática, agiram muito pouco. Mesmo assim, ainda era cedo para imaginar os horrores que se seguiriam.”

Van de gás

Com o recrudescimento da guerra, os nazistas se sentiram obrigados a pôr em prática o extermínio. A solução foi encontrada por Hans Frank, chefe do Governo Geral. “Os judeus devem desaparecer”, disse. “São tremendamente prejudiciais a nós devido à quantidade de comida que devoram.” Para conter a escalada que colocava em risco a vida dos “arianos”, Frank criou o primeiro dispositivo para matar judeus: a van de gás. O veículo passou a transportar deficientes físicos e mentais, crianças e mulheres.

Enquanto a viagem ocorria, gás carbônico era despejado no compartimento traseiro, matando os passageiros, que eram enterrados no caminho. Morreram centenas, mas as vans chamavam atenção e não davam conta da demanda.

Para resolver o problema, os nazistas inauguraram uma câmara de gás fixa em Chelmno, na Polônia. Foi o primeiro dos 48 campos de concentração que se espalhariam pelo Reich e assassinariam 6 milhões de judeus e outras etnias até o fim da guerra, em 1945. Um milagre econômico.

O Campo de Concentração de Auschwitz exibia o lema que define uma certa ética: “O trabalho liberta” (Arbeit macht Frei). Leia-se: “O trabalho extermina”.

Tais operações, segundo Rees, não foram planejadas no início da guerra, mas resultaram de ações graduais.

“É preciso entender o genocídio no contexto da guerra e não de um projeto racional”, diz.

“Ele cresceu à medida que os nazistas eram derrotados, os recursos se tornavam escassos e era preciso usar prisioneiros para garantir a estrutura do país.” À medida que eram encurralados, eliminavam-se os “imprestáveis”. Ao mesmo tempo, negociavam prisioneiros para servir às indústrias nas franjas do regime para gerar lucros.

Visão inédita

Os historiadores tentaram explicar como uma nação civilizada perpetrou a barbárie total.

Duas teorias vigoraram nos últimos 70 anos: a intencionalista, segundo a qual a matança partiu de Hitler, e a funcionalista, que afirma haver na origem das execuções uma combinação entre o poder de Hitler e forças externas.

Rees contesta ambas. Segundo sua visão inédita, o extermínio não resultou de um ato apoteótico e nem de um método sistemático.

“A jornada rumo ao Holocausto foi gradual e cheia de idas e vindas, até encontrar sua expressão final nas fábricas de morte nazistas.”

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quarta-feira - 23/08/2017 - 14:33h
Alemanha

Rosalba vai se afastar de prefeitura para viagem

A prefeita Rosalba Ciarlini (PP) enviou ofício à Câmara Municipal de Mossoró comunicando que vai se ausentar do país no período de 25 de agosto a 4 de setembro deste ano.

Motivo é uma viagem à Alemanha para acompanhar tratamento de saúde de pessoa da família.

No ofício, de 21 de agosto, Rosalba Ciarlini salienta à presidente da Câmara, vereadora Izabel Montenegro, que todas as despesas da viagem serão custeadas por recursos próprios, sem qualquer ônus para o erário municipal.

O ofício foi lido na sessão ordinária desta quarta-feira (23) do legislativo mossoroense pelo vereador Genilson Alves.

Nessa quinta-feira (24), Rosalba Ciarlini transmite a chefia do Poder Executivo para a vice-prefeita Nayara Gadelha.

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sexta-feira - 11/11/2016 - 10:06h
Estranho

Um Brasil com cara de Alemanha e Argentina sendo Brasil

A Seleção de futebol da Argentina, que sempre se caracterizou pela “raça”, intensa combatividade, foi um time burocrático, quase entregue.

Muito estranho até de se ver!

Levou de 3 x 0 ontem do Brasil no Mineirão, mas poderia ter sido muito mais, não fosse o preciosismo dos brasileiros.

O Brasil estava com a cara da Alemanha dos 7 x 1 e a Argentina parecia aquele Brasil goleado, humilhado e sem capacidade de reação alguma no jogo contra os germânicos impiedosos.

Estranho, muito estranho.

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segunda-feira - 17/10/2016 - 16:30h
Diferente do passado...

Problemas em Prefeitura devem impedir férias de Rosalba

A prefeita eleita Rosalba Ciarlini (PP) e seu marido Carlos Augusto Rosado não têm programada a princípio, nenhuma viagem em férias antes da posse dela em 1º de janeiro de 2017. Já perceberam que não há como ensarilhar armas e relaxar, ante os problemas que virão

Antes da passagem de Rosalba pelo governo estadual (2011-2014), o casal voou para a Europa na semana após as eleições de 3 de outubro, priorizando visita a uma filha e netos na Alemanha. Dessa feita, cruzar o Atlântico não é uma prioridade antes da posse.

Naquela ocasião, a opção pela distância continental de Rosalba e seu marido/líder político causou profundo mal-estar entre correligionários e embaralhou à própria formação da própria equipe.

A escolha do titular da Saúde, por exemplo, só foi confirmada no dia 30 de dezembro daquele ano, antevéspera da posse, recaindo sobre o médico Domício Arruda.

Veja abaixo, uma síntese de entrevista com Rosalba, concedida ao então jornal Diário de Natal (já extinto) antes de sua viagem. O Blog Carlos Santos reproduzira à época (veja AQUI e abaixo):

Quando a senhora pretende dar início ao processo de transição?

Rosalba – Só lá para o final do mês. Eu estou viajando agora, vou descansar e me desligar de tudo. Quando eu retornar é que vou pensar nisso. Tudo tem seu tempo.

A senhora não tem equipe montada ou o coordenador dessa transição?

Rosalba – Não, ainda não.

O que mais preocupa a senhora no que diz respeito a informações por parte do atual governo?

Rosalba – O que eu desejo é que o governador (Iberê Ferreira) tenha a responsabilidade – e eu acredito que ele terá – de nos fornecer todas as informações necessárias em termos financeiros, em termos de convênios, de empréstimos, de funcionalismo. Porque, até hoje, nós não conseguimos saber quantos funcionários e cargos comissionados tem o Estado. Tudo isso é muito importante que a gente saiba para, a partir daí, formular as reformas que a gente pretende colocar em prática e como vamos trabalhar.

Em relação ao secretariado. Qual vai ser o principal critério na formação da sua equipe de auxiliares?

Rosalba – Pessoas competentes e preparadas dentro de cada área.

E em relação à participação dos partidos que deram sustentação à sua campanha?

Rosalba – A gente vai conversar, vai na analisar, vai discutir essas questões, mas não há nenhum compromisso de reserva de mercado para ninguém.

A senhora pretende fazer alguma auditoria, por exemplo?

Rosalba – Sobre isso, eu não pensei. Primeiro eu preciso conhecer como está o Estado. Mas farei tudo que for necessário, inclusive uma auditoria, se entendermos a necessidade.

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Categoria(s): Política
domingo - 26/04/2015 - 03:39h
Terror

Quando mães jogavam os filhos no rio

Alemanha relembra a onda assustadora de suicídios nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial

Por Luís Doncel (El País)

O documento é estremecedor. Vinte e oito páginas repletas de nomes acompanhados da data e do motivo da morte. Escolhida um aleatoriamente, aparecem várias famílias —os Gaut, os Schubert (mãe e filha), os Rienaz (também mãe e e filha)…—. Todos morreram em 8 de maio de 1945. E todos por uma mesma causa: suicídio. Estamos no Museu Regional de Demmin, uma pequena cidade no noroeste da Alemanha, que nesses dias revive seus dias mais dramáticos.

Bärbel Schreiner, com sua mãe e seu irmão em Demmin em 1944

Nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial, quando a vitória final tantas vezes anunciada por Adolf Hitler parecia cada vez mais irreal e o Exército Vermelho se aproximava, entre 700 e 1.000 cidadãos de Demmin –que à época tinha 15.000 habitantes— preferiram morrer a ter que viver em um mundo que não fosse governado pelos nazistas. Foi o maior suicídio em massa na história da Alemanha.

Bärbel Schreiner, então uma menina de 6 anos, esteve a ponto de ser vítima dessa loucura coletiva. Mas seu irmão conseguiu convencer sua mãe a não fazer com os dois filhos o que tantos pais faziam naqueles dias. “Mamãe, nós não, né?”, recorda Schreiner da fala de seu irmão disse, enquanto observava o rio Peene, cheio de cadáveres.

“MAMÃE,
NÓS NÃO, NÉ
?”

“Ainda me lembro da água avermelhada pelo sangue. Sem essas palavras, tenho certeza que minha mãe teria afogado nós dois”, afirma, com a voz embargada, essa mulher de 76 anos.

O caso de Schreiner não foi uma exceção. Uma onda de suicídios atingiu a Alemanha entre janeiro e maio de 1945. Não existem números exatos, mas os historiadores calculam que entre 10.000 e 100.000 pessoas tenham tomado essa decisão.

Ao tirar a própria vida, era normal que os adultos levassem também seus filhos. Foi o que fez Joseph Goebbels, ministro da Propaganda e chanceler nos últimos dias do III Reich, quando ele e sua mulher, Magda, envenenaram os seis filhos.

Escreveu-se muito sobre o suicídio dos líderes nazistas. Além de Hitler, cuja morte completará 70 anos em 30 de abril, e Goebbels, também tirou a própria vida o chefe das temidas SS, Heinrich Himmler. Mas, até agora, não se havia prestado muita atenção aos cidadãos comuns que seguiram o destino de seus líderes fanáticos.

Justamente essa falta de conhecimento sobre a tragédia que milhares de pessoas anônimas viveram levou o historiador Florian Huber a escrever Filho, Me Promete que Vai Atirar. O sucesso do livro, que em dois meses já vendeu mais de 20.000 exemplares, surpreendeu inclusive o autor.

Medo

“Estudei história e nunca tinha ouvido falar desse episódio trágico. Um dia, vi em um livro um pé de página que mencionava a onda de suicídios nos últimos meses da guerra e decidi investigar”, conta em um café de Berlim. Mas, o que levou esses homens e mulheres comuns a dar um tiro em si mesmos, se enforcar numa árvore ou se jogar no rio mais próximo? Medo das represálias dos vencedores? Fanatismo nazista? Ou sentimento de culpa pelos abusos de 12 anos de nacionalismo e seis de guerra?

“Uma mescla de todos esses fatores. Também teve influência um efeito psicológico que transforma o suicídio em algo contagioso, quase como uma infecção. Se você visse nesse café todo mundo começando a se matar, talvez você cogitasse também”, responde.

A epidemia suicida se estendeu por muitos rincões da Alemanha, mas por que afetou principalmente alguma áreas, como o leste do país, e muito especialmente lugares como Demmin? Huber explica a mescla de circunstâncias históricas e geográficas que tornaram essa localidade uma ratoeira da qual era impossível escapar. “Rodeada por três rios, forma uma espécie de península.

Em sua fuga, os líderes nazistas dinamitaram as três pontes existentes. De forma que, quando os soviéticos chegaram, não podiam continuar avançando. Os soldados do Exército Vermelho chegaram em 30 de abril, com vontade de abandonar logo Demmin para comemorar a festa de 1º de maio”, afirma.

JUSTAMENTE no mesmo dia em que Hitler se matou com um tiro dentro de seu bunker em Berlim, os soldados vermelhos queimavam Demmin e difundiam o pânico. Os anos de guerra, a sede de revanche e a bebida que correu pela noite fomentavam a violência dos soviéticos.

O resultado desse coquetel foi assombroso. Huber afirma que os rios se tornaram cemitérios durante semanas; e que os trabalhos para retirar os corpos da água se estenderem entre maio e julho daquele ano. “As testemunhas se lembram de pessoas penduradas em árvores por toda parte”, acrescenta.

O sofrimento dos civis alemães durante a guerra –sejam os abusos de mulheres ou os bombardeios de cidades como Potsdam, que nesta semana completou 70 anos— é um tema complexo. Não há dúvidas de que muitos inocentes sofreram as consequências, mas esse sofrimento também serve de desculpa para os neonazistas, que continuam confundindo e igualando a dor do povo agressor com a dos agredidos.

Registro de mortos em Demmin, no Museu Regional

O mesmo ocorre ainda hoje em Demmin. Há uma década, em todo 8 de maio, dia da rendição, um pequeno grupo de manifestantes ligados ao partido de extrema direita NPD relembram as vítimas alemães.

Tabu

“Durante os anos do comunismo, esse tema era um tabu. Ninguém quer lembrar as violações ou crimes cometidos pelos soldados que nos libertaram do fascismo. E agora os neonazistas também utilizam a dor do passado para os seus fins”, afirma Petra Clemens, a diretora do museu, rodeada por vestígios da história da região.

Nessa castigada cidade do leste alemão, o desemprego atinge 17% da população (um percentual altíssimo para um país no qual a média está em 6,9%) e o alcoolismo tem seu preço.

Demmin foi talvez o caso mais extremo da loucura coletiva que invadiu o país nos primeiros meses de 1945, mas não o único. Em Berlim foram registrados naquele ano 7.000 suicídios, dos quais quase 4.000 aconteceram no mês de abril. Em seu livro, Huber reúne depoimentos de pessoas que associaram o fim de suas próprias vidas ao fim do nacional-socialismo.

Como o professor Johannes Theinert e sua mulher, Hildegard, que começaram a escrever um diário em 1937, um ano após se casarem. O último registro foi datado em 9 de maio de 1945. “Acaba a crise. As armas calam”, anota Hildegard.

Naquele mesmo dia, Johannes atirou na mulher e depois em si mesmo. A última entrada do diário encontrado por alguém após sua morte dizia: “Quem se lembrará de nós, quem saberá como acabamos? Essas linhas têm algum sentido?”.

Veja AQUI a matéria original na página de El País.

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quarta-feira - 09/07/2014 - 20:29h
Copa do Mundo

Argentina e Alemanha farão decisão de final imprevisível

Argentina está na final da Copa do Mundo do Brasil, com a Alemanha. Venceu a Holanda nos pênaltis, agora à tarde no Itaquerão, em São Paulo-SP.

Uma decisão de peso para uma Copa do Mundo realmente muito interessante e com resultados incomuns.

Argentina e Alemanha é a final previsível de resultado imprevisível.

Alemanha favorita, pelo estrago que fez no Brasil e pelo desempenho em toda a Copa. A Argentina capaz de surpreender, por crescer dentro da competição e ser sempre dura na queda.

Brasil pega Holanda no sábado (12), na disputa pelo terceiro lugar. Dois times emocionalmente abalados. O Brasil, um caco. A Holanda, teoricamente menos dilacerada.

Veremos.

Num dia em que Messi não jogou bulhufas, valeram as velhas raça e disciplina tática da Argentina. Virou time de Mascherano, mesmo com Messi em campo.

Setor mais criticado da Argentina, sua defesa segurou a Holanda.

Mais uma prova de que a defesa começa no ataque. É tarefa de conjunto e não só de goleiro e zagueiros.

Argentina e Alemanha; Brasil e Holanda.

Vamos aos jogos.

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terça-feira - 08/07/2014 - 15:49h
Brasil e Alemanha

Façam a bola chegar até ele, o “matador”

Sem Neymar, condutor de bola, driblador/finalizador, Brasil precisará mais do que nunca dos gols de Fred contra a Alemanha, hoje, no Mineirão, a partir das 17h.

Façam a bola chegar até ele. É “Matador”.

Fred praticamente não foi acionado na área durante a Copa do Mundo.

Os laterais não o procuraram pela linha de fundo. Faltou o meia de assistência e o próprio Neymar raramente passou a bola para tabelinha.

Hoje tem que ter.

No Fluminense, Fred joga com o time para ele. Laterais Bruno e Carlinhos cruzam; Conca dá assistência em espaço curto, centralizado. O segundo atacante (Rafael Sobis ou outro nome) encosta, abre espaço, procura acionar o centroavante do time carioca.

Gols saem.

Klose, da Alemanha, artilheiro das copas com 15 gols, ao lado de Ronaldo, é de área. Finalizador. Seus gols são na maioria com um toque final, sem dribles ou movimentações fora da área .

Até aqui, adversários marcaram demais os laterais do Brasil. Não tivemos meia criativo.

Oscar jogou por margens do campo; Neymar conduziu bola em demasia.

Paulinho e outros cabeças-de-área não foram o “elemento surpresa” na área contendora.

Fazer gol é uma construção coletiva. É como se testemunhássemos uma linha de montagem automotiva: tem começo, meio e fim. Na alemã Volkswagem é assim. No Brasil não deve ser diferente.

É hoje. O Brasil pode vencer a Alemanha, um bom time, mas que também sabe o peso da camisa amarelinha.

Hexa, Brasil!

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