domingo - 01/06/2025 - 09:28h

Guardar

Por Odemirton Filho

Arte ilustrativa

Arte ilustrativa

De vez em quando eu leio, ou melhor, releio o poema Guardar (veja AQUI e em vídeo mais abaixo), de Antonio Cícero, e fico impressionado com a sensibilidade dos versos e a leveza das palavras.

O que é guardar na visão do poeta?

Guardar é observar, olhar, cuidar. Quando guardamos alguma coisa em um cofre perde-se a coisa à vista. Em seu poema, ele fala sobre o ato de preservar o que é importante, de encontrar sentido na permanência da coisa.

E nós? O que verdadeiramente guardamos? Guardamos os momentos a dois? Desfrutamos do amor, nem que seja por um instante? Guardamos a companhia das pessoas que nos fazem bem? Fazemos a vida valer a pena?

Pense. Pensemos.

Toda vez que eu leio sobre alguém que tira a sua própria vida, sobretudo se for jovem, bate-me uma profunda tristeza. Fico a remoer o quão àquela pessoa sofreu, mergulhada nos problemas d`alma. E Antonio Cícero, autor do poema que ora se desnuda, tirou a sua própria vida. Porém, quem somos nós para julgar essas pessoas?

Assim, guardar a nossa vida é iluminá-la, e por ela ser iluminado, procurando sentido para os nossos afazeres, fazendo o cotidiano ficar interessante, vivo, pulsante, apesar das dificuldades que todos nós carregamos sobre os ombros.

Quando escrevemos, escolhemos cada palavra como se fosse uma flecha que quer atingir o alvo, o coração e o sentimento das pessoas que nos leem.

Por isso, como diz Cícero, quando publicamos um texto ou declamamos um poema, queremos vigiá-lo, guardá-lo, com enorme carinho e devoção.

Como diz o poeta:

“Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro, do que pássaros sem voo”.

Não é lindo o voo de um pássaro?

*Antônio Cícero – (1945-1924) foi poeta, crítico literário, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

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Categoria(s): Crônica
domingo - 05/01/2025 - 07:36h
Poesia

Guardar

Por Antônio Cícero 

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.

Em cofre não se guarda coisa alguma.

Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por

admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por

ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,

isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro

Do que um pássaro sem voos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,

por isso se declara e declama um poema:

Para guardá-lo:

Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:

Guarde o que quer que guarda um poema:

Por isso o lance do poema:

Por guardar-se o que se quer guardar.

Antônio Cícero – (1945-1924) foi poeta, crítico literário, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras

*Vídeo gravado do programa Conversa com Bial, com Antônio Cícero e a irmã cantora Marina Lima.

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Categoria(s): Poesia
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quinta-feira - 09/03/2017 - 06:44h
João Almino

Escritor mossoroense chega à Academia Brasileira de Letras

Por revista Veja online

O diplomata e escritor João Almino foi eleito o novo imortal pela Academia Brasileira de Letras (ABL). Por unanimidade, o vencedor vai ocupar a Cadeira 22, antes pertencente ao médico Ivo Pitanguy, que morreu em agosto de 2016.

Almino: escolha na ABL (Foto: Veja)

A votação contou com 23 acadêmicos presentes e 10 por cartas de 37 possíveis votantes. Quem não o escolheu, optou por abster-se.

Natural de Mossoró, no Rio Grande do Norte, Almino foi diretor do Instituto Rio Branco, se formou em direito pela UERJ e mestre em sociologia pela UNB.

O acadêmico elegeu a cidade de Brasília como principal cenário de seus romances mais populares, entre eles Ideias para Onde Passar o Fim do Mundo, As Cinco Estações do Amor e, o mais recente, Enigmas da Primavera.

Também assinou livros de ensaios filosóficos e políticos, como Era uma Vez uma Constituinte e Naturezas Mortas.

Nesta quinta-feira, dia 9, a ABL elege outro imortal, substituto de Ferreira Gullar. O poeta Antonio Cicero segue como favorito, após ficar de fora na primeira votação para escolher quem ocuparia o lugar de Pintaguy.

Na ocasião, nenhum nome alcançou a maioria simples para se eleger.

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Categoria(s): Cultura
segunda-feira - 03/08/2015 - 15:06h
Pipa

Festival Literária da Pipa-Flipipa começará quarta-feira

A literatura e todas as suas vertentes ganharão espaço na 6ª edição do Festival Literário da Pipa-Flipipa, que acontecerá a partir da próxima quarta-feira (5/8), seguindo até sábado (8/8), no espaço de eventos Pipa Open Air, na rua Baía dos Golfinhos, Pipa (Tibau do Sul), litoral sul do Estado.

Para debater ideias, memórias, obras literárias atuais e lançar novas provocações acerca deste rico universo, mais de 40 escritores confirmaram presenças, entre ficcionistas, biógrafos, poetas, educadores e intelectuais de gerações e estilos diferentes.

São eles: Eduardo Jardim, Marcelino Freire, Marina Colasanti, Jards Macalé, Antônio Risério, Paulo Betti, Antônio Cícero, Jorge Mautner, Aldo Lopes, Demétrio Diniz, Vicente Serejo, Cassiano Arruda Câmara, Tácito Costa, Ângela Almeida, Woden Madruga, Ticiano Duarte, Willington Germano, César Ferrario, Patrícia Barbosa, Marcel Matias, Gelson Bini, Wani Pereira, Lívio Oliveira, Carlos Fialho, Marcelo de Cristo e Luiz Renato, Alexandre Alves, Vinícius Viramundo, Beatriz Madruga, Márcio Benjamin, Dinarte Assunção, Geórgia Hackradt, Alessandra Macêdo e Themis Lima.

Os debates se dividirão entre a Tenda dos Autores, local climatizado com capacidade para 400 pessoas sentadas, ou nos estandes do Sesc Literatura, editora Jovens Escribas e Sebo Vermelho.

Pela primeira vez, o Flipipa ganhará uma pré-abertura na quarta-feira, dia 5, a partir das 18h30, abrindo a Tenda dos Autores para manifestações culturais do município de Tibau do Sul. Trata-se da Assembleia Cultural Itinerante, com apresentações do Coco de Zambê do Mestre Geraldo, Pastoril de Cabeceiras da Dona Lídia e show de Carlos Zens “Do Mar ao Sertão”, espetáculo poético-sonoro, onde o artista insere citações poéticas de Câmara Cascudo, Mário de Andrade, Osvaldo Lamartine, Raquel de Queiroz, Patativa do Assaré, entre outros.

Outra novidade será a ampliação do Pipinha Literária. A parceria com o Sesc insere novas atividades à programação já consolidada, como a Mostra de Cinema Nueva Mirada, que consiste em filmes de animação inéditos, de vários países, com temas inspirados na literatura.

O Festival contará com a tradicional Tenda dos Autores, mais espaços educativos e lúdicos com atividades a partir das 8h da manhã até 23h, oferecendo biblioteca móvel do Sesc-BiblioSesc, estande de editoras locais, livraria da Cooperativa da UFRN, espaço de contação de histórias, apresentações musicais, dança e teatro, e restaurante.

Integrando a programação ainda haverá assalto poético, bicicleta poética, e até a rádio difusora da Pipa anunciando as ações em tempo real. Também estarão presentes o Sexteto Sesi Big Band, o grupo de teatro Alegria Alegria, atores do grupo Estação de Teatro em contação de histórias, Banda Choro do Elefante, bailarina Anízia Marques com o espetáculo Encantaria.

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Categoria(s): Cultura
  • Repet
domingo - 07/07/2013 - 12:19h

Guardar

Por Antônio Cícero

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso, melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que de um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

Antônio Cícero é poeta e escritor brasileiro

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Categoria(s): Poesia
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