domingo - 14/08/2022 - 21:54h
Deputado estadual

Mossoró poderá eleger até quatro nomes à Assembleia Legislativa

Nesse trecho da entrevista que concedi ao programa PodFalar, da Super TV (Mossoró), na quarta-feira (10), comento hipótese de Mossoró eleger até quatro deputados estaduais.

Faço uma reconstituição histórica, apontando que essa marca foi obtida em 1974. Mas, já em 2014, não houve sequer um eleito que tivesse o município como principal base.

Acompanhe o bate-papo com os âncoras Saulo Vale e Jailton Magalhães.

P.S – Uma correção à minha fala e memória: em 1978, só Carlos Augusto Rosado foi eleito.

Primeiro videoReeleição de Beto Rosado é um tudo ou nada;

Segundo vídeo: Candidato precisa assumir lado e suas referências.

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terça-feira - 09/08/2022 - 08:24h
Voto

Quantos deputados estaduais Mossoró vai eleger em 2022?

A pergunta foi-me feita durante participação à noite dessa segunda-feira (8), no programa “Cenário Político”, da TCM Telecom, Canal 10:

Assembleia Legislativa do RN tem formação com 24 vagas para deputado estadual (Foto: João Gilberto/atquivo)

Assembleia Legislativa do RN tem formação com 24 vagas para deputado estadual (Foto: João Gilberto/atquivo)

– Quais seriam os nomes que em sua opinião podem ser eleitos a deputado estadual em Mossoró nas eleições deste ano?

Bola de cristal a gente não tem. Citamos alguns com bom potencial, mas claro que outros não lembrados podem chegar, ocupando vagas na Casa que tem 24 cadeiras parlamentares.

È possível que três ou até quatro sejam eleitos a partir da base Mossoró, coisa rara na história do município, em termos de eleições à Assembleia Legislativa do RN.

Em quase 50 anos, a partir de 1974, Mossoró sempre teve boa representatividade – em média com dois deputados (veja AQUI), à exceção de 2014 que não elegeu ninguém.

Em 1974, os eleitos foram os seguintes: João Newton da Escóssia, Alcimar Torquato, Assis Amorim e Luís Sobrinho​. Quatro, portanto.

De lá para cá, em outras três eleições foram três eleitos:

1990 – Carlos Augusto, Antônio Capistrano e Frederico Rosado;

1998 – Frederico Rosado, Sandra Rosado e Ruth Ciarlini;

2002 – Larissa Rosado, Francisco José (pai) e Ruth Ciarlini​.

Em 2018, último pleito, Allyson Bezerra (Solidariedade) e Isolda Dantas (PT).

Agora, faça suas apostas e vote.

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segunda-feira - 02/05/2022 - 13:10h
2022

Mossoró pode ter de três a quatro deputados eleitos

João Newton, deputado eleito em 1974 (Foto: arquivo)

João Newton, deputado eleito em 1974 (Foto: arquivo)

Mossoró caminha para fazer pelo menos três deputados estaduais este ano, podendo até alcançar marca maior: quatro. Difícil, mas não impossível.

São nomes que têm o município como sua principal base eleitoral, que se diga.

Em 2018, vieram as novidades Allyson Bezerra (Solidariedade) e Isolda Dantas (PT). Ele, dois anos depois ganhou eleições “improváveis” à prefeitura.

Ao longo de décadas, Mossoró costumou emplacar eleitos à Assembleia Legislativa, o que não ocorreu em 2014. À ocasião, não vingou ninguém.

Os dois deputados que tentaram a reeleição à época, Larissa Rosado (PSB, hoje no  União Brasil) e Leonardo Nogueira (DEM), não obtiveram êxito. Uma engenharia política posterior é que permitiu que Larissa, como suplente, fosse empossada e efetivada em 2017. Já em 2018 ela não se reelegeu.

Eleitos de 1974 a 2018  tendo Mossoró como base

1974 – João Newton da Escóssia, Alcimar Torquato, Assis Amorim e Luís Sobrinho;

1978 – Carlos Augusto Rosado

1982 – Jota Belmont e Carlos Augusto Rosado

1986 – Laíre Rosado e Carlos Augusto Rosado

1990 – Carlos Augusto, Antônio Capistrano e Frederico Rosado

1994 – Frederico Rosado e Francisco José (pai)

1998 – Frederico Rosado, Sandra Rosado e Ruth Ciarlini

2002 – Larissa Rosado, Francisco José (pai) e Ruth Ciarlini

2006 – Larissa Rosado e Leonardo Nogueira

2010 – Larissa Rosado e Leonardo Nogueira

2014 – Nenhum

2018 – Allyson Bezerra e Isolda Dantas

Quatro mais um

Em 1974, pelo menos quatro deputados ganharam eleição à AL a partir de Mossoró. Foram eleitos João Newton da Escóssia (Arena) e Alcimar Torquato (Arena), com apoio do deputado federal Vingt Rosado (Arena). O primeiro, cunhado do parlamentar; o segundo, médico, natural de Luís Gomes, mas que há mais de uma década tinha vida profissional ativa entre os mossoroenses.

Luís Sobrinho (MDB) e Assis Amorim (MDB), apoiados pelo ex-governador cassado Aluízio Alves (MDB), também foram eleitos no mesmo ano a partir de Mossoró.

Ainda aconteceu a reeleição do médico Dalton Cunha (Arena). Era mossoroense da gema, mas tinha como base principal de votos o município de Apodi e adjacências.

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domingo - 07/10/2018 - 05:02h
Eleições 2018

Depois de eleger quatro deputados, Mossoró tenta ‘voltar’ à AL

Mossoró já chegou a determinar a eleição de quatro deputados estaduais num único ano. Foi em 1974, há 44 anos. Um feito raro. Poderá ser repetir este ano? Difícil.

Mas não será por falta de candidatos, pois pelo menos 21 nomes originários do município, em diversos partidos, foram inscritos à disputa de assentos na Assembleia Legislativa do RN neste ano.

Assis Amorim (Caricatura de Túlio Ratto)

Ao longo de décadas, a cidade sempre teve nomes na Assembleia Legislativa, o que não ocorreu em 2014. À ocasião, não elegeu ninguém.

Os dois deputados que tentaram a reeleição à época, Larissa Rosado (PSB, hoje no  PSDB) e Leonardo Nogueira (DEM), não obtiveram êxito. Uma engenharia política posterior é que permitiu que Larissa, como suplente, fosse empossada e efetivada em 2017.

Quatro nomes

Em 1974, foram eleitos João Newton da Escóssia (Arena) e Alcimar Torquato (Arena), com apoio do deputado federal Vingt Rosado (Arena). O primeiro, cunhado do parlamentar; o segundo, natural de Luís Gomes, mas que há mais de uma década atuava na medicina local.

Luís Sobrinho (MDB) e Assis Amorim (MDB), apoiados pelo ex-governador cassado Aluízio Alves (MDB), também foram eleitos no mesmo ano a partir de Mossoró.

Eleitos de 1974 a 2014  tendo Mossoró como base

1974 – João Newton da Escóssia, Alcimar Torquato, Assis Amorim e Luís Sobrinho;

1978 – Carlos Augusto Rosado

1982 – Jota Belmont e Carlos Augusto Rosado

1986 – Laíre Rosado e Carlos Augusto Rosado

1990 – Carlos Augusto, Antônio Capistrano e Frederico Rosado

1994 – Frederico Rosado e Francisco José (pai)

1998 – Frederico Rosado, Sandra Rosado e Ruth Ciarlini

2002 – Larissa Rosado, Francisco José (pai) e Ruth Ciarlini

2006 – Larissa Rosado e Leonardo Nogueira

2010 – Larissa Rosado e Leonardo Nogueira

2014 – Nenhum.

Em 1974, de “lambuja”, ainda aconteceu a reeleição do médico Dalton Cunha (Arena). Era mossoroense da gema, mas tinha como base principal de votos o município de Apodi e adjacências.

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quarta-feira - 15/11/2017 - 07:14h
Mossoró

Eleição do “fura pneu” faz 41 anos neste 15 de novembro

Pleito ocorreu em 1976, marcado por vitória de grupo Rosado e episódio estranho no dia do pleito

João Newton: vitória (Foto: arquivo)

Hoje (15 de novembro de 2017), faz 41 anos das eleições municipais de 1976 em Mossoró, ocorridas em pleno regime militar. O pleito foi vencido pela chapa João Newton da Escóssia (Arena)-Alcides Fernandes da Silva (Arena), o “Alcides Belo”, ambos já falecidos.

Mas além da vitória de João Newton, cunhado do então deputado federal e líder rosadista, Vingt Rosado (Arena), um episódio prosaico marcou o pleito àquele dia de feriado nacional: foi o caso do “fura pneu”.

À madrugada do dia 15 de novembro de 1976, um ‘comando’ oposicionista provocou o esvaziamento de dezenas de pneus de carros de familiares e aliados do grupo Rosado. Cerca de 280 veículos foram sinistrados.

O pleito começou sob essa atmosfera carregada, mas ao final não houve maiores incidentes.

João e Alcides sucederam Dix-huit Rosado (Arena) e Canindé Queiroz (Arena), eleitos à prefeitura em 1972. Não havia à época o instituto da reeleição, instituído apenas no final dos anos 90.

Eleições de 1976

– João Newton da Escóssia (Arena 1) – 20.165
– Leodécio Néo (MDB 1) – 10.840
– Assis Amorim (MDB 2) 6.970
– Antônio Rodrigues de Carvalho (Arena 2) – 1.327
– Maioria Pró-João Newton sobre a soma dos emedebistas  – 2.355 votos.

Outra curiosidade da campanha de 1976 foi o casuísmo da “sublegenda”. Permitia que o mesmo partido pudesse ter mais de um candidato ao cargo executivo em chapas diferentes, que se somavam. Era a fase do bipartidarismo (Arena e MDB).

A ideia do governo militar era sufocar a “oposição consentida”, feita pelo MDB, que possuía bem menor representatividade em todo o país, com condições raquíticas de lançar mais de um candidato a prefeito na maioria dos municípios.

* No vídeo acima constante desta postagem, Antônio de Pádua da Silva Cantídio, o “Coconha” (já falecido), relata detalhes do fura pneu, em entrevista em 2009 ao programa “Mossoró de Todos os Tempos”, da TV Cabo Mossoró (TCM), sabatinado pelo professor-médico-empresário Milton Marques. Coconha era vice de Assis Amorim em 1976. Veja a partir dos 5 minutos e 15 segundos.

Mesmo assim, em Mossoró o MDB apresentou duas chapas à sucessão de Dix-huit Rosado, encabeçadas por Leodécio Néo (MDB 1) e Assis Amorim (MDB 2), respectivamente. Apesar disso, a maioria isolada de João Newton sobre eles foi de 2.355 votos.

A Arena 2 ainda teve a chapa do ex-prefeito Antônio Rodrigues de Carvalho, que somava em favor de João Newton.

“Toinho do Capim”, cognome político adesivado nele pelo aluizismo, já tinha sido prefeito nas eleições de 1958 e 1968. Essa segunda, com apoio do ex-governador Aluízio Alves.

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quarta-feira - 04/10/2017 - 10:34h
Política e história

Disputa à Assembleia Legislativa gera grande expectativa

Mossoró já elegeu 4 deputados estaduais em 1974 e espera 2018 com cenário confuso para novo feito

Mossoró já chegou a determinar a eleição de quatro deputados estaduais num único ano. Foi em 1974, há 43 anos. Um feito raro. Poderá ser repetir no próximo ano, mas é precipitado se fazer um vaticínio nesse sentido.

João Newton: 1974 (Foto: arquivo)

O excelente resultado contrasta com o fenômeno de 2014: nenhum candidato nativo do município chegou ao êxito nas urnas.

Em 2014, os deputados mossoroenses que tentaram a reeleição, Larissa Rosado (PSB) e Leonardo Nogueira (DEM), fracassaram.  Nenhum novato local vingou.

Quem se sobressaiu, com votos determinantes de Mossoró à eleição-surpresa, foi o ex-prefeito areia-branquense Manoel Cunha Neto (PHS), “Souza”, que tem laços familiares, profissionais e estudantis com a cidade. Cerca de 18% dos seus votos foram do eleitorado local.

Em 1974, foram eleitos João Newton da Escóssia (Arena) e Alcimar Torquato (Arena), com apoio do deputado federal Vingt Rosado (Arena). O primeiro, cunhado do parlamentar; o segundo, natural de Luís Gomes, mas que há mais de uma década atuava na medicina local.

Eleitos de 1974 a 2014  tendo Mossoró como base

1974 – João Newton da Escóssia, Alcimar Torquato, Assis Amorim e Luís Sobrinho;

1978 – Carlos Augusto Rosado

1982 – Jota Belmont e Carlos Augusto Rosado

1986 – Laíre Rosado e Carlos Augusto Rosado

1990 – Carlos Augusto, Antônio Capistrano e Frederico Rosado

1994 – Frederico Rosado e Francisco José (pai)

1998 – Frederico Rosado, Sandra Rosado e Ruth Ciarlini

2002 – Larissa Rosado, Francisco José (pai) e Ruth Ciarlini

2006 – Larissa Rosado e Leonardo Nogueira

2010 – Larissa Rosado e Leonardo Nogueira

2014 – Nenhum

“De quebra”, ainda teve a reeleição do médico Dalton Cunha (Arena). Era mossoroense da gema, mas tinha como base principal de votos o município de Apodi e adjacências.

Luís Sobrinho (MDB) e Assis Amorim (MDB), apoiados pelo ex-governador cassado Aluízio Alves (MDB), também foram eleitos no mesmo ano a partir de Mossoró.

Frederico: 1990 (Foto: Arquivo)

Um dado interessante dessa lista de eleitos: nenhum era da família Rosado. Depois de 1974, em todas as eleições essa oligarquia elegeu membros seus à Assembleia Legislativa, à exceção de 2014.

Derrocada

Em 2018, com um cenário político extremamente confuso, Mossoró pode ter uma profusão de candidaturas à Assembleia Legislativa. Há possibilidade de repetir 1974 ou ficar num meio-termo.

Porém é pouco provável que se veja uma reedição de 2014. Três candidaturas do clã Rosado a deputado estadual, desgaste político da então governadora Rosalba Ciarlini (PP), a prefeitura nas mãos de um adversário dos Rosados (prefeito Francisco José Júnior) e escassez de recursos para financiamento de campanhas, foram alguns dos fatores que desenharam a derrocada à época.

Alguém pode sobrar

Mesmo assim, a conjuntura que se forma para o próximo ano poderá gerar surpresas, principalmente porque após se reunificar parcialmente, o clã Rosado tentará eleger quadros familiares num contexto completamente diferente do passado recente e tempos mais remotos.

O “maior eleitor” mossoroense, a Prefeitura Municipal de Mossoró, historicamente não tem elegido mais do que um deputado estadual por pleito. Preliminarmente, não há qualquer pré-candidatura Rosado se formando na oposição, mas pode surgir a figura da ex-prefeita Fafá Rosado (ainda no PMDB).

No governismo, as primas Larissa Rosado e Lorena Rosado (PP) – filha da prefeita Rosalba e secretária do Desenvolvimento Social do município, tendem a ser candidatas no mesmo palanque. Alguém pode sobrar.

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domingo - 05/03/2017 - 08:40h

Quem mataria o juiz Moro?

Por Paulo Linhares

O escritor peruano Mario Vargas Llosa, prêmio Nobel de Literatura de 2010, é um dos mais lidos escritores hispano-americanos da geração dos anos ’70 do século XX. Embora  menos talentoso e carismático, ele pode ser considerado uma versão direitista de Gabriel Garcia Marquez.

Sim, Vargas Llosa tem aliado a sua atividade literária com a militância política, que começou no campo socialista, em sua juventude, quando apoiava entusiasticamente a Revolução Cubana, porém, mudou a direção para o lado liberal-conservador e chegou a  concorrer à presidência do Peru, em 1990, pela coalizão liberal de direita Frente Demócrata (FREDEMO), em que venceu o primeiro turno, porém, perdeu a eleição no segundo turno para Alberto Fujimori.

Desgostoso com o veredito das urnas, deixou sua pátria e obteve a cidadania espanhola em 1993, onde até se tornou um dos pares do Reino da Espanha, agraciado que foi, em 2011, pelo rei Juan Carlos I, com o pomposo título de nobreza de Marquês de Vargas Llosa.

Na militância política cada vez mais conservadora, Vargas Llosa tornou-se um autêntico e não menos chato boquirroto, mesmo porque há sempre seletas plateias e importantes veículos da mídia mundial dispostos a ouvir o que diz alguém que tem o poderoso charming de manter na prateleira uma dúzia dos prêmios literários mais importantes, à frente o Nobel de Literatura. Assim, o Marquês de Vargas Llosa aproveita o prestígio e ‘desce a chibata’ conservadora ao analisar, sobretudo, os altos e baixos da volátil política sul-americana.

Sérgio: decisão (Foto: Agência Brasil)

Aliás, como pensador político estaria a anos-luz atrás do peruano, um nobre inca, na verdade, chamado Felipe Guamán Poma de Ayala (1534–1615), que escreveu em forma de carta ao rei espanhol Felipe III, entre 1600 e 1616, com inimagináveis 1.180 páginas de texto manuscrito com 397 desenhos de ilustrações, intitulada El primer nueva crónica y buen gobierno (A primeira nova crônica é bom governo), que se constitui o mais importante libelo contra as atrocidades dos colonizadores espanhóis na América.

Lastimavelmente, a crônica nem chegou a ser lida pelo soberano espanhol, que certamente não daria qualquer importância ao escrito de Poma de Ayala, porquanto o manuscrito desapareceu no percurso para a Espanha. Muitos anos depois foram encontrados os originais que hoje fazem parte do rico acervo da Biblioteca Real da Dinamarca.

A leitura dessa crônica faz de tudo que escreveu o Marquês de Vargas Llosa ridículos espasmos literários e do seu autor um liliputiano em dignidade e amor à terra em que nasceu. Certamente, Poma de Ayala jamais seria um par – barão, conde ou marquês – do reino sanguinário que conquistou seu país e escravizou o seu povo.

Doutra parte, em recente artigo escrito para o jornal El País, da Espanha, e replicado, claro, pelo O Estado de São Paulo, referindo-se à atuação do juiz Sérgio Moro, esse novo herói de todos os conservadores, direitosos e direitistas de carteirinha, daqui e de alhures, afirmou o Marquês de Vargas Llosa, entre outras tolices: “É um milagre que continue vivo”.

Somente uma mente politicamente tosca pensaria desta maneira. Ao dizer isso, ele nada mais faz que uma leitura da polêmica atuação do juiz Moro sob o prisma de algumas das novelas de estilo policial que escreveu, inclusive com a característica de uma sempre exagerada dramaticidade.

O escritor (ex)peruano não dá ponto sem nó: busca na discussão de polêmicos temas políticos sul-americanos extravasar as frustrações que adquiriu na militância da política peruana.

A complexa ‘trama’ da Operação Lava Jato e seus múltiplos efeitos e desdobramentos lhe cai como um luva, enquanto mote para estéreis polêmicas e invectivas descabidas. Nesse caso, é ridícula a sua intervenção, sobretudo, por demonstrar enorme desconhecimento da realidade brasileira, ademais de usar modelos já superados e inservíveis para analisá-la.

Óbvio que, do alto de sua fama ‘nobelesca’ e nobiliárquica, pode escrever o que lhe ‘der na telha’, todavia, nada igualmente impede de ser refutado até mesmo por poucos conhecidos escribas provincianos.

A propósito, tome-se como exemplo a sua obra ¿Quién mató a Palomino Molero? A oitava novela de Vargas Llosa, publicada inicialmente em 1986, narra um acontecimento aparentemente desvestido de maior importância incursionando não apenas no terreno obscuro da natureza humana, mas, também, revisita cenários passados da política do Peru dos anos 1950, marcados pela corrupção no mundo da política, pelas práticas autoritárias de gestão do Estado e pelo predomínio de uma elite nativa em nada distante da crueldade e violência com que os espanhóis ensanguentaram os Andes peruanos, no século XVI, em busca de ouro e prata, quando ao lado de milhares de mortes se destacou o martírio do rei Túpac Amaru I (1545-1572), último rei inca da dinastia rebelde de Vilcabamba, perversamente assassinado pelo conquistadores espanhóis mesmo após lhes entregar um rico tesouro destes metais preciosos: depois de barbaramente torturado foi queimado vivo.

Com Palomino Molero, tenente da Força Aérea peruana encontrado morto numa base militar, personagem  de Vargas Llosa, não foi assim tão diferente em tortura e assassinato, à exceção do fogo. Num transcurso cheio ambiguidades e situações imprevisíveis que desviam o rumo de quem seria o culpado pelo crime, o leitor é levado ao desenlace da trama apontado na investigação policial que se seguiu.

Sem dúvida, uma bem construída e instigante narrativa.

Inegável que Vargas Llosa é um grande escritor e como tal conhece o apelo popular dos folhetins, sobretudo, algumas das corriqueiras fórmulas de sucesso folhetinescas, como é o caso do açulamento da curiosidade das massas para saber quem teria sido o assassino de certa personagem na trama novelesca.

“Quem matou Odete Roitman?”, foi a indagação feita no final da novela global “Vale Tudo” (1988-1989), de Gilberto Braga,  que eletrizou o Brasil por muitos dias e mexeu com a cabeças de milhões de telespectadores da “Vênus Platinada”, ou seja, dois anos após a publicação do livro de Vargas Llosa.

Talvez isto não tenha sido mero acaso, mas, uma inspiração, no mínimo, intertextual, para usar a categoria forjada pelo filósofo russo Mikhail Mikhailovich Bakhtin, o teórico fundamental da linguística e da literatura. Em linguagem mais simples: Llosa pode ter inspirado Braga no uso dessa eficaz e ardilosa ‘ferramenta’ literária.

Com efeito, na fórmula de Braga – do “quem matou?” – segundo Nilson Xavier, o “objetivo é claro: gerar algum burburinho para despertar a audiência adormecida da novela. Ainda que o recurso seja visto como ‘golpe baixo’, uma vez que já foi usado à exaustão” (disp. em < //bit.ly/2lJauG5 > acesso: 20 fev 2017).

Bem, de todo modo é um subterfúgio que, nos folhetins da teledramaturgia tupiniquins, sempre tem dado certo para incitar a curiosidade das pessoas e aumentar os índices de audiência das telenovelas fracassadas e insossas (só Gilberto Braga já usou – e abusou – desse recurso em cinco das telenovelas que fez na Rede Globo…).

Transposto para o ambiente mais nobre da literatura, o artifício também desperta grande interesse e não é menos chamativo. Por isto que com o “Quem matou Palomino Moleiro?”, de Vargas Llosa, não foi diferente: um absoluto sucesso, tanto que, editado em mais de trinta outros idiomas, além do espanhol, vendeu milhões de exemplares no mundo inteiro.

No entanto, é especulação barateira e descabida essa de Vargas Llosa sobre o “milagre” de o juiz Sérgio Moro ainda não ter sido assassinado. O problema é que ele, do alto de seu marquesado nos enxerga, a nós brasileiros, como nativos de uma inarredável Banana Republic. Ele não sabe que o Brasil não é mais aquele que conheceu quando das pesquisas do seu “A guerra do fim do mundo”, em que narra o episódio de Canudos, sempre na segura trilha de Euclides da Cunha (ainda prefiro mil vezes Os sertões que o romance de Llosa…).

Pois é, senhor Marquês de Vargas Llosa, o Brasil tem mudado muito, de modo que resolvemos nossas querelas dentro dos marcos da legalidade. Quem mataria (ou mandaria matar) o juiz Moro, o ‘espadachim’ da Lava Jato? Idiotice!

Na condição de pessoa que vive num país com alto grau de violência urbana ele pode até ser vítima de ato criminoso, um assalto ou outro tipo de agressão, como têm sofrido muitos outros cidadãos deste país. Agora, em razão de sua atividade profissional de magistrado, sobretudo, de sua atuação frente à “Operação Lava Jato” essa especulação é uma enorme besteira.

Ora, mesmo aquelas pessoas ou grupos que se ressentem da atuação do juiz Moro devem saber que, hoje, se ele “levar uma topada” o Brasil pegaria fogo. Por outro lado, tirá-lo dos processos que envolvem ex-executivos da Petrobras, doleiros, empresários e políticos, envolvidos numa das mais intricadas redes de corrupção que se tem notícia no mundo, seria outra grande besteira: quem o substituísse dificilmente faria diferente do que ele faz e, portanto, as prisões provisórias e as severíssimas condenações seguiriam seu curso normal.

Em resumo, seria isto outra “burrice esférica”, como resumiria o meu amigo juiz Assis Amorim, que faleceu recentemente. E a burrice é esférica, segundo definia com argúcia Amorim, quando se manifesta em todos os ângulos e pontos; onde quer que se toque, ela é burrice absoluta e irritante.

Ao que parece, somente uma prodigiosa mente novelesca conceberia matar um juiz para dar cabo ao processo. As nossas elites podem ser corruptas e perversas, ainda, mas, já ultrapassaram o estágio da violência rasteira “do tempo dos coronéis” e seu jagunços implacáveis.

Claro, não se pode aconselhar ao Dr. Moro que relaxe com sua segurança pessoal e ande desabridamente nas ruas de sua Curitiba ou em qualquer outra grande cidade brasileira: a qualquer instante, estrela global que é, ele pode ser reconhecido e como tal agredido por algum maluco do tipo Mark David Chapman, o esquizofrênico que matou John Lennon, em 8 de dezembro de 1980, apenas para se tornar (tristemente) célebre.

Em resumo, esse besteirol do Marquês sobre o juiz Moro é exagerado, caviloso e sem fundamento. Certamente, impõe o costume republicano absoluto respeito à vida e à dignidade da pessoa humana: que viva em paz com sua família o jovem juiz Sérgio Moro, até quando a natureza lhe permita viver, goste-se ou não do seu agir profissional. E que tenha todo o tempo do mundo para refletir sobre o que fez ao seu país, para o bem ou para o mal.

No mais, com toda essa baboseira parece até que Vargas Llosa deseja mesmo é escrever uma sequência da sua novela anterior, com um título mais ou menos assim: “¿Quién mataria a Sergio Moro?” E venderia muitos exemplares em diversos idiomas.

Por isto, ao aproveitador e falastrão Marquês de Vargas Llosa, é essencial dizer: vire a boca para lá, urubu-da-asa-quebrada!

Vai agourar noutro lugar! Arre!

Paulo Linhares é professor e advogado

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sábado - 04/03/2017 - 06:56h
Em Mossoró

É hoje a Missa de 30º Dia por Assis Amorim

Assis: 30 dias (Foto: redes sociais)

Acontecerá hoje às 17 horas na Igreja Matriz de São Paulo no bairro Nova Betânia, em Mossoró, a Missa de 30º Dia pelo falecimento do ex-vereador, ex-deputado estadual e juiz de direito aposentado Assis Amorim (Francisco de Assis Freitas Amorim) – 78 anos.

Seus familiares agradecem antecipadamente às orações e ao comparecimento de todos a esse ato religioso.

Assis Amorim faleceu no dia 4 de fevereiro, após parada cardio-respiratória.

Veja AQUI, crônica com homenagem do escritor e amigo David Leite.

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domingo - 05/02/2017 - 05:59h

Só Rindo (Folclore Político)

Compra de votos

Juiz de Direito em período eleitoral em Alexandria, Assis Amorim recebe seguidas denúncias verbais à sua mesa, que revelam o radicalismo da disputa.

– O povo dos Veras está comprando votos a dez reais – proclamam os denunciante diante do juiz.

A ladainha não para.

Já enfezado com o lengalenga da política paroquial, que conhecia bem, ele toma uma decisão salomônica, que põe fim àquele enredo.

– Já que seus adversários estão comprando voto a dez, compre a 20 – recomendou, trincando os dentes.

E assim acabou a celeuma.

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* Falecido ontem (sábado, 4), Assis Amorim será sepultado às 10h de hoje no Cemitério São Sebastião, Centro de Mossoró. Seu velório acontece no Centro de Velório Sempre, à Rua Melo Franco, próximo ao Tiro de Guerra.

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Categoria(s): Folclore Político
sábado - 04/02/2017 - 10:02h

Fortaleza inexpugnável II

Por David Leite

Anos oitenta. A conversa rolava solta no “senadinho” da Praça Felipe Guerra. Política, economia, amenidades, entre outros temas. Lá pelas tantas, como estávamos em dezembro, um dos circunstantes fez apologia ao gesto de se mandar cartões de boas festas.

Argumentava que, com o simples envio, poderíamos reafirmar amizades e fazer alguém feliz. Foi além: em tom meio severo, passou a censurar quem não se dispunha a tão singela – porém, cativante – iniciativa.

Assis Amorim: uma fortaleza (Foto: redes sociais)

Assis Amorim – que ainda militava nas lides políticas –, com extremo cuidado, coçou a bem penteada cabeleira, ajustou os óculos, conferiu as unhas, sempre bem polidas, e disparou:

– De minha parte, estou tranquilo, pois já os enviei aos amigos mais próximos.

Incisivo, direcionou o olhar para Paulo Lúcio, perguntando-lhe de chofre:

– Você recebeu; não foi, Paulo?

Paulo Lúcio não demonstrou susto algum e devolveu com naturalidade:

– E já mandei o de retribuição.

Claro que não tinha havido aquela troca de cartões. Contudo, a sintonia para saírem da “saia justa” fluiu naturalmente. Quem teve a oportunidade de conviver com ambos, sabe que esses “duelos” se davam com espontaneidade. O raciocínio rápido e a prontidão da verve os caracterizavam. Poderíamos desfiar um rosário de exímias saídas para situações embaraçosas. Aqui ou acolá, amigos comuns relembram algumas delas.

Porém, o que desejo neste texto é realçar um pouco da trajetória de Assis Amorim. Coisa que, em poucas linhas, se torna deveras complicado. Multifacetado, inteligente e inquieto, Assis atuou em várias áreas e sempre galgou posições de destaque.

Foi aprovado em todos os concursos públicos que se inscreveu. Nos concursos vestibulares, idem: de medicina à arquitetura, de direito à economia. Concluiu estas duas graduações e, quanto aos outros cursos iniciados, deixava-os quando lhe dava na telha.

Na política, teve significativa carreira. Foi vereador e deputado estadual. Candidatou-se a prefeito de Mossoró e, dentre os relatos gostosos de se ouvir, o dessa campanha eleitoral merece destaque. Já o escutei algumas vezes e gostaria de ouvi-lo outras tantas. Detalhes, marchas e contramarchas. Conversas de bastidores e discursos inflamados. Tudo reproduzido ipsis litteris.

A referida eleição, que não lhe foi exitosa, rendeu episódios emblemáticos, como o do “fura pneu” (cujo significado e dimensões só os mossoroenses entendem) e outros tantos imbróglios, como um envolvendo o sumiço da caminhonete de som de Assis. Tudo transformado em relatos que são pérolas.

Quando encerrava essa fase da vida partidária, resolveu prestar concurso para a magistratura. Não deu outra: aprovado. Trilhou uma espécie de caminho inverso, ou seja, é comum magistrados se aposentarem da toga e enveredarem pela política. Mas, Assis Amorim nunca optou pelo caminho convencional.

Dessa jornada de magistrado pelas comarcas interioranas, há outras tantas histórias dignas de se relatar. Perfeccionista, o Juiz se deparava com operadores de direito assassinando a “última flor do Lácio inculta e bela” e não deixava por menos, corrigia-os com uma ênfase que beirava a “ira santa”.

Das inquirições, audiências e júris, pululam situações que, relatadas em sua voz tonitruante e com seus gestos quase teatrais, ganham contornos teatrais.

Fernando Pessoa predica: “Para ser grande, sê inteiro”. Não tenho dúvida que Assis Amorim sempre teve consigo esta assertiva como leitmotiv. Em quaisquer das circunstâncias ele se doava em plenitude: fosse prolatando uma sentença ou preparando uma deliciosa iguaria; fosse bailando nos salões da Snob Boite ou discursando nos arrabaldes dos Paredões/Barrocas.

Registre-se: uso o verbo no passado, considerando que, nos dias atuais, Assis faz questão de propalar o quieto ritmo de vida que leva em companhia de Marilene, após a aposentadoria.

E qual o significado do título destas mal traçadas? Ah, também nos anos oitenta, Rafael Bruno Fernandes de Negreiros, escrevendo sobre Assis Amorim, intitulou o seu texto de “Fortaleza Inexpugnável”. Verdadeira peça.

Lamento não tê-la em meus arquivos. Portanto, pretensiosamente (considerando a pena singular de Seu Rafael), achei que seria de bom alvitre utilizar o mesmo título. Isso, de certa forma, homenageia Seu Rafael, como, também, ratifica a ideia de que o título traduz muito bem o perfil de Francisco de Assis Freitas Amorim.

David de Medeiros Leite é professor da Universidade do Estado do RN (UERN) e doutor em Direito pela Universidade de Salamanca – Espanha.

* Texto originalmente publicado no dia 29 de março de 2015, nesta página, às 6h22. É uma singela homenagem a Assis Amorim, falecido hoje (veja AQUI).

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Categoria(s): Crônica
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sábado - 04/02/2017 - 09:40h
Hoje

Morre o ex-deputado e juiz aposentado Assis Amorim

Assis Amorim: grande perda (Foto: arquivo)

Faleceu o ex-vereador, ex-deputado estadual e juiz aposentado Assis Amorim (Francisco de Assis Freitas Amorim) – 78 anos.

Óbito aconteceu à manhã de hoje em Mossoró, por volta de 7h30 – em sua própria casa.

Assis teve uma parada cardio-respiratória.

Vinha de constantes internamentos hospitalares e recentemente contraiu uma infecção bacteriana.

Depois traremos maiores detalhes.

Velório vai acontecer no Velório Sempre, à Rua Melo Franco, Centro de Mossoró (próximo ao Tiro de Guerra).

Sepultamento deverá ocorrer às 17h de hoje, no Cemitério São Sebastião.

Que descanse em paz.

17h32 – Atualização da postagem – Houve mudanças quanto ao sepultamento de Assis Amorim. Para aguardar presença de familiares que estão no exterior, só acontecerá nesse domingo (4), às 10 horas.

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Categoria(s): Política
domingo - 29/03/2015 - 06:22h

Fortaleza inexpugnável II

Por David Leite

Anos oitenta. A conversa rolava solta no “senadinho” da Praça Felipe Guerra. Política, economia, amenidades, entre outros temas. Lá pelas tantas, como estávamos em dezembro, um dos circunstantes fez apologia ao gesto de se mandar cartões de boas festas.

Argumentava que, com o simples envio, poderíamos reafirmar amizades e fazer alguém feliz. Foi além: em tom meio severo, passou a censurar quem não se dispunha a tão singela – porém, cativante – iniciativa.

Assis Amorim – que ainda militava nas lides políticas –, com extremo cuidado, coçou a bem penteada cabeleira, ajustou os óculos, conferiu as unhas, sempre bem polidas, e disparou:

– De minha parte, estou tranquilo, pois já os enviei aos amigos mais próximos.

Incisivo, direcionou o olhar para Paulo Lúcio, perguntando-lhe de chofre:

– Você recebeu; não foi, Paulo?

Paulo Lúcio não demonstrou susto algum e devolveu com naturalidade:

– E já mandei o de retribuição.

Claro que não tinha havido aquela troca de cartões. Contudo, a sintonia para saírem da “saia justa” fluiu naturalmente. Quem teve a oportunidade de conviver com ambos, sabe que esses “duelos” se davam com espontaneidade. O raciocínio rápido e a prontidão da verve os caracterizavam. Poderíamos desfiar um rosário de exímias saídas para situações embaraçosas. Aqui ou acolá, amigos comuns relembram algumas delas.

Porém, o que desejo neste texto é realçar um pouco da trajetória de Assis Amorim. Coisa que, em poucas linhas, se torna deveras complicado. Multifacetado, inteligente e inquieto, Assis atuou em várias áreas e sempre galgou posições de destaque.

Foi aprovado em todos os concursos públicos que se inscreveu. Nos concursos vestibulares, idem: de medicina à arquitetura, de direito à economia. Concluiu estas duas graduações e, quanto aos outros cursos iniciados, deixava-os quando lhe dava na telha.

Na política, teve significativa carreira. Foi vereador e deputado estadual. Candidatou-se a prefeito de Mossoró e, dentre os relatos gostosos de se ouvir, o dessa campanha eleitoral merece destaque. Já o escutei algumas vezes e gostaria de ouvi-lo outras tantas. Detalhes, marchas e contramarchas. Conversas de bastidores e discursos inflamados. Tudo reproduzido ipsis litteris.

A referida eleição, que não lhe foi exitosa, rendeu episódios emblemáticos, como o do “fura pneu” (cujo significado e dimensões só os mossoroenses entendem) e outros tantos imbróglios, como um envolvendo o sumiço da caminhonete de som de Assis. Tudo transformado em relatos que são pérolas.

Quando encerrava essa fase da vida partidária, resolveu prestar concurso para a magistratura. Não deu outra: aprovado. Trilhou uma espécie de caminho inverso, ou seja, é comum magistrados se aposentarem da toga e enveredarem pela política. Mas, Assis Amorim nunca optou pelo caminho convencional.

Dessa jornada de magistrado pelas comarcas interioranas, há outras tantas histórias dignas de se relatar. Perfeccionista, o Juiz se deparava com operadores de direito assassinando a “última flor do Lácio inculta e bela” e não deixava por menos, corrigia-os com uma ênfase que beirava a “ira santa”.

Das inquirições, audiências e júris, pululam situações que, relatadas em sua voz tonitruante e com seus gestos quase teatrais, ganham contornos teatrais.

Fernando Pessoa predica: “Para ser grande, sê inteiro”. Não tenho dúvida que Assis Amorim sempre teve consigo esta assertiva como leitmotiv. Em quaisquer das circunstâncias ele se doava em plenitude: fosse prolatando uma sentença ou preparando uma deliciosa iguaria; fosse bailando nos salões da Snob Boite ou discursando nos arrabaldes dos Paredões/Barrocas.

Registre-se: uso o verbo no passado, considerando que, nos dias atuais, Assis faz questão de propalar o quieto ritmo de vida que leva em companhia de Marilene, após a aposentadoria.

E qual o significado do título destas mal traçadas? Ah, também nos anos oitenta, Rafael Bruno Fernandes de Negreiros, escrevendo sobre Assis Amorim, intitulou o seu texto de “Fortaleza Inexpugnável”. Verdadeira peça.

Lamento não tê-la em meus arquivos. Portanto, pretensiosamente (considerando a pena singular de Seu Rafael), achei que seria de bom alvitre utilizar o mesmo título. Isso, de certa forma, homenageia Seu Rafael, como, também, ratifica a ideia de que o título traduz muito bem o perfil de Francisco de Assis Freitas Amorim.

David de Medeiros Leite é professor da Universidade do Estado do RN (UERN) e doutor em Direito pela Universidade de Salamanca – Espanha.

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Categoria(s): Crônica
  • Repet
quarta-feira - 01/02/2012 - 06:17h
Penduricalho do DEM

PMDB não dá sequer pitaco em sucessão mossoroense

Instado há poucos dias por um jornalista de Mossoró, a falar qual seria seu papel na sucessão local, via PMDB, o senador-ministro Garibaldi Filho avisou logo: “Não vou me meter. Se for chamado, aí é outra coisa”.

Não será chamado, ministro.

O líder do DEM, ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado, em recente reunião com a prefeita de direito Fátima Rosado (DEM), o prefeito de fato Gustavo Rosado (PV) e o deputado estadual Leonardo Nogueira (DEM) foi muito claro no exercício do poder.

Quando Fafá atreveu-se a meter a “colher”, lembrando como interessante a participação de Garibaldi, Carlos cortou os laços:

– Deixe Garibaldi pra lá. Vamos resolver nós mesmos!

Sabe qual a influência que o PMDB terá na sucessão municipal mossoroense, dentro do governismo? Eu mesmo respondo: nenhuma. Nadica de nada. Anote.

O PMDB há muitos anos é um simples penduricalho dos Rosado em Mossoró. Um apêndice do DEM. Usado, vomitado.

Fácil perceber, por exemplo, a cada mudança de secretário, gerente ou outro posto comissionado na Prefeitura, que sequer é lembrado a indicar ou opinar sobre nomes. E olha que o PMDB é hoje imprescindível ao governo municipal e ao estadual, também nas mãos do DEM.

Como não mostra ímpeto, continuará assim.

Deixou de ser um partido de vanguarda e diligente, que se digladiava com os Rosado, para ser um biombo de lembranças ou vontades insípidas.

Saudades do MDB – sigla que o antecedeu, nascido como partido consentido pelo regime militar, na época do bipartidarismo.

Saudades de Assis Amorim, Leodécio Néo, Edith Souto, Manoel Mário, Jota Belmont, Almeida Sobrinho, Edmilson Lucena, Paulo David, João Batista Xavier, Luís Sobrinho, Herbert Mota, Antônio Mota  e tantos outros.

Nota do Blog – Mas é importante contextualizarmos. Os  tempos eram outros. Era fácil saber quem é quem. O sujeito era “verde” ou “encarnado”, MDB ou Arena. Hoje, há uma suruba ideológica, sopa de letrinhas e argumentos porcos justificando alianças, alinhamentos ou adesões.

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Categoria(s): Opinião da Coluna do Herzog / Política
sábado - 27/08/2011 - 20:45h
Pesar

Morre Daniela, filha do ex-juiz Assis Amorim

Minha solidariedade ao ex-juiz de direito e ex-deputado estadual Assis Amorim.

Por volta de 6h de hoje, em Mossoró, faleceu Daniela Amorim, sua filha.

O velório acontece na Igreja do Nazareno, à Avenida Presidente Dutra, Ilha de Santa Luzia, em Mossoró.

O sepultamento ocorrerá às 8h, no Cemitério São Sebastião, também em Mossoró.

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domingo - 12/04/2009 - 11:00h

Só Rindo (Folclore Político)

Compra de votos

Juiz de Direito em período eleitoral em Alexandria, Assis Amorim recebe seguidas denúncias verbais à sua mesa, que revelam o radicalismo da disputa.

– O povo dos Veras está comprando votos a dez reais – proclamam os denunciante diante do juiz.

A ladainha não para.

Já enfezado com o conhecido lengalenga da política paroquial, que conhecia bem, ele toma uma decisão salomônica, que põe fim àquele enredo.

– Já que seus adversários estão comprando voto a dez, compre a 20 – recomendou, trincando os dentes.

E assim acabou a celeuma.

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Categoria(s): Folclore Político
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