Por Gutemberg Dias
Hoje vamos tratar da resolutividade no atendimento na Atenção Básica com base nos dados do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ).
A resolutividade na Atenção Básica refere-se a capacidade que as equipes de AB tem de reconhecer as necessidades da população que está sob sua tutela e prover soluções que estejam no escopo dos serviços ofertados na rede de atendimento
“A AB é capaz de resolver em torno de 85% (WHITE K. L. et. ell.: Ecology of Care. N. Engl. J. Med. 265 885, 1960) dos problemas de saúde da população” (Relatório PMAQ). Dessa forma, a AB tem um papel muito grande na rede de saúde municipal e precisa ser tratada com muito esmero, já que é a porta de entrada do usuário no SUS.
Umas das premissas para que ocorra aumento de resolutividade está assentada n a necessidade do gestor pactuar os fluxos de atendimento e encaminhamento, bem como, garantir investimentos na estrutura física e tecnológica. Em Mossoró apenas cerca de 14% das equipes tem prontuário implantado na UBS, isso por falta de equipamentos ou acesso a uma rede de informática estruturada.
Segundo os dados do PMAQ no Brasil mais de 80% das UBS fazem atendimento de urgência como dor torácica, crise hipertensiva, hiperglicemia em diabéticos, crise convulsiva e crise de asma. Em Mossoró o resultado mostra que as equipes estão preparadas para esse atendimento.
Agora é importante ressaltar que apenas 34,4% dos usuários sabem que a UBS atende urgência e apenas 24,8% contam com o atendimento, ou seja, é baixo o entendimento por parte do usuário quanto a busca de atendimento mais próximo de casa quando de alguma urgência. De certa forma, terminam buscando as UPA’s ou hospital de urgência.
Em relação a realização/coleta de exames de sangue e ECG apenas 5,5% das UBS estão aptas a realizar esses procedimentos. No caso 95% das UBS não conseguem levar esses serviços ao usuário que precisam procurar outros equipamentos para realização dos mesmos.
De acordo com o relatório PMAQ 2o Ciclo, “a realização de exames complementares nas UBS contribui para a ampliação das ações de saúde realizadas pelas equipes, além de permitir mais agilidade na condução dos casos”. Sendo assim, passa a ser um desafio à gestão municipal equipar as UBS para poder ofertar esse serviço ao usuário.
Outro dado importante que deixa o município abaixo das expectativas quando comparado ao estado é no que tange a realização de testes rápidos de Sífilis, HIV e de gravidez. Do total das equipes apenas 9,1% fazem teste de HIV e gravidez e 14,6% de sífilis.
De um modo geral é preciso que a gestão desenvolva ações específicas com foco no aumento da resolutividade. Se é possível resolver 85% dos problemas de saúde nas Atenção Básica tem que haver uma política de planejamento e investimento que possa garantir ao usuário essa resolutividade.
Ainda é importante frisar que se a Atenção Básica funcionar bem, naturalmente haverá a diminuição de pressão sobre os serviços de média e alta complexidade que são extremamente onerosos ao município, garantindo, dessa forma, a otimização de recursos que podem ser aplicados em outros serviços de saúde.
Para mim, fica claro que os resultados gerados no PMAQ devem ser utilizados para garantir uma gestão de qualidade na saúde do município de Mossoró.
Leia também: A saúde municipal à luz do PMAQ II AQUI;
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Gutemberg Dias é graduado em geografia, mestre em Ciências Naturais e ex-Secretário de Planejamento de Mossoró
























