domingo - 02/01/2022 - 09:34h

Depois é nunca

Depois é nunca - tatuagemPor Francisco Edilson Leite Júnior

De repente escuto um áudio. Pergunto de quem é?

– Vou enviar para você – respondeu Viviane.

Abro o WhatsApp e começo a ouvi-lo: é o escritor Fabrício Carpinejar falando da importância dos momentos quebrados, afinal, “Nunca saberemos quando será a última vez. A despedida já pode ter acontecido”.

Corro para o site da Amazon: essa é uma das vantagem do mundo globalizado, um clique, e compro o livro “DEPOIS É NUNCA”.

Fantástico! Carpinejar nos adverte: “A verdade é que, por dentro, ninguém mais será igual. Não haverá a normalidade costumeira. Amores e amizades não serão mais iguais. Nossa família não será mais igual. Nosso emprego não será mais igual… Não tem como fingir que nada aconteceu… O pior não é perder o olfato, e sim o tato”.

Pois é… A profa. COVID-19 veio com tudo, aliás, ainda está vindo. Mais de 600.000 mortes e para alguns é como se nada tivesse acontecido: “Aqui ninguém vai usar máscaras… É melhor morrer do que perder a liberdade!”.

Enfim, para alguns não houve perda nem do olfato e nem do tato. Só se perde aquilo que um dia se teve…
E Carpinejar tem razão ao nos advertir: “A morte é como o demônio, mais cresce na descrença”.

É claro que não pode haver tempo para a leitura. Há algo mais importante a ser feito: “Vacina causa morte, invalidez, anomalia”. Viver não é preciso, disseminar Fakenews é mais do que preciso…

E o mais curioso é que mesmo as recentes pesquisas mostrando o derretimento dos apoiadores a esse canto das sereias – que quase levava Ulisses e sua tripulação à morte -, ainda há um percentual (infelizmente na área da saúde) que escuta tudo isso e Retweeta com uma naturalidade que nos choca pela frieza, pela falta de sensibilidade e humanismo que não podem jamais estar ausentes desses profissionais…

E aqui cabe mais uma vez as provocações de Carpinejar: “Onde você estava quando o seu afeto morreu? Certamente fora de si… A despedida de um amor e de um afeto dá início a nossa própria despedida. DEPOIS É NUNCA”.

Que o brasileiro, na sua própria dor, possa aprender que brincar de eleição pode ser fatal…

“Não tem como fingir que nada aconteceu. Todos cairão em si, inevitavelmente”…

Francisco Edilson Leite Pinto Júnior é professor, médico e escritor

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Categoria(s): Crônica
terça-feira - 15/09/2015 - 22:11h
Crise no Estado

Ouço a voz do desembargador Cláudio Santos

Também jornalista, o desembargador Cláudio Santos – presidente do Tribunal de Justiça do RN (TJRN), falou com firmeza em artigo que assina no jornal Tribuna do Norte.

Santos: polêmica (Foto: Web)

Seria uma forma de ingerência noutro poder? Prefiro ver diferente.

Tem uma aura nova.

Se fosse a voz de “um qualquer”, ele seria logo rotulado como alguém “do contra”, “recalcado”, “derrotado” etc. A palavra do desembargador tem outro peso, apesar de falar a mesma coisa que muitos têm constatado.

O Governo Robinson Faria (PSD) está sem rumo e não revela desenvoltura para tirar o Estado da crise. “A situação pode ficar caótica nos próximos meses”, disse o desembargador Cláudio Santos.

Essa não é apenas uma crise de Governo. Não é nova ou gerada há poucos meses. O Sistema e o modelo de gestão estão apodrecidos.

Propaganda e discursos otimistas não vão nos salvar.

Robinson ainda tem crédito de boa parcela da população, mas é um capital que pode se transformar em grande débito. O que nos espera pode ser ainda mais amargo e sofrido.

Não guardo ilusões.

Em vez do canto da sereia, ouço a voz do desembargador Cláudio Santos.

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Categoria(s): Opinião da Coluna do Herzog
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