quinta-feira - 22/09/2016 - 11:31h
Sucessão Municipal IV

Rosalba tem o tempo a seu favor para confirmar favoritismo

Mas há tempos saiu da zona de conforto e vê Tião Couto se aproximar numa polarização prevista

A 10 dias da sua quarta eleição municipal como candidata a prefeito, a ex-prefeita (três vezes), ex-senadora (uma vez) e ex-governadora (uma vez) Rosalba Ciarlini (PP) enfrenta dificuldades comuns à sua trajetória vitoriosa, mas com peculiaridades próprias de um novo embate. É favorita ao pleito, mas não pode ser tratada por imbatível.

Também não lhe cabe o epíteto de “prefeita em férias”, como muitos trombeteiam apaixonadamente há tempos.

O desafio de Rosalba Ciarlini – Coligação Força do Povo – é retomar a Prefeitura de Mossoró, onde arranchou por três mandatos, além de outros dois em que apoiou Fafá Rosado (PMDB). Some-se, ainda, a curta duração com Cláudia Regina (DEM), eleita em 2012 com seu maciço empenho.

Rosalba trabalha com carisma, populismo e o tempo a seu favor para evitar a "onda" Tião (Foto: Carlos Costa)

Seu retorno não é uma “convocação”, como a retórica de sua campanha prega à massa-gente. Na verdade, é uma tentativa de recomeço e de retomada de fôlego político-eleitoral, após desapontamentos recentes na política local e estadual.

Ela nega; sua assessoria, idem. Todos em seu entorno mais próximo garantem que a Prefeitura não é um trampolim para a volta à cena estadual, como candidata ao Senado com o pleito de 2018. O mandato na municipalidade é para ser completado na íntegra, caso seja mesmo eleita. Assim é repetido e repetido.

Estratégia

Desde o começo da campanha e mesmo antes da largada oficial da contenda pelo voto, Rosalba priorizou uma estratégia que agora em sua reta final é redimensionada e ajustada para outra realidade. O que é comum, normalíssimo em termos de marketing eleitoral.

Primeiramente, ela forjou um embate comparativo de sua passagem pela Prefeitura com a administração do prefeito Francisco José Júnior (PSD), o “Francisco”, transformando-o numa espécie de sparring (termo inglês que define um treino com pessoa para esse fim no boxe).

Paralelamente, procurou evitar um mergulho em sua passagem pelo Governo do Estado, de onde as recordações não lhe ajudariam em nada na corrida ao Palácio da Resistência, sede do governo municipal.

Rosalba Ciarlini tem um bom acervo de realizações, em especial na Saúde e infra-estrutura de Mossoró nos governos 1989-1992, 1997-2000 e 2001-2004. “Reconstruir” Mossoró é a senha para vender a ideia de pessoa preparada para voltar a governar sua cidade.

Ela começou a campanha com quase todos os ventos a favor. A começar pelo tempo reduzido (45 dias em vez dos anteriores 90 dias) de campanha, em face da nova legislação eleitoral. Tinha pesquisas para consumo interno que a apontavam com vantagem confortável.

“Acordão”

Precisaria apenas fazer um trabalho de manutenção para enxerto suplementar no seu acervo de intenções de votos até às urnas. Simples, teoricamente.

A dificuldade começou antes mesmo de sua convenção municipal no dia 5 de agosto. Firmou uma aliança com adversários históricos, ao longo de quase 30 anos. Costura até hoje com seus eleitores a convivência com o grupo da ex-deputada federal Sandra Rosado (PSB). Os adversários tratam o entendimento com um pejorativo: “acordão”.

Sandra (esquerda), Lahyrinho, Rosalba e Larissa: acordo, acordão (Foto: arquivo)

Na ponta do lápis, as pesquisas qualitativas que seu marketing faz têm apontado que há prejuízo nessa composição que é justificada como algo “pelo bem de Mossoró”. Mas foi levada a termo como um “mal menor” para a candidatura rosalbista.

Pior seria, se o grupo até então adversário fosse para um palanque oposto. Rosalba acomoda Sandra, o vereador (que não concorre à reeleição) Lahyrinho Rosado (PSB) e a ex-deputada estadual Larissa Rosado (PSB) com compromissos claros e normais. Entre eles, ocupação de espaços no futuro governo, como uma secretaria para Lahyrinho. Vídeo que vazou na Web recentemente confirma essa informação.

Com um “cabo-eleitoral” como Francisco José Júnior e sua administração maciçamente reprovada pelo povo, a campanha de Rosalba não deveria ter maiores problemas. Mas teve e tem: o candidato a prefeito Tião Couto, da Coligação Unidos Por Uma Mossoró Melhor.

Ele está em seu “retrovisor”. Ê… Tião existe!

Na prática, seu sparring (Francisco) nunca foi um adversário à altura, pois por si só foi se autodestruindo. O Governo Robinson Faria (PSD), seu sucessor no Estado, também a ajuda consideravelmente. Não é muito melhor do que o que ela fez.

Perfil de eleitorado

Pesquisas ainda anteriores (veja AQUI) à própria campanha davam sinais de que Rosalba poderia ter Tião Couto como seu real adversário, mesmo que não estivesse à altura do seu cabedal de vitórias e vivência na política paroquial. Foi subestimado.

Há meses o Blog antecipou essa polarização, sem tirar em momento algum o patamar de favoritismo de Rosalba. Fez observações atestando que ele estaria no páreo, tendo o tempo em seu desfavor.

Com a saída de cena, mesmo que ainda não oficialmente confirmada perante a Justiça Eleitoral, da candidatura de Francisco José Júnior, há um solavanco na nau de Rosalba Ciarlini. A migração maciça de candidatos a vereador e partidos é na direção de Tião Couto.

A ex-governadora, ex-senadora e ex-prefeita tem contra si uma “onda” Tião Couto em reta final de campanha, que mobiliza sobretudo e maciçamente o público jovem, criando capilaridade até nos rincões e grotões do eleitorado tradicionalmente rosalbista. Isso é perturbador para ela.

O eleitorado de Rosalba é majoritariamente concentrado nessas áreas, mas envelheceu sem maior renovação. Seu eleitor fiel tem esse perfil, porque a memória coletiva e individual mais recente quase não alcança a juventude de forma favorável à ela.

A Rosalba próxima é a Rosalba governadora, que praticamente não acrescentou nada a Mossoró em seus quatro anos de gestão. A Rosalba prefeita saiu do Palácio da Resistência no final de 2004, há quase 12 anos. Uma criança de 10 anos à época, hoje tem 22 anos.

Frear Tião

O tempo de pouco mais de  uma semana, reitere-se, é o que a candidata tem de mais forte para confirmar sua hipotética vitória. Até o dia 2 de outubro, seu trabalho é evitar maiores perdas.

Nesse ínterim, seu discurso é para convencer o maior número possível de pessoas que pode ser a prefeita para esse momento difícil da administração municipal e de uma conjuntura nacional muito desfavorável. Continuará satanizando Francisco, que lhe é útil.

Vai ao ataque ou contra-ataque para frear Tião. Não há meio-termo nesse momento.

Teve de sair da zona de conforto de quase toda a campanha para uma batalha em campo aberto, da qual não poderá fugir. Está exposta.

A “Rosa”, com seu carisma pessoal e populismo, parece infatigável em mais um prélio eleitoral. Que venham as urnas.

Veja AQUI matéria analítica sobre campanha de Francisco José Júnior do PSD;

Veja AQUI matéria analítica sobre campanha de Gutemberg Dias do PCdoB;

Veja AQUI matéria analítica sobre campanha de Josué Moreira do PSDC.

Amanhã, matéria analítica sobre a campanha de Tião Couto do PSDB.

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Categoria(s): Eleições 2016 / Política
sexta-feira - 20/07/2012 - 14:00h
Mossoró

Rosalba procura força, prestígio e carisma em casa

Governadora realiza campanha em sua cidade, mas sabe que também carrega o "vírus do desgaste"

Uma pergunta recorrente, que sempre me fazem nos mais diversos círculos de conversas em Mossoró, em que a política é parte do cardápio:

– Rosalba Ciarlini (DEM) vai influir na sucessão mossoroense?

Digo cá o que costumo afirmar lá:

Rosalba continua sendo o nome político, local, de maior apelo popular e populista em Mossoró. Deverá pesar favoravelmente à candidatura da vereadora Cláudia Regina (DEM) a prefeito. Porém hoje é impossível dimensionarmos essa capacidade de transferência, pois ela também carrega o vírus do desgaste.

Rosalba tenta voltar aos seus melhores dias no contato populista em Mossoró (Foto: Carlos Costa)

É preciso que entendamos alguns aspectos dessa influência, descartando do debate manifestações passionais. É impossível tratar do tema imerso em louvação diluviana ou ódio feérico.

Rosalba convive, nesta campanha, com uma situação incomum em sua trajetória política: ela não imprimiu sua vontade na sucessão municipal. Cláudia fez-se candidata contra tudo e todos dentro do seu próprio grupo, a começar por Rosalba, que nunca a quis e sempre lutou para fazer sua irmã e vice-prefeita Ruth Ciarlini (DEM) a candidata. Vencida, a governadora não quer e não pode perder com Cláudia em Mossoró.

Queda

Outro aspecto, é que nesta sucessão municipal, pela primeira vez Rosalba não tem larga aprovação popular de sua cidade. As pesquisas de opinião pública revelam queda livre em aceitação de seu governo.

Saiu de 82 pontos percentuais no primeiro quadrimestre do ano passado, para “aprovado” por 46,50% dos mossoroenses. Outros 41% a “reprovam” e 12,50% são aqueles entrevistados “sem opinião formada” – apontou o Instituto Consult em pesquisa encomendada por este Blog, publicada no último dia 9. A queda livre devastadora aponta uma desnutrição de 36% em pouco mais de um ano.

Em 2004, quando fez campanha em prol da ex-adversária Fátima Rosado (DEM), a quem tinha derrotado nas urnas em 2000, Rosalba tinha cerca de 70% de aprovação de seu governo municipal. Em 1992, quando concluía sua primeira gestão, bateu a casa dos 74%. Em 2004, a eleição de “Fafá” foi relativamente fácil. Já em 1992, Rosalba perdeu com seu vice-prefeito Luiz Pinto (PFL, hoje DEM), em pleito vencido por Dix-huit Rosado (PDT)..

Importante, ainda, se fazer uma leitura e depuração das vitórias obtidas por ela ao Senado e ao Governo do Estado, em 2006 e 2010. É um sofisma barato se atribuir a larga vantagem de Rosalba contra os adversários (veja em boxe abaixo) apenas à sua força eleitoral, prestígio e carisma.

Força eleitoral, prestígio e carisma foram importantes, mas ponha na conta o corpo mole que o grupo adversário colocou na disputa, a favorecendo indiretamente. O chamado “rosadismo” – liderado pela deputada federal Sandra Rosado (PSB) – fez uma campanha “light”, sem molestar a conterrânea e parente.

Eleições ao Senado – 2006 – Mossoró:

– Rosalba Ciarlini (PFL) – 90.660 votos (83.33%)
– Fernando Bezerra (PTB) – 14.049 votos (12,91%)

Eleições ao Governo – 2010 – Mossoró:

– Rosalba Ciarlini (DEM) – 98.964 votos (84,86%)
– Iberê Ferreira (PSB) – 16.043 votos (13,76%)

Concorreu as duas performances de Rosalba em 2006 e 2010, outro ingrediente: o bairrismo do mossoroense. Gente que nunca votou na “Rosa”, o fez. Formou-se um clima cívico. Virou obrigação elegê-la. Era feio votar em outro candidato. “Você não vai votar em Rosalba?” perguntava-se de forma inquisitorial.

Em 2012, a conjuntura e a atmosfera são outras. Dessa feita, Rosalba passa por nova avaliação, a partir do que tem sido seu governo. É uma eleição plebiscitária, para se dizer “Sim” ou “Não” ao seu modelo de governar o Rio Grande do Norte.

Seu marketing, claro, tentará atrair a discussão para outro ambiente, apenas municipalizando a campanha, como se a sua gestão estadual não existisse na prática. De fato, não existe. Não há muito o que se incensar.

A oposição segue em sua malemolência, se equilibrando no arame, num discurso que alveja a administração da prefeita de fato, Fafá, mas ainda é cauteloso com o governo estadual. Parece esperar que a Rosa continue afundando, puxando sua candidata pelo braço. Se o movimento for inverso, terá muito com o que se preocupar.

O teste para Rosalba não é fácil, mas essa mulher já mostrou em outras situações extremadas, que não se enverga facilmente às dificuldades. A concorrência municipal de 2012 é um bom jogo para ser jogado. Ela está em casa.

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Categoria(s): Reportagem Especial
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