segunda-feira - 06/04/2015 - 06:00h

Pensando bem…

“A vida necessita de pausas”.

Carlos D. de Andrade

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domingo - 18/05/2014 - 23:01h

Pensando bem…

“Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar.”

Carlos Drummond de Andrade

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domingo - 02/02/2014 - 08:50h

Poema de sete faces

Por Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas, pretas, amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) – Poeta mineiro

 

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domingo - 10/11/2013 - 11:12h

Desejos

Por Carlos Drummond de Andrade

Desejo a vocês…
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) poeta e escritor mineiro

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segunda-feira - 05/08/2013 - 23:50h

Pensando bem…

“A amizade é um meio de nos isolarmos da humanidade cultivando algumas pessoas”.

Carlos Drummond de Andrade

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domingo - 14/07/2013 - 09:34h

A difícil arte de enxergar

Por Francisco Edilson Leite Pinto Junior

José Saramago, no seu livro “Ensaio sobre a cegueira”, foi brilhante ao escolher a seguinte epígrafe dos livros dos conselhos: “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara!”. Afinal, acredito que seja este mesmo, o maior problema do ser humano: a falta de visão.

Portanto, se eu fosse o escritor José Ingenieros, corrigiria a lenda, colocada no seu livro “O homem medíocre”, onde ele relata que Deus querendo povoar rapidamente a terra, fez moldes de manequins, se esquecendo de colocar massa cerebral, contendo o amálgama das boas coisas, em muitas calotas cranianas… na minha visão, bem limitada, “tupiniquim-jerimum-caboclo”, o que aconteceu mesmo foi que Deus fez os manequins e colocou neles olhos incapazes de ver e reparar… e para os gregos não parou aí o “equivoco” de Deus: não satisfeito de nos deixar cegos, ainda fez mais uma peripécia – colocou a felicidade dentro de nós e manteve os nosso olhos voltados para fora, com o intuito de dificultar mais ainda a sua busca…  a felicidade se encontra tão perto e tão longe: perto, dentro da gente; tão longe, afastada dos olhos… Por isso, concordo com Einstein que dizia:

“Deus não joga dados”. É claro! Ele gosta mesmo é de brincar de esconde-esconde…

Assim, não é de se estranhar que “Herrar é umano”. Afinal, cegos e longe da felicidade, cambaleamos feito “o bêbado com o chapéu-coco, fazendo referências mil, as noites do Brasil”… agora, penso que fica mais fácil de entender o que quis dizer Saramago, na página 131, do seu “Ensaio sobre a cegueira”: “Já éramos cegos no momento em que cegamos. O medo nos cegou, o MEDO nos fará continuar cegos”.

Sei que corro o risco seriamente de ser processado pelo exercício ilegal da medicina, afinal, como um profissional de “corte & costura” – um cirurgião -, eu não deveria fazer nenhum tipo de diagnóstico… mas, por favor, caro leitor, entenda que este diagnóstico, que faço agora, é de mim mesmo, feito pelo mais “cruel” dos meus médicos: a minha consciência.

Sou um cego! E além de cego, tenho um enorme defeito: adoro trabalhar em equipe! E neste mundo competitivo, individualista, egocêntrico e hipócrita, sei que este segundo defeito, pode me levar para as fogueiras da inquisição moderna.

Mas, longe, muito longe de mim, não poder exercer a minha liberdade de pensar, pois é através dela que falo, logo existo. Portanto, a minha doença incurável, eu sei que nada mais é do que o olho que não se recusa a reconhecer a sua própria ausência: a sua própria cegueira…

Ah! A memória… Ela me leva, para uns dez anos passados, quando ainda operava em hospitais particulares e atendia aos planos de “saúde”. Pois bem! Estava eu na sala de cirurgia, cuja especialidade é aquela que mais necessita do trabalho em equipe.

Estirei a minha mão para Ionaldo (instrumentador, técnico de enfermagem). Não lhe disse nenhuma palavra, apenas estirei a mão. Ele me entregou o instrumento correto: uma pinça. Às vezes, nem estirava a mão, e ele se antecipava, entregando-me o instrumento que estava precisando.

Parecia até que ele lia os meus pensamentos. Brinquei com ele. Na verdade, disse rindo coisas sérias: “Meu caro Ionaldo, fico tão seguro com a sua presença aqui. Pois sei que se eu morresse, um dia operando, você terminaria a cirurgia para mim sem problemas!”. Pois é!

Nunca me senti inferior – e nem muito menos superior-, a Ionaldo. Pelo contrário: a sua presença me dava uma segurança infinita e necessária para o exercício do ATO CIRÚRGICO.

Volto a Saramago e ao seu ensaio, na página 86: “Perante a morte, o que se espera da natureza é que percamos os rancores, a força e o veneno…”; Vou agora para a página 245, para mais uma vez concordar com você, mestre da visão: “Se continuarmos juntos talvez consigamos sobreviver, se nos separarmos seremos engolidos pela massa e destroçados”.

Talvez, lutar – em direção equivocada, em busca da exclusividade-, seja uma forma de cegueira também… não seria melhor, começarmos por nós mesmos? Que tal sermos ÉTICOS?!

Ah! A memória novamente… Prova de residência médica em cirurgia do Hospital Walfredo Gurgel. Entrava o candidato. Eu fazia várias perguntas, mas a decisiva deixava para o final… Afinal, o melhor dos vinhos não se serve por último?!

Assim, perguntava: “Se você tivesse que escolher entre ser operado por um cirurgião extremamente ético, mas sem nenhuma técnica, e um extremante técnico, mas sem nenhuma ética, qual seria a sua escolha?”. Os alunos ficavam apavorados.

Esta pergunta não tem nos livros. Embora a resposta fosse tão simples – mas o difícil é ser simples, como dizia Drummond -, muitos não conseguiam acertá-la: ser operado por alguém extremamente técnico, mas sem nenhuma ética, você corre o risco de morrer, pois esse “profissional” não terá nenhum pudor de colocar as próteses, as órteses, etc. etc. sempre em primeiro lugar; mas se você escolher o extremamente ético, mas sem nenhuma técnica, ele nunca irá lhe operar sem se sentir capaz.

Ele buscará essa “técnica” pedindo ajuda a outro (irá encaminhá-lo para alguém que possa ser a duas coisas: técnico e ético), pois ele sempre se colocará no seu lugar… Sempre!

Portanto, ser ético é fundamental! E quando aqui falo em ética, não falo nos arremedos e nos remendados com esparadrapos ou coisa parecida… Ser ético é lutar constantemente contra um monstro interno, que nos leva a querer sempre ir pelo caminho do MAL. É lutar permanentemente por uma limpeza interna nos nossos porões, afinal, como dizia Hamlet: “Com quem a beleza poderia manter melhor comércio do que com a honestidade?!”…

Termino, então, aconselhando-o: “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara!”

Francisco Edilson Leite Pinto Junior é professor, “médico” (cirurgião) e escritor.

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domingo - 04/11/2012 - 11:16h
Bate-papo

Confraria marcante

Drummond, Vinícius, Manuel Bandeira, Mario Quintana e Paulo Mendes Campos no Rio de Janeiro em 1966

Queria testemunhar este papo.

Da esquerda para a direita, Carlos Drummond, Vinícius de Moraes, Manuel Bandeira, Mario Quintana e Paulo Mendes Campos na casa do cronista Rubem Braga. Seria o ano de 1966 e a foto foi publicada na revista Manchete – em agosto daquele ano.

Claro que Rubem Braga não está na foto. Os amigos contam que ele sempre era avesso a fotos, meio antissocial. Figuraça. Como os demais dessa “chapa”.

Queria estar aí, só para ouvir o bate-papo, repito.

A foto revela também a personalidade de cada um, na forma de se vestir. Carlos, formal sem afetação. Vinícius, despojado. Manuel, formalíssimo.

Meu querido Mario Quintana, impecável. E Paulo Mendes com aquele jeito largadão, tomando uma ao lado de Vinícius. Copo à mão e na luta.

Figuraças, repito.

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Categoria(s): Cultura
domingo - 06/05/2012 - 08:51h

O amor bate na aorta

Por Carlos Drummond de Andrade

Cantiga de amor sem eira
nem beira,
vira o mundo de cabeça
para baixo,
suspende a saia das mulheres,
tira os óculos dos homens,
o amor, seja como for,
é o amor.

Meu bem, não chores,
hoje tem filme de Carlito.

O amor bate na porta
o amor bate na aorta,
fui abrir e me constipei.
Cardíaco e melancólico,
o amor ronca na horta
entre pés de laranjeira
entre uvas meio verdes
e desejos já maduros.

Entre uvas meio verdes,
meu amor, não te atormentes.
Certos ácidos adoçam
a boca murcha dos velhos
e quando os dentes não mordem
e quando os braços não prendem
o amor faz uma cócega
o amor desenha uma curva
propõe uma geometria.

Amor é bicho instruído.

Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que corre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.

Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado,
mas também vejo outras coisas:
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender…

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) – Poeta e cronista mineiro

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domingo - 11/09/2011 - 13:09h

Não deixe o amor passar

Por Carlos Drummond de Andrade

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e, neste momento,houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.

Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: o Amor.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) poeta mineiro

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Categoria(s): Poesia
domingo - 24/07/2011 - 07:54h

Poema de sete faces

Por Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas, pretas, amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) – Poeta mineiro

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