domingo - 22/08/2021 - 10:44h

Com a “Melon & Co.”, Agrícola Famosa amplia sua força internacional

Por Josivan Barbosa

A Agrícola Famosa, umas das principais empresas produtoras e exportadoras de melão do mundo, criou uma nova empresa no Reino Unido denominada de Melon & Co. (veja AQUI). A nova empresa nasce com a missão de ampliar e cuidar mais de perto do cliente inglês.

A Inglaterra representa em torno de 35% do destino do melão e melancia produzidos pela empresa genuinamente mossoroense que nasceu na última década do século passado mediante a bravura de Carlos Porro e Luiz Barcelos.Melon & Co. - Agrícola Famosa

A Agrícola Famosa aproveitou muito bem o espaço comercial de frutas frescas deixado por empresas como Maisa, Nolem e Delmont e ampliou a sua participação na Europa no fornecimento do produto.

O grupo detém cerca de 70% da quota de mercado do melão e melancia do Reino Unido, através de venda direta às grandes redes de supermercados que anteriormente era feito em sintonia com a empresa FESA UK.

A empresa mossoroense trabalha com a expectativa de melhorar o serviço que presta ao cliente inglês acompanhando em detalhes a qualidade do produto que chega ao consumidor. Ela fornece atualmente cerca de 3.300 contêineres por ano ao mercado da Inglaterra e vizinhos.

A Agrícola Famosa pode, também, a partir de agora firmar parcerias com empresas produtoras de frutos na América Central e na própria Europa (especialmente Espanha) para fornecer o produto na época da entressafra do melão e da melancia no Semiárido Nordestino.

Frete marítimo

A safra 2021/22 do melão e melancia começa com uma incerteza para o exportador. Trata-se da dificuldade em função do alto preço das tarifas de frete marítimo. Algumas rotas ultramar terão dificuldades de disponibilidade de contêineres refrigerados, equipamento indispensável para a exportação de melão e melancia do Nordeste Brasileiro para a Europa, Estados Unidos e Ásia.

As tarifas de frete dos contêineres refrigerados sofreram aumentos consideráveis durante o primeiro semestre e ainda se trabalha com a expectativa de incremento no segundo semestre e no próximo ano.

O caos logístico global e a disparada nos fretes marítimos provocados pela pandemia deverão se estender ao menos até 2022. Isso significa preços altos e prováveis atrasos na chegada de produtos pelos próximos meses.

O Índice Global de Tarifas de Contenedores Reefer de Drewry, uma média ponderada das tarifas das 15 principais rotas ultramar com uso intensivo de contêineres refrigerados confirma um aumento de 32% até o segundo quadrimestre do ano em curso e espera que até o final do terceiro quadrimestre esse valor chegue a 50%.

O principal problema do aumento de preço do frete dos contêineres refrigerados é o alto preço que ele alcança quando é usado para o transporte de carga seca, e o mundo todo está convivendo com escassez de contêineres de uma maneira geral. O mercado tem operado no limite, com escassez de contêineres e falta de navios em todo o mundo. Com o início da temporada de pico – o terceiro trimestre, em que empresas abastecem seus estoques para o fim de ano -, a situação não só deve se prolongar, como poderá se agravar.

A crise afeta todos os segmentos que usam contêineres: calçados, vestuário, higiene pessoal, eletrônicos, equipamentos, alimentos, frutas, carnes refrigeradas, celulose, veículos.

Espera-se que esse problema seja minimizado somente a partir de meados do próximo ano, o que pode trazer um certo alívio no preço dos fretes marítimos.

Produção tem safra com boas expectativas (Foto: cedida)

Produção tem safra com boas expectativas (Foto: cedida)

Safra de melão e melancia

A safra de melão e melancia começou com boas expectativas para o produtor, apesar de que novamente a disponibilidade de água pode ser um problema, especialmente para as empresas que concentram a sua produção na região da Grande Maisa (Mossoró, Tibau, Icapuí, Jaguaruana e Aracati).

Os principais tipos de melão fornecidos para a Europa são: Piel de Sapo, Galia, Cantaloupe e Amarelo.

A tendência é um aumento no fornecimento da melancia sem sementes e da mini melancia que facilita o consumo, evitando desperdício em nível de consumidor, mas ainda há espaço para a melancia tradicional (grande e com sementes).

Energia solar

Se sua empresa pretende instalar uma usina de energia solar, não hesite em acelerar o processo. A Câmara dos Deputados aprovou durante a semana o marco legal da microgeração e minigeração distribuída e trata dos incentivos concedidos à geração de energia solar por pequenos produtores (como consumidores domésticos e empresas menores). A proposta segue para discussão do Senado Federal.

BRF no RN

A BRF decidiu pela construção de um parque para geração de energia eólica no Complexo Eólico Cajuína (Lajes, Angicos, Pedro Avelino e Fernando Pedrosa). O investimento estimado no projeto é de R$ 5,2 milhões por MW instalado. A BRF deverá investir diretamente cerca de R$ 80 milhões. O início das operações está previsto para 2024.

O parque eólico terá capacidade instalada de 160 megawatts médios (MWm), com geração de 80 MWm.

Consórcio de municípios

O município de Mossoró silencia diante de uma boa oportunidade para reduzir os custos de insumos da área de saúde. Trata-se do Consórcio Conectar que reúne mais de 2,5 mil municípios para compra compartilhada de medicamentos e insumos na área de saúde. A gestão do consórcio trabalha com a expectativa de conseguir uma redução de pelo menos 15% nos custos com compras de insumos da saúde.

Os pedidos poderão ser feitos bimestralmente pelo prazo de seis meses, prorrogáveis por mais seis meses.

A compra em grandes volumes de fornecedores nacionais vai favorecer principalmente municípios pequenos e médios, que compram insumos de distribuidores regionais e pagam mais caro.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Ufersa

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Categoria(s): Artigo
domingo - 20/09/2020 - 07:30h

Melão para China, trigo e algodão movem a Agrícola Famosa

Porro: investimentos (Foto: arquivo)

Por Josivan Barbosa

Importante reportagem da Semana 38 (calendário usado pelos fruticultores) sobre a Agrícola Famosa publicada no Valor Econômico. A matéria entrevistou o CEO e sócio da empresa, o empresário Carlos Porro.

O Valor Econômico enfatiza que a abertura do mercado chinês ao melão do Brasil, em janeiro, trouxe perspectivas até há pouco inimagináveis para a Agrícola Famosa. Com o primeiro embarque à China previsto para o início de outubro, a empresa acredita que o país asiático se transformará no principal destino dos embarques em poucos anos, ultrapassando a Europa, que hoje absorve 95% das vendas externas.

Outro aspecto importante que a matéria destaca é de que as vendas internas e externas não pararam de crescer desde que o novo coronavírus começou a se espalhar. Com isso, o executivo Carlos Porro estima que o faturamento da empresa deverá subir 13% neste ano ante 2019, para R$ 700 milhões. A participação das exportações da receita, que foi de 60% em 2019, deverá subir para 70%.

Melão e melancia

De acordo com Carlos Porro, neste início de safra de melão a Famosa já fechou contratos equivalentes a 300 contêineres, um recorde. O plantio de melão e melancia iniciou-se no início de junho e a colheita para exportação teve início na semana 33 (meados de agosto) e se estenderá até fevereiro.

Nesta temporada, a expectativa é que sejam exportados 8,5 mil contêineres (mais de 160 mil toneladas) para a Europa, onde a empresa já atua há 25 anos. O Oriente Médio, para onde exporta há seis anos, deverá responder pelos 5% restantes das vendas externas.

Mercado chinês

Ainda na mesma reportagem vejam o que disse Carlos Porro: “Estamos começando os embarques para China com três ou quatro contêineres experimentais. Mas tenho certeza que tudo correrá bem e, como tudo na China é enorme, em três ou quatro safras o país pode superar as compras europeias”.  As variedades e o tratamento para o transporte das frutas destinadas ao país asiático são diferentes, uma vez que a viagem para a China leva mais tempo – cerca de 30 dias.

Produção de trigo  na Chapada do Apodi

Falando na reportagem sobre a experiência com plantio de trigo na Chapada do Apodi (Distrito de Tomé – Fazenda Macacos) em parceria com a empresa cearense Santa Lúcia Alimentos, o empresário afirmou que a Agrícola Famosa foi “provocada” a aproveitar uma nova oportunidade: o uso das terras vazias no inverno para o cultivo de trigo e algodão. “O empresário Alexandre Sales, da Santa Lúcia Alimentos, nos incentivou a criar oportunidades de negócios durante o período de inverno – e, portanto, de chuvas – na região. O melão e as outras frutas não gostam de chuva e as terras ficavam vazias e/ou com sorgo, apenas para rotação”.

De acordo com Porro, os custos de produção também ficaram abaixo do esperado. “Não fiz os cálculos ainda, mas ficaram menores que o previsto. Temos uma estrutura gigante para sustentar mesmo no inverno, quando não temos receita. Esses cultivos são perfeitos do ponto de vista financeiro e de aproveitamento de terras”, afirma ele. A Famosa tem 2 mil funcionários fixos e chega a reunir 6 mil durante o período de colheita das frutas.

Algodão também com boas perspectivas

Porro diz que fechou contrato de fornecimento antecipado de trigo com a Santa Lúcia Alimentos e, no caso do algodão, com a Santana Têxtil. Por causa dos bons resultados, é praticamente certo que a área de cultivo de trigo crescerá 100 vezes no ano que vem, para cerca de 500 hectares. E o mesmo deverá acontecer com o algodão.

Trigo no Semiárido

Também em outra reportagem da semana 38 no Valor Econômico o empresário cearense da Santa Lúcia Alimentos, Alexandre Sales mostrou-se bastante entusiasmado com os resultados preliminares da produção de trigo na Chapada do Apodi (Limoeiro do Norte). De acordo com o empresário, a variedade BR264 da Embrapa conseguiu se desenvolver com um ciclo bem curto, de 75 dias – ante o processo normal de 120 a 150 dias. Já a produtividade do campo de teste está em 5,3 toneladas por hectare, segundo as estimativas iniciais, quase duas vezes maior que as 2,4 toneladas por hectare, em média, do trigo gaúcho.

O empresário cearense aponta como vantagem o fato de a lavoura de trigo no Ceará ainda não ter pragas como nos Estados do Sul do Brasil. Com esse resultado, obteve garantia da Agrícola Famosa para semear o trigo em 500 hectares em 2020. A expectativa é que, com mais experiência, a produtividade média chegue a 5 toneladas por hectare.

Trigo no Semiárido II

Esperamos que tanto a empresa que utilizará o trigo na indústria de panificação e em outros produtos quanto as empresas parceiras no setor de produção façam um bom planejamento do uso das terras associado à disponibilidade de água, pois nesta região da Chapada do Apodi há sérios problemas de limitação de água para irrigação.

Trigo: colheita (Foto: reprodução)

Recentemente, na última grande seca (2011 – 2017) os produtores de banana tiveram sérios prejuízos com a cultura, perdendo inclusive contratos de exportação por causa da falta d`água nos perímetros irrigados do DIJA (Distrito Irrigado Jaguaribe- Apodi) e DISTAR (Distrito Irrigado Tabuleiro de Russas).

Embapa no RN

A notícia de que a Embrapa está sendo fortemente afetada no seu orçamento de custeio e investimento não pode servir de desculpa para que o RN deixe de reivindicar um centro nacional da empresa no nosso Estado. O RN e o ES são as duas únicas unidades da federação que não possuem uma unidade da Embrapa. O último Estado que conseguiu instalar um equipamento dessa natureza foi Sergipe, que num gol de letra emplacou o Centro Nacional da Embrapa Alimentos e Territórios.

A proposta precisa ser levada à ministra da Agricultura Tereza Cristina pela nova Reitora da UFERSA, Governo do RN, Prefeitura de Mossoró e parlamentares. O principal argumento para a liberação do centro é que a UFERSA colocaria à disposição da Embrapa laboratórios e escritórios e que assim, não seria necessário investimento na nova unidade.

A participação inicial da Embrapa seria na alocação de pesquisadores para desenvolver a agricultura irrigada do Polo de Agricultura Irrigada RN – CE, dando ênfase à agricultura orgânica o que justificaria a criação em Mossoró de um Centro Nacional da Embrapa Agricultura Orgânica e Agroecologia.

Embrapa no RN II

O projeto de um centro nacional da Embrapa no RN é antigo. Ele foi iniciado no Governo de Wilma de Faria. Na época colocamos à disposição da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) as instalações do recém-inaugurado Centro Tecnológico do Negócio Rural/ (CTARN)) que foi concebido numa parceria da Ufersa, Comitê Executivo de Fruticultura do Rio Grande do Norte (COEX), Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (EMPARN) e Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).

A Embrapa deu sinais de que instalaria a unidade em Mossoró e, inicialmente, liberaria 10 pesquisadores para a sua instalação. Passados 15 anos, apenas um pesquisador encontra-se em Mossoró na parceria Ufersa – Embrapa. Este foi apenas um dos inúmeros projetos em que a Ufersa mostrou-se sonolenta ao longo da última década.

Temos que aproveitar o interesse do MAPA na exportação de frutos para a Ásia e mostrar que uma forma de acelerar e se tornar competitivo mundialmente é produzindo frutos de qualidade e seguros do ponto de vista alimentar. Nada mais rápido do que contar com o apoio da Embrapa para deslanchar nesse setor muito importante para o país e para o Estado do RN e do Ceará e, também, para o Semiárido como um todo.

O CTARN – UFERSA está à disposição das entidades públicas e privadas para elaborar a proposta e discutir os principais gargalos e entraves burocráticos para tornar realidade este projeto. Precisamos acreditar que a lentidão na captação de investimentos é péssima para o nosso RN.

Eólica

A eólica é a mais barata entre as fontes renováveis de geração de energia, grupo que inclui ainda as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), a solar e a biomassa. O custo da energia eólica atingiu R$ 195 por megawatt-hora (MWh). Em seguida, aparecem a biomassa (R$ 246/MWh), as PCHs (R$ 280/MWh) e só então a solar (R$ 321/MWh).

O custo mais baixo das eólicas está associado ao barateamento das tecnologias, principalmente com a chegada dos chineses nessa indústria. Isso é explicado também pelo fato de que fabricantes de aerogeradores vieram se instalar no Brasil após certa saturação do mercado europeu.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

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