domingo - 23/02/2014 - 07:10h

Sobre críticas ao Judiciário e aos juízes

Por Marcos Mairton da Silva

A manchete era a seguinte: Juiz que ironizou por receber sem trabalhar vira herói no Facebook.

Não fui conferir. Na verdade, nem tenho perfil no Facebook. Mas, admitindo como verdadeira a notícia que gerou a referida manchete, constato mais uma vez o quanto a opinião dos brasileiros – pelo menos daqueles que põem comentários na Internet – muitas vezes é estranha.

Porque, para mim, é estranho que tanta gente aplauda tão imediatamente a atitude de um juiz que, afastado do exercício da jurisdição, em razão de distúrbios psiquiátricos, trate com ironia e desdém a instituição da qual faz parte – o Poder Judiciário – dizendo que está ganhando sem trabalhar.

Longe de mim julgar se o colega em questão recuperou ou não as condições psíquicas para retornar ao exercício da magistratura – que o órgão competente para fazer esse julgamento o faça – mas, se foi afastado por questões de saúde, tinha mesmo que ficar recebendo seu salário, como qualquer trabalhador que esteja em licença médica.

O que me preocupa, no caso, é perceber que basta alguém levantar a voz contra uma instituição brasileira da importância do Poder Judiciário, ou contra os seus membros, e logo aparece uma multidão para aplaudir e fazer coro, lançando críticas generalizantes, sem ter o menor cuidado em verificar se as razões dessas críticas são pertinentes.

Ora, que o Poder Judiciário tem seus defeitos, é fato de conhecimento geral. Da existência de maus juízes também ninguém duvida. Nem por isso, entretanto, se vai negar a importância da instituição, nem tampouco diminuir o valor daqueles que agem de forma a dignificá-la.

Coincidentemente, por esta mesma época em que foi publicada a manchete à qual me refiro, está em curso o Programa de Valorização dos Juízes, promovido pelo CNJ, destacando-se do site do Conselho o seguinte parágrafo: Sabe-se que a atuação dos juízes é fundamental para a garantia do pleno exercício da cidadania, e a relevância desse papel pode ser verificada no simples fato de que são proferidos cerca de 22 milhões de sentenças por ano, em que pessoas são absolvidas de falsas acusações, criminosos são presos, consumidores são ressarcidos, devedores são condenados, maus políticos são cassados, direitos dos trabalhadores são respeitados, interesses familiares são preservados, vidas são salvas (//www.cnj.jus.br/programas-de-a-a-z/eficiencia-modernizacao-e-transparencia/valorizacao-da-magistratura).

Não há nenhuma novidade no que está escrito no site do CNJ. No final das contas, qualquer pessoa minimamente informada tem consciência do quanto é importante para o país como um todo – e para cada cidadão em particular – que o Poder Judiciário seja composto de juízes sérios, competentes, comprometidos com a Justiça, independentes, imparciais, vocacionados para a difícil função de julgar.

O Código de Ética da Magistratura, publicado pelo CNJ em 2008, sintetiza bem os princípios que devem nortear a conduta do magistrado: independência, imparcialidade, conhecimento e capacitação, cortesia, transparência, segredo profissional, prudência, diligência, integridade profissional e pessoal, dignidade, honra e decoro.

Se assim é, parece-me que os juízes que merecem algum reconhecimento da sociedade são aqueles que cumprem o seu dever diariamente, sem estardalhaço, aplicando a lei com responsabilidade e rigor, ainda que tal postura ponha em risco sua própria vida, como acontece com tantos que proferem decisões contrárias aos interesses do crime organizado, cada vez mais organizado em nosso país.

Não defendo que se levantem monumentos ou que se criem páginas na Internet para homenagear esses homens e mulheres que anonimamente realizam a importante missão de dizer o Direito. Espero apenas que sejam – sejamos, já que também sou juiz – tratados com dignidade e respeito.

É justo que a sociedade cobre do Judiciário transparência, democracia, celeridade e efetividade no cumprimento de suas decisões. É legítimo que as pessoas exijam dedicação, seriedade e imparcialidade dos juízes. Não posso dizer o mesmo a respeito das críticas generalizadas, que atingem a todos, quando só alguns a mereceriam.

Que se democratize o Judiciário; que se implantem programas de aproximação do Judiciário com a sociedade; que se identifiquem e punam os maus juízes. Mas que se valorizem aqueles que cumprem o seu dever e são efetivamente comprometidos com a realização do ideal de Justiça.

As pessoas de bem só têm a ganhar com um Judiciário melhor.

Marcos Mairton da Silva é escritor, poeta e juiz federal

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Categoria(s): Artigo
sábado - 11/01/2014 - 20:25h
RN

Sistema carcerário tem preso que comeu fígado de rival

Jornal O Globo

No Rio Grande do Norte, há prisão chamada de masmorra, outra que é um lixão, e preso que comeu, literalmente, o fígado de outro, após matá-lo, decapitá-lo e espalhar suas vísceras pela cela. As denúncias fazem parte do relatório de 2013 do Mutirão Carcerário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no estado.

Segundo o relatório, o sistema prisional do RN está em colapso. O estado é um dos três, ao lado do Maranhão e do Rio Grande do Sul, em que o supervisor de Fiscalização do Sistema Carcerário do CNJ, Guilherme Calmon, defendeu intervenção federal no sistema prisional, em entrevista ao GLOBO em dezembro.

Com pouco mais de seis mil presos, o RN tem déficit de pelo menos 2,1 mil vagas nas suas prisões. Exemplos do quadro estão no Complexo João Chaves, em Natal: os presos amontoados da unidade masculina de regime fechado não têm banho de sol; e a unidade semiaberta mais parece um lixão, diz o CNJ, que visitou o estado em abril e maio.

Na maior unidade do RN, a Penitenciária de Alcaçuz, em Nísia Floresta, há, além da superlotação (705 presos para 420 vagas), esgoto a céu aberto e pavilhões depredados não há mais grades de contenção ou que isolem os andares.

Mortes

Desde 2007, foram 20 mortes violentas de presos na unidade: quem matar o outro preso com maiores requintes de crueldade ganha prestígio e se torna líder. Houve uma morte (em 2011) em que um preso, que já matou cinco na unidade, esfaqueou outro, decapitou-o e o estripou, espalhando suas vísceras pela cela e ainda comeu parte do fígado da vítima. Uma total selvageria, afirma o relatório.

Além de presídios, o estado tem 21 Centros de Detenção Provisória (CDPs) e todos deveriam ser desativados, diz Henrique Baltazar, juiz de Execuções Penais de Natal e Nísia Floresta, e que participou da coordenação do Mutirão no RN em 2013:

São antigas carceragens de delegacia que viraram presídios, mas não foram feitas para isso. O esgotamento, por exemplo, são fossas sépticas que transbordam, foram feitas para bem menos gente.

O prédio do CDP da Ribeira, dos anos 1960, assemelha-se a uma masmorra, posto que escura, úmida e sem ventilação. No CDP da Zona Norte, o Mutirão encontrou um preso cego, que não conseguia se movimentar, em total estado de inanição, jogado num colchonete numa cela, cheio de fezes, já que não consegue se limpar.

Não bastassem essas condições, quando o Mutirão levou o caso ao juiz responsável pela unidade, viu-se que o preso já tinha direito à progressão para regime semiaberto, e ele foi entregue a um familiar.

E o sistema prisional potiguar não tem atendimento médico: à exceção da Penitenciária de Parnamirim e do CDP feminino da mesma cidade, nenhuma outra possui assistência médica na unidade, nem qualquer enfermeira.

Riscos

Outro dos principais problemas é a falta de registro e controle de dados. A Secretaria estadual de Justiça não possui sistema informatizado de controle dos presos. E há unidades que não possuem internet ou sequer telefone/fax. O resultado é que não foi possível ser obtida sequer uma lista dos nomes e números de presos, seja ela de provisórios ou condenados. Também não se sabe quantos presos estão em tratamento de doenças como Aids e tuberculose.

À falta de estrutura, somou-se aumento de quase 400% no número de presos nos últimos dez anos: de 1.729 para 6.476. O número de agentes penitenciários, hoje cerca de 900, cresceu só 70%. Em Alcaçuz, diz o juiz Baltazar, há quase 15 presos por agente; a ONU recomenda três presos para cada agente.

Para Baltazar, a prisão hoje com mais riscos de segurança é Alcaçuz. Lá, houve uma morte em 2013 e três em 2012. E, em 2011, uma grande rebelião incluiu atentados nas ruas, com ônibus queimados. Também em Alcaçuz já teria se infiltrado a maior facção criminosa paulista, além de se formar uma facção rival, local, denuncia Baltazar.

Mossoró

O coordenador de Administração Penitenciária do estado, o major da PM Mairton Castelo Branco, diz que há R$ 16 milhões federais, do Fundo Penitenciário, garantidos para construir um presídio em Ceará-Mirim, na Grande Natal, com 603 vagas. A previsão é que as obras comecem no 1º semestre:

Outra unidade prevista é em Mossoró, também com 603 vagas, mas esta deve demorar mais, pois ainda estamos negociando a verba.

O que já está em obra hoje, afirma o major, são a ampliação do presídio do Seridó, criando mais 80 vagas até junho; e a reforma de um prédio para receber uma unidade semiaberta em Natal, com 400 vagas, também para junho.

Veja mais AQUI.

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segunda-feira - 04/11/2013 - 20:20h
Corte eleitoral

CNJ recebe dossiê sobre membros do TRE do RN

Repousa à mesa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), um dossiê recém-apresentado, que mergulha no nos intramuros do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio Grande do Norte.

O documento fala sobre relações familiares, compadrios, supostos interesses escusos e como esse emaranhado de fatores incidiria sobre o comportamento de julgadores nessa corte.

Nada mais posso adiantar, apesar da vontade.

Acompanhe mais informações de bastidores em nosso Twitter AQUI.

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quinta-feira - 24/10/2013 - 09:59h
"Impressiona!"

CNJ fica estarrecido com gestão de presídios no RN

Do portal UOL

O Estado do Rio Grande do Norte não tem controle sobre os dados do sistema prisional, sem informações básicas como nome, idade e possível condenação.

Essa é uma das conclusões do relatório final do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) do mutirão carcerário realizado no Estado em abril e maio.

Segundo o relatório, o Estado não tem controle de informações como data de nascimento dos presos ou se eles são condenados ou provisórios. Além disso, desde 2011, foram registradas 105 fugas, com mais de 425 detentos voltando as ruas.

Descontrole

O CNJ afirma que a “falta de controle” do Estado ao sistema prisional “impressiona”.

“As unidades também não possuem controles básicos dos presos, como saber informar quantos são provisórios ou condenados, ou mesmo pidir os que já possuem condenação e estão na unidade respondendo a outro processo ou aguardando possível regressão de regime por descumprimento do semiaberto. Também não se tem controle sequer da quantidade de vagas na unidade”, apontou o relatório.

Veja matéria completa clicando AQUI.

 

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quinta-feira - 27/06/2013 - 20:25h
Com direito a salário...

CNJ aposenta desembargadores acusados de rapinagem

Por Moisés de Lima (Portal No Ar)

Osvaldo e Rafael (Blog de Túlio Lemos): saída ainda por cima

Em sessão extraordinária, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou a aposentadora compulsória dos ex-presidentes do Tribunal de Justiça do RN, Rafael Godeiro e Osvaldo Cruz, ambos acusados de envolvimento no esquema de desvio de precatórios pela ex-servidora Carla Ubarana.

Durante mais de cinco foram descritos todos os fatos relacionados à responsabilidade  dos  dois desembargadores quanto a gestão e fiscalização dos recursos desviados irregularmente que totaliza mais de R$ 14 milhões.

Jorge Hélio pediu  o envio dos áudios da audiência ao Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) para investigação do ato de improbidade administrativa.

Durante a sessão os conselheiros entenderam que no caso do desembargador Rafael Godeiro que já havia se retirado pela aposentadoria  antes do processo administrativo ser iniciado, podem haver novos processos administrativos em razão de atos irregulares cometidos durante sua administração.

“Os dois incorreram em ato de improbidade administrativa . Faltou no mínimo cautela e controle sobre o pagamento de precatórios. Eles podem inclusive sofrer um novo processo administrativo por um novo  exercício ilícito durante suas gestões”, declarou o relator.

Nota do Blog – Pais diferenciado é assim: dois homens que deveriam dar exemplo de correção, numa corte, são flagrados num escândalo dessa envergadura e ganham “condenação” de aposentadoria com gordos salários.

O CNJ impôs-lhes penas administrativas, mas ainda respondem a processos judiciais.

Há esperança que, adiante, os processos abertos na Justiça possam assegurar perdas desses benefícios, xilindró e devolução do que foi rapinado.

Bem, claro que estou delirando. Mas não custa nada sonhar.

Na prática, serão anos com processos se arrastando, carregados de recursos e outros dribles processuais que vão lhes garantir um final de vida financeiramente tranquilo, mesmo que moralmente sem reparos.

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quarta-feira - 20/02/2013 - 09:06h
Lógica do poder

Glauber Rêgo deverá ser desembargador

O lengalenga em torno da escolha do mais novo membro do Tribunal de Justiça do RN (TJRN) tem final previsível para quem possui o mínimo de bom senso e capacidade crítica.

Anote aí, por favor.

O advogado Glauber Rêgo deverá ser confirmado como ungido para o cargo vitalício. Será o 14º desembargador.

A liminar do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reprovando o processo seletivo do TJRN, ocorrido na sexta-feira (15), fortaleceu ainda mais o espírito de corpo dessa corte.

Quem votou ou quem não votou em Glauber, o fará. A lista tríplice reforçará a opção da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) por seu nome, sobretudo por critério político.

Se o resultado quanto à lista tríplice for diferente, o TJRN definitivamente se desmoraliza.

A imagem desgastada do TJRN não precisa de mais esse suplemento.

Glauber Rêgo pode encomendar terno novo, canapés e uísque (de boa procedência, lógico) à festa.

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segunda-feira - 26/12/2011 - 07:41h
Brasil

Crise mexe com Judiciário e provoca discussão nacional

O Estado de São Paulo

O Poder Judiciário está incomodado. Foi a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de mexer na “caixa preta” dos tribunais, ao inspecionar as folhas de pagamento e declarações de bens de juízes, em especial os de São Paulo, que mexeu com os ânimos de magistrados e suas entidades representativas.

A forte reação dos investigados leva o advogado e professor de Direito Constitucional Luiz Tarcísio Ferreira, da PUC-SP, a perguntar: “Se há uma rigorosa vigilância da sociedade sobre o Executivo e o Legislativo, por que o Judiciário ficaria fora disso? Se esse Poder nada deve, o que estaria temendo?”

Ferreira arremata: “Os juízes sabem que quem paga os seus salários é o povo.”

Nota do Blog – Os bons judicantes devem estar muito tranquilos e ansiosos para que esse pente-fino seja realizado. Não há o que temer.

O Judiciário tende a sair mais fortalecido, granjeando maior confiança em meio à sociedade, que precisa de sua limpidez à garantia do Estado Democrático de Direito.

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