domingo - 16/07/2017 - 11:21h

A realidade cruel que mutila e mata gente sofrida e indefesa

Por Ronaldo Fixina

Merece elogio a atuação da Diretoria do Hospital Regional Tarcisio de Vasconcelos Maia (HRTM), em Mossoró. Faz o possível. Todos os brasileiros e brasileiras, desde o nascimento, têm direito aos serviços de saúde gratuitos.

O Sistema Único de Saúde (SUS) é um direito de todos: é integral, garante equidade e é descentralizado. A população deve exigir seus direitos constitucionais.

A classe médica por um dever de consciência tem a obrigação de denunciar a omissão dos gestores da Saúde Pública. Estes, por uma questão de justiça, deveriam ser punidos pessoalmente com altas multas e prisão.

Centenas de pacientes de Mossoró são penalizados pela atual administração, em virtude da inexistência de cirurgias eletivas. Uma fratura, uma colecistite, um mioma uterino pode motivar a morte de pacientes em Mossoró pela impossibilidade de realizar uma simples cirurgia eletiva.

A Saúde Pública de Mossoró jamais foi levada a sério ou considerada prioridade nesta cidade. Prefeitas enfermeira (fracasso total – horrível ), médicas e até mesmo um almofadinha, nunca estabeleceram metas de prioridades nesta área, talvez por considerarem investimentos em saúde como gastos ou despesas desnecessárias.

Os vereadores, têm grande responsabilidade sobre diferentes aspectos no tocante às políticas de saúde, todavia permanecem silentes. Ao invés de solicitação de recapeamento asfáltico em rua de eleitor barato ou desentupimento de bueiro, legislassem no que coubesse sobre a saúde no que tange à prestação de serviço envolvendo políticas públicas de Saúde.

Omissão total.

O Decreto que estabeleceu a Calamidade Pública na rede Hospitalar do Estado por analogia é um atestado de incapacidade administrativa. E em Mossoró a situação é critica, muito crítica.

Uma “rede” de bajuladores é orientada para propagar que não existem recursos. Dinheiro tem e muito.

Por mais estranho que pareça nos deparamos em horário nobre da TV Globo,  com uma feérica propaganda do São João que diz a verdade: o São de Mossoró é “É muito mais do que você imagina”. Uma verdade.

Realmente a Saúde de Mossoró “É pior do que você pode imaginar”.

Aqui você se depara com o sofrimento de dezenas de pacientes mendigando uma cirurgia. Enquanto isso, escutamos um festival de dislates: reabrir o eternamente inútil Hospital da Policia, a Universidade do Estado do RN (UERN) vai construir um grande hospital escola (sem leitos), retomar as obras do Hospital Duarte Filho. A Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), certamente também vai construir um fenomenal hospital universitário baseado em evidências.

Apenas exemplificando a inversão de prioridades: no dia do derramamento de “cultura” de Michel Teló em Mossoró, na Estação das Artes Elizeu Ventania, um paciente aqui, sentindo intensas dores não era submetido a uma cirurgia (amputação de uma perna) por falta de uma serra de Gigli (instrumento medieval) que custa a bagatela de R$ 50,00 reais. É uma desumanidade.

Ridículo e cômico se o paciente não estivesse sentindo tanta dor

É uma estupidez uma paciente de Mossoró ser encaminhado para cirurgia em Alexandria! E mudou? Outrora as pacientes de Mossoró eram encaminhadas pela Secretaria Municipal da Doença e da Incompetência para Russas (CE).

Uma matula de jurássicos invadiu os corredores da Secretaria Municipal de Saúde. Quem é responsável pela inexistência das cirurgias eletivas dos usuários dos SUS em Mossoró? A quem interessa a judicialização de filas de pacientes? Quanto vale uma vida de um usuário do SUS para alguns gestores da saúde?

A realização de uma cirurgia eletiva aqui em Mossoró implica em percorrer um caminho extremamente difícil. Uma peregrinação dolorosa para crianças e idosos. Um massacre. Nenhum documento elucida possíveis acordos entre os hospitais privados e os gestores da saúde.

Por uma questão jurídica e, de obediência aos critérios para contratualização com o SUS, nenhum hospital em Mossoró poderia ser contratado pois eles não tem funcionários médicos.

Como realizar cirurgias sem anestesiologista, cirurgião, ortopedista, etc. etc. Sem um contrato de prestação de serviços entre especialistas e os gestores da saúde, não há nenhuma obrigação de atendimento.

Da mesma forma que o calote institucional torna o trabalho sem satisfação e sem determinados compromissos por parte do trabalhador médico. E o médico encontra-se amparado no direito irrefutável de receber seus honorários justos e possíveis. E por que médico honesto não pode ser bem remunerado??

O cidadão (contribuinte) já não suporta mais ver seus direitos constitucionais serem usurpados. As autoridades constituídas deveriam obedecer os princípios constitucionais da eficácia, eficiência e efetividade, etc. etc. etc.

Ronaldo Fixina é médico anestesiologista, delegado sindicato do Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed/RN) e dirigente Cooperativa dos Anestesiologistas de Mossoró (CAM)

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Categoria(s): Artigo
sexta-feira - 12/02/2016 - 14:12h
Mossoró

OAB recebe denúncias contra Casa de Saúde Dix-sept Rosado

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção de Mossoró, irá avaliar as denúncias feitas pela Clínica de Anestesiologia de Mossoró (CAM), que apontam graves irregularidades na saúde pública de Mossoró, com ênfase na Casa de Saúde Dix-Sept Rosado (CSDR), colocando em risco à vida de parturientes e nascituros que precisam recorrer aos serviços de saúde oferecidos no município.

Canindé, Elsias, Rogério e Ronaldo Fixina discutem denúncias (Foto Assecom OAB)

Em um extenso documento entregue à OAB, a CAM enumera inúmeras irregularidades que serão analisadas pela OAB, através das comissões de Saúde e de Direitos Humanos, que emitirão um posicionamento nos próximos dias com as medidas cabíveis que serão adotadas pela Subseção de Mossoró.

Após o recebimento do documento encaminhado pela CAM, o presidente da OAB/Mossoró, Canindé Maia, participou de uma reunião com o médico Ronaldo Fixina, diretor técnico e administrativo da Clínica de Anestesiologia de Mossoró, juntamente com os advogados Elsias Nascentes Coelho e Rogério Barroso, presidentes recém-empossados das comissões de Saúde e Direitos Humanos, respectivamente.

Medidas

Na reunião ocorrida hoje (12), a OAB informou que irá analisar toda a documentação entregue pela Clínica de Anestesiologia de Mossoró, que representa os anestesiologistas da cidade. “Analisaremos as denúncias e definir quais medidas serão adotadas”, explica Canindé.

Além das inúmeras denúncias contidas neste documento, a OAB foi informada também que haverá uma paralisação dos atendimentos no serviço de anestesiologia na Casa de Saúde Dix-Sept Rosado, que ocorrerá na próxima segunda-feira (15), por 24 horas. Para os advogados Canindé, Elsias e Rogério, as denúncias apresentadas pela CAM são de natureza grave, podendo ensejar investigações junto às Polícias Civil e Federal e também no Ministério Público Estadual e Federal, já que envolvem repasses de verbas municipais, estaduais e federais. Em resumo, a CAM destaca que sua maior preocupação é com os riscos que os problemas elencados representam às mães e filhos.

Alguns pontos do documento entregue à OAB:

– Problemas no pré-natal de gestantes de Mossoró;

– Ilegalidades na Casa de Saúde Dix-Sept Rosado, mesmo após intervenção judicial;

– Suposta omissão do Ministério Público Estadual diante de tais ilegalidades;

– Omissão dos governos Estadual e Municipal no problema da Casa de Saúde;

– Inúmeras ilegalidades no Hospital da Mulher de Mossoró, como fraude em licitações;

– Migração das grávidas de Mossoró para outros hospitais, como o de Russas (CE);

– Débito com os trabalhadores que atuam na Casa de Saúde Dix-Sept Rosado;

– Levanta dúvidas sobre a origem dos recursos que mantém a instituição;

– Cobra transparências sobre o trabalho da intervenção imposta à Casa de Saúde;

– Denuncia a existências de mesas de cirurgias manuais e obsoletas;

– Mostra necessidade de renovação/revisão das unidades de anestesia;

– Revela falhas no uso de anestésicos, com riscos à paciente e ao recém-nascido;

– Ruídos emitidos pelos aspiradores de secreções, acarretando danos à saúde;

– Falta de preocupação com o bem-estar dos médicos e demais profissionais;

– Inexistência de um plano emergencial para casos de falta de energia elétrica.

Com informações da OAB de Mossoró.

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Categoria(s): Saúde
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sexta-feira - 17/01/2014 - 08:14h
Mossoró

Anestesiologistas param cirurgias eletivas e dão justificativa

A Cooperativa dos Anestesiologistas de Mossoró (CAM) explica e justifica paralisação de seus trabalhos, em cirurgias eletivas. Mas deixam claro que o trabalho nas urgências vai continuar. Em nota à imprensa, detalha sua postura:

Em reunião realizada ontem ( 15/01) os anestesiologistas vinculados a Clínica de Anestesiologia de Mossoró decidiram pela paralisação de atendimento eletivo ( cirurgias eletivas ) por um período de tempo indeterminado. As cirurgias eletivas devem ser remarcadas.

Mesmo diante dos percalços  ( crônicos ) da Saúde Pública, comunicamos que não haverá nenhuma interrupção no atendimento de urgência/emergência.

Estamos habituados a tudo. Nenhuma voz fala a nosso favor. Os anestesiologistas precisam ser provocadores para que os gestores da saúde  e a comunidade percebam a importância do trabalho do anestesiologista. Ex. Segunda feira foi feita uma captação de órgãos ( dois rins ) com a participação dos anestesiologistas da CAM. Um rim  foi encaminhado para Curitiba e outro para Porto Alegre.

O nosso movimento em nenhum momento trata de melhorias salariais. Não queremos corrigir tabelas, todavia, em tempos de crises e instabilidade administrativa necessitamos  urgentemente de organizar as relações gestores/anestesiologistas de forma que compromissos e responsabilidades sejam recíproca. Cada um com suas obrigações. Uma questão de justiça e cidadania.

Profissionais anestesiologistas permanecerão no Hospital Regional Tarcisio Maia, Hospital da Mulher e Casa de Saúde Dix-Sept Rosado, vinte e quatro horas, independentemente de comprovação ou não de pagamentos de plantões referentes aos meses de outubro, novembro e dezembro. Nenhuma categoria profissional  aceita de forma pacífica tamanhos períodos sem pagamento de salários.

Acreditamos com convicção no atual prefeito quando ele afirma que a SAÚDE SERÁ UMA QUESTÃO PRIORITÁRIA nesta gestão. Desejamos que ele tenha discernimento, sabedoria e muita força para priorizar a saúde. As famílias jamais esquecerão esta atitude. Esperamos que este mandato não seja interrompido nem mesmo diante da possibilidade de eleições complementares.  Simplesmente queremos ter muito orgulho de ser um prestador de serviço na área da Saúde.

Percebemos total ausência de reconhecimento do nosso trabalho. A ausência de pagamento de honorários do anestesiologista é uma forma cruel de punição injusta. Honorários tem significado de salário e salário é a manutenção da família.

No tocante a empresa que vincula os anestesiologistas ( CAM ) enfrentamos dificuldades financeiras em consequência da elevada carga tributária que a empresa está sujeita. Emitimos diversas notas fiscais e no entanto não existiu pagamento. Assim, jamais podemos crescer, gerar emprego e assumir a responsabilidade de investir na contratação de novos profissionais.

Fugir de responsabilidade não significa ausência de consequências. Saúde é um dever do Estado.

MOTIVAÇÃO / PLEITOS:

– RIGOROSA FISCALIZAÇÃO e adequação técnicas de condições do trabalho;

– Redução do excessivo tempo que o paciente com trauma espera por cirurgias ortopédicas ou cirurgias de outras especialidades sem a necessidade da realização de mutirão cirurgia;

Realização de todas as cirurgias ortopédicas possíveis de qualquer usuário do SUS residente no RN mediante autorização da PMM. Esse tipo de  cirurgia não deve, em caráter eletivo,  ser realizada no Hospital Regional Tarcisio Maia.

Atualização do pagamento de todos os procedimentos anestésicos realizados em 2013;

Apresentação de um cronograma de pagamentos. Existe débito relacionado a atendimento realizado em maio de 2013;

Assinatura de um simples termo de compromisso de pagamento;

Compromisso da não existência de teto financeiro para o atendimento da gestante ( anestesias para obstetrícia ) na C S DR, independentemente do Munícipio de origem. O parto não pode esperar.

Não há qualquer movimentação política neste movimento e acreditamos na compreensão, boa vontade, coragem, compromisso e intenções verdadeiras do Senhor Prefeito, para a solução deste problema de forma emergencial. Temos grande interesse no retorno ou continuidade deste trabalho tão especial e necessário para os usuários do SUS.

Estaremos completamente disponíveis para negociações e diálogo democrático.

A DIREÇÃO DA CAM

 

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Categoria(s): Administração Pública / Saúde
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