domingo - 13/10/2024 - 11:04h

Por dever legal e por reconhecimento moral, respeitem os autores

Por Aldaci de França 

Arte ilustrativa do Bloguito

Arte ilustrativa do Bloguito

Diversos cantores que primam ou sempre dão prioridade a um trabalho bem elaborado, ou seja, músicas em que as letra se traduzem em mensagens que falam por nós, externando sentimentos, angústias, paixões, amor, romantismo, injustiça social e conflitos entre as nações, têm recorrido à poesia popular nordestina. Não faltam obras musicando poemas em formas diversas.

Esses cantores/compositores ou só intérpretes, garimpam o que há de melhor na produção poética contextualizado na poesia popular nordestina, para adornarem com músicas e melodias contagiantes, seus poemas irretorquíveis. Com isso, a poética nordestina ganha mais projeção e pode elevar bem mais o  nome e imagem de seus verdadeiros autores. Isso tem ocorrido devido a repercussão positiva de suas obras, gravadas por nomes respeitados da nossa música.

Mas, nem tudo são flores. Existem exceções, ocorrem desrespeitos, alguns ‘esquecimentos’ inaceitáveis.

Algumas obras poéticas gravadas por talentosos intérpretes da música brasileira estão aí, fazendo sucesso, sendo eternizadas: “Triste Partida” de Patativa do Assaré, gravada por Luiz Gonzaga, O Rei do Baião; “Vaca estrela e Boi fubá” dentre outras também do filho do Assaré, musicadas por Fagner; “Difícil Demais” dos Nonatos’, é carro chefe de um dos Cds de Flávio José, e na voz do forrozeiro, essa composição tem sido muito bem  ouvida pelos que se identificam com o romantismo e apreciam o gênero forró. Ele e outros discípulos do maior ícone da música brasileira, o pernambucano de Exu, Luiz Gonzaga, exaltam essa poética nordestina.

Acrescente-se aqui, que Amado Edilson gravou do norte-rio-grandense de Ouro Branco, Sebastião Dias, recentemente falecido, a “súplica dos ecólogos”, que posteriormente Fagner fez ecoar com o título modificado para “Canção da Floresta”. Essa mudança de título ocorreu em comum acordo entre o autor e o cearense de Orós, o que não aconteceu com Amado Edilson, pois, esse teve que reconhecer a autoria do poema musicado de Sebastião Dias e consequentemente pagar um valor em dinheiro ao autor referente ao direito autoral.

O poema em decassílabos “Mulher nova bonita e carinhosa, faz o homem gemer sem sentir dor,” com autoria de Otacílio Batista (in memoriam), poeta repentista e escritor, tem a coautoria do também saudoso poeta repentista José Gonçalves. Esse introduziu a melodia diferenciada ao trabalho, deixando-a pronta à gravação. No entanto, Zé Ramalho lança mão da referida composição e ‘autoriza’ Amelhinha a gravá-la, sem a permissão dos legítimos autores. Essa situação terminou provocando judicialização, tendo o indesejável imbróglio sido resolvido em acordo proposto no campo judicial.

Alceu Valença, uma das expressões da nossa música, também se utiliza da mesma prática, cantando modalidades do gênero coco de embolada, em suas apresentações, deixando transparecer que essas modalidades são de domínio público, mas sem apresentar provas contundentes para tal, enquanto os coquistas (emboladores coco) insistem na tese de que são os legítimos autores das referidas obras.

E assim, a “banda vai passando” e muitos se dando bem nas costas dos magistrais artistas e poetas populares, que produzem pérolas transformadas em músicas de melhor qualidade.

Apesar do exposto, vemos como positiva para os nossos poetas e compositores populares, a boa repercussão dos seus trabalhos gravados pelas grandes referências da música brasileira. O que se faz necessário, e com urgência, é que esses que estão em maiores patamares artísticos e, usufruem do talento alheio, venham a fazer o certo e reto – por dever legal e por reconhecimento moral.

Por favor, respeitem os autores.

Aldaci de França é poeta repentista, escritor, cordelista e coordenador do Festival de Repentista do Nordeste no Mossoró Cidade Junina (MCJ)

Compartilhe:
Categoria(s): Crônica
terça-feira - 19/09/2023 - 15:46h
Cultura

Mestre Concriz receberá Medalha do Mérito Vingt-un Rosado

Concriz é um patrimônio vivo da cultura popular (Foto: divulgação)

Concriz é um patrimônio vivo da cultura popular (Foto: divulgação)

O Mestre Concriz (José Antônio da Silva), coquista e cordelista, será o homenageado de 2023 pela Prefeitura de Mossoró e Loja Maçônica Jerônimo Rosado, com a medalha de honra ao mérito Jerônimo Vingt-un Rosado Maia. Será entregue no próximo dia 21 de setembro.

Ele receberá a comenda durante a 47° Noite da Cultura e a 32° Sessão Magna Branca da Jerônimo Rosado, que acontecerão às 19h30, na própria Loja Maçônica.

No mesmo evento, também será homenageada a reitora da Universidade do Estado do RN (UERN), Cicília Maia, com a medalha de honra ao mérito Sebastião Vasconcelos dos Santos.

A escolha da pessoa homenageada é feita por uma comissão, presidida pela Secretaria Municipal de Cultura, e que reúne entidades como Uern, Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC), Fundação Vingt-un Rosado, Academia Mossoroense de Letras (AMOL) e Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP).

Na escolha deste ano, a comissão reconhece a importância da história e trabalho do Mestre Concriz para a cultura mossoroense e potiguar. Pernambucano de nascimento, Concriz adotou Mossoró como sua casa e, desde a década de 70, tem um trabalho reconhecido de valorização da cultura popular, seja por meio do coco de embolada ou da literatura de cordel.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Threads AQUI, Facebook AQUI e YouTube AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Cultura
Home | Quem Somos | Regras | Opinião | Especial | Favoritos | Histórico | Fale Conosco
© Copyright 2011 - 2026. Todos os Direitos Reservados.