domingo - 14/02/2021 - 09:40h

Um Carnaval que não será igual ao que passou

Cristina dos Pimpões, um símbolo do carnaval de rua de Mossoró (Foto: Web)

Cristina dos Pimpões, um símbolo do carnaval de rua de Mossoró (Foto: Web)

Por Paulo Menezes

O período carnavalesco teria início nessa semana. Mas, por conta dessa terrível pandemia que apavora a todos nós, para evitar aglomerações, pelo menos patrocinado pelos poderes públicos, não ocorrerá. Ajuntamento de pessoas só em campanhas políticas, tempo em que a Covid-19 sempre se encontra de férias.

De repente, com a memória ainda em ordem, afastado do fantasma do alzheimer, vem em mim uma lembrança com imagens fortes e cristalinas de um passado ditoso e feliz. Incontinenti, me transporto para os carnavais de outrora.

Pois em tempos que não voltam mais, infelizmente,  o carnaval em Mossoró tinha inúmeros blocos de salão, confetes e serpentinas, arlequins, pierrôs  e colombinas, corso automobilístico pelas ruas da cidade, blocos de rua onde se destacavam Salinistas, Pimpões e Baraúnas, o Homem  do Chocalho, Rei Momo e Rainha do Carnaval, vários ursos,  muita música e grande animação.

Nos clubes sociais ACDP e Ypiranga, os blocos eram anunciados como atração das festas de Momo. Havia assaltos carnavalescos em casas de amigos com agendas previamente programadas. Era um privilégio a casa escolhida para receber os foliões.

Os blocos de salão mais famosos da época eram: Hi-fi, Sky e Os Vips. A recepção era com muita bebida e salgadinhos de finos paladares. Não faltava também o “Lança-Perfume Rodouro”, aromatizando o ambiente e embriagando-nos ao tempo em que nos transportava para um mundo de sonhos e fantasias.

Um grupo de amigos que fazia parte de uma turma feliz e animada compunha Os Vips. Eu, Joãzinho de Neco Carteiro, Raul Caldas, Bira Menezes, João Vieira, Guga Escóssia, Rogério Dias, José Bezerra, Raimundo Nonato, Nitola, Emery e Elery Costa formavam esse time da alegria.

Desse pequeno grupo de doze amigos e foliões, cinco deles, lamentavelmente, já não estão entre nós.

Vivíamos um mundo fantástico, onde só o presente a nós interessava. E ele era bom. Sem a violência dos dias de hoje e sem pensar num amanhã que por certo chegaria.

Hoje, no meu devaneio que gosto de ter, relembro com imensa recordação daquele tempo vivido com muita intensidade, e que se pudesse, ah se pudesse, vivia tudo de novo. Não é à toa que um pensador anônimo afirmou num momento de inspiração: “a saudade é a maior prova de que o passado valeu a pena”.

Quanta saudade!!!

Paulo Menezes é meliponicultor e cronista

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Categoria(s): Crônica
quarta-feira - 16/12/2020 - 17:00h
Em Natal

Vicente Serejo supera fase mais crítica do novo vírus

Serejo: "Doença terrível" (Foto: arquivo)

Nessa quarta-feira (16), o jornalista Vicente Serejo ganhou alforria hospitalar da Casa de Saúde São Lucas, em Natal.

O colunista do jornal Tribuna do Norte está com Covid-19, mas superou sua fase mais crítica.

Recupera-se para voltar logo ao nosso convívio.

Conversei com ele hoje mais uma vez e há otimismo para plena recuperação.

Agora à tarde, ganhou alta.

“Que doença terrível, Carlos Santos” – desabafou.

Estou no aguardo, meu caro. Vamos nos organizar para mais resenhas.

Simbora!

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Categoria(s): Comunicação / Gerais
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terça-feira - 27/08/2019 - 17:14h
Aguardamos

Senhor Redator, Vicente Serejo lançará novo livro em 2020

Serejo vai completar 50 anos de imprensa (Foto: TN)

Escritor bissexto, jornalista lapidar, cronista cotidiano, Vicente Serejo vai completar 50 anos de imprensa em 2020.

Daí, boa oportunidade para lançar seu segundo livro.

De crônicas, logicamente.

A seleção promete 100 textos daqueles, esculpidos com o esmero de quem domina o verbo desde os tempos da Olivetti e do impresso.

Apesar de sua confessada desavença com esse mundo cibernético, nanotecnológico, robótico, online, de redes virtuais, de massas conectadas, Serejo segue falando sobre o ser humano (humano) falho.

Senhor Redator, ele madruga, faz o próprio café à boca do fogão e escreve, exatamente nessa sequência.

Aguardemos.

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Categoria(s): Comunicação
domingo - 11/09/2011 - 12:01h

Lagartixa

Por Paulo Mendes Campos

Sinto nojo e medo de lagartixas domésticas, acabei odiando o pobre bicho. Outro dia vi um menino brincar com uma, das menores, por sinal, e estremeci como se a criança estivesse a cutucar um violento jacaré.

Meu apartamento vinha sendo a residência de três enormes lagartixinhas. Noites mal dormidas. Pensei: preciso matá-las para livrar-me do receio de que me caiam na cara durante o sono.

Ontem liquidei duas.

A primeira foi mais fácil. Para começar, fitei-a longamente, como a convencer-me de minha superioridade física e moral. Armado de um cabo de vassoura, aproximei-me cauteloso, enquanto ele me olhava, a duvidar de minhas reais intenções. Não é possível – concluí – que este sujeito vai me dar, a mim que nada lhe fiz, uma cacetada.

Como eu continuasse avançando recuou um pouco, mas, pejando-se da covardia, tornou a refletir que eu não teria motivos para maltratá-la.

Seu nobre raciocínio custou-lhe o rabo, o rabo porque, no desconcerto da emoção, o golpe desviou-se alguns centímetros do alvo. Enquanto o rabo – momento puro de misterioso pavor – estertorava-se no chão, a bichinha esgueirou-se pela parede, ocultando-se atrás de um móvel. Os saltos do rabo solitário me acabrunhavam.

Senti meu valor desfalecer.

Agora, no entanto, o problema era outro; tratava-se, piedosamente, de livrar a lagartixa daquele rabo inquieto, ou seja, destruir a lagartixa aleijada. De que vale uma lagartixa sem rabo? De que vale um rabo sem lagartixa. Afastei o móvel, tive a impressão triunfante de que ela fremia de horror.

Desferi o segundo golpe com tal confusão de sentimentos que a infeliz ficou descadeirada. Tonta, sem noção do perigo, começou a arrastar-se penosamente pelo rodapé, desgraciosa e lenta. Com a terceira bordoada, estrebuchou de barriga para cima. É cadáver, respirei.

Coisa nenhuma. Ao remover o corpo, fui surpreendido por um pulo que a colocou de novo, toda estragada, na posição normal. Veio-me um frio ruim à espinha. Tive vontade de sair, dar uma volta pela praia, tomar um conhaque. A essa altura, entretanto, já não podia permitir a mim mesmo fraquezas dessa espécie. O tiro de misericórdia (ai de mim) teria liquidado um gambá.

O assassinato da segunda, (a verificação chocou-me bastante) foi incomparavelmente mais fácil. Menos emocionado, já meio habituado ao crime, desferi apenas dois golpes furiosos e fatais.

Joguei os corpos no lixo, e estava a escrever isto, quando alguém, lendo por cima do meu ombro, corrigiu a minha ignorância em dois pontos: primeiro que lagartixa dá sorte; segundo, que, decepado o rabo de uma lagartixa, cresce-lhe outro. Assim sendo, quanto ao rabo retifico logo: uma lagartixa sem rabo, a longo prazo, vale uma lagartixa inteira.

No tocante à sorte, quero dizer que o extermínio das duas inocentes parece que me ajudou muito a libertar-me do medo.

A terceira lagartixa, ausente na hora da matança, pode ficar agradecida ao sacrifício de suas irmãs. E se ela me der sorte, eu lhe pouparei a vida.

Paulo Mendes Campos (1922-1991) Era um cronista mineiro

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Categoria(s): Crônica
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