segunda-feira - 10/02/2025 - 17:52h
Alcaçuz

MPF, DPU e DPE tentam localizar 19 desaparecidos de rebelião de 2017

Presos em Alcaçuz são donos do 'pedaço' e estabelecem espaços também fora, onde o governo manda menos ainda (Foto: O Globo)

Presos em Alcaçuz promoveram levante de repercussão até os dias atuais (Foto: Arquivo/O Globo)

O Ministério Público Federal (MPF), a Defensoria Pública da União (DPU) e a Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Norte (DPE/RN) entraram com uma Ação Civil Pública contra a União e o estado do Rio Grande do Norte. Foca na omissão à apuração do desaparecimento de 19 detentos da Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga, a “Penitenciária de Alcaçuz”, durante a rebelião ocorrida em janeiro de 2017.

Não se sabe, até hoje, o paradeiro desses 19 presos que estariam na unidade prisional quando a rebelião eclodiu, marcada por brigas de facções criminosas que resultaram em massacres e levaram, pelo menos, 26 detentos à morte.

O objetivo da ação é responsabilizar os gestores pela falta de medidas efetivas para esclarecer a situação desses presos desaparecidos e obter a reparação integral dos danos materiais e morais causados aos familiares das vítimas, além da adoção de medidas que impeçam a repetição das cenas de caos observadas há oito anos na penitenciária.

Responsabilidade 

A ação – assinada pelo procurador da República Fernando Rocha, pelo defensor público estadual Rodrigo Gomes e pelas defensoras públicas federais Carolina Soares e Flávia Fernandes – aponta que o estado do Rio Grande do Norte falhou na gestão do sistema prisional, permitindo a rebelião e não adotando providências efetivas para evitar mortes e desaparecimentos.

A União, por sua vez, conforme indicado na ação, foi negligente na fiscalização e no cumprimento de compromissos internacionais de direitos humanos, incluindo a Convenção Internacional para a Proteção de Todas as Pessoas contra o Desaparecimento Forçado, à qual o Brasil aderiu em 2007.

Medidas 

Além da responsabilização dos gestores, a ação também requer que sejam adotadas medidas concretas para localizar os desaparecidos e garantir transparência na investigação. Entre as providências previstas na ação estão:

criação de um plano de contingência para crises no sistema prisional;

fortalecimento dos mecanismos de controle externo sobre as unidades prisionais;

implementação de tecnologias de monitoramento, como câmeras e drones;

fornecimento de informações contínuas às famílias das vítimas;

implementação de um banco de dados genéticos para identificação de possíveis vítimas; e

adoção de um sistema de registro eficiente de movimentação dos detentos.

Brutalidade – A Penitenciária Estadual de Alcaçuz, localizada no município de Nísia Floresta, na Região Metropolitana de Natal, é o maior complexo prisional do estado. A rebelião de 2017 envolveu presos pertencentes a grupos criminosos rivais e foi parte de uma onda de violência nacional ligada à guerra entre facções.

Itep recolheu corpos em Alcaçuz e começou a fazer primeira identificações (Foto: divulgação)

Itep recolheu vários corpos incompletos e precisou de esforço concentrado à identificação (Foto: Arquivo do BCS)

Em meio à violência, à superlotação e à falta de controle dentro da penitenciária, os criminosos impuseram sua própria forma de justiça, resultando em mortes, mutilações e ocultação de cadáveres.

Violação

A investigação do MPF teve início a partir de relatórios do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), que identificou indícios de desaparecimento de internos, além de relatos sobre a incineração e descarte de corpos em fossas sépticas.

O inquérito conduzido pelo MPF apontou a ausência de perícia adequada, falhas na preservação da cena do crime e contradições nos dados oficiais sobre foragidos, mortos e desaparecidos.

Para os autores da ação, a omissão do estado e da União configura uma grave violação aos direitos fundamentais dos detentos e seus familiares. “Não se trata apenas de um problema administrativo, mas de um cenário de desaparecimento forçado, crime reconhecido internacionalmente como uma das mais severas violações de direitos humanos”, ressalta Fernando Rocha.

A ação tramita na Justiça Federal do Rio Grande do Norte e pode resultar em condenações à União e ao Estado por danos morais e coletivos, além da imposição de medidas estruturais para evitar que situações similares voltem a ocorrer.

Ação Civil Pública nº 0801187-77.2025.4.05.8400

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quarta-feira - 29/08/2018 - 20:40h
Penitenciária Federal

Estado e Prefeitura oferecerão ensino a presidiários

Penitenciária foi inaugurada em 3 julho de 2009 (Foto: Web)

Em audiência de conciliação promovida pela Justiça Federal no Rio Grande do Norte (JFRN), foi definido que a Secretaria Estadual de Educação oferecerá ensino fundamental e médio para os internos da Penitenciária Federal em Mossoró.

Presidida pelo Juiz Federal Walter Nunes da Silva Júnior, titular da 2ª Vara Federal, o termo de acordo foi firmado em processo impetrado pela Defensoria Pública da União (DPU).

Sobre o ensino fundamental, a Secretaria Estadual de Educação ficará responsável até 2020. Após essa data, o trabalho será feito pela Secretaria Municipal de Educação de Mossoró, que oferecerá na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Durante audiência foi definido que as Secretarias Municipal e Estadual de Educação junto com a Penitenciária Federal de Mossoró estabelecerão o calendário escolar a partir do segundo semestre deste ano. Também foi acordado que as duas Secretarias farão um planejamento pedagógico específico, nos temos do acordo de cooperação técnica.

A penitenciária foi inaugurada dia 3 de julho de 2009.

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quarta-feira - 18/04/2018 - 21:30h
O outro lado

Prefeitura diz que atende totalmente diabéticos em Mossoró

A Prefeitura Municipal de Mossoró emite Nota sobre posição da Defensoria Pública da União (DPU), que entrou com uma ação pedindo a suspensão dos gastos de nível nacional do Mossoró Cidade Junina 2018 (MCJ) até que a disponibilidade de insumos médicos em Mossoró seja regularizada (veja AQUI).

Veja abaixo:

A respeito do pedido da Defensoria Pública da União à Justiça Federal quanto ao fornecimento de insulinas aos pacientes do Município, a Prefeitura de Mossoró esclarece que o atendimento se dá no âmbito do Sistema Único de Saúde.

Conforme reconhecido e divulgado em ocasiões anteriores no site da Prefeitura (www.prefeiturademossoro.com.br), o Município garante o estoque anual. Ao todo foi contratada a aquisição de 36 mil unidades da insulina Degludeca e de 18 mil unidades da insulina Asparte, com investimento superior a R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais). Além desses dois tipos especiais, outras insulinas e insumos foram adquiridos, incluindo lancetas, fitas e agulhas, através de processo legal.

Desta maneira, não são procedentes as informações divulgadas, e com isso, a Prefeitura de Mossoró reafirma e assegura a regularidade do atendimento aos pacientes diabéticos.

Nota do Blog – Com a palavra, pacientes e seus familiares, que estão sendo atendidos (segundo a nota) integralmente pelos serviços de saúde, que são “municipalizados”.

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quarta-feira - 18/04/2018 - 13:28h
Cidade Junina

Defensoria quer prefeitura investindo em saúde em vez de festa

Do Blog do Barreto

A Defensoria Pública da União entrou com uma ação pedindo a suspensão dos gastos de nível nacional do Mossoró Cidade Junina 2018 (MCJ) até que a disponibilidade de insumos médicos em Mossoró seja regularizada.

A medida também atinge o Governo do Estado e União, mas no tocante aos gastos com publicidade.

Atrações nacionais que têm grandes cachês é o foco da Defensoria (Foto: sem autoria identificada)

O foco principal é na falta de insumos da farmácia básica do município destinados aos diabéticos.

Já existe uma liminar com mais de seis meses arbitrando uma multa que vem se acumulando.

“Diante dessa medida ser ignorada a Defensoria Pública da União decidiu tomar uma medida mais drástica pedindo a suspensão de gastos com publicidade do governo do estado e união e a suspensão dos gastos com shows do Cidade Junina”, disse o defensor público Hélio Cabral.

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