sexta-feira - 07/09/2018 - 16:00h
Brasil

Uma reflexão sobre nós mesmos

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Categoria(s): Crônica
domingo - 02/09/2018 - 05:24h

Recessão democrática

Por Odemirton Filho

Desde o tempo de Atenas, na Grécia antiga, que se busca a democracia como uma forma de participação popular.

Apesar de sua seletividade, pois nem todos os habitantes eram considerados cidadãos, a democracia ateniense foi o início do regime de governo que hoje se adota em vários países.

A democracia é uma forma de participação de todos, sejam homens, mulheres, ricos ou pobres na construção de um Estado.

Há, basicamente, três espécies de democracia: a direta, a indireta e a semidireta.

A democracia direta é aquela na qual os cidadãos, sem intermédio de representantes, discutem e aprovam as leis e encaminham resoluções em favor de toda a coletividade.

Por outro lado, a democracia indireta é aquela que a sociedade delega aos seus representantes a aprovação de leis ou resolução de seus problemas.

Diz-se democracia semidireta aquela na qual os cidadãos têm seus representantes eleitos, mas em algumas questões relevantes decidem diretamente, como no caso de plebiscito, referendo e iniciativa popular.

O art. 1º, parágrafo único, da Constituição Federal brasileira adota a democracia semidireta:  “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

Destaque-se que, atualmente, a democracia deliberativa tem sido abraçada por alguns doutrinadores, sendo que, nessa espécie, a sociedade participa de forma mais ativa na tomada de decisões, dentro de determinada esfera pública.

Para se chegar ao que conhecemos foi longo e doloroso o caminho de algumas sociedades hoje democráticas.

O poder, concentrado nas mãos de poucos, era um entrave à participação popular.

Sabe-se que é preciso um limite ao poder e a participação da coletividade é de vital importância para o amadurecimento das instituições e do próprio Estado.

No Brasil, como sabemos, a experiência ditatorial nos despiu de todo e qualquer direito fundamental. Os atos ditatoriais, plasmados em Atos Institucionais, foram amplamente utilizados em desfavor da sociedade.

Não somente no país, mas em boa parte do mundo e, sobretudo, na América Latina, o poder foi centralizado em um grupo que tolhia o livre viver das pessoas.

Após muita luta e sofrimento para restabelecer o direito de manifestação e, principalmente, o direito ao voto, foi conquistado o regime democrático, tendo como sustentáculo uma Constituição.

Agora, em uma guinada, esses valores estão sob ameaça.

Em razão disso, o termo recessão democrática, criado pelo cientista político Larry Diamond, é uma forma de alertar os cidadãos que suas democracias estão a fenecer.

Aquilo que parecia consolidado poderá começar a ruir se a sociedade não entender que a democracia tem que ser constantemente defendida contra qualquer ataque que venha a minar suas bases.

O poder talvez não seja mais assaltado por meio de um golpe de Estado. Há em andamento várias formas de se tomar o poder, usando a própria democracia para surrupiar os valores mais caros à sociedade.

Segundo analistas, o desmonte de direitos sociais, ideias retrógradas, ataques a grupos minoritários, intolerância, incitação à violência, enfraquecimento de sindicatos e de movimentos populares, entre outras atitudes, denotam que a sociedade precisa ficar alerta.

Não se nega que a democracia tem os seus defeitos.

A corrupção, apurada pela operação Lava – Jato, mostrou ao país uma cadeia de mal feitos que incomodam o cidadão de bem e o faz ficar descrente nas Instituições democraticamente constituídas.

Os serviços sociais básicos estão à deriva e o cidadão ver a montanha de impostos que paga ser desviada para fins obscuros.

A retomada do crescimento econômico, como fundamental para fazer a roda da economia girar, parece que ainda irá demanda um bom tempo, pois a expectativa do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) está aquém do esperado.

Com isso, estamos com mais de treze milhões de pessoas sem emprego e outra parcela expressiva sobrevivendo de atividades informais.

Vivemos, é certo, uma recessão econômico-social. Não se vislumbra no horizonte mudanças significativas.

Todavia, a recessão democrática de direitos e valores que conquistamos ao longo do tempo parece evidente.

Nas palavras de Daniel Sarmento e Madeira Pontes: “a eleição de um presidente com ideias e projetos radicalmente contrários à democracia traduz perigo muito maior para a sobrevivência da empreitada democrática do que a mera aceitação da presença de um partido autoritário na cena política”.

Assim, não podemos coadunar com qualquer espécie de conduta que queira desestabilizar à democracia e suprimir direitos fundamentais.

É através dela, democracia, e de nossas Instituições, que devemos buscar a solução para o caos que estamos vivendo. Não podemos transigir os nossos direitos, eles são irrenunciáveis e inegociáveis.

Teremos, novamente, a singular oportunidade de escolher os nossos representantes para o Executivo e para o Legislativo. Vejamos os candidatos que defendam à democracia e que não tenham a mácula da corrupção.

É imprescindível que os candidatos abandonem a retórica e a demagogia de sempre e apresentem, de forma concreta, propostas para a educação, saúde e segurança, os principais problemas nacionais.

E que apontem, com clareza, de onde virão os recursos para se promover os investimentos que essas áreas exigem.

É certo que reformas precisam ser feitas, todavia é preciso saber equacionar o problema a fim de não penalizar, ainda mais, a sociedade brasileira e, principalmente, que se preserve o Estado Democrático de Direito.

Odemirton Filho é professor e oficial de Justiça

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terça-feira - 21/08/2018 - 21:20h
Brasil

Democracia de gaveta

Por François Silvestre

Há contratos de gaveta, coisa antiga, entre mutuários vendedores de imóveis que deixam pendentes a quitação. Coisa dos costumes na legislação civil.

O Brasil inova com a democracia de gaveta. O que é isso?

É o contrato eleitoral que desconhece a importância da opinião do eleitor e dá prevalência às decisões da justiça. Questionáveis ou não. Aí estão os fatos. Derrubaram Dilma, legalmente. Dentro da Lei. Prenderam Lula, legalmente, dentro da Lei.

Temer assumiu a Presidência, legalmente, dentro da Lei. O que diz o povo sobre isso? Que é tudo uma mentira democrática. Uma farsa eleitoral.

Temer é rejeitado por noventa por cento da população. E população é sinônimo de eleitor. Lula é aprovado por trinta e sete por cento da população, mesmo preso legalmente.

Depois dele, vem Bolsonaro, que não pertence a nenhum dos grandes partidos que derrubaram Dilma. E Dilma está disparada na disputa para o senado, em Minas Gerais, o Estado cujo candidato ao governo foi o relator do impeachment dela.

Eu não votaria em Lula nem em Dilma, mas não reconheço legitimidade nessa nossa democracia de gaveta. Nessa eleição de miçanga.

Fórum não é foro legítimo para verificar vontade do povo. Vontade do povo, certa ou errada, é coisa de eleição. E eleição não é legítima com ausência de candidato líder nas pesquisas, de qualquer pesquisador. Ou então a justiça eleitoral, jaboticaba, declare a inveracidade das pesquisas e as proíba.

País grandioso sob o tacão de anões, exibidos numa vaidade que envergonha os anjos da Rua Conde Lage, virados para a parede pelas meretrizes do Bairro da Glória.

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sábado - 01/10/2016 - 10:24h
Democracia

Justiça Eleitoral oferece vários serviços online aos eleitores

A Justiça Eleitoral desenvolveu oito aplicativos móveis voltados às Eleições deste ano. Eles podem ser baixados no smartphone ou tablet, concorrendo para maior agilidade de informação, segurança do pleito e democratização das atividades da Justiça Eletioral. São eles:

1. Aplicativo Eleições 2016
Aglutina informações ao eleitor em uma única tela, como: situação do título, orientações sobre justificativa, local de votação, informações sobre propaganda eleitoral e contatos do Disque-Eleitor.
Android: //bit.ly/2dKhK1PiOS: //apple.co/2cGFBdw
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2. Aplicativo Onde votar:
Foi criado pela Justiça Eleitoral para facilitar o acesso do eleitor brasileiro ao local de votação e aos postos de justificativa em todo o Brasil, caso esteja fora do seu domicílio eleitoral.
Android: //bit.ly/2dcwHb0iOS: //apple.co/2dKkUCq
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3. Aplicativo Resultados:
Permite acompanhar em tempo real os dados do resultado da eleição em todo o Brasil.
Android: //bit.ly/2dKjcRSiOS: //apple.co/2dcvuAy
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4. Aplicativo Boletim na Mão:
Permite o acesso de forma rápida, segura e simplificada as informações contidas nos Boletins de Urna (BU) impressos pela Urna Eletrônica após o encerramento da votação.
Android: //bit.ly/2dcRI8JiOS: //apple.co/2cQFAam
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5. Aplicativo Mesários:
Apresenta instruções, orientações e perguntas e respostas de forma a complementar o treinamento dos mesários e auxiliar no esclarecimento de dúvidas.
Android: //bit.ly/2cweFCdiOS: //apple.co/2cTDtCn
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6. Aplicativo Pardal:Possibilita aos eleitores notificar irregularidades e não conformidades nas campanhas, oferecendo denúncia à Justiça e ao Ministério Público Eleitoral.
Android: //bit.ly/2b6ec94iOS: //apple.co/2bSR2V6
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7. Aplicativo Agenda JE:Reúne todos os acontecimentos previstos para as Eleições Municipais 2016, disponibilizando as datas do Calendário Eleitoral e as informações sobre o Calendário da Transparência.
Android: //bit.ly/23gb4bBiOS: //apple.co/2aXwdEq
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8. Aplicativo JE Processos:
Permite o acompanhamento do trâmite dos processos do Sistema de Acompanhamento Processual e do Processo Judicial Eletrônico, exibindo os andamentos, relator do caso, origem, ementa, partes e advogados, decisões e publicações do processo.
Android: //bit.ly/2aDIgUHiOS: //apple.co/2aJO8yY
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9. Aplicativo Candidaturas:
Permite que o eleitor acompanhe o seu candidato e acesse as seguintes informações: nome completo do candidato, nome escolhido para a urna, número, situação do registro de candidatura, cargo, partido, coligação e, ainda, o link para o site do candidato. O dispositivo também exibirá os dados da prestação de contas dos políticos.
Android: //bit.ly/2aynzhHiOS: //apple.co/2b4lnOq

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Categoria(s): Eleições 2016 / Política
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terça-feira - 20/09/2016 - 10:56h
Pós-desistência

Partidos e candidatos a vereador tomam novos rumos

Partidos e uma leva de candidatos a vereador ligados à Coligação Liderados Pelo Povo, que sustentava até há poucas horas a candidatura à reeleição do prefeito mossoroense Francisco José Júnior (PSD), o “Francisco”, começam a decidir novo rumo.

Kelsen: democracia com partidos (Foto: reprodução)

Rosalba Ciarlini (PP) ou Tião Couto (PSDB)?

Eis a questão.

Por força da legislação eleitoral, as decisões tomadas pelos partidos em convenção, não podem transferi-los para nenhuma outra coligação. Mas os candidatos podem optar por adesão a qualquer nova candidatura, com endosso partidário.

Segundo o Artigo Primeiro da Lei dos Partidos Políticos, “o partido político, pessoa jurídica de direito privado, destina-se a assegurar, no interesse do regime democrático, a autenticidade do sistema representativo e a defender os direitos fundamentais definidos na Constituição Federal.”

Hans Kelsen, emblemático jurista de origem tcheca, em sua obra denominada de “A Democracia”, afirmava que “um dos elementos mais importantes da democracia real” são os partidos políticos, que “agrupam os homens de mesma opinião, para lhes garantir influência efetiva sobre a gestão dos negócios públicos”.

A lei e a visão do jurista ainda estão um pouco longe da realidade brasileira. E no caso de Mossoró, mais ainda.

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Categoria(s): Eleições 2016 / Política
segunda-feira - 25/07/2016 - 22:46h
Mossoró

Fundadora do ‘Movimento Nas Ruas’ fará palestra na Ufersa

Nessa terça-feira (25), a ativista e fundadora do movimento “Nas Ruas,” Carla Zambelli, estará visitando Mossoró. Carla vai ministrar a palestra “Estado de Direito, Liberdade de Expressão e Combate à corrupção”.

Zambelli: nome nacional (Foto: cedida)

O evento vai acontecer a partir das 19h no auditório da PROEC, na Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA).

O “Nas Ruas” é um movimento de combate à corrupção e impunidade. Foi fundado em julho de 2011 e se notabilizou pela confecção de bonecos infláveis gigantes satirizando figuras como Dias Toffoli, Dilma Rousseff, Teori Zavaski, Rodrigo Janot e Ricardo Lewandowski.

Zambelli ficou conhecida em todo Brasil quando se acorrentou a uma das pilastras da câmara dos deputados como forma de pressionar os parlamentares pela admissibilidade do impeachment da presidente Dilma.

A palestra será aberta ao público.

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Categoria(s): Política
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domingo - 10/07/2016 - 07:32h

A crise educa

Por François Silvestre

Não é fácil conviver com a crise. Nem com a seca. Nem com a escassez. E menos ainda com a “ética” dos métodos, banquete de hipocrisia. Pra cada sujeira apontada no quintal vizinho, um charco de lama na própria soleira.

Já houve quem sustentasse não ser pessimista para não parecer chato; nem otimista, para não parecer bobo. E chegou a inventar o realismo consciente. A moderação na crença e a tolerância no descrédito.

O candidato contamina-se de otimismo para convencer o eleitor a segui-lo. E ao eleitor é oferecido um pacto de entusiasmo. E a surrada promessa de mudança. E ambos fingem. Cada um no seu botão.

O eleitor se faz de besta e oferece o bolso bobo para receber a prebenda do esperto. O eleitor sabe que seu voto é uma mercadoria e o candidato intui que o comprado e pago não comporta cobrança.

Mesmo assim e talvez por isso mesmo a crise seja um rompimento de trevas. Uma lanterna a clarear no quarto escuro. Um puxão de orelhas da realidade. A crise institucional escancara-se. Mais grave do que a econômica. A economia se arruma. Instituições sem crédito não se recuperam. Só com nova ordem.

Nem a Democracia é plena nem o voto é livre. Fosse livre, o voto não seria obrigatório. Tanto a Esquerda quanto a Direita defendem o voto obrigatório. Por quê? A Direita sabe que o voto livre seria muito mais caro. E a esquerda sabe que o voto voluntário seria muito mais exigente.

A Direita precisaria de mais grana para arrancar alguém de casa e a Esquerda precisaria revisar a baboseira sofista para convencer o eleitor desobrigado de votar. O voto obrigatório é democracia de curral.

A crise rasga a mentira. O discurso, a liberdade do voto, a promessa, a propaganda, os debates ocos, a mídia venal, a fiscalização de fachada. Esse é o útero onde se fecunda o óvulo do embuste e nasce feto da crise.

Os candidatos são espermatozoides. O eleitorado é o óvulo maduro a esperá-los, no cérvix da urna. No ovário, eles se encontram. Após a caminhada difícil que veio do gozo, enfrentando cada um a hostilidade da militância inimiga.

E a conquista? O candidato excitado penetra o cio da militância. Os lados oponentes abrem as pernas do povo, no berço esplêndido. E há o coito. O resultado do coito é o coitado.

Reina o Estado Cérbero, falido, e suas castas famintas de privilégios e empanzinadas de hipocrisia.

E a seca? Apenas “uma eterna e monótona novidade”, como disse Cunha, o Euclides. Cada tempo com seu Cunha. Eterna porque sempre existiu. Monótona porque vem em ciclos. E novidade porque nunca nos preparamos para seu retorno inevitável.

Mas é uma bênção. Não houvesse estiagem já teríamos sido expulsos daqui. Qual região do mundo está livre de vulcões, furacões, alterações climáticas extremadas?

Temos sol e vento na medida. O atropelo da seca nos protege.

Té mais.

François Silvestre é escritor

* Texto originalmente publicado no Novo Jornal.

 

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Categoria(s): Artigo
segunda-feira - 21/01/2013 - 11:47h
Política e Brasil

A difícil marcha para se fazer uma nação

Vendo essa lista de servidores sem concurso da Assembleia Legislativa (veja postagem mais abaixo), não me bate um pingo de indignação ou inveja. Acho mesmo é engraçado como algumas pessoas continuam se descabelando por políticos e grupos, com uma visão maniqueísta (seu lado é bonzinho e o outro é de gente má).

Na realidade, com raras exceções, são todos “japoneses”, muito parecidos, sobretudo na apropriação da coisa pública em favor dos seus e de seus camaradas.

Sobram apenas as migalhas (e olhe lá) para a “militância” de infantaria, aquela que briga e arranja inimizades.

Engraçado, também, como muita gente continua entoando teses de doutrinadores e filósofos, para sustentar a crença (ou fé inabalável) na Justiça. Balela. Se não descruzar os braços nesse circuito de blá-blá-blá, nada de revolucionário vai ocorrer.

Os poderes de Estado e a plutocracia dominam tudo. Tá tudo dominado. Judiciário, Tribunal de Contas, Assembleia Legislativa, governos, imprensa etc.

Trabalhemos para pagar o financiamento do Fiat Uno, cobrir as despesas da feira e o colégio dos meninos. Discutamos a política de forma mais séria, sem o maniqueísmo doentio. Vamos investir na formação de nossos filhos, em educação.

Só com um povo politizado de verdade, economicamente ativo e consciente de seus direitos e deveres, mudaremos a República e a política.

A política não é uma atividade menor; menor, microscópica, é a atuação de uma grande maioria no meio. Não foi a política que se desfigurou ao longo dos séculos, mas homens desfigurados que a tornaram abjeta.

Essas figuras estão preocupadas apenas em se apropriar da coisa pública, transformando-a em bem pessoal, de família e a seu bel-prazer.

Está ruim? Posso lhe afirmar: o quadro já foi pior.

A simples divulgação dessa situação, é uma assombrosa raridade, impossível de acontecer há alguns anos e décadas.

Nossa República, com quase 124 anos de vida, nunca navegou por um período tão longo de estabilidade política e simulacro de democracia, além de relativa robustez econômica. Engatinhamos, damos trombadas, às vezes fraquejamos e somos descrentes, mas estamos de pé.

Sim, é possível.

A marcha – com esse jeito novo de tentar caminhar, ainda será muito árdua, na construção de uma nação de verdade. Somos ainda um aglomerado humano frágil, muito suscetível à louvação de falsos rubís e culto a messias ordinários.

A gente aprende.

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Categoria(s): Opinião da Coluna do Herzog
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domingo - 07/10/2012 - 06:59h
Dia para votar

A democracia que nos cabe nesse latifúndio

Por Carlos Santos

“O meu ideal político é a democracia, para que todo o homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado.” (Albert Einstein)

Chegou o grande dia. Espero que com ódios aplacados, paixões vigiadas e interesses menores em segundo plano. Nossa imberbe democracia ou simulacro – ainda – de democracia nos oferta novos poderes.

Temos o poder de botar e tirar representantes no Legislativo e Executivo.

Temos o poder de mudar de canal ou continuar com a mesma “tela” diante de si.

Temos o poder de outorgar a outras pessoas a primazia de nos representar, na gestão da coisa pública, na busca do que é um primado desse modelo de sistema político: o bem-estar social.

Recorro a um dos políticos mais destacados deste país, Mário Covas (governador de São Paulo, falecido em 2001), para manifestar neste espaço virtual a minha crença no ser humano e na sua capacidade de transformar a vida de outros pela boa ação coletiva, dever de consciência e ousadia:

– Sou, por formação e por índole, um homem que fundamentalmente crê. Desejo morrer réu do crime da boa-fé, antes que portador do pecado da desconfiança.

Conheci este país ainda menino, imerso no regime militar.

Compenetrado, diante do Pavilhão Nacional, envolto na disciplina de Organização Social e Política Brasileira (OSPB), inebriado com o futebol, tocado pela propaganda ufanista e a música de  Dom e Ravel (…Este é um país que vai pra frente…), eu vivia no melhor dos mundos.

“Eles”, os donos do poder, em verde-oliva, diziam que não havia meio-termo para os que pensavam diferente no pindorama brasileiro: “ame-o ou deixe-o”. Muitos foram trucidados e mortos; houve quem preferisse fugir.

Cresci, deparei-me com o Brasil real. A descoberta de um Brasil que não existia nos livros escolares, nem aparecia nas revistas e na TV ainda em preto e branco, ou na Voz do Brasil. Um Brasil para poucos, pela exploração de muitos.

Descobri-me como indivíduo político, cidadão e cresci como gente puxado pelo jornalismo. Tem sido minha razão de viver, compreendendo que meu analfabetismo político e o alheamento às coisas da vida pública são terrenos férteis à nova dominação despótica.

Não vivemos num “admirável mundo novo”, mas melhoramos como nação, país e gente. Daqui, dessa lonjura, é fácil perceber que ainda estamos distantes do ideal.

Claro que nos falta muito. Falta a parte que nos cabe nesse latifúndio com tanta injustiça social, intolerância e impunidade.

Cumpramos nosso papel, não apenas votando. Fundamental a vigilância, o controle social e a participação cidadã nas questões que dizem respeito ao nosso cotidiano e ao futuro de nossos filhos.

“A vida é combate”, repito Gonçaves Dias no célebre poema Juca-Pirama.

Gládio à mão; à luta.

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Categoria(s): Eleições 2012 / Opinião da Coluna do Herzog
sábado - 04/08/2012 - 19:58h
Realidade nacional

Lei para todos os lados e democracia para poucos

Se a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), Lei da Ficha Limpa, Lei Antinepotismo e o Código Penal fosse para todos, o Brasil avançaria séculos em poucos anos.

Temos leis aos borbotões e não param de produzir outras tantas. São normaas para isso e  aquilo.

O chamado Estado de Leis, o Estado Democrático de Direito, é ainda um esboço na Constituição “cidadã” e um simulacro de realidade em nosso cotidiano.

Inflizmente.

Ainda há muito a ser feito.

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Categoria(s): Opinião da Coluna do Herzog
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sábado - 11/02/2012 - 20:57h
Reflexão

“Tolerância” e a arte de construir uma democracia

Muita gente confunde alguns princípios da democracia, sem se aprofundar no estudo da ciência política.

Democracia não é ditadura da maioria. Democracia também não pode ser a supremacia de uma minoria que teoricamente manda ou se impõe.

Democracia é um exercício dialético, de composição, arte de falar para aprender a ouvir.

Tolerância é a palavra-chave.

“Quando todos pensam da mesma maneira, ninguém pensa grande coisa” – Carl Sandburg.

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Categoria(s): Opinião da Coluna do Herzog
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