domingo - 12/11/2023 - 06:44h

Não se preocupe com a vida… você não vai escapar vivo dela

Por Carlos Santos

Foto ilustrativa

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New Orleans (EUA) dos negros, da pobreza, mas também do jazz, do rio Mississipi, piratas e corsários, poliglota; da indústria do petróleo, do arrasador furacão Katrina (2005) e multicultural, inspirou o jornalista-escritor Truman Capote. Em muitas de suas crônicas ela era o ambiente. A atmosfera.

Num café, “o menos frequentado de New Orleans”, ele descreve em 1946, o jeitão da proprietária, senhora Morris Otto Kunze: “não parecia se importar; passava o dia sentada atrás do balcão (…), e só se movia para espantar as moscas”.

Mas foi lá, que ele captou num mural rococó, em espelho quebrado e sujo,  uma frase que imprimia justificativa à vida do lugar: “Não se preocupe com a vida… você não vai escapar dela vivo mesmo!”

Esse olhar largado, quase entregue ao determinismo, é uma versão mais antiga do “deixa a vida me levar…” vida, leva eu”, do sambista carioca Zeca Pagodinho, em letra de Serginho Meriti e Eri do Cais. Tem funcionado para ele.

Comigo tem sido diferente, mesmo sabendo que não vou escapar vivo dessa vida. Eu cuido do meu destino e da minha própria felicidade.

Não os passei a terceiros.

Carlos Santos é criador e editor do Blog Carlos Santos (Canal BCS)

*Texto originalmente publicado no dia 20 de novembro de 2011, há quase 12 anos AQUI.

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Categoria(s): Crônica
domingo - 31/07/2016 - 10:47h

O recesso da História

Por François Silvestre

De tudo ou quase tudo já se falou da História. Seu determinismo, sua imutabilidade, sua inexistência, sua característica de ciência cultural, sua morte, seu renascimento.

Prestou-se ela a todos os embates. Às perquirições da filosofia clássica, aos argumentos de deístas e ateus, às indagações culturais e às lutas ideológicas.

Houve até um pensador moderno que decretou “o fim da História”. O que ele quis dizer, pelo menos se supõe, é que ela não se prestava mais à explicação ou justificação de transformações sociais. O que levaria ao fim também das revoluções. Com o fim da História, desconfigura-se toda e qualquer possibilidade revolucionária.

Sem revolução não há ruptura e sem ruptura não haveria História. Boa parte dessa assertiva ampara-se no fracasso quase rotineiro das revoluções sociais e políticas. As revoluções de natureza científica ficam fora dessa limitação, pois sempre tiveram continuidade ou superação.

Nenhuma revolução social ou política teve continuidade nos preceitos originais da sua motivação. Age de início para aniquilar os derrotados e depois se volta autofagicamente contra as próprias crias.

É de bom alvitre estabelecer que não se deva confundir revolução com golpe de estado ou quartelada. Por mais sanguinária que seja nenhuma pantomima dessas pode ser alçada à condição de movimento revolucionário.

Falemos de Revoluções. A Revolução Francesa descambou em Napoleão e pariu uma monarquia pior do que a substituída. A Revolução Russa teve o condão de assassinar a única chance de alternativa ao capitalismo e matar o ideário ideológico que a justificara teoricamente.

A Revolução Chinesa promoveu um genocídio fratricida e desaguou no capitalismo de Estado, com trabalho servil e ditadura de castas.

Bastam esses modelos para configurar o destino das revoluções sociais e políticas. Triste destino. Porém, necessário. Posto que o havido antes precisasse mesmo ser desmontado. Em todos esses exemplos e noutros não referidos.

A Revolução Cubana exauriu-se numa ditadura personalista e empobrecedora do seu povo. Mas não se pode negar que ela destruiu um regime pior do que o seu resultado. Cuba era apenas um balneário da putaria e jogatina americana, sob o comando de um sargento sanguinário.

O Brasil não oferece exemplos porque nunca fez uma revolução. Nunca. Pequenos arremedos e tentativas. Sempre esmagados no nascedouro.

O tempo de hoje acabrunha a História. Em nome de Maomé se faz o terror e em nome de Cristo se edifica a mentira. E o sermão mudou: Mal aventurados os que matam e mentem, pois é deles o reino da terra.

No Teatro Brasil a Esquerda sepulta a esperança e a Direita exuma o desencanto. A História, acabrunhada, pede licença e entra em recesso.

Té mais.

François Silvestre é escritor

* Texto originalmente publicado no Novo Jornal.

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Categoria(s): Artigo
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