domingo - 29/03/2015 - 07:35h

Partidos políticos

Por François Silvestre

Não se pode imaginar uma sociedade democrática sem os partidos políticos. E o seu nome, partido, é autoexplicativo; isto é, parte de alguma coisa. Ou parte do inteiro.

O inteiro é a sociedade politicamente considerada; não apenas os segmentos do exercício político, mas todos. E nesse todo se incluem os incapazes de todas as naturezas e aqueles com cidadania suspensa por julgamento legal.

Diferentemente da empresa, a sociedade não é um agrupamento produtivo ou comercial. É o conjunto humano que ocupa um território, forma uma nação, possui idioma ou idiomas próprios, produz cultura ou culturas típicas, contém uma ordem legal e uma moeda consolidada.

Na empresa, o servidor que não produz é excluído. Na sociedade, não. O improdutivo, na sociedade, é tão dono do espólio social quanto o produtivo.

O Estado não se confunde com a sociedade. Ele é a representatividade política da sociedade. Mas não é a sociedade, que está acima dele; pelo menos teoricamente.

Nas ditaduras, o Estado se sobrepõe à sociedade. E o indivíduo perde a fronteira da individualidade. Nas ditaduras, sem partidos, o Estado aposenta a cidadania.

Lênin definia o Estado como resultado da luta entre classes antagônicas. E dessa luta nasce o Estado como instrumento da classe dominante. Essa visão leninista, hoje, repousa no limbo do universo teórico.

Muito desse descaso dá-se pelo fracasso da União Soviética, que teoricamente negava o Estado, porém formava um Estado violentamente totalitário. O resultado foi o stalinismo, símbolo da negação do Comunismo.

Na conceituação de Maurice Duverger o Partido Político tem como fim precípuo o Poder. Sem esse objetivo, o partido perde o objeto.

E é nesse aspecto que o partido se distingue dos grupos de pressão. Os grupos de pressão pressionam o poder, mas não o buscam. As igrejas, os sindicatos, as Ongs, a Maçonaria, as associações de classe são exemplos de grupos de pressão.

Desse conceito de Duverger, podemos afirmar que o Brasil possui muitos “partidos” que não se configuram na definição partidária. São agremiações, impropriamente chamadas de partidos, organizadas cartorialmente para buscar amparo nas sombras do Poder.

Negociam apoios, horários de propaganda na mídia, cargos, votos no parlamento. São hóspedes do poder, parasitas da hospedaria.

Da mesma forma que não há democracia sem partidos, pode-se afirmar também que não pode haver consistência democrática com excesso de “partidos”. Nem partidos são. São clubes políticos a serviço de negociatas nas fronteiras quase invisíveis entre o público e o privado.

Partidos políticos e Ministérios do Executivo empanzinam o Brasil. Qualquer “reforma” que não mexa nesse vespeiro será apenas mais uma farsa. Até porque não temos tantas configurações ideológicas ou doutrinárias que os justifiquem.

Té mais.

François Silvestre é escritor

* Texto originalmente publicado pelo Novo Jornal.

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domingo - 09/11/2014 - 12:16h

Modelo econômico do Brasil lembra muito o da ditadura

Por Honório de Medeiros

A política econômica desse Governo cada dia que passa mais parece com a da ditadura. São os mesmos parâmetros. São os mesmos erros.

É como se Delfim Netto fosse o Ministro da Economia. Na verdade Delfim é consultor informal de Lula.

Respeitadíssimo pelo PT. E vive elogiando o Governo.

Esse mesmo Delfim Neto que fez severas críticas ao Plano Real. O mesmo Plano Real que permitiu Lula surfar em ondas altas de popularidade e iniciar esse desastroso período histórico no Brasil.

Pois bem, a gasolina aumentou. A classe média mais uma vez é chamada para pagar o prejuízo da incompetência no Brasil. Pagamos a esmola sem fundamento e a corrupção deslavada.

Como todos estão careca de saber, subirão todos os preços com o aumento da gasolina. A gasolina é um grande, imenso indexador. Aumenta a gasolina, aumentam todos os preços. E aumentando a gasolina, e aumentando os preços, aumenta a inflação. Isso mesmo. Aumenta a inflação.

E os pobres ficam mais pobres. E a classe média fica mais pobre. E assim por diante.

Aliás, esse modelo econômico destrutivo que o PT impõe ao Brasil, com ênfase no consumo a partir da elevação artificial da renda, já disse para o que veio: a desigualdade aumentou e voltou ao patamar de 2011, segundo o PNAD.

Vejam só: o Nordeste apresentou o maior nível de renda desigual. E a concentração de riqueza aumentou. Tudo como dantes, no quartel de Abrantes.

Gestão semelhante à da época da ditadura. Suposto desenvolvimentismo com retórica de esquerda: presença desastrosa do Estado na condução dos destinos do país. Como é semelhante, em essência, a ditadura de direita e a de esquerda…

É difícil acreditar que em pleno século XXI ainda haja quem defenda esse tipo de esquerda ultrapassada, retrógrada, arcaica que viceja no Brasil…

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Estado do RN

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domingo - 26/10/2014 - 06:43h

Involução

Por François Silvestre

Hoje termina a fúria do campeonato eleitoral. O Brasil é uma involução democrática. Do ponto de vista da grandeza de quadros, de métodos, de ação, o cenário que se montou desde as “diretas Já”, seguidas da eleição de Tancredo Neves, não produziu evolução.

Desde o lastimável governo Sarney, passando por Collor, com o intervalo razoável de Itamar Franco, o Brasil entrou num embate entre o neoliberalismo econômico e o neopopulismo social. É essa a disputa de hoje. Eterna e monótona, como a seca.

E ambos os lados, por mais que se digam antagônicos, são complementares. Ambos bebem na fonte mais atrasada do capitalismo. Entre a retórica do democratismo econômico e a demagogia do paternalismo caritativo. Duas faces cruéis do esperneio liberal. Não há socialismo nem evolução democrática nesse cenário.

Vinte anos do mesmo ramerrão. E até o entusiasmo parece a caricatura de uma festa repetitiva.

A única coisa que salva esse embate é a sua comparação com a Ditadura. Melhor do que os tempos de coturno e chumbo. Mas o Brasil não pode passar o resto dos tempos justificando retrocessos, por ganharem em comparação com uma ditadura morta e sepultada.

É bem verdade que a humanidade, nesses últimos vinte anos, evoluiu em tecnologia mais do que nos dois últimos séculos. Porém, involuiu em caráter humano a níveis inferiores ao tempo do iluminismo.

A continuar nessa marcha acabaremos quadrúpedes, dominando máquinas cada vez mais sofisticadas e nos tratando mutuamente como feras sedentas de sangue. Antropófagos da robótica.

FICO ME DELICIANDO com a estultice explícita de patrulheiros; ingênuos e agressivos, deselegantes e arrogantes, cada qual se achando portador de um facho libertário. Nos dois lados. Tochas a iluminar uma corte dividida entre a retórica e a demagogia.

Porém, sem eles e sem essa histeria, os protagonistas do embate não teriam sustentação nem justificativa. Há um complô entre enganadores e enganados.

O Brasil é uma republicona bananeira, com escassez de bananas. Os símbolos do embate são duas figuras carimbadas. Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio Lula da Silva. Para dar nome aos carreteiros, vez que os bois somos nós.

São as duas margens do rio seco. O resto é figurante. Ou melhor, o resto é o leito do rio, imprensado numa dialética de faz de conta. Se um é o símbolo da retórica, do Estado capitalista do conicato; o outro é o arquétipo da demagogia, do Estado capitalista das prebendas.

Ambos tentam o riso sem graça, no picadeiro de um circo de lona encardida. Sociólogos da “bondade étnica”. Um país violentíssimo, com anemia cerebral, sob o mando de instituições corporativistas e sedentas de privilégios. Tudo num conluio midiático, onde a aparência esconde as intenções.

A bajulação cega mais do que o diabetes. E até a santidade, em excesso, faz mal.

Té mais.

François Silvestre é escritor

* Texto originalmente publicado no periódico natalense Novo Jornal.

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quinta-feira - 29/03/2012 - 08:37h
Palestra-debate

Pela abertura dos arquivos da ditadura

Hoje, às 18h, haverá debate em homenagem aos Desaparecidos Políticos, sob a denominação “Pela Abertura dos Arquivos da Ditadura”. Será no auditório da Fundação José Augusto, em Natal.

Terá a participação do Centro dos Direitos Humanos Roberto Dumund e do professor Rinaldo Barros ex-preso politico.

O palestrante será Edval Nunes Cajá, Sociólogo e presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa-PE. A realização é do Centro Cultural Emanuel Bezerra, Movimento de Mulheres Olga Benário, além de outras entidades.

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Categoria(s): Cultura / Política
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