domingo - 01/04/2018 - 08:00h

Aluízio Alves e uma lição para adultos e um “menino”

Por Herbert Mota

Finalizadas as eleições de 1982, foram diplomados os eleitos para os cargos municipais em Mossoró, a saber: o prefeito Dix-Huit Rosado, em seu 2º mandato; o vice-prefeito Silvio Mendes de Souza; e os 21 vereadores.

A definição das bancadas do legislativo restou na seguinte composição: o PDS, partido da situação, com doze vereadores, e o PMDB, cujo “slogan” era “oposição pra valer”, com nove vereadores. Nunca a oposição tivera tamanha representatividade no legislativo mossoroense.

Somava-se a esta realidade, é certo, o fato de a situação estar dividida em dois blocos distintos, sendo um bloco composto por oito vereadores ligados ao então deputado federal Vingt Rosado, e outro bloco, composto por quatro vereadores, ligados ao ex-governador Tarcísio Maia.

Diante da divisão da bancada situacionista, o PMDB constituiu-se na maior bancada, surgindo, desta forma, a possibilidade de eleger o presidente da Câmara, fato que por si só já justificava o “frisson” entre as lideranças políticas locais.

A disputa, inclusive acirradíssima, se daria entre Evaristo Nogueira (PDS) e Janúncio Soares (PMDB).

As articulações eram tantas que os vereadores da oposição assumiram o compromisso, por escrito e registrado, de votarem todos em Janúncio Soares, o candidato oficial do partido.

Mesmo diante desse “Prego batido e ponta virada”, quanto ao nome do partido, a poucos dias da posse dos vereadores e a subsequente eleição para a escolha do presidente da câmara, o ex-candidato a governador derrotado em 1982, Aluízio Alves, convoca os vereadores eleitos, João Batista Xavier e Rogério Dias (que tinham sido candidatos a prefeito e vice pelo PMDB), Manoel Mário de Oliveira, então presidente do partido; Luís Lourival de Góis, secretário do partido, entre outros nomes, para uma reunião no São Pedro Palace Hotel (atual sede da Câmara de Vereadores).

Mas não adiantou qual seria a pauta da reunião.

Iniciada a reunião, carismático como de praxe, Aluízio faz uma espécie de preleção consubstanciada num relato sobre o pleito transposto, explicando, principalmente, dois pontos: o primeiro, em rápidas palavras, sobre as razões da derrota para o governo do estado, e, a segunda, esta bem mais demorada, sobre a importância de todos votarem em Evaristo Nogueira, ligado ao Deputado Vingt Rosado, para presidente da Câmara de Vereadores.

Depois de quase meia hora discorrendo sobre este assunto, lembro bem de uma passagem de sua fala:

– “O voto em Evaristo é um voto de gratidão ao Deputado Federal Vingt Rosado, principalmente por ele ter defendido o ‘voto camarão'” (na cédula de papel, o eleitor do líder Rosado foi orientado a deixar voto para Governador em branco, já que não podia votar em Aluízio Alves, de outro partido, conforme a legislação eleitoral normatizava).

Ao final de sua explanação, indagou dos presentes se todos estavam de acordo. Seguiu-se, por alguns instantes, um silêncio sepulcral…

Entretanto, lá na ponta, bem no cantinho, levantei a mão e, com a voz um tanto embargada pelo nervosismo dos meus dezenove anos, bem assim pelos olhares de admiração, disse-lhe:

– Dr. Aluízio…eu vou votar no candidato do PMDB.

A partir daí, ele, fitando-me, começou um discurso que se prolongou por uns dez/quinze minutos, cuja frase inicial eu jamais esqueci:

– Você é um menino; não sabe o que está dizendo!

O mais interessante é que nenhum dos presentes disse absolutamente nada em relação à minha intervenção, nem tampouco às palavras de repreensão de Aluízio.

Em seguida, numa espécie de futurologia, Aluízio disse que o altíssimo número de “voto camarão”, representava uma real possibilidade de a oposição vencer as vindouras eleições para o governo. Aliás, ele foi enfático: “nós vamos eleger o governador em 1986”.

De fato, as suas previsões se concretizaram com a eleição de Geraldo Melo.

Evaristo foi eleito presidente da Câmara de Vereadores de Mossoró para o biênio 1983/1984, sem o meu voto. Já o vereador Janúncio Soares, foi eleito presidente para o biênio seguinte (1985/1986). Edmilson Lucena (PMDB) foi o presidente no biênio final da legislatura, 1987/1988.

Aluízio Alves, a maior liderança política do RN, faleceu em Natal, em 6 de maio de 2006, vítima de isquemia cerebral.

Herbert Mota é advogado e ex-vereador em Mossoró (1983-1988)

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quinta-feira - 01/03/2018 - 21:44h
Mossoró

O IPTU e o contribuinte na “Idade do Fogo”

Na campanha municipal de 1992, o então candidato (eleito) à Prefeitura Municipal de Mossoró, Dix-huit Rosado (PDT), prometeu “queimar” carnês do Imposto Predial e Territorial Urbano (PTU) em praça pública, aumentado superlativamente pela prefeita à época, Rosalba Ciarlini (PFL, hoje no PP).

Agora, a própria Rosalba Ciarlini volta à municipalidade para nova fase do tributo e da “Idade do Fogo”.

Mas dessa feita incinera o próprio contribuinte.

Leia também:

Leia também: Arrocho do IPTU 2017 deixa 64,65% de imóveis devedores;

Leia também: Francisco José Júnior passou “herança bendita” para Rosalba.

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quarta-feira - 15/11/2017 - 07:14h
Mossoró

Eleição do “fura pneu” faz 41 anos neste 15 de novembro

Pleito ocorreu em 1976, marcado por vitória de grupo Rosado e episódio estranho no dia do pleito

João Newton: vitória (Foto: arquivo)

Hoje (15 de novembro de 2017), faz 41 anos das eleições municipais de 1976 em Mossoró, ocorridas em pleno regime militar. O pleito foi vencido pela chapa João Newton da Escóssia (Arena)-Alcides Fernandes da Silva (Arena), o “Alcides Belo”, ambos já falecidos.

Mas além da vitória de João Newton, cunhado do então deputado federal e líder rosadista, Vingt Rosado (Arena), um episódio prosaico marcou o pleito àquele dia de feriado nacional: foi o caso do “fura pneu”.

À madrugada do dia 15 de novembro de 1976, um ‘comando’ oposicionista provocou o esvaziamento de dezenas de pneus de carros de familiares e aliados do grupo Rosado. Cerca de 280 veículos foram sinistrados.

O pleito começou sob essa atmosfera carregada, mas ao final não houve maiores incidentes.

João e Alcides sucederam Dix-huit Rosado (Arena) e Canindé Queiroz (Arena), eleitos à prefeitura em 1972. Não havia à época o instituto da reeleição, instituído apenas no final dos anos 90.

Eleições de 1976

– João Newton da Escóssia (Arena 1) – 20.165
– Leodécio Néo (MDB 1) – 10.840
– Assis Amorim (MDB 2) 6.970
– Antônio Rodrigues de Carvalho (Arena 2) – 1.327
– Maioria Pró-João Newton sobre a soma dos emedebistas  – 2.355 votos.

Outra curiosidade da campanha de 1976 foi o casuísmo da “sublegenda”. Permitia que o mesmo partido pudesse ter mais de um candidato ao cargo executivo em chapas diferentes, que se somavam. Era a fase do bipartidarismo (Arena e MDB).

A ideia do governo militar era sufocar a “oposição consentida”, feita pelo MDB, que possuía bem menor representatividade em todo o país, com condições raquíticas de lançar mais de um candidato a prefeito na maioria dos municípios.

* No vídeo acima constante desta postagem, Antônio de Pádua da Silva Cantídio, o “Coconha” (já falecido), relata detalhes do fura pneu, em entrevista em 2009 ao programa “Mossoró de Todos os Tempos”, da TV Cabo Mossoró (TCM), sabatinado pelo professor-médico-empresário Milton Marques. Coconha era vice de Assis Amorim em 1976. Veja a partir dos 5 minutos e 15 segundos.

Mesmo assim, em Mossoró o MDB apresentou duas chapas à sucessão de Dix-huit Rosado, encabeçadas por Leodécio Néo (MDB 1) e Assis Amorim (MDB 2), respectivamente. Apesar disso, a maioria isolada de João Newton sobre eles foi de 2.355 votos.

A Arena 2 ainda teve a chapa do ex-prefeito Antônio Rodrigues de Carvalho, que somava em favor de João Newton.

“Toinho do Capim”, cognome político adesivado nele pelo aluizismo, já tinha sido prefeito nas eleições de 1958 e 1968. Essa segunda, com apoio do ex-governador Aluízio Alves.

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domingo - 03/09/2017 - 05:44h

Só Rindo (Folclore Político)

Um nobre interesse

Salários em atraso, outras questões em pauta, o prefeito Dix-huit Rosado submete-se a uma entrevista coletiva na sede da Prefeitura Municipal de Mossoró, o Palácio da Resistência.

Claro que não poderia faltar, questionamento sobre pagamento da folha de pessoal.

– Prefeito, e quanto ao salário, quando a prefeitura vai atualizá-lo? – cobra o repórter Jota Nobre da Rádio Difusora.

Sob a mira de olhares atentos e vários gravadores e microfones, Dix-huit sai pela tangente com um comentário maroto:

– Nobre, estou achando que você tem algum dinheiro para receber de alguém da prefeitura…

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quinta-feira - 11/05/2017 - 11:10h
Liana Maria Rosado Morize Rosenburg

Morre Liana Rosado, primogênita de Dix-huit Rosado

Faleceu, na madrugada de hoje no Rio de Janeiro (RJ), 11 de maio, Liana Maria Rosado Morize Rosenburg, primogênita de Naide e Jerônimo Dix-huit Rosado Maia – ex-deputado constituinte estadual, ex-senador da República, ex-prefeito (três vezes de Mossoró.

Liana, que há cerca de dois meses perdeu o filho, Mário Sérgio Rosado Ventura e o marido, Gilberto Morize Rosenburg, não resistiu à profunda tristeza e a complicações pulmonares.

Que descanse em paz.

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quinta-feira - 04/05/2017 - 12:51h
25 anos depois...

IPTU que já queimou rosalbismo, começa a queimar de novo

Dix-huit e o irmão Vingt Rosado em 1992: fogo no IPTU na campanha (Foto: arquivo)

Em 1992, o então candidato a prefeito Dix-huit Rosado (PDT) venceu as eleições municipais contra o candidato da então prefeita Rosalba Ciarlini (PFL na época), sob a promessa de “queimar os carnês do IPTU” que estavam com valores exorbitantes.

Ele não cumpriu a promessa (nem poderia, em face de impedimento legal), mas incinerou o adversário Luiz Pinto (vice-prefeito do PFL) e freou o projeto de continuidade do rosalbismo.

Agora, 25 anos depois, pela quarta vez prefeita de Mossoró, Rosalba está se queimando com o mesmo problema.

Pelo menos este ano não tem eleição.

No próximo, sim.

O fogo é branco ainda, mas avança à cumeeira do seu grupo político e governo.

Anote, por favor.

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segunda-feira - 02/01/2017 - 12:50h
João Doria

Novo prefeito ‘copia’ Mário Rosado com farda de gari

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Doria (ao centro) começou como gari hoje (Foto: Estadão)

Em seu primeiro dia como prefeito da maior cidade da América Latina, São Paulo, o prefeito João Doria (PSDB) estreou programa de rush na limpeza urbana, vestido de gari (veja AQUI).

O simbolismo não é inovador em termos de marketing na política e gestão pública.

Secretário de Serviços Urbanos na última (terceira) gestão do pai Dix-huit Rosado, prefeito de Mossoró, Mário Rosado fez o mesmo. Transitou pela cidade de Mossoró em meados dos anos 90, socado numa farda laranja de gari.

Em 2000, entrevistado por mim, o ex-deputado federal Mário Rosado (PMN) soltou alguns comentários emblemáticos.

O tempo, senhor da verdade, mostra que ele não estava completamente errado.

Sobre a Câmara Municipal: “É um câncer que há cinco anos se apropria de fortunas, como o Imposto de Renda que não é recolhido. Precisa ser colocada em seu devido lugar.”

Sobre o clã Rosado: “Os grupos que dominam a política de Mossoró são inferiores aos traficantes do Rio de Janeiro. Os traficantes têm um código de ética e quem o descumpre, morre. Os políticos daqui, não. Aqui eles ficam ricos.”

Mário, vestido à caráter, atuou como secretário de Serviços Urbanos de Dix-huit Rosado (Foto: Blog Carlos Santos)

Desemprego em Mossoró: “Os Rosado acabaram com o desemprego em Mossoró. Não tem um deles nesses grupos que esteja desempregado. Estão todos no serviço público.”

Ele ocupou vaga na Câmara Federal, na condição de suplente, em 1995.

No último governo do pai (1993-1996), Mário transformou-se em seu principal interlocutor e chegou a assumir a Secretaria de Serviços Públicos.

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domingo - 27/11/2016 - 09:10h

Só Rindo (Folclore Político)

Ah, a velhice!

Campanha estadual de 1990 em curso, o ex-prefeito mossoroense Dix-huit Rosado acomoda-se num canto do palanque para descansar, no alto dos seus 78 anos.

Empresta seu apoio à candidatura ao Governo do senador José Agripino Maia (PFL).

Na aglomeração humana que se acotovela no pequeno espaço, seu sobrinho Carlos Alberto Rosado, o “Betinho Rosado” (que viria a se eleger pela primeira vez a deputado federal em 1994), afaga-o com um terno beijo na cabeça.

Com um leve sorriso e movimento de densas sobrancelhas que parecem repuxar seus olhos para cima, Dix-huit constata:

– “Calber” (forma carinhosa de tratar o sobrinho), você é o quinto homem que me beija essa noite!

E completa irônico: “A velhice é uma merda mesmo!”

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terça-feira - 11/10/2016 - 18:46h
Exclusivo

Conheça perfil da equipe de transição de Rosalba Ciarlini

Talvez exista apenas uma surpresa na lista de cinco nomes apresentados pela prefeita eleita Rosalba Ciarlini (PP), como “equipe de transição” (veja AQUI). Trata-se de Sebastião Ronaldo Martins Cruz, “Ronaldo Cruz”, ex-dirigente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Norte (Emater-RN).

Os demais, são todos conhecidos da opinião pública mossoroense. São nomes que compõem um seleto grupo de pessoas da confiança da prefeita eleita, do seu marido Carlos Augusto Rosado, mas também com influência dos ex-deputados federais Sandra Rosado (PSB) e Betinho Rosado (PP) em pelo menos dois escolhidos.

Anselmo é da confiança de Rosalba e Carlos e esteve em vários cargos (Foto: Governo do Estado)

Vamos avivar a memória (ou apresentar) cada um:

José Anselmo de Carvalho Júnior – É advogado e professor.

Desembarcou no Governo do Estado como secretário de Administração e Recursos Humanos, depois foi deslocado para o Gabinete Civil e em seguida passou à Controladoria-Geral, na gestão Rosalba Ciarlini.

Antes já servira à governadora na Prefeitura de Mossoró, e da então prefeita Fátima Rosado (DEM), a “Fafá”, em postos como Procuradoria-Geral e Planejamento.

Teve seu nome envolvido no escândalo do Hospital da Mulher Parteira Maria Correia (veja AQUI) e virou ‘persona non grata’ entre colegas professores da Universidade do Estado do RN (UERN) – veja AQUI. Ganhou epíteto depreciativo de “Cabo Anselmo”.

É tido como técnico competente e de fidelidade cega ao rosalbismo.

Maria de Fátima Oliveira Marques – É bancária aposentada do Banco do Brasil, onde atuou de 1974 a 1999, com passagem por cargos técnicos da Prefeitura de Mossoró.

Fátima: experiência e conceito (Foto: redes sociais)

Tem largo conceito social por seu equilíbrio, conhecimento e sobriedade.

Foi ex-controladora geral, Presidente da Fundação de Apoio à Geração de Emprego e Renda (FUNGER) e titular do Planejamento do município de Mossoró na gestão Fafá Rosado (DEM, hoje no PMDB). Inclusive fez parte da equipe de transição à posse da prefeita eleita em 2012, Cláudia Regina (DEM).

Na gestão de Cláudia tomou posse como titular da Controladoria Geral.

Pedro: de Sandra (Foto: arquivo)

Pedro Almeida Duarte – É ex-secretário de Educação e Agricultura do RN nas gestões Garibaldi Filho (PMDB) e Wilma de Faria (PTdoB). Cearense de origem, há anos radicado em Mossoró, é originário dos quadros da antiga Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM).

Compôs equipe do prefeito Dix-huit Rosado (falecido no terceiro mandato no dia 22 de outubro de 1996) e sempre esteve ligado politicamente ao grupo da ex-deputada federal Sandra Rosado.

Possui graduação pela Universidade Federal do Ceará(1969) e mestrado em Economia Rural pela Universidade Federal do Ceará(1974). Atualmente, dirige uma empresa de consultoria com sede em Mossoró.

Sebastião Ronaldo Martins Cruz – É ex-diretor da Emater, na gestão de Rosalba Ciarlini no Governo do Estado. É nome indicado pelo ex-deputado federal Betinho Rosado, que o tem como nome de confiança.

Cruz: nome de Betinho (Foto: arquivo)

Ronaldo Cruz foi graduado em Engenharia Elétrica em 1982 e pós-graduado em Sistemas de Energia em 1991; ambas as formações pela Universidade Federal do RN (UFRN). Já exerceu diversos cargos de gestão em instituições públicas e empresas, como a chefia do Departamento de Planejamento do Sistema Elétrico da Companhia Energética do Rio Grande do Norte (Cosern), a assessoria técnica e de planejamento da Secretaria de Educação do RN e também foi diretor da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Rio Grande do Norte (ARSEP).

Assinale-se, também, a coordenador de Energia da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte.

Na administração direta foi secretário municipal de Urbanismo e Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Parnamirim, no segundo governo Agnelo Alves (PDT) – já falecido.

Yuri Tasso Duarte Queiroz Pinto – É ex-secretário de Obras e Infraestrutura de Mossoró em gestões de Rosalba Ciarlini e no governo estadual dela esteve à frente da Companhia de Águas e Esgotos do RN (CAERN).

Tasso: fidelidade longeva (Foto: Tribuna do Norte)

Engenheiro, ele surgiu e cresceu no grupo de Rosalba e do seu marido, ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado, ainda na primeira gestão dela (1989-1992), como nome de confiança do “super-secretário” Pedro Ciarlini Neto (já falecido).

Ciarlini, irmão da prefeita eleita, comandou programa de obras de infra-estrutura na cidade.

Yuri Tasso é marido da ex-secretária da Infra-estrutura do Estado Kátia Pinto.

Ela tem nome cotado para ser titular dessa pasta no próximo governo municipal (veja AQUI).

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domingo - 18/09/2016 - 14:24h
Mossoró

Conheça resultados e história de quase 50 anos de eleições

Trabalho do Blog ajuda webleitor a se situar no tempo e entender cada disputa municipal desde 1968

Blog Carlos Santos volta a publicar trabalho ímpar para servir aos seus webleitores, que tem se tornado referência em cada campanha eleitoral nos últimos anos. Trata-se de levantamento atualizado de resultado e cenário político das eleições municipais de Mossoró desde 1968.

Ao todo, damos um resumo de 11 eleições municipais – o que compreende quase 50 de história.

É um exaustivo levantamento sobre os pleitos municipais mossoroenses, tarefa que na verdade nunca está completa. Novos dados se incorporam, informações são ajustadas, leitura e releitura de fatos são feitas, bastidores e conjuntura de cada pleito são dissecados.

O esforço é no sentido de continuarmos ofertando produto diferenciado aos nossos webleitores. Ao mesmo tempo, reitero que no uso de dados parcial ou por completo, não esqueça de citar a fonte. É uma questão de ordem legal, mas principalmente respeito ao trabalho árduo que realizamos.

Aproveite!

Eleições de 1968 (Fonte:  Vingt-un Rosado, Coleção Mossoroense):

– Antônio Rodrigues (Arena 2/verde) – 11.132 votos;
– Vingt-un Rosado (Arena 1/vermelha) – 11.034 votos;
– Maioria – 98 votos a favor de Antônio Rodrigues.

O pleito municipal de 1968 foi emblemático. Quem viveu essa disputa testemunhou (participou) da mais renhida campanha municipal mossoroense de todos os tempos.

Antônio Rodrigues : 98 votos

A vitória de “Toinho do Capim” (Antônio Rodrigues) foi comandada nas últimas 72 horas pelo ex-governador Aluízio Alves, que fez mais de 170 comícios-relâmpagos, com resultado tida até então como improvável, sobre Vingt-un Rosado.

O líder enfrentou e contrariou grupo de aliados locais na escolha de Toinho, pois desejavam o médico Cid Duarte, filho do senador Duarte Filho, como candidato a prefeito.

Eleições de 1972 (Colaboração: Bruno Barreto):

– Dix-huit Rosado (Arena) – 16.194;
– Lauro Filho (MDB) – 11.995;
– Brancos – 205;
– Nulos – 296;
– Maioria Pró-Dix-huit Rosado –  4.199 votos.

O eleitorado habilitado ao voto era de 28.690. Dix-huit venceu as eleições tendo o professor Canindé Queiroz como vice, deixando para trás a chapa Lauro Filho-Emery Costa avalizada pelo aluizismo.

Os Rosado, com a vitória, retomavam o poder em Mossoró, após o hiato provocado pela vitória de Antônio Rodrigues de Carvalho em 1968, que suplantou Vingt-un Rosado nas urnas por apenas 98 votos de maioria.

Eleições de 1976 (Colaboração: Bruno Barreto):

– João Newton da Escóssia (Arena 1) – 20.165
– Leodécio Néo (MDB 1) – 10.840
– Assis Amorim (MDB 2) 6.970
– Antônio Rodrigues de Carvalho (Arena 2) – 1.327
– Maioria Pró-João Newton sobre a soma dos emedebistas  – 2.355 votos.

Neste ano, o regime militar em curso produziu o casuísmo da “sublegenda”, permitindo que o mesmo partido pudesse ter mais de um candidato. Vivíamos fase do bipartidarismo (Arena e MDB). A ideia era sufocar a “oposição consentida”, feita pelo MDB, que possuía bem menor representatividade em todo o país, com condições raquíticas de lançar mais de um candidato a prefeito.

Em Mossoró, com melhor representatividade oposicionista, o MDB chegou até a apresentar duas candidaturas, mas o cunhado do líder Vingt Rosado (Arena), João Newton da Escóssia, levou a melhor com folga – tendo o empresário Alcides Fernandes, o “Alcides Belo”, como vice.

Eleições de 1982:

Dix-huit: cartaz de campanha em 82 (Foto: Arquivo)

– Dix-huit Rosado (PDS) – 21.510 (41,68%);
– João Batista Xavier (PMDB) – 15.466 (29,97%);
– Canindé Queiroz (PDS) – 4.388 (8,50%);
– Mário Fernandes (PT) – 428 (0,83%);
– Paulo R. Oliveira (PTB) – 48 (0,09%);
– Brancos – 8.145 (15,79%);
– Nulos – 1.621 (3,14%);
– Abstenção – 15.435 (23,02%);
– Maioria Pró-Dix-huit – 6.044 (11,71%).

O eleitorado habilitado ao voto era de 67.041, em 275 secções. Compareceram 51.606 (76,98%) eleitores. A abstenção atingiu um recorde com 15.435 (23,02%) votantes.

Neste ano também ocorreram eleições para Governo do Estado, deputado estadual, deputado federal, além de uma vaga ao Senado e Câmara Municipal. Foram as primeiras eleições com a retomada do pluripartidarismo, na reta final do regime militar de 1964. O mandato dos prefeitos/vereadores foi de 6 anos em vez de 4, como temos desde o pleito de 1988.

Com a existência do casuístico instituto da sublegenda, cada partido poderia lançar mais de um candidato a prefeito, foi o que ocorreu em Mossoró. O grupo Rosado, unido, lançou Dix-huit Rosado pelo PDS.

Já o sistema Maia apresentou o jornalista Canindé Queiroz, pelo mesmo partido, para dar suporte à candidatura a governador do engenheiro e ex-prefeito indireto de Natal, José Agripino Maia (PDS). Agripino venceu seu principal adversário, o ex-governador Aluízio Alves (PMDB), com mais de 107 mil votos de maioria no estado.

Eleições de 1988:

– Rosalba Ciarlini (PDT) – 37.307 (49,7%);
– Laíre Rosado (PMDB) – 30.226 (40,2%);
– Chagas Silva (PT) – 2.507 (3,3%);
– Brancos – 3.594 (4.8%);
– Nulos – 1.503 (2%);
– Abstenção – 5.180 (…%);
– Maioria Pró-Rosalba – 7.081 (9,5%).

Rosalba foi eleita três vezes, a começar de 1988 (Foto: reprodução do Blog Carlos Santos)

O eleitorado habilitado ao voto era de 80.397, em 275 secções. Compareceram 75.217 eleitores. As abstenções foram de 5.180 votantes. Pela primeira vez na história, dois integrantes da família Rosado disputam o voto diretamente, na luta pela Prefeitura de Mossoró.

Rosalba, mulher do então deputado estadual Carlos Augusto Rosado (PFL), leva a melhor em chapa ao lado do empresário Luiz Pinto (genro do vice-prefeito à ocasião, empresário Sílvio Mendes).

O prefeito Dix-huit Rosado, só no mês final de campanha anuncia seu apoio à Rosalba, num momento em que ela já tinha dianteira em relação a Laíre Rosado (PMDB) e de sua vice Rose Cantídio (PMDB).

Eleições de 1992:

– Dix-huit Rosado (PDT) – 37.188 (47,79%);
– Luiz Pinto (PFL) – 32.795 (42,15%);
– Luiz Carlos Martins (PT)– 6.557 (8,43%);
– Paulo Linhares (PSB) – 1.273 (1,64%);
– Brancos – 5.669 (6,49%);
– Nulos – 3.913 (4,48%);
– Abstenção – 11.381 (…%);
– Maioria pró-Dix-huit Rosado – 4.393 (5,64%)

O eleitorado cadastrado à época era de 99.623. Compareceram 87.395, as abstenções chegaram a 11.381 e os votos nominais atingiram 77.813.

Tendo Sandra Rosado (PMDB) como vice, sua sobrinha e filha do irmão Vingt Rosado (deputado federal), Dix-huit retoma hegemonia política. Em 1988 os dois irmãos tinham rompido politicamente, devido o apoio de Dix-huit à Rosalba.

Eleições de 1996:

Sandra e Francisco José (pai): humilhação (Foto: reprodução)

– Rosalba Ciarlini (PFL) – 57.407 (52,64%);
– Sandra Rosado (PMDB) – 26.118 (28,50%);
– Jorge de Castro (PT) – 4.878 (5,32%);
– Valtércio Silveira (PMN) – 3.237 (3,53%);
– Brancos – 1.549 (1,69%);
– Nulos – 3.802 (…);
– Abstenção – 17.227 (15.08%)
– Maioria pró-Rosalba Ciarlini de 31.289 (24,14%).

Existiam 114.218 eleitores aptos, mas compareceram 96.991. As abstenções atingiram 17.227 (15.08%), com 91.640 sendo a votação nominal.

Rosalba tem vitória acachapante, graças principalmente ao desgaste do prefeito Dix-huit Rosado, que lançou o engenheiro e seu ex-secretário de Obras Valtércio Silveira como candidato governista. Sandra Rosado, dissidente do prefeito e tio, enveredou por candidatura próprio com a companhia do deputado estadual Francisco José (pai), mas experimentou resultado humilhante também.

Eleições de 2000:

– Rosalba Ciarlini (PFL)– 57.369 (54,86%);
– Fafá Rosado (PMDB) – 42.530 (40,67%);
– Socorro Batista (PT) – 4.447 (4,25%);
– Mário Rosado (PMN) – 228 (0,22%);
– Brancos – 1.757 (1,59%);
– Nulos – 4.395 (3,97%);
– Abstenção – 17.168 (13.42%)
– Maioria pró-Rosalba Ciarlini de 14.839 (14,19%).

Existiam 127.894 eleitores aptos, mas compareceram 110.726. As abstenções atingiram 17.168 (13.42%), com 104.574 (94.44%) sendo a votação nominal em 358 urnas.

Rosalba foi candidata utilizando o novo instituto da reeleição. Enfrentou o grupo da adversária e prima Sandra Rosado, que temendo novo fracasso direto apostou no nome da enfermeira (e prima) Fafá Rosado, que nunca disputara uma campanha eleitoral.

Num comparativo com as eleições de 1996, esses números guardam uma preciosidade. Rosalba obteve menos votos do que na eleição anterior.

Enquanto em 96 tinham sido 57.407 em eleitorado de 114.218 aptos, em 2000 – contra Fafá, conseguiu 57.369 num contingente de 127.894 aptos. Ou seja, 38 votos a menos, apesar de aumento de 13.676 votantes.

Eleições de 2004:

– Fafá Rosado (PFL) – 57.743 (49,06%);
– Larissa Rosado (PMDB) – 34.688 (29,45%);
– Francisco José (PSB) – 21.210 (18,02%);
– Crispiniano Neto (PT) – 4.083 (3,47%);
– Brancos – 2.063 (…);
– Nulos – 5.708 (…);
– Abstenção – 17.376 (12%);
– Maioria pró-Fafá Rosado de 23.075 (19,61%).

Existiam 143.235 eleitores aptos, mas compareceram 125.475. As abstenções atingiram 17.376 (12%).

Nesta eleição, Fafá foi cooptada pelo primo Carlos Augusto para ser candidato do seu grupo, na sucessão de Rosalba. Venceu com relativa facilidade à deputada Larissa Rosado, filha de Sandra.

Eleições de 2008:

– Fafá Rosado (PFL) – 65.329 (53,01%);
– Larissa Rosado (PSB) – 46.149 (37,44%);
– Renato Fernandes (PR) – 11.306 (9,17%);
– Heronildes Bezerra, “Heró”  (PRTB) – 464 (0,38%);
– Brancos – 3.678 (2%);
– Nulos – 7.400 (5%);
– Abstenção – 18.701 (12%)
– Maioria pró-Fafá Rosado de 19.018 (16%).

Existiam 153.027 eleitores aptos, mas compareceram 134.326. Desse volume, 123.248 foram considerados válidos. As abstenções atingiram 18.701 (12%). Existiam 416 seções eleitorais.

Outra vez a força do rosalbismo e estrutura da Prefeitura deixaram a filha de Sandra Rosado, a deputada estadual Larissa Rosado, em segundo lugar.

Eleições de 2012:

Larissa e Cláudia: disputa acirrada (Foto: arquivo)

– Cláudia Regina (DEM) – 68.604 (50,90%);
– Larissa Rosado (PSB) – 63.309 (46,97%);
– Josué Moreira – 1.932 (1,43%);
– Raimundo Nonato Sobrinho, “Cinquentinha” (Psol) – 948 (0,70%);
– Edinaldo Calixto (PRTB) – 0 (0%);
– Brancos – 2.323 (1,61%);
– Nulos – 6.737 (4,68%);
– Abstenção – 21.122 (12,80%);
– Maioria pró-Cláudia Regina de 5.295 (3,93%).

Existiam 164.975 eleitores aptos. Desse volume, 134.793 (93,70%) foram considerados válidos a prefeito, 137.463 votos válidos à Câmara Municipal, entre votos diretos aos candidatos (283 ao todo) e os votos de legenda. O comparecimento ocupou 460 secções organizadas pela Justiça Eleitoral.

As abstenções atingiram 21.122 (12,80%).

A chapa Cláudia Regina-vice Wellington Filho (PMDB), apesar de eleita por pouca margem de votos em relação à Larissa Rosado (PSB)-vice Josivan Barbosa (PT), terminou sendo cassada em 4 de dezembro de 2013, quando faltava poucas semanas para completar o primeiro ano de gestão. Vereadora, recebera maciço apoio das estruturas da Prefeitura e do Governo do Estado, ocupados respectivamente pelas aliadas Fafá Rosado (DEM) e Rosalba Ciarlini (DEM).

Eleições de 2014 (Pleito Suplementar):

– Francisco José Júnior (PSD) – 68.915 (53,31%);
– Larissa Rosado (PSB) – 37.053 (27,55%);
– Raimundo Nonato Sobrinho, “Cinquentinha” (Psol) – 3.825 (4,90%);
– Josué Moreira (PSDC) – 3.025 (3,88%);
– Gutemberg Dias (PCdoB) – 2.265 (2,90%);
– Brancos – 4.428 (3,29%);
– Nulos – 15.000 (11,15%)
– Abstenção – 30.429 (18,45%);
– Maioria pró-Francisco José Júnior de 31.862 (25,76%).

A apuração apontou ao final o total de 134.511 (81,55%) votos válidos, no dia 4 de maio de 2014. Mossoró tinha 164.940 eleitores aptos ao voto.

Houve alto percentual de abstenção, com 30.429 (18,45%) votos. Foi a primeira eleição suplementar da história de Mossoró, em face da cassação e afastamento da prefeita eleita em 2012, Cláudia Regina (DEM), no dia 4 de dezembro de 2013. Ela ainda tentou concorrer no pleito suplementar, mas não obteve registro e seu partido não promoveu substituição.

A Justiça Eleitoral tinha colocou em funcionamento 514 urnas eletrônicas distribuídas pelos 72 locais de votação durante o pleito. Pela primeira vez, também, foi utilizado o sistema biométrico de identificação do eleitor. Foram juízes no pleito os magistrados Ana Clarisse Arruda (34ª Zona) e José Herval Sampaio Júnior (33ª Zona).

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quarta-feira - 31/08/2016 - 07:57h
Prefeitura Municipal

A força do “maior eleitor de Mossoró”

Estimo que mais uma vez na história recente da política mossoroense, “o maior eleitor” da cidade não mostrará sua real força nas urnas: a Prefeitura Municipal de Mossoró.

Valtércio: candidato governista (Foto: Azougue.com)

A máquina pública parece um titã, uma Divisão Panzer (veja AQUI), mas não pode tudo.

A tese que muita gente sustenta, de que qualquer candidato a prefeito governista já parte com 30% de intenções de voto, puro sofisma, provavelmente não vai bater com a realidade em 2016.

Como já não bateu no passado.

Em 1996 (veja boxe nesta postagem), por exemplo, o prefeito Dix-huit Rosado vivia final de governo (terceiro) com enormes dificuldades, como atraso no pagamento da folha de pessoal e precariedade em serviços públicos básicos.

Em litígio pessoal e político com a vice Sandra Rosado (PMDB), apostou num nome ‘seu’.

Eleições Municipais de Mossoró em 1996

– Rosalba Ciarlini (PFL) – 57.407 (52,64%);
– Sandra Rosado (PMDB) – 26.118 (28,50%);
– Jorge de Castro (PT) – 4.878 (5,32%);
– Valtércio Silveira (PMN) – 3.237 (3,53%);
– Brancos – 1.549 (1,69%);
– Nulos – 3.802 (…);
– Maioria pró-Rosalba Ciarlini de 31.289 (24,14%).

Existiam 114.218 eleitores aptos, mas compareceram 96.991. As abstenções atingiram 17.227 (15.08%), com 91.640 sendo a votação nominal.

Resolveu lançar à sua sucessão (na época não existia o instituto da reeleição) o engenheiro Valtércio Silveira (já falecido), seu ex-secretário de Obras, nome de livre trânsito social – de família com ótimo conceito – e que nunca tinha sido testado nas urnas.

O resultado eleitoral mostrou um desastre homérico. Valtércio ficou apenas em quarto lugar na votação.

Também se queixava em conversas reservadas, posteriormente ao pleito, que na prática “a máquina” não foi posta a serviço de sua campanha.

Quatro anos antes, o vice-prefeito Luiz Pinto (PFL) fora candidato à Prefeitura com apoio da então prefeita Rosalba Ciarlini (PFL), mas perdera as eleições para “O velho” Dix-huit Rosado (PDT).

Eleições Municipais de Mossoró em 1992

– Dix-huit Rosado (PDT) – 37.188 (47,79%);
– Luiz Pinto (PFL) – 32.795 (42,15%);
– Luiz Carlos Martins (PT)– 6.557 (8,43%);
– Paulo Linhares (PSB) – 1.273 (1,64%);
– Brancos – 5.669 (6,49%);
– Nulos – 3.913 (4,48%);
– Maioria pró-Dix-huit Rosado – 4.393 (5,64%)

O eleitorado cadastrado à época era de 99.623. Compareceram 87.395, as abstenções chegaram a 11.381 e os votos nominais atingiram 77.813.

Rosalba – com gestão aprovada – e a máquina falharam, mesmo com Pinto amealhando 42,15% dos votos válidos.

As urnas vão falar no dia 2 de outubro.

Anote, por favor.

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segunda-feira - 25/07/2016 - 15:27h
Sucessão municipal mossoroense 2016

Uma razão muito forte para juntar Rosado com Rosado

Grupos de Rosalba e Sandra têm interesses parecidos, mas que agora não justificariam chapa conjunta

O eleitor mossoroense não deve se surpreender se ocorrer uma hipotética união, em chapa majoritária, dos grupos da ex-governadora Rosalba Ciarlini (PP) e da sua prima, adversária e ex-deputada federal Sandra Rosado (PSB).

Rosalba a prefeito, vereador Lahyrinho Rosado (PSB) a vice – digamos.

Formalizando-se, repetirá o que já aconteceu incontáveis vezes na política nativa e nacional.

É preciso uma razão muito forte para juntar os contrários. Na retórica, a pregação é de que está em jogo o “interesse público” e o desejo de “reconstruir Mossoró”. Menos, gente. Nem uma coisa nem outra.

“Sobrevivência política” é o termo correto. Os dois grupos precisam sobreviver.

Os contrários se juntam, normalmente, quando percebem que possuem um problema comum com dificuldade de ser superado individualmente.

Atenas e Esparta juntaram-se na antiguidade para combater o poderio bélico e expansionista da Pérsia. Depois voltaram a brigar como antes.

Getúlio e Café

Exemplo: Alves e Maia estiveram juntos em 2010, para frear o crescimento contínuo de Wilma de Faria (PSB, hoje no PTdoB), depois de décadas de embates.

Getúlio e Café: antipatia (Foto reprodução)

Getúlio Vargas (PSD) detestava o deputado federal natalense Café Filho (PSP), mas o aceitou como vice na disputa presidencial de 1950, para ter o apoio estratégico do líder paulista Ademar de Barros (PSP). Foram eleitos, num tempo em que a legislação estabelecia que o vice concorria com outros adversários, sendo votado à parte da cabeça de chapa.

Os próprios Rosado passaram décadas trocando farpas com o aluizismo, para depois se acomodarem no combate comum aos Maia.

Um dia, já repetimos “ene” vezes, os Rosado estarão todos apinhados no mesmo palanque.

Talvez não tenha chegado ainda o momento.

A quem interessaria hoje a união de Rosalba e Sandra?

Dix-huit e Sandra

A princípio, tão-somente a Sandra/seu grupo, que busca a sombra da ex-governadora que é tida por muita gente como virtual eleita, uma espécie de “prefeita em férias”.

À Rosalba, por enquanto nada sinaliza para essa necessidade. Não existe uma ameaça iminente à sua potencial eleição. Levar o grupo de Sandra Rosado a tiracolo pode ser um problema pré-fixado.

Foi assim na relação de Sandra com o tio Dix-huit Rosado, eleito prefeito pela terceira vez em 1992, tendo ela como vice. Em poucos meses bateram de frente, a ponto do prefeito despejar Sandra do Gabinete de vice. Rompimento político e familiar traumático.

Chegou 2016. Vamos ver o que eles decidem, em nome da sobrevivência.

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domingo - 24/07/2016 - 20:20h
Hoje

Morre o ex-vice-prefeito Sílvio Mendes de Souza

Sílvio: exemplar (Foto: redes sociais)

Faleceu agora à noite o ex-vice-prefeito de Mossoró (1983-1988) Sílvio Mendes de Souza, 90. Foi companheiro de chapa e de governo de Dix-huit Rosado (segunda gestão).

A informação foi passada há poucos minutos pelo radialista e jornalista Emery Costa, através de seu endereço no Facebook.

Leia:

Acabo de ser tomado por uma notícia que me chocou bastante. O falecimento do ex-vice-prefeito de Mossoró, Silvio Mendes de Souza. Faltam ainda serem conhecidos detalhes como local do velório, horário do sepultamento, etc. Dia (noite) triste para Mossoró. Silvio Mendes foi um industrial vencedor e um operoso homem público de nossa cidade. Que Deus o tenha.

P.S – O velório de Silvio Mendes está sendo na Capela de São Vicente e o enterro marcado para hoje às 16 horas, no Cemitério São Sebastião.

Nota do Blog – Que Deus o tenha.

Ele completou 90 anos no último dia 3 de junho.

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terça-feira - 19/07/2016 - 12:57h
Câmara Municipal

Sandra Rosado prepara salto para novo começo político

A ex-vice-prefeita, ex-prefeita, ex-deputada estadual e ex-deputada federal Sandra Rosado (PSB), 65, prepara lançamento de sua candidatura à campanha municipal deste ano em Mossoró. Dessa feita, é um salto para trás na tentativa de novo começo.

Será candidata a vereador.

Sandra (em pé), ao lado de Larissa e Lahyrinho (sentados), reuniu aliados na casa que foi do seu pai (Foto: cedida)

Ainda ano passado, este Blog postou matéria falando na hipótese da ex-deputada federal ser candidata a vereador. Muitos internautas desdenharam da notícia. Viam-na como puro delírio de nossa página.

No momento, a cadeira de vereador de seu grupo é do vereador em segundo mandato Lahyrinho Rosado (PSB), seu filho.

Na última sexta-feira (15), ao lado do filho, da filha e ex-deputada estadual Larissa Rosado (PSB), Sandra promoveu uma reunião com correligionários, para avaliar o quadro político e mobilizar militância.

Encontro ocorreu num endereço emblemático: a casa onde morou seu pai e líder político, deputado federal Vingt Rosado, falecido em 1994, à Rua Dionísio Filgueira, Centro.

O próprio Vingt Rosado começou sua trajetória política (de onze mandatos) como vereador, no pleito de 1948. Seu irmão Dix-sept Rosado disputou e venceu corrida à Prefeitura e, em 1950, foi eleito governador (conheça um pouco clicando AQUI).

Dix-huit

Sandra começou na vida pública em 1992, como vice do seu tio, o ex-prefeito Dix-huit Rosado (PDT). A chapa eminentemente familiar venceu as eleições daquele ano, enfrentando os governistas Luiz Pinto (PFL)-João Batista Xavier (PCB), nomes da então prefeita Rosalba Ciarlini. O resultado que parecia ser impossível, se consolidou nas urnas.

Houve racha político entre ambos já no governo. Não faltaram bate-bocas públicos e através da imprensa, que envolveram os irmãos Dix-huit e Vingt, além de outros personagens.

Dix-huit e Vingt em 1992: 'fechados' no palanque, rachados por dentro (Foto: arquivo)

Mas no dia 22 de outubro de 1996, Dix-huit morreu (veja perfil AQUI) em pleno exercício desse terceiro mandato como prefeito. Sandra assumiu por 70 dias, sendo efetivada no cargo de prefeito no dia 23 de outubro, com mandato que se dilatou até 31 de dezembro do mesmo ano.

Depois foi eleita uma vez à Assembleia Legislativa (1998) e três vezes à Câmara Federal (2002, com 90.792 votos; 2006, com 69.277 votos; 2010 com 92.746).

Não conseguiu a reeleição em 2014, quando tentou obter o quarto mandato consecutivo à Câmara. Seria o 14º mandato consecutivo do seu grupo familiar na Câmara dos Deputados: quatro dela, três do seu marido (Laíre Rosado) e sete do seu pai.

Majoritária

Recomeçar pela Câmara Municipal não é demérito. Nem também deve ser visto como uma licença poética. É questão de estratégia de sobrevivência política.

O PSB não conseguiu até aqui formar sequer uma nominata mínima para disputa à Câmara de Vereadores. Com Sandra a aposta é que consiga atrair outros nomes e alargue votação, para ter uma bancada.

Em termos de chapa majoritária, a postulação lançada pela quarta vez, de Larissa, nem é tratada a sério externamente. A ex-deputada estadual não trabalha com esse fim, mas com foco em seu retorno à Assembleia Legislativa no pleito de 2018.

Noutra frente, Sandra aspira elevar Lahyrinho à condição de vice, numa composição com Rosalba Ciarlini (PP), prima e adversária.

É possível? Sim. Mas pouco provável. Hoje, o rosalbismo não precisa dessa aliança, direta, para viabilizar a eleição da “Rosa”.

De sua posição de favoritismo, não surge qualquer ameaça realmente forte nesse momento.

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quarta-feira - 09/12/2015 - 01:05h
Mossoró

A mais nova tentação da política

O último sacerdote católico da Diocese de Mossoró a ser fortemente sitiado pela política, partidária, foi o falecido Américo Simonetti.

Lá se vão mais de 43 anos.

Simonetti: recuo (Foto: arquivo)

Foi em 1972.

Ele era uma figura carismática, com enorme poder catalizador da massa. Jovem, de linguagem fluente e palatável, era um político em potencial.

Além do trabalho apostolar no púlpito, a sua voz através da Rádio Rural chegava a cada mossoroense de forma cativante.

Por pouco não era candidato a prefeito pelo então MDB àquele ano, contra a chapa Dix-huit Rosado-Canindé Queiroz, da Arena.

Terminou recuando, por não ter endosso da Igreja. Optou pelo sacerdócio até o final da vida.

A chapa peemedebista acabou sendo Lauro Filho-Emery Costa, esmagada pelos adversários com maioria de 4.199 votos.

Nos anos 30, o padre Luiz Ferreira da Cunha Motta, o “Padre Mota”, foi dirigente municipal por cerca de nove anos e nove meses. De lá até nossos dias, algumas tentações não foram suficientemente fortes para mover certas ‘montanhas’.

Hoje, essa tentação política ronda outra pessoa com batina em Mossoró.

Aguardemos os acontecimentos.

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domingo - 11/10/2015 - 06:12h

Há 30 anos família Rosado se dividia politicamente

Por Bruno Barreto (O Mossoroense)

“Vingt desliga-se do PDS e vai para o PMDB”. Com essa manchete do O Mossoroense, edição de 10 de outubro de 1985, era noticiado o fato histórico ocorrido no dia anterior: a principal liderança política da família Rosado estava encontrando um novo rumo político. Há 30 anos, um dos mais tradicionais agrupamentos políticos do Rio Grande do Norte se dividia.

Jornal documenta mudança do grupo de Vingt para o PMDB em 1985 (Foto: reprodução)

Nas manchetes das edições dos jornais nos dias seguintes se aborda a aceitação da nova conjuntura política dentro do PMDB, endosso de lideranças do partido na região ao novo aliado e o acompanhamento do então prefeito Dix-huit Rosado (então no segundo dos três mandatos à frente da cidade).

Mas, ao mesmo tempo em que os irmãos migravam para uma nova aliança política com Aluísio Alves, o sobrinho deles, Carlos Augusto Rosado, ficava no PDS. Ele tinha uma decisão a tomar: seguir os tios no novo agrupamento político ou manter-se ao lado do então governador José Agripino, à época ferrenho adversário de Aluísio Alves. Não era uma decisão simples. Para entender o que aconteceu naquele outubro de 1985, é preciso voltar no tempo.

Mas, por quê? É que a cisão política dos Rosados foi um processo longo. Não foi algo do dia para a noite. Foram dez anos com alguns acontecimentos marcantes.

Tudo começou numa noite de 1978, quando o agrupamento se reuniu para decidir que rumos tomar em relação ao novo governador que tomaria posse no ano seguinte. Ao longo do Regime Militar, os governadores eram nomeados pelo presidente. Dix-huit Rosado tinha batido na trave duas vezes. Em 1970 perdeu a disputa para Cortez Pereira.

Quatro anos depois, ele disputou com Osmundo Faria (pai do governador Robinson Faria) e tinha perdido na articulação. Quando estava tudo certo para o anúncio para a escolha de Osmundo, o general Dale Coutinho, que endossara a escolha, morreu de infarto fulminante. Dix-huit volta ao páreo, mas termina vendo Tarcísio Maia ser o escolhido.

Em 1978, tudo caminhava para Dix-huit ser o governador, mas Tarcísio fez força para que o primo dele, o médico Lavoisier Maia Sobrinho, fosse o escolhido. Pesou nessa história a garantia dada por “Lavô” de que o engenheiro José Agripino Maia seria nomeado prefeito biônico de Natal, o que de fato aconteceu em 1979.

Depois disso, a relação entre os irmãos Vingt e Dix-huit com Tarcísio nunca mais foi a mesma. Por isso, a reunião naquela noite de 1978. “Vingt reuniu todos os sobrinhos e cogitou romper com Tarcísio Maia e na hora todos foram contra. Vingt disse que todo mundo poderia ficar com Tarcísio, mas ele ia seguir com Dix-huit. Na hora todos recuaram e ficaram com os tios”, relata o ex-deputado federal Laíre Rosado.

Dix-huit insatisfação com não-escolha a Governo (Foto: reprodução)

O segundo ato do afastamento político, foi a eleição de 1982. Para os mossoroenses ela é marcada pelo “Voto Camarão”. Nesse ponto é preciso entender as regras daquele pleito atípico.

Foram realizadas eleições para vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal, senador e após 17 anos (o último pleito direto para governador tinha sido em 1965) disputa para governador. Prefeitos de capitais só voltaram a ser eleitos em 1985. Presidente da República só voltou a ter eleição direta em 1989.

Por conta do temor de uma vitória avassaladora das oposições foi instituído o voto vinculado. O eleitor era obrigado a votar apenas em candidatos da mesma chapa.

Naquela eleição a disputa pelo Governo do RN foi entre José Agripino (PDS) e Aluízio Alves (PMDB). Vingt não aceitou a escolha de Agripino. Ele integrou o grupo do “Pacto da Solidão”, alusão a Fazenda Solidão onde foram realizadas algumas reuniões em favor de Fernando Bezerra, que viria a ser senador na virada do século.

Diante do quadro do voto vinculado, Vingt pediu aos seus seguidores que praticassem o “voto camarão” cortando a cabeça (sufrágio para governador) e votando no resto. Naquele momento Carlos Augusto Rosado votou em Vingt para federal, mas não anulou voto para o Governo do Estado. Seguiu José Agripino.

“Fazia quase 20 anos que a gente não votava para governador. Vingt estava no voto camarão e a gente era muito jovem. Tivemos que tomar partido e ficamos com José Agripino”, explica o ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado.

As relações ficaram ainda mais distanciadas até 1985, quando Vingt decidiu ir para o PMDB no momento em que Carlos Augusto, então um coadjuvante da política mossoroense, organizava a fundação do Partido da Frente Liberal (PFL) na região Oeste do Estado.

Mas o processo de ruptura política só se concluiu nas eleições para prefeito ocorridas em 1988, quando o distanciamento político foi evidenciado com o embate entre Laíre Rosado (PMDB), então deputados estadual, e a médica Rosalba Ciarlini (PDT), esposa de Carlos Augusto.

Depois disso a política de Mossoró nunca mais foi a mesma.

Retorno do pluripartidarismo facilitou a divisão política

Impossível compreender o longo processo de ruptura dos Rosados sem enquadrá-lo no contexto nacional. No período em que as relações entre Vingt e Tarcísio Maia estavam estremecidas foi instaurado o pluripartidarismo.

O ano é 1980. O Regime Militar avançava na abertura política e temia a força da oposição aglutinada dentro do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) que naquele ano ganharia a palavra “Partido” convertendo-se em PMDB.

Carlos Augusto, locutor Evaristo Nogueira, Rosalba e Luiz Pinto em agosto de 1988: a divisão de fato (Foto: reprodução)

Para dividir a oposição que estava reunida dentro de uma legenda que era uma torre de babel ideológica (as esquerdas misturadas com a oposição de direita ao regime) foi criado o pluripartidarismo. Aí surgem o PT, o PDT e o PP (Partido Popular que nada tem a ver com o atual Partido Progressista) que ficava no centro entre PDS (que substituía a Arena) e PMDB. O PTB é recriado e alvo de disputa entre Leonel Brizola e Ieda Vargas, filha de Getúlio, que leva a melhor.

Com o pluripartidarismo, essas legendas se articulam para as eleições de 1982 com o PP sendo incorporado pelo PMDB ao longo do processo.

Com o pluripartidarismo as alternativas se tornaram maiores para os políticos e ficava difícil manter um bloco político grande como o dos Rosados e Maias dentro da mesma agremiação.

Isso tornou viável o afastamento partidário concretizado em 1985, com a dissidência de Carlos Augusto que seguiu ao lado de José Agripino e Tarcísio Maia.

Especialistas analisam fato histórico

Enquanto acontecimento histórico, a opinião de especialistas em história e política divide opiniões sobre o que representou a cisão do agrupamento familiar.

Há uma tese de que os Rosados se dividiram para somar. Mas, aos poucos novas pesquisas surgem e mostram que a divisão foi provocada por uma conjuntura política e que a tal “soma” que dificultou o surgimento de novas forças foi uma consequência não planejada. “Quando você analisa o rompimento dos Rosados tem que observar a conjuntura nacional com a criação do pluripartidarismo e o fim do Regime Militar.

A saída de Vingt para o PMDB é justamente parte de um contexto político das brigas internas que o PDS vivia em nível nacional na escolha entre Sarney e Maluf para a eleição no Colégio Eleitoral. Quem apoiava Sarney saiu quando Maluf ganhou na disputa interna. Vingt votou em Tancredo e depois foi para o PMDB”, afirma o professor Marcílio Falcão do Departamento de História da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern).

O professor Anchieta Alves, que atuava na política mossoroense naquela época, reforça o entendimento de que se tratou de um longo processo. “O rompimento da família Rosado para mim começou mesmo em 1982 com a eleição de José Agripino. Os problemas começaram antes, a partir de 1978, quando Lavoisier foi indicado por Tarcísio Maia para ser governo em vez de Dix-huit. Isso estava condicionado à indicação de José Agripino para prefeito de Natal, mas Dix-huit não deu certeza da nomeação. Lavô deu e foi escolhido.

Voltando a 1982, teve o episódio do voto camarão em que Vingt não votou em Agripino, mas Carlos Augusto não acompanhou os tios. Já em 1988 ficou bem claro para as pessoas quando Tarcísio lançou Rosalba contra Laíre”, relembra.

Para Lemuel Rodrigues, do Departamento de História da Uern, a divisão foi estratégica para evitar o surgimento de forças políticas fora da família. “A pretensa ruptura representou um marco na política da cidade. Pois, ao mesmo tempo que aparentou fragilidade e crise, dividiu o eleitor fragilizando os grupos opositores à família. No entanto, a divisão não conseguiu fortalecer o grupo na última década, mesmo tendo chegado ao Governo do Estado”, avaliou.

O jornalista Carlos Santos pensa diferente. Entende que o impedimento do surgimento de novas forças de fato foi provocado pela divisão, mas ele pondera que não foi algo planejado embora as relações sociais tenham se mantido e em alguns momentos os grupos tenham tratado de política.

“Há uma corrente de pensamento que aponta que eles se dividiram para somar. Não concordo. Mas tenho certeza e provas, que de lá para cá combinaram o jogo algumas vezes, para que nada forte pudesse ameaçá-los. Estarão juntos em algum momento lá na frente, por necessidade, mesmo que existam diferenças irreconciliáveis entre certos nomes”, prevê.

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quinta-feira - 15/01/2015 - 10:12h
Passado e futuro

A farsa e a tragédia completa de Rosalba Ciarlini

Tese de apoio de Robinson Faria à ex-governadora ao Senado se sustenta no absurdo absoluto

Uma das grandes bobagens políticas dos últimos tempos, dita e repetida do litoral ao sertão, é a crença de que daqui a três anos Rosalba Ciarlini (DEM) será candidata ao Senado com apoio de Robinson Faria (PSD).

Gente, por favor.

Menos.

De início é preciso lembrarmos que Rosalba está inelegível.

Veja ainda os primeiros relatos do Governo Robinson sobre a herança da gestão Rosalba.

Robinson e Rosalba na posse em 2011, numa aliança que "deu certo" e pode não se repetir

Para apresentar Rosalba como “sua” candidata, Robinson precisará tê-la como referência e exaltá-la por predicados administrativos, por exemplo.

Para imprimir esse discurso negará, por exemplo, o que começou a propagar: a ex-governadora lhe entregou o inferno.

Uma candidatura de Rosalba ao Senado em 2016, com apoio de Robinson, é extremamente improvável.

E para prevalecer como candidata viável, noutra faixa, Rosalba necessitará que a própria gestão de Robinson supere a sua em ineficiência. Haja “esforço”.

Rosalba entende bem dessa dinâmica: crescimento na lama e caos.

Em 1996, teve sua segunda eleição à Prefeitura de Mossoró graças principalmente ao desastre do terceiro e último governo Dix-huit Rosado.

Em 2010, emergiu ao Governo do Estado em contraponto à Wilma de Faria (PSB), que deixou a terra arrasada.

Prometeu “fazer acontecer”. Sabemos o resultado.

O futuro político de Rosalba já aconteceu em dois atos, numa inversão do raciocínio do pensador Karl Marx.

Em seu trabalho ‘O 18 Brumário de Luis Bonaparte’, Karl Marx lembra que a história acontece “a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. Com Rosalba, primeiro veio a farsa como senadora, numa passagem obtusa pela chamada Alta Câmara. Em seguida, a tragédia de ser governadora.

Candidata ao Senado em 2018?

Não.

Menos, gente.

A farsa e a tragédia já se completaram.

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Categoria(s): Política / Reportagem Especial
domingo - 07/12/2014 - 08:39h

A dolorosa inversão da ordem natural

Por Naide Rosado

As pessoas costumam dizer: “quero dividir isso com você, ou vocês”. Prefiro usar a palavra compartilhar. E vou compartilhar o que passamos, até para que tomem conhecimento. Aí, sim, posso dizer que foi um problema.

A minha primogênita, Paula, que é médica, fez um RX de tórax, completamente inesperado porque resolveu fazer uma microcirurgia estética eletiva. O cirurgião, embora tratar-se de pequeno procedimento, pediu o risco cirúrgico. Ela, uma atleta, de saúde perfeita, fez o RX.

O pneumo que viu o exame, disse que havia uma pequena cicatriz, mas que aquilo não era nada. No entanto ela resolveu investigar que cicatriz era aquela e pediu para si uma tomografia. Feita a tomografia, veio o seguinte laudo: Linfoangioleiomiomatose pulmonar.

Só o nome já dava para assustar.

Ela estava no hospital, em plantão, e não houve um médico que soubesse o que era aquilo.  Aliás, ninguém sabia o que era aquilo.  Então, ela me passou o nome por um torpedo para que eu pesquisasse na internet.

Assim fiz e li um horror que resumo, desse modo: “após transplante do pulmão o paciente vive mais dez anos”.

Penso que saí de sintonia. Nem conseguia me levantar. Lembrei-me de meu pneumologista, uma sumidade, com mais de 90 anos. Liguei para ele e fui, de certa forma, bem acalmada pois foi direto ao assunto.

Explicou-me que tratava-se de uma doença que atingia mulheres em idade de reprodução e os nódulos eram hormônio dependentes.  Muitas vezes desapareciam com a supressão hormonal.  Que ele, pela idade, não poderia acompanhar Paula, mas indicaria um excelente pneumologista.

Impressionante, amigos, a forma como ele identificou o problema imediatamente, sem titubear…ali, na hora!

Noventa e tantos anos de sabedoria.

Fechamos o diagnóstico com Jerônimo Dix-huit Rosado Ventura, meu sobrinho médico que mora em Natal. Ele é especialista em imagens, ultrassonografia…etc…

Jerônimo deu-nos todas as informações e também ajudou decisivamente em tirar-nos do sufoco. Paula foi ao pneumologista indicado e fez todas as provas de capacidade pulmonar com resultado excelente, mesmo de atleta.

A doença, embora benigna, tem a capacidade de se espalhar, ou seja, atingir, principalmente, os rins.  E ela viu isso na tomografia. Uma imagem num dos rins. E disse a gente, ao pai e a mim, alcançou meu rim esquerdo.

Havia tranquilidade na fala dela e um monstro estava ao meu lado querendo me devorar. Fiz muito esforço para parecer tranquila, muito esforço, mas não pude escapar dos antidepressivos.  Precisei deles, sim. E, depois que tudo entrou nos eixos, consegui deixá-los com facilidade.

Durante esse período lembrei-me de Serra Grande (Dix-huit Rosado, pai da autora, prefeito falecido de Mossoró).

Ele voltou mais cedo da Prefeitura, alquebrado, abatido. Deitou-se num sofá.  Fiz um carinho nele e perguntei o que tinha acontecido.  Ele respondeu:

– A filha de meu amigo Sílvio Mendes (ex-vice-prefeito de Mossoró) morreu num desastre de automóvel.

Havia lágrimas nos olhos dele e um sofrimento profundo.

Depois, continuou: “Nós temos que entender a morte, mas não a inversão da ordem natural. A inversão da ordem natural é insuportável”.

Aquilo me marcou por dois motivos: um porque vi que ele estava começando a morrer e outro porque refleti sobre a inversão da ordem natural da vida e de como seria insuportável.

Não tenho a menor dúvida que Serra Grande partiu junto com a filha de Sílvio Mendes. Sei que ele tinha problemas de saúde seríssimos.  Mas não suportou aquela dor que desencadeou o seu final.

Naquele meu momento de angústia com minha filha ouvia aquelas palavras sobre a inversão da ordem natural e agradeço demais a Deus por termos encontrado o caminho correto a seguir, o tratamento certo.

Segundo informações, aqui no Brasil, nos últimos 50 anos, só houve dois casos dessa doença de nome enorme que me arrepia. Depois do pneumologista, ela foi para o urologista que marcou a cirurgia no rim para quatro dias após.

A cirurgia foi um sucesso. Só uma pequeníssima parte do rim foi retirada.

Houve um acesso de médicos notáveis para assistir a cirurgia, por conta de sua raridade.  O resultado da patologia foi de benignidade: angiomiolipoma.

Diante de tudo o que escrevi, agora saída do torpor, o que gostaria de dizer é que se ela não tivesse feito aquele RX do tórax, quase que por acaso, não saberia da doença pois não tinha nada nos pulmões, nem nos rins.

Saudável demais, a minha pequena.  E se fizesse um RX daqui a dez anos, tudo poderia ser diferente.

Com certeza, estamos nas mãos de Deus.

Um abraço para todos.

A minha pequena saiu para jantar fora.

Sérgio (marido) e eu estamos com os netos.  Eles todos estão conosco, morando aqui… Até eu… eu me recuperar.

Naide Rosado é advogada

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Categoria(s): Crônica
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sábado - 29/11/2014 - 09:41h
Teatro Lauro Monte Filho

Obra de Rosalba vira poleiro de pombo e trapézio de morcego

Reforma fez parte de um pacote de realizações fictícias lançado com fim apenas eleitoreiro em 2012

Com orçamento de R$ 2.621.102,13, recursos próprios do Estado, a reforma do Teatro Lauro Monte Filho em Mossoró é uma das “heranças” do Governo Rosalba Ciarlini (DEM) para sua terra natal. Está em escombros, transformado em residência oficial para pombos e valhacouto de morcegos.

Teatro está em escombros; placa denuncia aberração, apesar de informações riscadas intencionalmente (Foto: Blog Carlos Santos)

Rosalba, com aquele costumeiro uso desenfreado de propaganda, autorizou as obras de reforma no dia 10 de setembro de 2012. Assinou formalização do serviço com a empresa mossoroense A&C Construções. No dia seguinte, os serviços foram iniciados.

Havia previsão de que em 300 dias tudo estaria concluído e entregue. Estamos próximos dos últimos 30 dias da gestão apocalíptica da governante e nada avançou.

De lá para cá, o que mais aparece em relevo no edifício com décadas e décadas de construção (fechado desde 2008) é um tapume encobrindo parte de sua fachada. Na placa enorme identificando detalhes técnicos do empreendimento, alguns dizeres foram riscados intencionalmente.

Ludibriada

No alto do edifício, a fachada depauperada é umectada por fezes de pombos.

No seu interior, informações indicam que o desmanche é ainda mais acentuado. Tudo está desabando. Os morcegos – de cabeça para baixo, agradecem, ronronando no ótimo trapézio que arranjaram.

“Esse teatro é um espaço de muita luta dos artistas mossoroenses, e agora a gente sabe que a reforma vai acontecer e que teremos mais um espaço para ecoar nossa arte”, declarou a artista local Joriana Pontes, ao ser entrevistada pelo Jornal de Fato no ato de assinatura da ordem de serviço.

Hoje, Joriana deve se sentir ludibriada e usada involuntariamente na peça de propaganda governista. O mesmo pode ser dito sobre a atriz Tony Silva (veja vídeo acima com reportagem da época),

Estelionato eleitoral

Outra obra anunciada pela governadora na mesma época, foi a reforma do Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM). A ordem de serviço foi assinada, trabalhos iniciados, mas até hoje não ocorreu conclusão.

A governadora evita visitar ou citar as “duas realizações” de seu governo para sua terra Natal.

Elas juntam-se à obra de reforma e ampliação do Estádio Manoel Leonardo Nogueira (Nogueirão), também apresentada no período de campanha eleitoral de 2012 por Rosalba.

À ocasião, a governadora fazia um esforço sobre-humano, de propaganda e uso da estrutura pública, para eleger a então aliada Cláudia Regina (DEM), à Prefeitura de Mossoró.

O teatro, a ampliação do HRTM e o Nogueirão fizeram parte de um pacote de faz-de-conta do maior estelionato eleitoral da história política de Mossoró.

Cine-Teatro Cid

Cid: pedra fundamental (Foto: Manuelito)

Ela conseguiu o intento de ver a vereadora Cláudia Regina eleita – posteriormente cassada e afastada -, mas os mossoroenses até hoje esperam pelo o que foi prometido de forma ruidosa e triunfalista.

O Teatro Lauro Monte Filho homenageia com sua identificação um bacharel em direito, ator e escritor local falecido em 1997. Antes, era o Cine-teatro Cid, de propriedade do prefeito e ex-senador Dix-huit Rosado, que faleceu em 1996. Foi aberto ao público com o filme “Candelabro italiano”.

Sua pedra fundamental foi aposta em evento público no dia 14 de outubro de 1959.

Localiza-se no coração de Mossoró, Praça Vigário Antônio Joaquim, em lado diametralmente oposto à Catedral da padroeira Santa Luzia.

Cartão postal de Mossoró por sua beleza, virou monumento à incompetência, desleixo e desfaçatez, mero instrumento politiqueiro para manipular a boa-fé de milhares de eleitores, artistas e amantes da arte.

Pobre Mossoró!

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Categoria(s): Reportagem Especial
quarta-feira - 17/09/2014 - 04:08h
O que não está na história

A elegância da espera e o atraso dos deselegantes

Vi aqui e ali na Web, no curso da comoção pela morte do ex-governador e ex-vice-governador Iberê Ferreira (PSB), muitos relatos atestando um perfil inconteste: ele era um homem elegante. Polido.

Iberê: espera dispensável

Daí, recordei um episódio que o envolve diretamente com a política de Mossoró, ocorrido no dia 23 de janeiro de 2007.

Veio à mente, também, outra situação em que o personagem era o ex-prefeito mossoroense Dix-huit Rosado.

Os dois casos distintos eu postei em janeiro de 2007, no “Carlos Santos On Line“, página que foi protótipo deste Blog Carlos Santos.

Veja abaixo:

Iberê e um gesto

Vejo que setores da imprensa insistem em polemizar o fato do governador em exercício Iberê Ferreira (PSB) ter esperado por mais de meia hora, esta semana, no Aeroporto Dix-sept Rosado, pela prefeita mossoroense Fafá Rosado (PFL), antes de iniciar sua agenda na cidade e região.

Outra vez Iberê provou que é um homem-político cortês. Aguardou não apenas a maior autoridade municipal, mas a uma dama. Pela liturgia do cargo, não era necessário que ele agisse assim. A maior autoridade em solo local era ele e ponto final.

Precisamos entender que elegância maior está no gesto, nunca no vestuário ou modo de caminhar etc.

Dix-huit: deselegância do atrasado

Autoridade natural

Resgato um episódio que poderia ser banal, mas ilustra bem o que argumento acima. Em determinada ocasião, num restaurante de Mossoró, o prefeito Dix-huit Rosado (poliglota, ex-senador, vastíssima cultura etc.) chegou com um grupo de auxiliares e outros convidados. Sempre glutão, mandou logo servir a comida.

Sem conhecer a velha liturgia do poder, um garçom soprou ao seu ouvido: “Doutor, ainda está faltando gente…” Sem rodeios, o prefeito retrucou:

– A maior autoridade aqui sou eu. Ele está atrasado. Sirva o almoço!

Corretíssimo.

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Categoria(s): O que não está na história / Política
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domingo - 31/08/2014 - 11:45h
Dificuldade

Após quase 70 anos, Mossoró pode ficar sem nome na Câmara

Três candidatos do clã Rosado disputam espaço difícil e nenhum é apontado entre favoritos à eleição

Sinal amarelo para Mossoró. Sinal amarelo em relação à disputa à Câmara Federal.

Pela primeira em quase 70 anos contínuos, o município com o segundo maior colégio eleitoral do Rio Grande do Norte pode ficar sem eleger um nome nativo à chamada Baixa Câmara. Concorrentes mais competitivos como Sandra Rosado (PSB), Betinho Rosado Segundo (PP) e Fátima Rosado (PMDB) têm semanas decisivas pela frente. Período delicadíssimo.

Fafá e Sandra: direções distintas e um só foco (Foto: Cézar Alves)

Atualmente, Mossoró conta com Sandra e o primo e adversário partidário Betinho Rosado (PP) com mandatos em Brasília.

Porém enfrentam consideráveis dificuldades. Sandra, principalmente, de recursos financeiros elementares para fazer campanha andar até em sua terra natal; Betinho, de mobilidade e sobretudo de transposição de nome.

Sandra é candidata à reeleição; Betinho sequer é candidato. Seu nome foi indeferido pela Justiça Eleitoral e lançou às pressas o filho Betinho Rosado Segundo, “Betinho Segundo”. Praticamente  teve que começar nova campanha com o herdeiro, testado pela primeira vez num embate eleitoral.

“Motinha”

Quem estreia também na empreitada federal é a ex-prefeita Fafá Rosado, prima de Sandra e Betinho. Já esteve no grupo de um e de outro parente, mas marcha em faixa própria.

A exemplo dos primos, faz e refaz contas, precisando “estourar” votação em Mossoró e catar apoios expressivos fora. Não é fácil.

Mossoró começou a fincar os pés na Câmara Federal em sequência, ainda à época em que o Distrito Federal era o Rio de Janeiro. Por lá, na sede desse poder, o Palácio Tiradentes, desembarcou Vicente da Mota Neto, “Mota Neto”, o “Motinha” para os mais próximos.

Mota Neto: constituinte de 46 (Foto: Reprodução)

Foi deputado federal Constituinte de 1946 e ganhou outro mandato, com a eleição de Café Filho para vice-presidente de Getúlio Vargas, em 1950. Era seu suplente. Na época, a legislação permitia concorrer a mais de um cargo eletivo e com o duplo sucesso eleitoral de Café, houve abertura de vaga à sua titularidade.

Depois Mossoró teve ainda Dix-huit Rosado, Tarcísio Maia, Vingt Rosado, Laíre Rosado, Múcio Sá, Mário Rosado etc.

Há várias legislaturas, Mossoró vêm mantendo duas cadeiras e já chegou a ter três das oito vagas representativas do Rio Grande do Norte na fase de Brasília como Capital da República.

Eleições difíceis

Na atual campanha, nenhum dos nomes de Mossoró, com mandato ou não, figura entre potenciais eleitos ou favoritos. Podem “surpreender”.

A eleição de Betinho Segundo e Fafá é possível, mas difícil. A reeleição de Sandra, também.

Outros nomes estão registrados, tendo Mossoró como bastião, casos dos advogados Carlos Santana (PSL) e Wellington Barreto (PPS), além do ex-sindicalista Valmir Alves (PT). Bote na conta também Miguel Mossoró (PTC). Procuram somar para suas coligações e sabem como é distante o sonho do Planalto.

Sandra e Fafá fazem parte da mesma coalizão de partidos que apoiam a candidatura do presidente da Câmara Federal, Henrique Alves (PMDB), ao Governo do Estado. Uma pode terminar servindo indiretamente e à contragosto à eleição da outra, na soma de votos.

Com Betinho Segundo há outra situação indigesta e complicada. Virou candidato porque o pai não pode ser candidato. Entra na campanha com o “bonde andando” e está numa coligação por não ter outra escolha.  Não é caso de opção, mas de compulsória necessidade.

Está na Coligação Liderados pelo Povo, do vice-governador dissidente Robinson Faria (PSD), adversário político do grupo do seu pai e da governadora Rosalba Ciarlini (DEM).

Os três candidatos do clã Rosado parecem dividir para somar, em veredas diferentes. Contudo podem ver a sentença das urnas promover a subtração de espaços de Mossoró na Câmara Federal. Todos sabem disso, mesmo que disfarcem com discursos triunfalistas, a tese de uma vitória certa.

Eventuais eleitos

Hoje, em qualquer lista de eventuais eleitos, aparecem Walter Alves (PMDB), Rafael Motta (PROS), Felipe Maia (DEM) e Zenaide Maia (PR) da Coligação União Pela Mudança.

Sávio Hackradt (PDT), Antônio Jácome (PMN), Sandra Rosado, Rogério Marinho (PSDB), Fafá Rosado, Abraão Lincoln e Paulo Wagner viriam numa escala decrescente correndo atrás de duas cadeiras na mesma aliança.

Betinho Segundo com Robinson: gesto que sobrou (Foto: Divulgação)

Na Coligação Liderados pelo Povo, apenas um candidato tem motivos para sorrir antecipadamente: deputado federal Fábio Faria (PSD). Com possível eleição de dois candidatos a deputado federal, a segunda vaga pode ser de Adriano Gadelha, nome do bolso da candidata ao Senado e atual deputada federal Fátima Bezerra (PT).

À medida que Fátima sobe, puxa Adriano.

Um terceiro nome pode prosperar, mas não é fácil. Betinho Segundo luta para ser na verdade o segundo dessa coligação, visto que uma terceira cadeira seria algo mais dramático.

Sobrinho-afim da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), Betinho é a última esperança dela de ficar, mesmo que indiretamente, com algum mandato. Sairá do governo sem direito à reeleição, não possui mais direta ou indiretamente a Prefeitura de Mossoró e ninguém a representando na Assembleia Legislativa. Betinho Segundo é sua aposta total.

Olhando tudo por outro ângulo diametralmente oposto, os Rosado sairiam bastante fortalecidos sob outra realidade: a eleição de Sandra, Betinho Segundo e Fafá, apesar de tantos percalços recentes. Não é impossível, mas é pouco possível.

SEM PREFEITURA – Vale ser assinalado, que depois de mais de 40 anos contínuos como inquilino direto ou indireto da Prefeitura de Mossoró, espécie de “Casa Grande” e símbolo de seu poder paroquial, os Rosado estão do lado de fora da Municipalidade. O prefeito Francisco José Júnior (PSD), após ser aliado de todos, sentou na cadeira de prefeito e tem candidatos próprios à Câmara Federal e Assembleia Legislativa. São “importados”, sem ligação alguma com o clã ou familiaridade com Mossoró e seu entorno.

É um novo tempo?

O passado já está escrito, como o distante ano de 1958, quando os irmãos Vingt e Dix-huit Rosado foram respectivamente candidatos a deputado estadual e Senado da República, sendo eleitos, ao lado do primo Tarcísio Maia, ungido à Câmara Federal.

Tomando Mossoró como base, os três formaram uma chapa informal conhecida como “DTV” (iniciais de Dix-huit, Tarcísio e Vingt), botando Mossoró no mapa da representatividade nas três casas legislativas. Estavam juntos, que se diga.

Quanto ao futuro, é aguardar. Ele pertence às urnas.

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Categoria(s): Reportagem Especial
domingo - 13/07/2014 - 07:57h

Cântico por “Serra Grande” e outras lembranças

Por Naide Rosado

Senhor Inácio:

Chegaram a Mossoró alguns jornalistas de outras partes do país para uma entrevista com “Serra Grande”, Dix-huit Rosado. Em dado momento os jornalistas mostraram-se descrentes daquela defesa dele sobre a existência do petróleo em nosso município; um visionário, devem ter pensado.

Então, ele disse que sob aquela mesa onde almoçavam havia petróleo e que logo que fossem feitas as perfurações ou prospecção, não recordo exatamente, ele comunicaria a todos os presentes. Não deu outra.

Havia petróleo ali.

Quanto ao Rio Mossoró, confesso ter sentido, muitas vezes, ciúmes dele.

É que, quando pequenina, fui extremamente asmática. Isso atrapalhou o início de meus estudos em colégio.

Fui alfabetizada em casa por minha avó-mãe “Dininha”. Entrei na escola já com o barco andando e não tinha bom rendimento. A doença me martirizava. Pois bem, com o passar dos anos, lá pelos 14, 15, a asma abrandou e acabou me deixando.

Foi quando despertei vigorosamente para o estudo. Com modéstia relato que comecei a receber prêmios. E, nas solenidades Serra Grande nunca podia estar presente por causa dos problemas do Rio Mossoró. Ali, nos auditórios, sempre a cabecinha branca de minha queridíssima avó-mãe.

Resolvi que nas premiações seguintes, avisaria em cima da hora, para o Rio Mossoró não encher. Não havia jeito, ele arranjava qualquer transporte voador e partia para conter o rio que gostava demais de não me dar a alegria de vê-lo em minhas pequenas vitórias.

Havia uma necessidade em mim de que ele participasse pois era a forma que eu tinha para retribuir o trabalho, o cuidado e as lágrimas que chorou por mim, quando menina.

Imagine, Sr. Inácio, na minha formatura na Faculdade de Direito, o rio quis transbordar. Ele foi à solenidade, mas não ficou até o final. Assim que recebi o meu canudo, vi-o, em sinais dizer: “amo você, minha filha” e bateu com as mãos no peito, várias vezes, demonstrando orgulho e foi embora acalmar seu rio.

Sim, é verdade, ele fez tudo o que era possível para evitar as enchentes e, claro que compreendo as ausências dele. Era um homem público.

Demorei para entender o que é ser filha de um estadista, meu amado Serra Grande.

Saudades dele.

Naide Rosado é advogada e filha do ex-prefeito Dix-huit Rosado

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Categoria(s): Crônica
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