segunda-feira - 29/07/2019 - 07:50h
Mundo

O muro do racismo

Por François Silvestre

Lembram do muro de Berlim?

Era uma comoção universal. O símbolo maior da ruindade soviética, que era ruim mesmo.

Lembram do discurso de Kennedy?“Aqui, eu conclamo. Quem quiser saber a diferença entre Democracia e opressão venha a Berlim”. Disse e foi ovacionado pelos berlinenses. Pois bem. O tempo passou, que é do seu destino, e o que vemos? Vemos a pátria-mor da democracia, segundo Kennedy, erigir um muro mais vergonhoso do que o de Berlim.

Separando dois países amigos, para proteger-se dos miseráveis. Não são bandidos, não são inimigos ideológicos, não são deformados. São apenas miseráveis, escorraçados pela mais degradante de todas as misérias que é não poder viver na terra onde nasceu.

E a justiça da pátria-mor da liberdade avalizou essa barbárie. Lincoln e Kennedy reviram-se nas covas. E os chamados países do primeiro mundo, que tanto criticaram justamente o de Berlim, silenciam sobre o do México.

Prefiro o quintal desse meu quarto mundo.

Agora, senhores da estupidez estabelecida, defendam essa coisa. Mas o façam justificando o ato, que se for convincente o argumento eu contesto ou retiro a queixa. Não me venham com Venezuela, Cuba, Maduro ou Castro. Isso não é argumento, é latido.

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segunda-feira - 20/05/2019 - 15:16h
EUA

Cadê o OCDE?

Por François Silvestre

O gato comeu? Lembram?

Jair Bolsonaro foi aos Estados Unidos, bateu continência para Donald Trump, abriu as pernas, digo portas, para americanos entrarem no Brasil sem qualquer controle, quando e onde quiserem, sem a recíproca para os brasileiros entrarem na terra do Tio Sam. E ainda abriu mão de interesses nacionais na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Tudo para quê?

Para Trump bancar o ingresso do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o clube comercial dos ricos.

Bolsonaro deu mas Trump não cumpriu a promessa.

Agora, véspera do encontro desse “clube”, Trump está bancando o ingresso da Argentina e nada disse sobre o Brasil.

Os diplomatas americanos informaram que não receberam nenhuma recomendação sobre o Brasil.

É isso aí.

Trump, que nada tem de besta, percebeu que Bolsonaro é um fã e não um aliado.

Um lírico bocó, pousando de estadista de quintal.

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Categoria(s): Artigo / Política
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domingo - 31/03/2019 - 09:39h

Equinócio irredento

Por Paulo Linhares

Na sabedoria dos camponeses nordestinos, o dia 19 de março em que homenageiam São José, o pai mortal de Jesus, é balizador decisivo para boa estação chuvosa e, por consequência, boas colheitas. A sabedoria popular, todavia, não é desprovida de cientificidade. O equinócio de outono, acompanhado do fenômeno da superlua, ocorreu neste 20 de março de 2019. Se chuvas ocorrem nesse dia, há uma infalível certeza de ‘bom inverno’.

Desta feita, mal vencido o equinócio de 2019, eis que a Polícia Federal faz cumprir, em São Paulo, mandados de prisão preventiva, expedidos pelo juiz Marcelo Bretas (aquele do olhinho baixo…), do ex-presidente Michel Temer e do ex-ministro Wellington Moreira Franco, este também conhecido no submundo da corrupção como “Gato Angorá”.Claro, municiado de informações privilegiadas, o cartel da mídia brasileira revelou, finalmente, as personagens que faltavam nessa ópera bufa cuja cena única era, até agora, a daquele velhinho barbudo, com nome  de intragável crustáceo, que, de rigor, nem deveria estar ali.

Enfim, cenas de uma prisão anunciada: o chefe da quadrilha do MDB vai para o xilindró. Nada a comemorar, mesmo porque tais prisões são apenas de caráter preventivo, sem qualquer culpa formada relativamente aos presos. As repercussões midiáticas  parecem evidentes, no Brasil e no mundo. De repente, aquele juiz de olhinho à Ceveró passa a ocupar o lugar que há bem pouco tempo era do draconiano juiz Sérgio Moro, hoje envergonhado ministro da justiça do capitão Bolsonaro.

Afinal, desde que essa desavergonhada república existe, apenas dois ex-presidentes foram, com ou sem razão encarcerados, como criminosos comuns: Lula, sob o tacão do juiz Moro, e Temer, por decisão do juiz Marcelo Bretas. Sequiosa de ancestral vingança,  brasileiros de classes sociais diversas  exultam. Claro, jamais imaginam como age essa máquina judiciária que, atendendo às pautas de um empoderado ministério público, que pretendem, em conjunto, fazer um redesenho do Brasil que contemple unicamente a sua hegemonia.

O que poucos imaginavam é que, entre a “cutucada e a imediatidade do ‘êpa!”, o desembargador federal Antonio Ivan Athié, do Tribunal Federal da 2ª Região, abrisse a ‘ gaiola’ para libertar Temer, Gato Angorá  e mais outros cinco presos envolvidos na mesma investigação.

Sem entrar no mérito das ‘virtudes’ judicantes do desembargador Atihé, inclusive, vários processos em que foi envolvido na condição de réu, aliás, brilhantemente absolvido em todos eles, sua decisão foi juridicamente irretorquível; julgou corretamente em se tratando de uma prisões preventivas inspiradas não nos requisitos legais incrustados no remendadíssimo Código de Processo Penal, mas, nas motivações midiáticas do juiz Bretas e dos membros da força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro.

Com efeito, no aprofundamento da democracia, tais  ‘efeitos de demonstração’ se tornam inevitáveis. Ninguém estaria acima da lei. Assim, sejam quais forem os propósitos dessa guerra surda contra o dragão da maldade da corrupção, a exultante expectativa é a de que a “velha política” seja derrotada.

Será? Parece que não: a armação dos procuradores da República para arrancar 2,5 bilhões de reais da Petrobras para criar uma “Fundação Lava Jato” de cunho  privado fez cair uma pesada e não menos suspeito véu. A ação vigilante da imprensa e das redes sociais evitou fosse concretizada a ministerial falcatrua que, aliás, mereceu até o repúdio de dona Raquel Dodge, procuradora-geral da República do Brasil, que ajuizou uma ação no STF contra isso.

O episódio mostra as vísceras de um velho costume político brasileiro: corruptos são sempre os outros; do outro lado, somente anjos vingadores que cumprem a lei e desejam esvurmar os bulbos infectos da ‘peste vermelha’ que teria assolado o país. Balela, avassaladora hipocrisia política praticada à sombra das instituições democráticas e republicanas que avultam do seio da Constituição, em que a busca da sobrelevação dos interesses populares que traduzem, no máximo, os apetites insaciáveis das corporações que dominam a máquina burocrática do Estado, no Ministério Público, no Judiciário, no aparato de segurança e mesmo nalgumas ‘manchas’ conservadoras do Congresso Nacional. Tudo a muitos anos-luz da ideia-força de radicalização da democracia imaginada por Rosa Luxemburgo.

Com efeito, escarafunchar o passado é fácil; difícil é conviver com o presente e antecipar o futuro. O desiderato, agora, é adular os patrões da Wall Street, a CIA, as insanos arreganhos de Washington e de seu atual contestável Donald Trump, afinal, essas coisas de liberdade, inclusive, a de imprensa, de autonomia e harmonia dos poderes do Estado, o equilíbrio  federativo, são, nos dias que correm, apenas anacrônicos delírios dos “pais fundadores” da pátria  norte-americana que serviram de inspiração a outros povos do mundo, inclusive, o brasileiro.

Esses valores, diante da ressaca conservadora e de fortes pendores autoritários, não passam de frágeis velas ao vento – “candles in the Wind” – que ameaçam o legado das luzes e podem fazer  com que estes trópicos confusos afundem numa nova era de desalento e escuridão.

Afinal, cá para estas bandas, o presidente Bolsonaro já decidiu que ao menos os quartéis, “que nos ensinam antigas lições”, como dizia o poeta Vandré em tempos idos e de triste memória, devem comemorar com ardor o aniversário de 55 anos do ‘movimento’ cívico- militar de 31 de março de 1964.

Ocorrendo isso, tantos brasileiros torturados, mortos e ‘desaparecidos’ sob o tacão do regime militar, jamais poderão dizer “presente”, varridos que estarão sendo para debaixo do perverso tapete da História.

Contudo, estaremos vigilantes. Ave, Anatália de Souza Melo Alves!

Paulo Linhares é professor e advogado

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Categoria(s): Artigo
sexta-feira - 22/03/2019 - 16:40h
Política e tosse

Gargarejo de romã

Por François Silvestre

É bom pra tosse. A previdência venceu Temer no poder, e agora toma alento com sua prisão.

Bolsonaro vai ver o que é bom pra tosse, com seu papo de não dar satisfações aos políticos.

Administração se efetiva pelo trabalho dos servidores com o gerenciamento da política. É assim em todo canto do mundo, nos regimes democráticos. Não se vive coletivamente sem política.

Quem não gosta de política é ditador ou alienado.

Sérgio Moro tá vendo a diferença entre sua independência de magistrado e a dependência política do executivo. Ou dá satisfações ou leva cocorotes, como os tomou do presidente da Câmara.

O Capitão vai continuar dizendo uma coisa e fazendo outra. E a sargentada se engalfinha, entre filhotes e insatisfeitos, sem saber pra onde vai.

Enquanto a merda fede por aqui, o Capitão tá “resolvendo” os problemas da Venezuela. Tudo para o agrado do seu líder-mor Donald Trump.

Receita: Um punhado de cascas de romã, meio copo de água; deixando em descanso por oito horas. Quando a água estiver bem amarela, da cor da bandeira, gargareja-se cada gole por alguns segundos e depois cospe.

Durante o gargarejo não se deve conversar bosta, pra não engasgar.

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  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 17/02/2019 - 09:48h

A perversão da dialética

Por Paulo Linhares

A História não é uma múmia, algo estanque, engessado, morto. Ao revés, ela é movimento para frente ou para trás, avanços e retrocessos; uma espécie de ‘retrato’ do mundo, este que é “tudo o que ocorre” e traduz a “totalidade  dos fatos, e não das coisas”, para usar a categoria genial de Ludwig Wittgenstein, do seu “Tractatus Logico-Philosoficus”.

É bem certo que as pessoas tendem (erroneamente) a pensar a História como um contínuo encadeamento de superação de fatos – os avanços -, porém, quase sempre não se dão conta de que, na maioria das vezes, ela é feita de repetições – os retrocessos – muitas vezes trasvestidas de farsas inescondíveis, como alertava Karl Marx no seu “O 18 de Brumário de Luís Bonaparte” (de 1852).

Posto que farsas, os retrocessos históricos findam por impor ao mundo real uma lógica daquilo que pode ser denominado como ‘dialética perversa’, em que a síntese, a despeito das antítese contrapostas, é mera repetição da tese, íntegra e insuperada. Por força de incompreensíveis mistérios das coisas humanas, fatos trágicos e indesejáveis do passado rebrotam no cotidiano de nossas vidas, como se as lições escritas em sangue, suor e lágrimas de nada valessem.

Pode até parecer complicada está cogitação, todavia, tudo se faz claro quando os fatos paridos da realidade são objeto de reflexão, por apressada e perfunctória que possa ser.

Ora, quem pensou que após 1985 – com o fim da ditadura militar – o Brasil avançaria para se tornar um país moderno, calcado nos princípios do Estado Democrático de Direito, na sobrelevação da cidadania civil e política, no fim das desigualdades sociais e regionais, no respeito à convivência pacífica e respeito à soberania de outros povos na ordem internacional, ademais da adoção de uma pauta de direitos e garantias fundamentais, afinal declarados na Constituição de 1988, foi vítima de ignóbil e monumental engano.

Os fatos ocorridos no campo político-institucional a partir do ano de 2016, sobretudo, com o impedimento ex-presidente Dilma Rousseff, a despeito de todos os erros e desvios cometidos no seu governo e nos governo de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, mostram um enorme retrocesso factual de todas as conquistas da sociedade brasileira nas últimas três décadas. Tudo o que parecia ‘sólido’ se desmanchou no ar. E retrocedeu a um passado que, pensava-se, estava superado.

Claro, erros aconteceram, em especial o estabelecimento de relações promíscuas entre governos petistas (e os que os antecederam) e setores avançados do capital industrial, as  empresas de construção civil pesada, grandes empreiteiras de obras governamentais na área do petróleo transformadas em nefastas organizações criminosas que estabeleceram poderosos ‘propinodutos’ a contaminar gravemente o chão republicano.

No bojo das espetaculosas operações levadas a cabo pela aliança entre Poder Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal – empoderados na Constituição de 1988 e apoiados pelos governos petistas, ademais do significativo apoio dos grandes barões da mídia -, parcela expressiva da sociedade brasileira assumiu uma pauta política conservadora, em desprestígio até de direitos e garantias de berço constitucional.

Mais grave, ainda, foi a dura resposta que esses setores – fundamentalmente das camadas médias da sociedade brasileira – deram nas urnas de 2018: optaram por um esboço de projeto política, social e economicamente bem mais retrógrado que aquele do ciclo militar de 1964-1985.

A pior, porém, está nas eleições de um presidente da República, alguns importantes governos estaduais e muitos parlamentares estaduais e federais, em ambientes rigorosamente democráticos, sem que isto represente efetivo avanço para uma sociedade complexa e juncada de contradições como a brasileira. A propósito, a eleição de Jair Bolsonaro à presidência da República não foi objeto de qualquer maior contestação, a despeito das inermes acusações da prática de delitos eleitorais (‘disparos’ de “fake news” bancados por empresários sem conhecimento da Justiça Eleitoral). Na lógica do sistema político-eleitoral em uso, a sua eleição pode ser considerada como inequivocamente livre de mácula.

Aceite-se ou não, a verdade é que o corpo eleitoral induvidosamente optou pela onda conservadora que vem atingindo outros países, a exemplo da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos da América. A palavra de ordem mesmo, neste momento, é “direita, volver”!

A tendência política conservadora, no Brasil, se confirma com as eleições do deputado Rodrigo Maia e do senador Davi Alcolumbre, ambos do Partido Democratas, de direita, segundo e terceiro na vocação sucessória da presidência da República que, nos próximos dois anos, presidirão respectivamente a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.

Seguramente, a pauta ultraconservadora do governo Bolsonaro terá fortes aliados no Congresso Nacional para aprovação de leis e até de importantes reformas da Constituição. E de outros importantes setores da sociedade brasileira, inclusive, de parcela da chamada grande imprensa.

Embora possa parecer bizarro, tudo valerá a pena quando nossas humildes almas de democratas e republicanos – e esses dois termos se equivalem! – não forem pequenas, para lembrar o poeta Pessoa, embora, denuncia implacável a História, tantas (grandes) almas tenham fenecido sob Hitler, Stalin, Mussolini, Franco, Salazar, Pol-Pot, Garrastazu Médici, Pinochet etc.

E todas estas questões remetem às dificuldade e retrocessos de se desfrutar da liberdade numa ordem genuinamente republicana, como lembrou, há mais de dois mil anos, o filósofo latino Marco Túlio Cícero:“Quando o povo pode mais e rege tudo ao seu arbítrio, chama-se a isso liberdade; mas é, na verdade, licença”.

Por isto é que, na sua licença de decidir, em muitos casos, o povo  se torna algoz de suas próprias expectativas. E seu futuro pode estar irremediavelmente  comprometido, restando, apenas, a morte dos ideais  republicanos e cada vez mais distante a noção de uma sociedade livre, economicamente próspera e socialmente justa, com iguais oportunidades para todos.

Depois de muita caminhar e até sangrar – e tantos sangraram! – a sociedade brasileira dá um enorme salto para trás e aposta no inverso de tudo o que se assentara no seu coletivo imaginário a partir de 1985 e cristalizado na Constituição de 1988. Agora, é marco zero, pois tudo o que se edificou nesse campo ameaça a virar fumaça. Resta esperar para ver no que resultará esse intragável angu.

Paulo Linhares é professor e advogado

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quarta-feira - 26/12/2018 - 08:38h
Natal

Trump, o Papai Noel

Por François Silvestre

O presidente Donald Trump perguntou a uma criança, por telefone, se ela acreditava em papai noel. Não sei que resposta ele recebeu.

Sei que essa criança certamente possui papai noel, crendo nele ou não. E é merecedora da boa vida que tem.

Porém, se alguém houvesse feito a mesma pergunta à criança que morreu à míngua, num acampamento de refugiados, ela certamente responderia que sim. E diria:

– “Acredito. Ele é o presidente dos Estados Unidos e eu estou indo pedir a ele um lugar de paz para morar”.

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domingo - 09/12/2018 - 10:50h

De pesadelos e sobressaltos

Por Paulo Linhares

A despeito de toda a lógica, nas mentes das pessoas concretas remanescem sempre a esperança de que tudo pode ser diferente, bastando acreditar: às vezes sim, às vezes não, a depender de como os fatos e circunstâncias são encadeados. Daí que, nas coisas humanas, a incerteza tende a prevalecer e se faz uma definitiva alavanca para superação de vários obstáculos  que atravancam a concretização das expectativas projetada

É nesse eterno jogo de luz e sombra, de dúvidas e certezas, aliás, de compleição dialética, que as mentes humanas, na busca de uma zona de conforto, constroem atalhos e encontram saídas para os problemas que as afligem. Claro, os enganos, nas escolhas, são também inevitáveis.

No mundo da política o figurino é o mesmo. Nos governos hauridos das urnas, qualquer que seja a sua orientação ideológica, emerge uma noção  primária de que a legitimação conferida pelo corpo eleitoral  autoriza aos ‘ungidos’ (equiparáveis  a semi-deuses, de direita ou de esquerda, pouca importa) a fazer o quê ninguém imagina como apenas razoável.A “entourage” do presidente eleito Jair Bolsonaro mostra isso. De princípio, bateu  duro nos parceiros do Mercosul e na China, tudo seguindo a fórmula Donald Trump, que estraçalhou todo o esforço diplomático norte-americano na difícil relação com tradicionais parceiros europeus, orientais e os do conturbado mundo árabe. Um detalhe que alguns podem até achar de somenos:  as costas de Trump são bem largas, presidente que é do Estado mais poderoso do planeta.

O Brasil não pode nem precisa abrir tantas frentes de conflito, sobretudo, com tradicionais parceiros comerciais imprescindíveis para o agronegócio do Centro-Oeste (as exportações de soja para a China) e do Sul, Paraná e Santa Catarina em especial (carnes para os países árabes e China), aliás, colégios eleitorais onde Bolsonaro  obteve resultados  superiores a 60% do votos válidos.

Assim, parece inevitável que chacoalhar chineses e árabes poderá resultar em enormes prejuízos para esses setores do agronegócio brasileiro. O pior de tudo é que não há razões plausíveis para isso: tudo decorrente de posturas ideológicas bocós ultradireitistas que desprezam a assertiva de que países não têm amigos, mas, interesses. E quais são os interesses do Brasil neste momento: vender o mais possível para chineses e asiáticos em geral, árabes, russos, europeus e nossos ‘hermanos’ latino-americanos, neste caso, inclusive, cubanos e venezuelanos.

Claro que os Estados Unidos da América são parceiros estratégicos do Brasil. No entanto, deve-se recordar que foi ogeneral Ernesto presidente Geisel, penúltimo dos generais-presidentes da ditadura militar implantada em 1964 – governou de 1974 a 1979 -, que botou um ponto final na política de alinhamento automático com os norte-americanos, inclusive, com o rompimento do acordo de cooperação militar, pelo qual os EUA ofereciam ao Brasil armamentos e treinamento militar.

Ressalte-se que esse rompimento do acordo militar EUA-Brasil inspirado na Guerra Fria dos anos 1950/1960, foi apenas um pretexto usado pelo hábil general-presidente e formatado pela competente equipe do Itamaraty, para camuflar o verdadeiro objetivo do governo brasileiro de então: a celebração do Acordo Nuclear Brasil-Alemanha, celebrado em 27 de junho de 1975, o que quebrou a supremacia no campo tecnológico-industrial do Tio Sam, em especial na utilização da energia nuclear.

Note-se que Geisel matou dois coelhos com uma só cajadada: possibilitou que o Brasil tivesse acesso à tecnologia nuclear, algo que o governo norte-americano fez tudo para impedir desde o início dos anos 1950, além de demonstrar que o Brasil tinha plena capacidade de buscar por si mesmo outros Estados parceiros nas suas relações bilaterais.

A atitude de Geisel causou enormes abalos no relacionamento dos EUA com o Brasil, mas, preservou a soberania nacional e inaugurou a postura independente da política externa brasileira que chegou aos dias atuais. Esse bom exemplo do presidente Geisel, a despeito de desvestido da legitimidade da Soberania Popular, merece ser observado nos dias que correm. A quem interessar possa, vale lembrar que o velho general Geisel jamais bateria continência para outra bandeira que não fosse a auriverde flâmula do Brasil, nem tampouco o faria para um funcionário civil de terceiro escalão do governo norte-americano…

Por estes exemplo históricos importantes é que seguramente não nos cabe assumir brigas bobas de Donald Trump que implicam enormes prejuízos à combalida economia brasileira. No mais, o  discurso de Bolsonaro e de seus filhos, ademais de alguns auxiliares, como os do futuro chanceler, podem causar estragos enormes na área internacional. Ainda bem que o general Mourão, vice-presidente eleito, tem demonstrado grande habilidade e parcimônia no trato com essas sensíveis questões da futura política exterior brasileira.

O futuro presidente Bolsonaro deve atentar que o Brasil tem uma das melhores diplomacias do mundo e que nada tem a ver com ideologias de ocasião. Na formulação inicial  do ícone maior das relações exteriores do Brasil, o vetusto Barão do Rio Branco, reside a altaneira postura que, nas últImas décadas, tem pautado a condução da defesa dos interesses nacionais. E  pelo belo legado de José Maria da Silva Paranhos, o Visconde do Rio Branco.

Com efeito, tem-se aqui a convivência pacífica de povos que, noutras latitudes, se fazem inimigos mortais. Em nada o. Brasil ganha em assumir um ou outro lado, por exemplo, da disputa territorial entre judeus e palestinos. A quem pertence Jerusalém? Esta será sempre um questão que tem de ser decidida pela comunidade internacional em justa equidistância dos lados envolvidos na disputa.

No front internacional já começa uma dura reação aos arroubos de Bolsonaro. Em recente passagem por Buenos Aires, por ocasião da COP-24, o presidente francês, Emanuel Macron, foi  incisivo em afirmar que a União Europeia não negocia com Estados que abandonem o Acordo de Paris (o Acordo de Paris é um tratado multilateral patrocinado pela ONU sobre a Mudança do Clima, que rege medidas de redução de emissão dióxido de carbono a partir de 2020.

O acordo foi negociado durante a COP-21, em Paris e foi aprovado em 12 de dezembro de 2015.), a exemplo do que fizeram os EUA, na gestão Donald Trump e, pelo Brasil, deverá fazer o futuro governo de Jair (se acostumando) Bolsonaro. Uma coisa é certa: o doido do Trump pode encarar brigas desse porte, algo que não pode ser dito do tatibitate capitão Bolsonaro. Na dúvida, valha-nos o ‘sensato’ general Mourão, cada vez mais a demonstrar que, nas organizações militares como na vida mesma, hierarquia é posto…

Tomar partido nessa inglória disputa que remonta aos tempos das Cruzadas, não deixa de ser um enorme equívoco.  O Brasil, nas suas relações com o mundo tem sido visceralmente plural e de respeito  às escolhas internas das nações amigas. Daí que, qualquer orientação que vulnere essa postura de respeito à soberania dos Estados com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas, hoje e amanhã, será um enorme e grave equívoco. É o que o futuro próximo revelará

Paulo Linhares é professor e advogado

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domingo - 11/11/2018 - 09:50h

Bucha de canhão

Por Honório de Medeiros

Os inocentes úteis urram galvanizados enquanto a caravana dos donos do Poder de esquerda ou direita passa. São bucha de canhão para quem os manipula.

Esquerda ou Direita têm o mesmo propósito: a destruição do Estado.

Os donos da Esquerda por ambicionarem o Poder enquanto defendem, para os inocentes úteis, que vão construir o Paraíso sobre os escombros dessa destruição.

Socialistas selvagens.

Os donos da Direita por ambicionarem o Poder enquanto defendem, para os inocentes úteis, que todos serão ricos sobre os escombros dessa destruição.

Capitalistas selvagens.

Tanto uns quanto os outros querem o mesmo, acham que os fins justificam os meios, usam praticamente as mesmas táticas e estratégias, e somente diferem naquilo que prometem para quando chegarem ao Poder.

São totalitários.

Michiko Kakutani, prêmio Pulitzer de 1998, crítica literária do “The New York Times”, por mais de quarenta anos, em A Morte da Verdade (Notas Sobre a Mentira na Era Trump), conta que Steve Bannon, estrategista e conselheiro de Trump, certa vez descreveu a si mesmo como um “leninista”.

O mesmo Bannon, ainda segundo Kakutani, teria dito o seguinte: “Lênin queria destruir o Estado, e esse também é o meu objetivo. Quero acabar com tudo e destruir todo o establishment de hoje em dia.”

Lênin deve estar rindo muito em alguma das grelhas do inferno, apesar das dores.

Ele é o patrono dessa maré de pós-verdade que se tornou praticamente hegemônica nos dias atuais, calcada no uso da retórica violenta, incendiária, em promessas simplórias e desconstrução da verdade, tudo potencializado pela internet.

O fundador da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) explicou, certa vez, que sua retórica era calculada para provocar o ódio, a aversão e o desprezo, não para convencer, mas para desmobilizar o adversário, não para corrigir o erro do inimigo, mas para destruí-lo.

Quem quiser ler um pouco mais, está em “Report to the Fifth Congresso of the R.S.D.L.P. on the St. Petersburg Split of the Party Tribunal Ensuing Therefrom”, segundo Kakutani.

Pois é.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN

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  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 16/09/2018 - 12:09h

Ciro Gomes. Por quê?

Por François Silvestre

Porque é cristalina a opção. Esse maniqueísmo infantil, de adolescência política, entre petismo e anti-petismo já esgarçou por demais a estopa da nossa realidade político-administrativa. Chega.

O petismo teve sua chance, seu tempo, sua superação. O anti-petismo não é a negação do petismo. É a tentativa de ressuscitar, em nome desse antagonismo, uma excrescência histórica que produziu a Ditadura mais cruel da nossa História, fazendo do Estado Novo um arremedo pífio da violência e da barbárie.

O PT adotou, no exercício do poder, o pragmatismo mais escrachado aliando-se com o que havia de pior na vida empresarial do Brasil. Não se pode brigar com os fatos.

Esmola para os pobres e dinheiro franco para os corruptos. Banqueiros e “empresários” bem sucedidos à custa do dinheiro público.

O outro lado, da pilantragem de direita, usa essa realidade para prometer “coisa melhor”. Cretinice de semelhantes da corrupção e piores de caráter político.

Bolsonaro é apenas um instrumento dessa corriola de fascistas que se esconde sem mostrar a cara ensebada, por covardia e falso pudor, para retomar o projeto de atraso político, preconceito de costumes e repressão da liberdade.

O candidato do PT nem sabe onde fica o Raso da Catarina, no sertão da Bahia. Um neófito de Brasil. Um rapaz ilustrado de informações inúteis.

Há um candidato ideal? Não.

Há um candidato viável, para o possível papel de transição. Esse candidato é Ciro Gomes.

Não se filia ao pragmatismo arrependido do PT, que agora promete voltar ao estuário do projeto original abandonado, nem se alia à escrotice da direita escorraçada nas urnas e ávida para transformar em pior o que já está ruim.

Fizeram isso com Temer, aqui.

Com Macri, na Argentina.

Com Trump, nos Estados Unidos.

Não existe direita ou esquerda. Existe dignidade ou indignidade humana.

E Ciro Gomes é, ao meu ver, a dignidade possível contra a indignidade que tenta se estabelecer.

Votar em quem corre o risco perder para a indignidade, mesmo sendo digno, é votar contra a Democracia.

François Silvestre é escritor

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domingo - 26/08/2018 - 04:02h

Os capitães na política

Por Paulo Linhares

A palavra capitão é derivada da palavra “caput”, do latim, que significa “cabeça”. Na linguagem erudita dos historiadores era comum dizer que “Aníbal foi o grande capitão de Cartago, herói da guerra contra Roma” ou “ Alexandre, o grande capitão dos exércitos macedônios”. Nesses casos, sempre para enaltecer as qualidades guerreiras  de certos chefes militares que tiveram papéis relevantes na História.

Outras acepções de “capitão” não interessam aqui, a não ser a que se refere ao posto presente em muitas organizações militares e que designa, na maioria dos exércitos do mundo, ou um categoria de oficiais subalternos ou, na melhor hipótese, de oficiais intermediários, que comandam  companhias de soldados.

Nessa condição de intermediar ações entre a oficialidade superior e estamentos inferiores nas organizações militares, os capitães se fazem essenciais na execução de operações militares a ponto de assumirem papel até mais destacado que oficiais que exercem postos superiores.

Por isto é que na História do Brasil tem ocorrido participações de capitães do Exército em destacadas aparições no cenário da política nacional. No passado, a presença do capitão Luiz Carlos Prestes a comandar o movimento conhecido como Coluna Prestes, na década de 1920.

Aliás, não é demasiado recordar que o cooptado pelo Estado brasileiro para combater a Coluna Prestes, o bandoleiro Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, em 12 de março de 1926,  recebeu a patente de ‘capitão’ do Exército Patriótico das mãos de Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, Ceará, além de fartas provisões em armas e munições. Lampião deixou de  cumprir o combinado e não enfrentou a Coluna Prestes, embora tenha envergado essa estranha patente de capitão até sua morte em 1938, na Fazenda Angicos, no sertão de Sergipe.

Mais recentemente, ocorreu a dissensão do capitão Carlos Lamarca que se tornou líder de uma das organizações de esquerda que se confrontou militarmente com o aparato repressivo da ditadura militar e, na década de 1970, foi morto melancolicamente no interior da Bahia. Reverenciado no campo das esquerdas brasileiras, todavia, até hoje sua memória é alvo da execração máxima de “traidor” por membros das Forças Armadas deste país.

Nos dias que correm, igualmente ganhou notoriedade, embora no campo oposto do espectro político-ideológico com relação a Prestes e Lamarca, o capitão-deputado federal Jair Messias Bolsonaro, de quem o insuspeito “The Economist”, em matéria recentemente publicada, fala cobras e lagartos, e o  classifica como incapaz de encabeçar um novo governo brasileiro após a eleição presidencial de 2018.

Certo é que Bolsonaro, capitão da reserva do Exército,  tenta incorporar a descrença nos políticos e na política como expressão das forças armadas brasileiras. Claro, a despeito de colecionar entusiasmados apoios em  meios castrenses, inclusive, para trazer um general como seu vice, não representa as Forças Armadas em sua postulação.

No entanto, nem a passagem e tampouco a saída de Bolsonaro do Exército podem ser todas como exemplares:  segundo noticiou a Folha de São Paulo, com base em documentos obtidos junto ao Superior Tribunal Militar (STM), o deputado Jair Bolsonaro admitiu, em 1987, ter cometido atos de insubordinação e deslealdade com seu superiores hierárquicos.

Uma das atitude de Bolsonaro foi planejar, juntamente com mais quatro colegas, a explosão de bombas-relógio em unidades militares do Rio de Janeiro, e, protesto às condições remuneratórias dos militares. Enfim, típico ato que noutros tempos outra denominação não mereceria que não a de “terrorismo”.

Sem saída, Bolsonaro literalmente “negociou” a sua passagem para a reserva do Exército, quando resolveu abraçar uma carreira política que, décadas após, mostrou-se um palpita acertado: cumpre o seu sétimo mandato de deputado federal eleito pelo Partido Progressista, o mais corruptos dos partidos envolvidos na Operação Lava Jato, o que não ao deixa de ser mais um dos seus cruciais paradoxos.

O papel que Bolsonaro irá desempenhar ainda é impreciso; embora conte com a simpatia de militares de todas as extrações, certo é que ele não estará como representante das Forças Armadas na corrida presidencial, segundo declarações incisivas de lideranças que comandam essas forças, a exemplo do general Villas Boas, do Exército Brasileiro.

A atuação política de  Prestes, mesmo após o fim da Coluna que levava o seu nome, teve grande importância na política brasileira, mormente quando se tornou o principal líder da esquerda, no comando do Partido Comunista brasileiro, nas décadas   seguintes à de 1920. Com o fim da ditadura do Estado Novo, Luiz Carlos Prestes foi eleito senador pelo Distrito Federal e como tal atuou na Constituinte  de 1946 e liderou o Partido Comunista do Brasil, posto este na ilegalidade em 1947, nas décadas seguintes.

Anistiado  na década de 1980, com o fim da ditadura militar, encerrou uma vigorosa presença na cena política que perdurou por seis décadas. O capitão Carlos Lamarca sucumbiu no confronto armado contra seus antigos companheiros de farda e adquiriu a condição de anti-herói execrado na História escrita pelos vencedores de 1964.

Assim, é paradoxal que, três décadas depois, em pleno chão democrático, registre-se o surgimento da figura do capitão Jair Bolsonaro na cena política brasileira, como representante de uma pauta política conservadora radical que cresce nos espaços aberto pelo fracasso das forças políticas de centro e da esquerda,  dos governos tucanos e petistas, sobretudo,  após virem a público graves revelações de envolvimentos de partidos e lideranças políticas com práticas de corrupção no seio da Administração Pública federal.

Os capitães, investidos na pele de típicos xerifes, mexem com o imaginário político das massas: encarnam a figura da ‘autoridade’ que dita os padrões de comportamento que emanam da Casa-Grande, embora Prestes, Lampião e Lamarca claramente tenha seguido o caminho inverso, o da Senzala. Por isto, Bolsonaro parece representar o que há de mais reacionário no atual espectro político brasileiro que vai do exacerbado e démodé anticomunismo às posturas conservadoras tocantes às relações familiares e de gênero, ademais do racismo e da intolerância política antidemocrática. É esse o ‘capital’ que dá impulso à sua ação política e que pode colocá-lo como inquilino do Palácio do Planalto, pelos próximos quatro anos. Lamentável, mas, verdadeiro.

Afinal, foi o desencanto com a política e políticos que entronizou recentemente o capitão de empresas Donald Trump na presidência dos Estados Unidos da América, cuja atuação tem sido um pesadelo para o seu país e para o mundo. Por aqui, resta saber o que soberanamente decidirá o povo brasileiro nas urnas de outubro de 2018.

Bolsonaro, a versão tupiniquim de Trump, está bem posicionado nesse jogo, embora não seja nem um arremedo daquele que, a despeito de tudo tem alcançado ganhos na política econômica dos EUA, inclusive, com a recuperação de milhares de empregos para os norte-americanos. Tramp cisma e realiza, aprove-se ou não dos seus gestos e métodos caricatos.

Assim, resta torcer para que, pesadas e medidas todas as circunstâncias, não precise este Brasil de mais capitães para abraçar e vencer os desafios que a adversa conjuntura lhe impõe. Seguirá o seu destino manifesto. No chão da democracia, da modernidade e dos costumes republicanos. Vencerá.

Paulo Linhares é professor e advogado

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Categoria(s): Artigo
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quarta-feira - 20/06/2018 - 09:36h
Opinião

O fascismo “tendencioso”

Por François Silvestre

O sofisma é uma artimanha retórica de clássica escola grega. A modernidade aproveitou-se do método para deformá-lo e usá-lo em proveito de interesses políticos e escusos.

Sem escrúpulos. Em todas as direções da Rosa dos Ventos.

Trump e Jong-Un: agora, amigos (Foto: Web)

Veja um caso concreto.

Donaldo Trump, que dorme e acorda pensando em Barack Obama, declarou ser prejudicial à democracia americana uma aproximação com a ditadura cubana. Pelo perigo de Cuba? Não. Por ter sido uma decisão de Obama.

Mais recentemente, o mesmo Trump resolveu aproximar-se da ditadura coreana, chamando o ditador da Coreia de “jovem talentoso”.

A ditadura da Coreia do Norte é mais humana e “democrática” do que a cubana? Não. É muito pior.

Mas Obama falara muito mal de Kim Jong-un.

Foi a deixa para Trump amar a Coreia do Norte e odiar Cuba.

Qual a palavra que melhor alcança a definição desse procedimento? Fascismo. E o método? Sofisma.

Não existe cultura inútil, posto que inútil é a ignorância.

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quarta-feira - 24/05/2017 - 09:24h
Reflexão

Esquerda e direita

Por François Silvestre

A Esquerda é o abrigo solidário e generoso da política. A Direita é o estuário da realização pessoal, do sucesso financeiro.

Que símbolos humanos no mundo de hoje expõem essa diferença?

Fácil.

O Papa Francisco é a Esquerda. Donald Trump é a Direita.

A Esquerda prioriza a dignidade humana dos desvalidos, hipossuficientes. Protege ou defende a Natureza. Põe a solidariedade acima da ganância.

A Direita defende a riqueza individual, o controle da produção pelos mais espertos ou mais eficientes. A Natureza é secundária e pode ser agredida, desde que sirva aos propósitos do progresso financeiro.

Essa é a diferença do azimute.

Você pergunta: E os corruptos, onde ficam?

Em nenhum dos lados.

O corrupto não é de esquerda nem de direita. A Rosa dos Ventos do corrupto é ele mesmo.

O corrupto não é apenas nojento, é profundamente imbecil. Porque nega aos outros o que ele também não terá. Não terá fortuna nem sossego.

O corrupto é sósia do terrorista.

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segunda-feira - 30/01/2017 - 19:28h
Trump

Apenas presidente dos EUA

Em breve espaço de tempo, Donald Trump vai descobrir que não está no Brasil, onde tudo é possível e tudo pode.

Ele é apenas presidente dos Estados Unidos da América.

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Categoria(s): Opinião da Coluna do Herzog
domingo - 22/01/2017 - 11:32h

Crise prisional atesta incapacidade do Governo Robinson

Por Carlos Duarte

A rebelião e o massacre de presos no presídio de Alcaçuz sãoa expressão mais nítida de que o governo Robinson Faria (PSD) não tem musculatura suficiente para enfrentamento de crises ou sequer para fazer funcionar, minimamente, o básico da gestão pública do Estado – o que já é recorrente.

Presos em Alcaçuz são donos do 'pedaço' e estabelecem espaços também fora, onde o governo manda menos ainda (Foto: O Globo)

Entretanto, o mais preocupante é que as últimas notícias, que tomam conta do noticiário nacional, revelam que o governo do RN negociou concessões com a facção criminosa PCC, na tentativa de retomar o comando de Alcaçuz. Apesar dos desmentidos, não convincentes, do governador.

Caso essa ilação venha a ser confirmada, a população do RN estará diante de uma gravíssima situação de consequências nefastas imprevisíveis. Nada justifica uma atitude como essa, a não ser a total falta de discernimento de um governo sem rumo, sem projetos, sem planejamentos e principalmente sem escrúpulos.

PESSOAS DE BEM não negociam com bandidos ou facções. Isso é crime passível de penalidades, todos sabem. Da mesma forma, o Estado que negocia com facções criminosas se iguala aos celerados, o que é pior: de modo covarde e sujeito à submissão. Na prática, isso significa a renúncia tácita do próprio poder constituído e a ascensão do poder paralelo.

O Estado tem que se impor, de forma enérgica e urgente, com logística eficaz de combate e com ações de inteligências integradas, ao rigor da lei, diante de facções criminosas, sanguinárias, de altíssima periculosidade, como as que ora dominam Alcaçuz. Essa é a resposta que toda população norte-rio-grandense esperava do governador da (in)segurança, Robinson Faria; e, não, o mero loteamento territorial do presídio – delimitado por containers ou muros, como querem – e o governo faz – as facções.

Tais medidas paliativas não irão resolver os problemas, muito ao contrario, irão potencializar as forças das facções, cujas ações criminosas certamente serão transponíveis aos muros dos presídios, com impacto, ainda mais violento, no cotidiano da sociedade potiguar – que, na realidade, já convive com a gestação de uma verdadeira guerra civil.

Seria mais honesto e honroso, para o governador Robinson Faria, diante da evidente incapacidade de gerenciamento e fracasso de seu governo, “pedir ajuda aos universitários” ou pedir para sair. Ainda assim, deixará sua marca indelével de má gestão pública no RN.

Por sua vez, sem omissão, é prudente que os demais poderes constituídos tomem as medidas legais cabíveis que lhes competem, na tentativa de reverterem o caos administrativo ora instalado no Rio Grande do Norte.

Pobre RN Sem Sorte!

SECOS & MOLHADOS

Reposição – O governo Rosalba Ciarlini começa a admitir os cargos comissionados de segundo escalão que irão compor sua equipe de governo. Isso já era esperado e é necessário. Até agora, já nomeou 75 servidores comissionados. Ainda está dentro do limite de corte “em até 50%”, anunciado pela prefeita como medida de redução de custos. Compreensível e aceitável.

Fragilidade – O Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Gilberto Jales, aponta que 70% do Plano Plurianual do Estado não foram executados. Faz críticas à falta de planejamento de todo o Estado do RN, diz que há fragilidades dos instrumentos de planejamento e que a votação do orçamento é algo que sempre ocorre de forma relativamente rápida.

Falência – A penitenciária de Alcaçuz está sob o controle dos presos desde março de 2015, quando os detentos arrancaram as portas das celas e passaram a circular livremente dentro dos pavilhões. Na oportunidade, foi decretado o estado de emergência do sistema prisional do Estado. Mesmo com o caos instalado, o governo Robinson Faria não abriu nenhuma vaga para presos no Estado. Recebeu 7,3 milhões do governo federal para recuperação de Alcaçuz – dinheiro jogado no ralo, com a destruição da rebelião de outubro de 2016. Atualmente, o presídio conta, apenas, com sete agentes de segurança para cerca de 1.140 presos. É o símbolo da falência do sistema prisional do RN.

Atraso – O ministro Gilmar Mendes, que preside o TSE, já havia informado que pretendia usar a delação da Odebrecht no julgamento das contas da chapa Dilma-Temer – que venceu as eleições de 2014. Com a morte do ministro do STF, Teori Zavascki, a inclusão desse material fica adiada. Devem atrasar os julgamentos dos processos contra Lula, que estão com juiz Sérgio Moro – que pretende também acrescentar as acusações da delação. O efeito cascata vai atrasar quase tudo da operação Lava jato.

Imaginário – A morte do ministro do STF, Teori Zavascki, é cercada de coincidências e algumas suspeitas, embora esteja praticamente descartada a ideia de atentado ou sabotagem. Casos como Celso Daniel, Toninho do PT e Eduardo Campos têm circunstâncias misteriosas que continuam no imaginário da população brasileira. Mas, é bom anotar: esse pessoal investigado não tem nada de amador.

Trump: economia é chave da questão (Foto: web)

Incerteza – Em relação ao Brasil, o governo Trump ainda é dominado por incertezas. Sob a ótica da política protecionista, há riscos claros para o Brasil, mas há o alento de que o País não consta na lista de desafetos do presidente americano. Por outro lado, Trump mostra-se propenso a negociar acordos bilaterais justos, que tragam empregos e indústrias de volta aos EUA. Isso poderá abrir possibilidades para o Brasil. Porém, se houver tendência de viés de alta dos juros nos EUA, isso afetará toda a política de atração de investimentos para o Brasil. Os EUA são o nosso segundo maior parceiro, atrás da China, com comercio bilateral de US$ 46 bilhões, em 2016.

Homicídios – Nos primeiros 21 dias, deste ano de 2017, foram contabilizados 14 homicídios em Mossoró. Caminhamos a passos largos para bater o recorde do ano passado. É o reflexo do abandono da Segurança Pública do Estado do RN. Sem repressão ostensiva e sem funcionamento dos equipamentos de segurança, “os mano” estão à vontade e com espaço para aturem, sem serem incomodados. O cidadão, entregue à própria, que se cuide. Que Deus nos proteja!

Veja AQUI a coluna anterior.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

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domingo - 22/01/2017 - 08:34h

Mundo às avessas; desfaçatez às escancaras

Por Marcos Pinto

Lemos   o  mundo  às  avessas   e  queixamo-nos  de  não  compreender“. (Tagore).

O  ordenamento  factual  dos  últimos  anos  tem  sido   prolífico  em  desmontar   a  concretude  e  as  certezas  de  várias  ciências, impondo-nos  um  perfil   degringolante.   A  empáfia   arrogante   de   poderosos   detentores   das  maiores   riquezas  do  mundo   projetou-os , levando-os   a ascensão   e   ao  comando  das   superpotências, como  é  o  caso  do  fenômeno   Donald    Trump,  nos  Estados   Unidos.  Arremessam o   presente  ao   redemoinho   sísmico   do   imponderável   e  do    imprevisível.

Configurase  um   tétrico  e  desmotivante   quadro  de  um    mundo  onde  a  maioria   dos  fatos   que   impulsionam    o  cotidiano   apresentam-se   às   avessas,  insuflado   por  detentores   de  sórdida   desfaçatez    destilada   às   escâncaras.    A  dignidade    e  a   honra  são   violentamente    relegadas    a    segundo   plano.

Os   valores    cristãos  são  vistos  como  coisa  corriqueira, corrente,   efêmero,passante,em  trânsito    –  aquilo   que  não  apenas   se  vai,  mas que  não  esgota   o    destino.    Há  um  lampejo  de  sorte   que  ainda    nos   deparamos   com   espasmos  de  amplos  sentimentos  de dignidade,  sustentando  o   tom  da  composição   diuturna.

Somos  a  maioria   assustada  com   o   futuro,  sem  o  alento  da    perspectiva  da  chegada  da   velhice   desassistida   em  direitos,  e violentada com  a  nova  proposta  de  reforma  da  previdência  social.  O  que  mais  nos  espanta  é  o    silêncio  cúmplice  da  classe   política, que  não apresenta  o  mínimo  interesse  para  a  imprescindível   adoção  de  estratégias  que  levem  a  saída   da  crise.

A  situação  agrava-se  com  o  desvirtuamento  da   fé, através  de  algumas  igrejas  ditas   protestantes, em  que   Jesus  Cristo  é   vendido   como mercadoria  e   à  prestação.  Pastores   já  mudaram  até  o  nome  referencial   para  apóstolos.   Passam  para  a  plebe  ignara  uma  sensação   poderosa  no  manejo  da   palavra,  imprimindo  surpreendente  dinâmica  a  informações  de  fatos  corriqueiros,  ligando-os  e  comparando-os  a  eventos   bíblicos.

Transmitem  a  certeza  fantasiosa  de  um  lugar  no   paraíso,  verbalizando   a   sugestão  das  contingências   aos  fatos  elencados.

Dia-à dia   aumenta  o  número  de  hipócritas   e  farsantes, a  transitar  lépidos  e   fagueiros  em  todos  os  segmentos  sociais, cujas  descrições factuais  são  de  uma  nitidez, de  um  gosto  pelo   detalhe, que  o  interlocutor  fica  realmente   a  ver  tanto  o   cenário  quanto  a  ação, como coisas  vivas, realizáveis.

As  experiências  e  a  extração  das  lições   dos  acontecimentos  pretéritos   são  sedimentados  por  uma  amnésia   dominante.  O esquecimento  torna-se  um  bálsamo  para  os  fracassos, as  mais  dolorosas   culpas e  até  mesmo  para   crimes.  Mesmo  sob  o   impacto  de acontecimentos   recorrentemente  terríveis  e  horripilantes, veiculados  nos  programas   policias  radiofônicos   e  televisivos, firmam  uma visão  progressiva  e  otimista  de  um  final promissor  como  habitante  da   Corte   divina.

Esse  premeditado   e   infundado  otimismo  faz  com  que  as  pessoas  vejam  as   tragédias   dos  outros  em  lances   remotos,  mas  não  vêem   aquelas  que  estão  diante  delas  próprias.

De  nada  adiantará   procurarmos  válvulas   de  escape   para  nossas  atitudes   amnésicas.   Quando  vivemos  tempos  de  relativa tranquilidade,  esquecemos   das   artimanhas  do  ter  e  do  possuir.  Nunca  devemos  olvidar  da  insubsistência  das  posições  almejadas  e conquistadas,  da  mudança  de  rumo  dos  ventos  e  dos  tempos.

A  ambição  e  o  egocentrismo  empurraram   a  prudência   para  o   plano  do  esquecimento,  do  desprezo   voluntarioso.

O  incauto   materialista   dialético   sabe  da  importância  da  convocação  da  prudência  para  antever  os  riscos  do  futuro.  Nesse   dolente caminhar  surgem  rios   revoltosos  e  destrutivos,   animados pelas devastadoras ondas do imprevisto, pelo   acaso  e  pelo  contingenciamento letal  das  minudências.

Longe   de  mim  a  pretensão  de  ser  detentor  da  capacidade  de  resolução  de  fatos  e  atos   arrebatadores.

Inté.

Marcos Pinto é escritor e advogado

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quinta-feira - 17/11/2016 - 16:42h
Lá como cá!

A arte de ter razão na campanha dos EUA

Donald Trump, pelo visto, usou o paroxismo da dialética erística (a arte de ter razão a qualquer custo) para vencer as eleições nos EUA.

Depois das urnas vitoriosas… o lero é outro.

Nem tudo que ele disse – e prometeu – precisa ser levado a sério.

O imprescindível era vencer.

Feio era perder!

Lá, como cá, tudo muito parecido!

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quarta-feira - 09/11/2016 - 08:54h
Eleições

Trump é eleito para presidir os Estados Unidos da América

Do UOL

Bilionário, famoso e polêmico ainda eram adjetivos insuficientes para o empresário Donald Trump, 70, que agora também tem no currículo o título de presidente dos Estados Unidos.

Dono de um império imobiliário, cassinos e campos de golfe, o magnata vai se apoderar, em 20 de janeiro de 2017, da cadeira mais importante de seu país.

Embora as pesquisas de intenção de voto indicassem o contrário, Trump venceu a candidata democrata, a ex-secretária de Estado e ex-primeira-dama Hillary Clinton, conquistando ao menos 276 dos 538 votos do Colégio Eleitoral em contagem parcial dos votos pela Associated Press às 5h35 (horário de Brasília) desta quarta-feira (9).

Hillary obteve 218 votos nessa contagem e, apesar de aparecer com pequena vantagem nas pesquisas de intenção de voto, perdeu Estados importantes, como a Flórida, Ohio e a Carolina do Norte.

Saiba mais AQUI.

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Categoria(s): Política
terça-feira - 08/11/2016 - 23:56h
Eleições nos EUA

O pensamento do americano médio está com Trump

EUA caminham para dar vitória a Donald Trump à sucessão do presidente Barack Obama, nesse momento.

O jeito histriônico e postura tonitruante do multibilionário Trump lembra Theodore Roosevelt, que no início do século passado era presidente dos Estados Unidos.

Trump: a cara dos EUA (Foto: Web)

Sua política era resumida numa frase:

– “Fale baixinho, mas com um porrete na mão”.

A surpresa numa eventual vitória de Trump vem, principalmente, da compreensão equivocada sobre valores políticos na América e o poder comunal de sua sociedade.

Vitória normal, caso se confirme.

É preciso entender o pensamento do americano médio, um pouco de história e enxergar os EUA com olhar desse americano e, não como estrangeiro, para não engolir mosca nessa disputa eleitoral.

O que nos interessa daqui de fora, não é a prioridade do ianque. Não é senso comum por lá.

Aguardemos o resultado final.

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Categoria(s): Opinião da Coluna do Herzog / Política
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