“A memória guardará o que valer a pena. A memória sabe de mim mais que eu; e ela não perde o que merece ser salvo.”
Eduardo Galeano
Jornalismo com Opinião
“A memória guardará o que valer a pena. A memória sabe de mim mais que eu; e ela não perde o que merece ser salvo.”
Eduardo Galeano
“Vivemos em plena cultura da aparência: o contrato de casamento importa mais que o amor, o funeral mais que o morto, as roupas mais do que o corpo e a missa mais do que Deus.”
Eduardo Galeano
Por Cesar Amorim
Nesse 7 de setembro a agenda nacional, as redes sociais e os veículos de comunicação esbanjam “patriotismo”, é o multiproclamado Dia da Independência do Brasil. Foi o que vi, o que acompanhei, com olhos no passado, em nossa história real.
Diante desse quadro, o momento é oportuno para repensarmos História como de fato ela aconteceu e acontece. Não a história feita para agradar “príncipes e reis”, a história (ou estória) encomendada, que transforma heróis em traidores e traidores em heróis. Falo da história real e desnudada.
Não sou contrário à comemoração deste dia. É preciso relembrar, no entanto, não com tanto entusiasmo e de modo reflexivo.
Diria que, no mínimo, é preciso ter consciência do contexto e dos fatos que levaram à “Independência” do Brasil, bem como do pós-independência, para que possamos olhar para as nuances do passado e projetar o futuro. Afinal, a história é um profeta com o olhar voltado para trás, como bem disse o escritor uruguaio Eduardo Galeano.
É preciso compreender que em 7 de setembro de 1822 o Brasil deixava de ser uma colônia de Portugal e passava a ser uma Monarquia (a única na América do Sul), diferentemente das outras colônias espanholas que declaravam independência e proclamavam Repúblicas.
No Brasil pós-independência, a escravidão e o latifúndio permaneciam como base econômica que sustentava um território completamente dominado pelas elites aristocráticas.
A estrutura do sistema econômico continuou basicamente igual, ou seja, os privilégios de uma minoria não cessaram. Nada ou, quase nada mudou. Fato!
Não bastasse, quando Dom João VI voltou para Portugal, levou no porão do seu navio todo o montante financeiro que havia nos cofres do Banco do Brasil, deixando, sem nada as pessoas que tinham recursos guardados no Banco.
Como garantia do seu domínio e com a intenção de recolonizar posteriormente a “terra brasilis”, D. João VI deixou o Brasil sob o poder do seu filho, Pedro de Alcântara (Dom Pedro I).
A partir daí, sem reservas e sem nada, com apenas uma independência que saiu de um grito fingido, tivemos que inaugurar aquilo que ficou conhecido como “dívida externa”, tendo em vista que para Portugal “reconhecer” nossa independência, fez-se necessário ser pago a cifra “simbólica” 2 milhões de libras esterlinas (uma média de 9 milhões de reais) a título de indenização.
Tal fato nos custou um empréstimo junto aos banqueiros ingleses. Desse modo, deixamos de ser Colônia de Portugal e passamos à súditos econômicos da metrópole comercial inglesa, que era a grande potência econômica da época.
Portanto, em verdade, o trecho “o sol da liberdade, em raios fúlgidos, brilhou no céu da pátria nesse instante” do hino nacional, não retrata bem a realidade e o contexto histórico.
Não bastasse isso, o conhecido quadro de Dom Pedro I as margens do Rio do Ipiranga não é o que de fato ocorreu. Para quem não sabe, essa pintura foi feita sob encomenda, em 1888 (66 anos após a independência ser proclamada), ao pintor Pedro Américo, pelo filho de Dom Pedro I, o então imperador Dom Pedro II, retratando um ato heroico que jamais existiu.
O quadro retrata uma grande comitiva, no entanto, existiam ali cerca de 14 pessoas, que sequer estavam vestidas com aqueles uniformes de gala. Tampouco D. Pedro I montava um imponente cavalo, e sim uma mula (uma burra, nome dado ao cruzamento entre um jumento com uma égua ou vice versa). Ele voltava de uma viagem do litoral para São Paulo, sendo que as mulas eram os animais utilizado na época para grandes deslocamentos.
Hoje, só temos certeza de uma coisa: a terra é adorada, amada e idolatrada por nós, bem como pelos visíveis exploradores. Contudo, na hora do “… Salve! Salve!”, ninguém quer salvar o Brasil.
Uma coisa haveremos de aplaudir: O Brasil ainda é o “gigante pela própria natureza”. Com as suas riquezas naturais, com a sua extensão territorial e sua grande diversidade étnica e cultural.
Viva um Brasil para brasileiros!
Cesar Amorim é advogado e um amante da história
Por Marleide Cunha
Existe um consenso universal: a educação é a chave para o desenvolvimento humano e sem professores(as) a humanidade se desumaniza e a barbárie se instala silenciosamente. A bandeira em defesa da educação é empunhada com fervor nos discursos políticos.
Mas não precisa ser expert em “politicologia” para testemunhar o que diz Eduardo Galeano: “Em regra – está comprovado – o que mais rende voto é o teatro, o desempenho nos palanques, a máscara bem escolhida”.
Aqui em Mossoró, a máscara caiu em 2019. Na gestão pública municipal, os discursos valorizam a educação, enquanto os fatos injuriam e desrespeitam os(as) professores(as).
Os políticos que juram, com a mão no peito, que uma boa educação não tem preço, costumam ser os mesmos que depois diminuem seu valor para economizar algumas moedas. E muitos que clamam, salvem os(as) professores!, como clama o capitão do navio: primeiro mulheres e crianças!, eles são os primeiros a afogarem os mesmos professores(as).
E os que anunciam que expulsarão os ladrões que roubam o direito a educação, costumam ser os mesmos que roubam até a merenda escolar.
Nunca, na história da educação de Mossoró, professores(as) foram tão perseguidos(as), tão humilhados(as), tão desrespeitados(as), quanto o foram em 2019 pela gestão Rosalba Ciarlini (PP).
Porém, a gestão perdeu: eles e elas não lhe entregaram a dignidade e a obediência! A história não perdoará uma gestão pública ofensora da educação e lembrará da resistência dos(as) professores (as) que não se intimidaram.
Lutar contra os ofensores da educação é um dever irrecusável de todo(a) professor(a) e não apenas um direito.
Sigamos os ensinamentos do mestre Paulo Freire: “A minha resposta à ofensa à educação é a luta política consciente, crítica e organizada contra os ofensores.”
Marleide Cunha é presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (SINDISERPUM)
“Até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caçadas continuarão glorificando o caçador.”
Eduardo Galeano
O grupo de teatro natalense Clowns de Shakespeare teve apresentações canceladas em Recife-PE. Através de nota oficial em redes sociais, a companhia informou o caso, sem maiores detalhes. A versão corrente é de que ocorreu censura ao espetáculo infantil que encenam.
Em mensagem com letras garrafais e fundo preto, o Clowns assinalou: “Informamos que, assim como aconteceu na segunda sessão desse sábado (7), as apresentações de Abrazo que seriam realizadas neste domingo (8), na Caixa Cultural de Recife, foram canceladas por determinação da Caixa“.
O espetáculo teria oito apresentações no total, sempre com duas sessões aos sábados e mais duas sessões aos domingos também. Seria nos finais de semana, de 7 a 15 deste mês, oferecendo ainda a oficina “O ator em composição”, voltada para atores, performers, bailarinos e demais interessados.
Livro dos Abraços
Todas as sessões contariam com recurso de audiodescrição para cegos, além de visita táctil dos elementos de cenário e figurino.
Abrazo é uma versão inspirada no “Livro dos Abraços” do jornalista e escritor uruguaio (in memoriam) Eduardo Galeano, com três atores em cena: Camille Carvalho, Paula Queiroz e Dudu Galvão.
Usa de uma linguagem lúdica e mímicas para falar sobre guerras, repressões e o ser humano em convivência social.
A peça tem apoio cultural da Caixa Econômica Federal (CEF).
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O Serviço Social do Comércio (SESC) tem uma programação especial para o mossoroense nesse feriado estadual de 3 de outubro. Será o espetáculo “Abrazo”, do Grupo Clowns de Shakespeare (de Natal), dentro do projeto Palco Giratório.
Será às 17h no Teatro Municipal Dix-huit Rosado. Entrada com acesso garantido com 1kg de alimento não perecível.
Abrazo é uma obra voltada para o público infanto-juvenil, que pode ser assistido por crianças e adultos de todas as idades.
Num lugar em que não é permitido abraçar, personagens atravessam um quadrado contando histórias de encontros, despedidas, opressão, exílio e, porque não, de afeto e liberdade.
O espetáculo feito sem a palavra oral, conta com uma trilha sonora especialmente composta para a cena e com o vídeo de animação para narrar essa aventura inspirada em “O Livro dos Abraços”, de Eduardo Galeano.
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“Quando as palavras não são tão dignas quanto o silêncio, é melhor calar e esperar.”
Eduardo Galeano
O escritor uruguaio Eduardo Galeano morreu aos 74 anos em Montevidéu, nesta segunda-feira (13), segundo o site do jornal “El País”. Galeano estava internado em um hospital na capital uruguaia desde sexta-feira (10) devido a complicações de um câncer de pulmão.
Nascido em Montevidéu no dia 3 de setembro de 1940, Eduardo Galeano começou muito jovem no jornalismo e nos mais variados gêneros literários como o ensaio, a poesia e a narrativa. Ensaísta, historiador e ficcionista, publicou mais de 30 livros, quase todos traduzidos no Brasil. Ele é autor da obra “As veias abertas da América Latina”, em que denunciou a opressão e amargura do continente e que foi traduzido para dezenas de idiomas.

Em junho de 1999, Eduardo Galeano fala à imprensa em visita a Havana, em Cuba (Foto: Niurka Barroso/AFP/Arquivo)
Em sua cidade natal, foi chefe de redação do semanário “Marcha”, na década de 1960, e diretor do jornal “Época”. Aos 14 anos, Galeano já vendia suas primeiras charges políticas para jornais uruguaios como El Sol, do Partido Socialista.
Durante o golpe militar no Uruguai, em 1973, Galeano foi preso. Para fugir da cadeia, exila-se na Argentina. No país vizinho, chegou a lançar o livro “Crisis”, mas não teve vida fácil. Em 1976, outro golpe militar, dessa vez liderado pelo general Jorge Videla, coloca novamente sua vida em risco.
O nome do escritor vai parar na lista dos esquadrões da morte, que executavam opositores ao regime. Para salvar sua vida, ele se refugia na Espanha. Ele só voltaria ao Uruguai em 1985, quando ocorre a redemocratização. Após o retorno, viveu em Montividéu até morrer.
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“Um amigo de verdade é aquele que nos critica na nossa frente e nos elogia na nossas costas.”
Eduardo Galeano
”Uns não dormem por causa da ânsia de ter o que não têm, outros não dormem por causa do pânico de perder o que têm.”
Eduardo Galeano


