quinta-feira - 16/06/2011 - 23:21h
Voz cidadã

Denunciante reforça perfil de abandono da saúde em Mossoró

Caro Carlos Santos, e demais participantes do debate sobre a denúncia que fiz sobre a falta de atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Liberdade II, em Mossoró (AQUI):

Achei por demais salutar o confronto de ideias, posturas, afirmações e revelações. Sobre as declarações da odontóloga Emiliana Cavalcanti, elas talvez atendam ao meu desejo de dialética enquanto cidadão, mas não satisfazem às minhas necessidades enquanto usuário do Sistema Único de Saúde (SUS).

Nunca fui leviano em quaisquer das atividades que exerci ou exerço, seja como professor, jornalista ou estudante. Jamais incorreria na estultice de tentar induzir um profissional sério como Carlos Santos a erro.

Aliás, seria burrice de minha parte achar que isso seria possível.

Não quis atingir imagem de ninguém (atualmente, infelizmente, vem se criando uma indústria do dano moral, em que tudo é pretexto para se buscar indenização no pretório, embora, ressalte-se, entenda eu que todos devem buscar da melhor forma e da maneira que mais lhe compraz, a reparação ao direito pessoal/patrimonial/moral que julga ter sido ferido).

Mas atentemos: que direito foi desrespeitado do cidadão que, por pelo menos 4 vezes, procurou aquela unidade de saúde e se deparou com o cartaz avisando que não teve/teria fichas a serem distribuídas? Mais: que mecanismos há para controlar/verificar/atestar que um médico que deixou a unidade de saúde sob a alegativa de atender um paciente na casa deste está mesmo nesse atendimento?

Não abro mão do princípio da presunção da inocência nem para quem acho indigno dela, mas como alguns médicos estão sempre trabalhando e a população está sempre sem atendimento, há no mínimo uma conta que não fecha.

Como disse, não foram poucas as vezes em que é exposto o cartaz com o aviso citado. E, tão ruim quanto o não-atendimento, é a falta de informação. Quando há uma justificativa plausível, todos entendem.

A direção da UBS teve/teria coragem de apontar a falta dos médicos quando estes não comparecem à UBS e não têm uma justificativa legal para tal ausência?

Alguém já se perguntou por que as demandas na UPA´s são tão crescentes? Será que é tudo urgência e/ou emergência, ou as pessoas têm ido à UPA porque algumas UBS´s, como a do Liberdade II, estão sempre com algum/alguns médico(s) impedido(s) de prestar atendimento à população?

Para encerrar: o médico que dá plantão na UPA na noite anterior à manhã em que deveria dar expediente na UBS está desincumbido dessa segunda labuta matinal, embora receba por ambas?

P.S: sobre os nomes dos médicos envolvidos ou não na celeuma, não os escolhi, apenas reproduzi o que estava no cartaz que, infelizmente, não apontava o motivo da ausência de quaisquer dos profissionais ausentes ao trabalho naquele dia.

Márcio Alexandre – Professor, jornalista e estudante

Nota do Blog – Ministério Público, por favor entre no caso específico. É possível que muitas das perguntas de Márcio e de outros cidadãos encontrem respostas, em vez do silêncio que não inocenta ou o rugir que não se explica.

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quarta-feira - 15/06/2011 - 14:18h
Réplica

Odontóloga rebate denúncia sobre USB do Liberdade II

Ao Sr. Carlos Santos,

Ao ser informada da denúncia envolvendo meu nome, tive o ímpeto de procurar um advogado, mas ponderei e conclui que seria “jogar pérolas aos porcos”.

Porém, fui incentivada a postar algumas considerações. Primeiro aos fatos:

Terça-feira encontrava-me de plantão no Hospital Rafael Fernandes, onde dou assistência a pacientes com doenças infecto contagiosas (aids,tuberculose e outras). Se tivesse ido no dia anterior, teria me encontrado nos dois expedientes, assim como nos outros dias da semana.

Nas regras do seu blog, fala em mediador, mas acho que ele falhou. A notícia está totalmente distorcida, e joga lama no nome de profissionais corretos. As palavras tem uma força descomunal, e como jornalista o sr. deveria ter cuidado com o que publica.

A palavra é como uma flecha depois de desferida não tem volta. Teria sido interessante que os envolvidos tivessem sido escutados, conversar com a direção da unidade, e principalmente saber a opinião do usuário sobre o meu trabalho.

Aproveito a oportunidade para informar que faz aproximadamente 16 anos que o salário do dentista do PSF permanece quase inalterado. Não tenho procuração para defender ninguém, mas para repor a verdade devo informar que o Dr.Glicério encontra-se fazendo um levantamento epidemiológico na periferia da cidade, e só retorna no mês de julho.

Discute-se muito , principalmente no meio jornalístico, sobre liberdade de imprensa, acho que deveriam debater mais sobre RESPONSABILIDADE da imprensa.

Agradeço se publicar meu texto na íntegra, estou absolutamente tranquila pois tenho muito respeito pelo meu trabalho e consciência tranquila.

Dra. Emiliana B. Cavalcanti

Cartaz à mão informa ausência de médicos, listando nomes. Ninguém foi atendido no dia indicado, como denunciado

Nota do Blog – Doutora, boa tarde. As regras do Blog não têm instrumento de aferição de “leviandades”, uma espécie de “leviômetro”. Detecta email falsos e impede o uso de expressões chulas, agressões verbais etc. Basta ler o que elas assinalam.

Outro detalhe: a denúncia foi assinada por alguém que a assumiu de público, com nome e endereço eletrônico, profissão definida, que esteve no local citado, o senhor jornalista Márcio Alexandre.

Ele atestou “in loco”, inclusive com uso de fotografias, que a Unidade Básica de Saúde (USB) do Liberdade II, em Mossoró, não abria nem tinha explicações para o cidadão na terça-feira (14).

O que ele escreveu a esta página (clique AQUI), reforçada por fotografia, reitera que os médicos citados não compareceram ao trabalho. O motivo de cada um, justo ou não, deve ser discutido pelo cidadão e pela prefeitura, seus patrões.

Claro que a senhora não tem o dom da onipresença, para estar em dois lugares ao mesmo tempo. Essa é proeza para poucos “homens de branco”.

A página continua aberta à pluralidade de ideias, ao contraditório e, em momento algum, fez juízo de valor da senhora ou qualquer outro profissional. Se olhar abaixo do texto que foi colocado como “email do webleitor”, não existe qualquer “Nota do Blog” satanizando-a ou a quem quer que seja.  Nenhum tipo de julgamento: favorável ou desfavorável.

Por favor releia o que foi postado, antes de – aí sim – julgar precipitadamente esta página. O denunciante prova que a senhora não compareceu ao trabalho. A senhora confirma o que ele declarou, mas apresenta uma explicação.

A senhora atesta que esteve ausente àquele dia na UBS do Liberdade II, quando em seu próprio texto é informado que trabalhava em outro lugar.

Leviandade desta página?

Quanto ao interesse ou não de recorrer à Justiça, manifestando um direito subjetivo, fique à vontade.

Mas, para o contraditório neste espaço, não é preciso recorrer à Justiça ou qualquer método subalterno. Ele é aberto a todos que consigam dialogar com civilidade, respeitando as diferenças e o direito alheio.

Obrigado pela correspondência. Como não poderia deixar de ser, é publicada na íntegra, de modo documental.

O e-mail do denunciante será passado para sua própria caixa de email. Qualquer queixa adicional, seria bom tratar com o próprio.

É possível que ele tenha muito mais a dissecar sobre atentimento ou falta de atendimento adequado na USB do Liberdade II.

Quanto “às pérolas jogadas aos porcos”, bela figura metafórica, é um julgamento pessoal que merece meu respeito.  Mesmo considerando-o deselegante para uma dama, respeito.

Prefiro continuar tratando-a com fidalguia, mesmo sem conhecê-la. Devo isso a mim e à minha formação, mais do que a qualquer interlocutor, seja de corpo presente ou na infovia.

É isso. E bom trabalho.

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Categoria(s): Saúde
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