domingo - 06/01/2019 - 05:10h

Economia de palitos e uma crise onde falta coragem

Por Gutemberg Dias

A politica tem muitas facetas. E olhe que tem gente que conhece desse riscado há muito tempo e, ainda, comete deslizes que não poderia cometer.

A semana que passou foi marcada pela organização dos estagiários da Prefeitura Municipal de Mossoró (PMM) que se rebelaram contra uma decisão da municipalidade em rescindir os contratos de estágios de cerca de 600 estudantes oriundos de universidades locais (veja AQUI).

Polêmica que poderia nem ter acontecido. A prefeitura, a partir de seu Secretário de Administração, poderia ter feito tudo diferente, mas optou em fazer as coisas de forma brusca e sem nenhum diálogo.Faço uma ressalva em favor da municipalidade no que tange ao direito de decidir por não ter estagiários ou mudar a forma de contratação. Sem dúvida alguma é direito dela.

Mas, lembro a gestão municipal que o estágio tem prerrogativa legal e que tanto a “contratação” quanto a “demissão” do estagiário tem que seguir alguns trâmites, começando pela informação aos beneficiários do estágio.

Não resta dúvida que a Prefeitura de Mossoró, principalmente, a prefeita Rosalba Ciarlini (PP), vacilou nesse episódio com os estagiários. Comprou um desgaste sem precisão que, por sinal, poderia ter sido resolvido com a própria intervenção da prefeita.

Mas, a alcaide preferiu se fechar em copas. Escalou auxiliares e porta-vozes em seu lugar, sem receber ninguém, esquivando-se de ouvir comitiva de estagiários ou apresentar um atenuante à situação.

A ação de rescisão dos contratos dos estagiários tem haver com a redução de custos da máquina administrativa. Faz parte do arrocho que a PMM pretende imprimir a partir de agora. Infelizmente a gestão começou pelo lado mais fraco do cordão.

Na contabilidade final e, pela contrapartida dos serviços prestados pelos estagiários, podemos dizer que será uma economia de palitos de dentes, fazendo alusão a uma feira doméstica.

Quando fui Secretário de Planejamento tive a oportunidade de ser o coordenador do grupo que tratou de redução dos custos operacionais do município. Depois de ver que economia de palito não dá resultado, passei, juntamente com os demais colegas, a mirar nas secretarias de maior envergadura orçamentária.

O resultado de uma das ações foi reduzir a folha de pagamento em mais de 1 (um) milhão de reais só com plantões na área de saúde, ou seja, existem muitas portas e janelas no âmbito da administração que podem ser fechadas. Será que querem fechá-las?

Uma simples revisão e renegociação de contratos quanto à aluguel de imóveis, veículos, máquinas e contratação de serviços, com certeza proporcionariam cortes mais eficazes nos custos da máquina municipal.

O corte pela metade ou mais ainda do total de cargos comissionados, também. A gestão começou até com essa promessa, mas logo recuou e passou a promover contratações em larga escala, sendo difícil sabermos quantos são hoje.

Infelizmente, a miopia ou as conveniências políticas, não tiram as vendas dos olhos daqueles que administram a coisa pública em Mossoró. Sei que não é fácil, já estive do lado de lá.

Mas, também, sei que não é impossível alterar o rumo dos acontecimentos no âmbito da gestão.

Nesse contexto é preciso ter coragem, diálogo e ação para resolver os pequenos e os grandes problemas.

Gutemberg Dias é professor da Uern, empresário e Conselheiro da Fundação Nacional da Qualidade

* Foto: cedida, publicada originalmente no Blog do Barreto.

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Categoria(s): Artigo
sábado - 29/12/2018 - 08:44h
Gestão

Estagiários seguram, por enquanto, emprego em prefeitura

Demissões são freadas; prefeita prefere economia de ponta de lenço em vez de atacar reais problemas

Uma vitória temporária. É assim que pode ser definida a conquista dos estagiários de universidades instaladas em Mossoró, que trabalham com contratos temporários na Prefeitura Municipal de Mossoró. São cerca de 600 jovens que seriam demitidos neste fim de ano.

Reunião nessa sexta-feira sustou demissões, mas não resolveu o problema de estagiários nem da PMM (Foto: Web)

Após um protesto à manhã de sexta-feira (28) no centro da cidade, representantes desse contingente acabaram conseguindo abertura de diálogo com a municipalidade. No encontro com alguns secretários, houve garantia de que temporariamente as demissões estão suspensas.

Existe o compromisso de que pelo menos até o dia 1º de fevereiro ninguém sairá.

Na quarta-feira (2), a Procuradoria Geral do Município, Controladoria e setores técnicos da Prefeitura vão se reunir para definir como vai ficar a situação dos atuais estagiários. Alguns poderão permanecer no estágio sob novas regras, a partir de março, inclusive com redução no pro-labore.

Uma nova reunião entre o secretário de Administração e Recursos Humanos, Pedro Almeida, com comissão dos estagiários, ficou acertada para a quinta-feira (3).

Nota do Blog – A gestão Rosalba Ciarlini (PP) tenta fazer economia de “ponta de lenço”. Os estagiários recebem 80% do salário mínimo e podem passar a receber ainda menos.

A administração pública sabe, com números que a asfixiam mês a mês, que há necessidade de um ajuste fiscal rígido e ousado. O custeio da máquina pública precisa se adequar à receita. Sem atacar os principais problemas como contratos milionários, corrupção, desperdícios e privilégios, continuará mexendo no varejo, que dará resultado prático microscópico e incapaz de aliviar seu déficit mensal.

No caso há, ainda, facetas social e política que precisam ser avaliada. Se não, talvez só adiante, no ano eleitoral de 2020, sejam percebidas. Fica a ponderação desta página.

Veja no link abaixo por que é difícil entender a ‘economia’ que a gestão tenta fazer enxotando centenas de estagiários:

Leia também: Rosalba acerta mais alguns negócios em contratos suspeitos.

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Categoria(s): Administração Pública
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