sexta-feira - 28/02/2020 - 19:40h
História

Ainda sobre militares

Lott: candidato derrotado (Foto: arquivo)

Por François Silvestre

Pra se ter uma ideia da politização nas Forças Armadas, até a década dos anos sessenta, basta observar o quadro eleitoral da redemocratização após o Estado Novo, não houve uma eleição presidencial, de 1945 a 1960, em que não estivesse na disputa um militar general.

Em 1945, foram dois. O General Eurico Dutra contra o Brigadeiro Eduardo Gomes. Brigadeiro é o general da Aeronáutica. E só nessa eleição ganhou um militar. Dutra.

Em 1950, novamente o Brigadeiro Eduardo Gomes disputou a Presidência, tendo sido derrotado pelo ex-ditador Getúlio Vargas.

Em 1955, o General Juarez Távora foi o candidato da UDN, tendo sido derrotado pelo candidato do PSD, Juscelino Kubitschek.

Em 1960, o candidato do PSD foi o General Henrique Teixeira Lott, que foi derrotado por Jânio Quadros.

Depois disso, veio a escuridão. Vinte anos de Ditadura, com a presidência transformada em carreira militar.

Leia também: O quartel não me assusta.

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Categoria(s): Artigo / Política
quinta-feira - 05/09/2019 - 05:04h
Eleições 2020

A força do não voto e o decisivo papel da catequese eleitoral

Políticos têm pré-campanha e campanha pela frente para convencimento de uma multidão decisiva

Banido da Presidência da República após comandar um longo regime de exceção denominado de Estado Novo”, Getúlio Vargas mantinha postura de equidistância das eleições presidenciais de 1945. Contudo acabou sendo cabo eleitoral decisivo de um candidato na reta final da campanha: seu ex-ministro da Guerra – general Eurico Gaspar Dutra (PSD).

No dia 27 de novembro de 1945, cinco dias antes do pleito, ele pronunciou-se e defendeu o voto útil em favor de Dutra: “A abstenção é um erro. Não se vence sem luta, nem se participa da vitória ficando neutro”, resumiu em pronunciamento que contribuiu à vitória contra o principal adversário, o brigadeiro Eduardo Gomes (UDN).Noutro momento e num espaço geopolítico completamente diferente, a lição de Vargas segue valendo. Pode ser capaz de decidir os rumos das eleições sucessórias municipais em Mossoró, no próximo ano.

O não voto (abstenção/branco/nulo) é um contingente capaz de promover a vitória de um e a derrota de outro candidato, em face do tamanho de sua representatividade. Caso seja convertido para o modo ativo (voto válido), é uma massa poderosíssima.

Numa observação mesmo superficial e até simplista dos números das últimas eleições municipais (2016), em que houve vitória de Rosalba Ciarlini (PP), logo se contata que o não voto (ou alienação eleitoral) foi indiretamente importante à conquista dela. Bom número de eleitores não se identificou com ninguém e o capital próprio que a candidata possuía foi suficiente para fazê-la ganhar.

Dos 167.120 mil votantes habilitados, 131.988 tiveram votos validados. O não voto somou 35.073, sendo 22.683 (13,59%) de abstenções, 2.974 (2,06%) de votos em branco e 9.416 (6,54%) de votos anulados.

Eleições 2016

– Rosalba Ciarlini (PP) – 67.476 (51,12%)
– Tião Couto (PSDB) – 51.990 (39,39%)
– Gutemberg Dias (PCdoB) – 11.152 (8,45%)
– Josué Moreira (PSDC) –  1.370 (1,04%)
– Francisco José Júnior (PSD) – 602 (Votos inválidos)
– Branco – 2.974 (2,06%)
– Nulo – 9.416 (6,54%)
– Abstenção – 22.683 (13,59%)
– Válidos – 131.988
– Eleitores Aptos – 167.120
– Maioria pró-Rosalba Ciarlini de 15.486 (11,73%).

A maioria de Rosalba Ciarlini sobre seu principal adversário, Tião Couto (PSDB à época), foi de 15.486 votos (11,73%). Mas quando se somam os votos de todos os seus quatro adversários (um deles desistente, o então prefeito Francisco José Júnior-PSD), sua vantagem cai para apenas 2.362 votos (1,74%).

Tião Couto, Gutemberg Dias (PCdoB), Josué Moreira (PSDC) e Francisco José Júnior totalizaram 65.114 votos (49,38%), contra 67.476 (51,12%) de Rosalba.

Caminho pro vencedor

Da pré-campanha à campanha do próximo ano, as forças políticas envolvidas na disputa mossoroense não podem desconsiderar esses números e ignorar o poder decisivo do não voto. Identificar o porquê do alheamento e convencer parte dessa multidão a refletir sobre seu papel, deixando de ser um peso “neutro”, como identificou Getúlio Vargas, é uma missão arrojada que pode abrir caminho pro vencedor.

Há alguns meses, mesmo de forma tímida e desarticulada, algumas vozes oposicionistas passaram a defender a realização de uma campanha de esclarecimento para convencer milhares de eleitores que residem em Mossoró, mas que votam noutros municípios, a formalizarem domicílio eleitoral no município.

Eleitores aptos em Mossoró (10 Eleições Municipais)

2016 – 167.120

2014 – 164.940 (pleito suplementar)

2012 – 164.975

2008 – 153.027

2004 – 143.235

2000 – 127.894

1996 – 114.218

1992 – 99.623.

1988 – 80.397

1982 – 67.041

A esperança é de que possam provocar realização de um segundo turno, com alcance de 200 mil eleitores já no próximo ano. Trata-se de  um atalho complexo, baseado em desconhecimento mínimo dessa situação. Nas eleições estaduais do ano passado, o eleitorado em Mossoró foi de 174.189.

Poucas variações

Em relação ao pleito municipal de 2016, o aumento foi de 7.069 novos eleitores. Mas daí a saltar para 200 mil em tão  poucos meses, é puro delírio. Há uma estrada mais curta, apesar de acidentada, para se aproximar de um sucesso eleitoral.

Se há insatisfação, se existe indignação com o que se testemunha, não existe outra saída. O caminho não é sair da cidade ou se homiziar em casa. O remédio é ir às urnas. A classe política que se vire para ser convincente na catequese, até porque o não voto é um comportamento historicamente minoritário, com poucas variações de eleição para eleição, mas de suma importância na soma final.

Basta lembrar de Vargas.

Leia também: Conheça resultados e história de quase 50 anos de eleições municipais.

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Categoria(s): Política / Reportagem Especial
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quarta-feira - 12/06/2019 - 18:18h
Obra

Ponte Felipe Guerra (BR-304, Natal-Mossoró) tem liberação

Do Portal do RN

A Ponte Felipe Guerra, localizada sobre o Rio Piranhas/Açu na BR-304, foi liberada na manhã desta quarta-feira (12/6). O tráfego está normalizado nos dois sentidos – desobstruindo o fluxo de veículos entre Natal e Mossoró no estado.

Ponte tem leito liberado, mas passarelas laterais ainda não estão concluídas (Foto: cedida)

A ponte que é a mais extensa da BR-304 e do Nordeste, tem 595 metros de extensão à altura do município de Assu. É obra com investimentos da União e sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

Teve início em 2017, com recursos superiores a R$ 38 milhões.

A largura da ponte passou de 8,6 metros para 12 metros.

A construção de duas passarelas de pedestres, nas laterais, ainda está em andamento. Mas houve priorização para que o leito alargado da pista de rolamento pudesse ser liberado, haja vista que desde 2017 vinha com obstrução de tráfego, provocando filas diárias de veículos.

Nota do Blog Carlos Santos – Clique AQUI e veja matéria especial sobre a obra e história dessa ponte, com inclusão de fotos históricas.

Sua edificação começou em 1948, na gestão do presidente Eurico Gaspar Dutra. O governador era José Varela. Foi concluída em 1952, na administração do presidente Getúlio Vargas. Sylvio Pedrosa era o governador, em face da morte de Dix-sept Rosado no ano anterior, em acidente aéreo (veja AQUI). O prefeito de Assu, à ocasião, era Edgard Montenegro.

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terça-feira - 07/02/2017 - 08:58h
Assu-Itajá

Ponte sobre rio Açu ganhará reforço e alargamento após 65 anos

Obra não faz parte de projeto de duplicação da BR-304, mas é vista como imprescindível ao tráfego

Boa notícia para quem transita pelo Vale do Açu e trafega na BR-304 (Mossoró-Natal). A “Ponte Felipe Guerra”, sobre o Rio Piranhas/Açu, no limite entre os municípios de Assu e Itajá, passará por uma considerável “repaginação”.

Serão iniciados os serviços de reforço, reabilitação e alargamento da ponte que tem quase 65 anos de vida. Nesse caso, a “nova ponte” terá uma largura de 12 metros de pista, mais acostamento e passarela de pedestre nas duas laterais. Sua largura sairá dos atuais 8,60 metros para aproximadamente 18 metros.

Ponte Felipe Guerra tem quase 65 anos e deverá ser 'repaginada' até outubro de 2019 (Foto: Web)

O comprimento total da ponte será mantido nos atuais 595 metros.  A ordem de início dos serviços foi emitida no último dia 23 de janeiro, com prazo de execução de 990 dias. Previsão para que seja concluída por volta de outubro de 2019.

Os recursos investidos pela União serão da ordem de 38.700 milhões. A empresa vencedora da licitação foi a Construtora A. Gaspar S/A. Entre 60 e 90 dias deverá estar iniciando os trabalhos.

Maior ponte do Nordeste

A obra não tem vínculo com os serviços de duplicação da BR-304. Na verdade é uma iniciativa para readequá-la às necessidades contemporâneas de tráfego, segundo estudos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT).

A Ponte Felipe Guerra homenageia o ex-desembargador, ex-deputado constituinte e ex-secretário de educação homônimo, nome de expressão na primeira metade do século passado no Rio Grande do Norte.

Obra começou em 1948 e foi concluída em 1952, com investimentos federais (Foto: Fernando Caldas)

Sua edificação começou em 1948, na gestão do presidente Eurico Gaspar Dutra. O governador era José Varela. Foi concluída em 1952, na administração do presidente Getúlio Vargas. Sylvio Pedrosa era o governador, em face da morte de Dix-sept Rosado no ano anterior, em acidente aéreo (veja AQUI). O prefeito de Assu, à ocasião, era Edgard Montenegro.

Com 595 metros de extensão, ela é ainda hoje a maior ponte de concreto armado do Nordeste. Foi construída pelo técnico em carpintaria Francisco Gaag, austríacco, naturalizado brasileiro.

Clique AQUI e faça um passeio virtual pela Ponte Felipe Guerra.

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domingo - 16/08/2015 - 08:06h

A ética da conspiração

Por François Silvestre

As eleições presidências de 1945, após a queda do Estado Novo, foram realizadas sob o comando constitucional da Carta de 1937. Essa constituição foi um diploma de inspiração fascista, elaborada por Francisco Campos, que “evoluíra” do positivismo de Comte para o fascismo ítalo-brasileiro.

Ela serviu ao projeto político de Vargas, com o fim da federação e implantação de um Estado unitário. Cuja consecução deu-se simbolicamente com a queima das Bandeiras dos Estados.

Hoje, a diferença é mais de forma e menos de conteúdo. Continuamos a ser uma Federação de mentira, sob o amparo de uma Direita obtusa, que promete ética e entrega hipocrisia; e uma Esquerda confusa, que promete progresso e entrega esmola.

As eleições foram disputadas pelos novos Partidos. O PSD, de inspiração getulista, com sustentação conservadora e base eleitoral no coronelismo e na vida rural. A UDN, de inspiração no liberalismo americano, com força nas camadas urbanas, também conservadora e refratária às transformações sociais. O PTB, getulista puro, aliava-se ao PSD, assumindo o comando do trabalhismo urbano. Indo do sindicalismo ao peleguismo. Tudo brasileiramente macunaímico.

Pois bem. A Carta de 37 não previa a figura do Vice-presidente. A coligação PSD/PTB derrotou a UDN. O candidato do PSD, General Eurico Dutra, que fora o sustentáculo da Ditadura Vargas, derrotou o Brigadeiro Eduardo Gomes, candidato dos udenistas.

Ocorre que a Constituinte de 46 restaurou a investidura da Vice-presidência. E à própria Assembleia foi delegada, por legitimidade natural, a prerrogativa de eleger o Vice-presidente.

Nem precisa dizer que a briga de foice, na penumbra das conspirações, típicas da nossa formação política, foi deflagrada nas mumunhas do poder. O PSD lançou o nome do Senador catarinense Nereu Ramos, que não gozava do afeto pessoal do presidente Dutra.

Os dissidentes do PSD, sabendo dessa desafeição, conspiraram com os udenistas para derrotar Nereu. Dissidência política, no Brasil, não se dá por amor à pátria. Mas por interesses pessoais. Taí Eduardo Cunha que não me deixa mentir.

Esses insatisfeitos procuraram Dutra e informaram que se eles lançassem outro candidato, da ala dissidente do PSD, teriam os votos da UDN e derrotariam Nereu Ramos.

Eurico Dutra, que ouvia muito e falava pouco, ouviu de ficar rouco. Depois falou: “Os senhores não tem o meu aval. Minha orientação é que votem no Nereu”.

Ante a perplexidade dos “dissidentes”, Dutra lecionou: “É verdade que eu não gosto do Senador Nereu Ramos. Mas a UDN o detesta muito mais do que eu.

Se o Vice-presidente for alguém suave à UDN, ela vai conspirar todos os dias para me derrubar. Se for Nereu Ramos, eu ficarei tranquilo, pois A UDN não vai querê-lo no meu lugar”. Assim foi e Dutra governou sossegado.

Té mais.

François Silvestre é escritor

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Categoria(s): Política
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