quinta-feira - 19/03/2020 - 18:18h
Presidência

‘Lacrações teatrais’ e desaforos desidratam apoio a Bolsonaro

Vários aliados de peso, como o guru Olavo de Carvalho, perdem paciência com desatinos do presidente

Considerado guia e ideólogo do clã político Bolsonaro, o escritor Olavo de Carvalho parece que jogou a toalha. Desistiu do presidente Jair Bolsonaro e seus bambinos. Ele postou nessa quarta-feira (18) um desabafo em tom de cansaço em relação à família Bolsonaro e seu projeto de poder na presidência (veja AQUI).

“Deu ouvidos a generais isentistas, dando tempo a que os inimigos se fortalecessem enquanto ele se desgastava em lacrações teatrais. Lamento. Agora talvez seja tarde para reagir,” disse.

Esquerda segue a rotina do bota fora, mas Bolsonaro passa a sensação de que o terno não lhe cabe até hoje (Foto: Veja)

Os últimos dias têm sido aterradores para Bolsonaro. O desabafo de Olavo de Carvalho não é fato isolado. Outros episódios são igualmente relevantes e se encadeiam, soterrando o presidente. Um detalhe: nenhum deles foi provocado ou eclodiu na oposição.

Os estresses que pipocam em seu entorno em boa parte nasce de suas “lacrações teatrais”, que costumam ser marcadas por linguajar chulo e inoportuno.

Janaína Paschoal, deputada estadual campeã de votos no país, pelo PSL de São Paulo, um dos primeiros nomes a defender Bolsonaro à presidência, chegou a pedir seu afastamento do cargo, em discurso na segunda-feira, (16), na tribuna da Assembleia Legislativa de São Paulo (ALSP) – veja AQUI.

– “Eu me arrependi do meu voto – confessou. Disse estar perplexa com a exposição pública dele no domingo (15), em meio a populares, em movimento que pedia fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), além de intervenção militar. Com suspeita de ter contraído o coronavírus, Bolsonaro abraçou e tirou selfie com manifestantes, contrariando recomendações do próprio Ministério da Saúde (veja AQUI e AQUI).

Ideólogo dos Bolsonaros joga a toalha (Reprodução BCS)

O jurista Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment contra a então presidente Dilma Rousseff (PT), defendeu que o Ministério Público peça exame de “saúde mental” do presidente, para saber “onde está o juízo dele”.

Histriônico, incapaz de mínima ponderação com as palavras, provocador e colecionador de polêmicas, Bolsonaro é na presidência o que sempre foi na Câmara Federal. Só que agora ele é presidente da República. Tudo que faz ou deixa de fazer tem dimensão infinitamente maior.

O empresário Luciano Hang (grupo Havan), grande apoiador de Bolsonaro, cobrou seriedade do presidente: “Chega de jogar para a torcida, está na hora de jogar pelo Brasil”.

Desatinos

O governador paulista João Dória (PSDB), outro bolsonarista na campanha de 2018, também revelou sua decepção com o despreparo do ex-capitão do Exército para o exercício do cargo presidencial, em entrevista na segunda-feira. “Eu me arrependo de ter votado no Bolsonaro. Eu não tenho compromisso com o erro” (veja AQUI), afirmou, repetindo uma frase célebre do ex-presidente Juscelino Kubitscheck

Os desatinos mais recentes do presidente ganharam eco nas janelas, sacadas e varandas da classe média brasileira em várias cidades do país, batendo panelas e pregando o “fora, Bolsonaro”, na quarta-feira à noite.

Desde domingo que o presidente está num redemoinho onde se sobressai, por exemplo, sua incapacidade de tratar a sério assunto sério, como a expansão da pandemia do coronavírus. Mesmo sem ter contraído aparentemente e oficialmente o Covid-19, Bolsonaro é hospedeiro de um vírus (palavra originária do Latim, que significa fluido venenoso ou toxina) que o incapacita ao diálogo.

De aliados a governistas, ninguém está seguro perto ou distante dele. É considerável a fila de correligionários expurgados no primeiro ano de governo. São numerosos os casos de ataques verbais contra tudo e todos, não poupando imprensa, colaboradores, chefes de governo de outros países, artistas etc.

A esquerda, em sua rotina de pedir a cabeça de todo e qualquer presidente da República que não seja do seu quadrado – “Fora, Collor”; Fora, Itamar Franco”; “Fora, FHC” e “Fora, Michel Temer” -, também quer o “Fora, Bolsonaro”. Entretanto a sensação é de termos um presidente que sequer assumiu o papel de chefe de governo e de Estado. O terno não lhe cabe até hoje.

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Categoria(s): Política
domingo - 30/06/2019 - 10:30h

Faz somente seis meses, “taokey”?

Por Odemirton Filho

O governo do presidente Jair Messias Bolsonaro (PSL) chegou aos seis meses. Com sua linguagem coloquial e costumeiros arroubos, o presidente vem se notabilizando por dizer aquilo que lhe vem à cabeça, sem receio de ofender quem quer que seja.

É nítida a sua incapacidade para articular ideias e proferir um discurso coeso, não muito diferente, nesse particular, da ex-presidente Dilma Rousseff.

Com efeito, todo início de mandato traz a inexperiência daqueles que ainda não estão afeitos à máquina administrativa, sobretudo, porque o presidente nunca esteve à frente de qualquer Poder Executivo.

A equipe que formou, tem como expoentes os ministros Paulo Guedes, conduzindo a Pasta da Economia, e o ministro Sérgio Moro, capitaneando o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

É precipitado, a meu ver, creditar fracasso ao governo. Ainda há um longo caminho para concluir seu mandato (se concluir). Porém, já se pode antever qual seu será o seu estilo de governar.

A pauta conservadora dos costumes será uma constante, além de se imiscuir em debates nas redes sociais que somente inflamam o já politicamente dividido país.

O presidente, como se diz, ainda não desceu do palanque e insiste em travar disputas ideológicas que nada acrescentam ao seu governo, como o combate ao tal marxismo cultural e a ideologia de gênero.

Com o Congresso Nacional a relação do governo é feita de altos e baixos, não sendo tão harmoniosa como prevê a Constituição Federal, a despeito do presente ter estado no Parlamento por quase trinta anos.

Na seara econômica o ministro Paulo Guedes tem envidado esforços com o escopo de aprovar a Reforma da Previdência, como crucial para equilibrar as contas públicas e atrair investimentos.

Entrementes, é interessante notar, que os especialistas na área econômica asseveram que somente a reforma previdenciária não é suficiente para retirar o país da crise e fazer o Produto Interno Bruto (PIB) voltar a crescer de forma significativa.

Uma das principais promessas de campanha do então candidato à Presidência era a ampliação do porte e posse de armas o que, de fato, cumpriu, expedindo Decreto nesse sentido.

Contudo, posteriormente, ante a resistência do Congresso Nacional, revogou o Decreto e expediu três novos, além de projeto de lei sobre o tema.

Nessa mesma linha, o ministro Moro encaminhou seu pacote anticrime ao Parlamento, todavia, a tramitação do projeto caminha a passos lentos.

No aspecto político, a primeira baixa se deu com o ministro Gustavo Bebianno, da Secretaria Geral da Presidência, envolto no escândalo das candidaturas laranjas do PSL. Com a prisão de assessores do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, no caso do laranjal, poderá ser o próximo a cair.

Posteriormente, o ministro da Educação, Ricardo Vélez, foi à lona, por manifesta incapacidade administrativa, além de frases infelizes, como a que os brasileiros se comportam como “canibais” quando no estrangeiro, bem como querer recontar o golpe de 64 por outro viés, minimizando aquele período negro.

Houve, de igual modo, uma baixa na equipe econômica do até então intocável ministro Paulo Guedes, quando o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, pediu exoneração, após declarações do presidente.

O ministro Sérgio Moro está no meio do fogo cruzado em razão do vazamento de conversas pelo site The Intercept Brasil entre ele e o Procurador da República, Deltan Dallagnol, na operação Lava Jato.

Entretanto, o ex-juiz ainda goza de credibilidade perante o governo e a opinião pública, mas se forem comprovadas a autenticidade dos diálogos sua permanência ficará, sem dúvida, insustentável.

Não se pode esquecer, ainda, as “pérolas” da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, do atual ministro da Educação, Abraham Weintraub e dos filhos do presidente (um deles sob suspeita de práticas nada republicanas). Tudo sob o olhar vigilante e mal-educado do guru ideológico dos Bolsonaro, Olavo de Carvalho.

Cabe ressaltar que o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, mostra-se, até o momento, o mais proativo, adotando medidas para “destravar os projetos de melhoria da logística do País, remover entraves burocráticos e reduzir exigências para a participação do setor privado em novos empreendimentos”.

Houve, é certo, uma baixa significativa no número de homicídios no país, mas não se pode aferir se existe uma relação direta com ações do governo federal ou se os estados-membros estão mais firmes no combate à violência.

Por outro lado, o desemprego continua em alta, na casa de 13 milhões de pessoas, e o consumo das famílias ainda não atingiu níveis que possam fomentar o crescimento da economia.

Faltam investimentos do setor produtivo, sem esses não há criação de postos de trabalho, aumento da renda e arrecadação de impostos.

Para o ministro Paulo Guedes a aprovação da Reforma da Previdência é uma verdadeira panaceia. Contudo, vale lembrar, que a Reforma Trabalhista iria criar milhões de empregos e, o que vemos, até o momento, foi mera retórica.

Cabe, ainda, menção ao relacionamento do governo com a comunidade internacional.

De início, a pretensão da mudança da Embaixada de Tel Aviv para Jerusalém causou mal-estar com os países árabes, tendo o presidente, de forma prudente, recuado. Aliás, não se entende a subserviência de Bolsonaro ao governo norte-americano. A vassalagem a Trump não condiz com o nacionalismo apregoado pelo presidente.

Ademais, recentemente, a Chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que é “dramática” a situação do Brasil em questões ambientais e de direitos humanos sob o atual governo e que ver com preocupação as ações do governo brasileiro em relação ao desmatamento.

Destaque-se, porém, que um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia está iminência de ser celebrado o que é um alento para a economia da nossa região.

Eis, em linhas gerais, os seis primeiros meses do governo Bolsonaro.

Por fim, é de se esperar que o governo pare de promover “um show de besteiras”, conforme afirmou o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, resgatando o país da crise social e econômica vivenciada há tempos.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

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Categoria(s): Artigo
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