domingo - 07/07/2024 - 10:40h

O sonho acabou

Por Jânio Vidal

Foto do autor da crônica

Foto do autor da crônica

A turma do chapéu acabou, respondi pra Valéria, parodiando John Lennon , que declarou “o sonho acabou”, encerrando qualquer possibilidade da banda The Beatles voltar a gravar com os ´fab four´juntos. Foi ela quem batizou o grupo, quando meia dúzia de três ou quatro amigos nos reuníamos aos sábados – eu, Alex Medeiros e Ricardo Rosado mais frequentes – no restaurante Cuxá.

Usávamos chapéu com regularidade, e eu dizia pra ela que sob o chapéu celebrávamos a amizade, assim como é, ou deveria ser, a formalidade que diz que sob a capa preta do magistrado, a cegueira da justiça; sob as fardas militares, o respeito à constituição;  e, sob a batina dos padres, apenas a fé.

Passamos a ir para outros restaurantes e a última cena que lembro, quando o grupo deixou de ser pequeno, foi numa tarde de sábado, no Between, Largo do Atheneu, quando o amigo Ximbica trouxe de Miami, onde morava, 12 legítimos Panamás. Entre taças de vinho e copos de cerveja fez a distribuição dos chapéus aos presentes, antigos e novos, juntos e misturados até à próxima discussão.

Se antes os garçons faziam reverência à turma do chapéu, às vezes ficando em pé ao lado para ouvir a conversa, passaram a ficar escabreados quando tinham que juntar duas ou três mesas e as conversas descambavam para discussões, aqui acolá aos gritos. Assim não tem dono de bar que aguente, disse um deles certa vez.

A turma do chapéu deixou de se reunir a partir da pandemia do coronavírus, mas desde a pré, durante e pós eleições de 2018, a conversinha não era mais a mesma, com novas pautas e narrativas em conflito: gênero, ideologia, cotas, raças, religião, política e… sim, isso mesmo que vocês estão imaginando. Nunca agimos como mosqueteiros, mas a antítese seria devastadora.

Na pandemia ainda fizemos alguns encontros virtuais, usando aplicativos que na telinha faziam a aproximação de lugares distintos e distantes como Natal, Miami, Europa, França e Bahia. Todos de chapéu.

Não foram apenas três meses de epidemia, como pensávamos no início. Os meses passaram, um ano, dois anos, mais de 700 mil brasileiros mortos pela Covid 19 e sequelas que atingem milhões. Não poderia ser diferente com a turma do chapéu.

Nesses tempos estranhos de um pós que está apenas começando, não somos mais os mesmos. Até a Kombi mudou e a IA é muito diferente do que foram os nossos pais.

Nos últimos dias vimos ser interrompida a carreira de um candidato ao generalato, com provas de que participou da tentativa de um golpe, e que ficou em silêncio numa CPI vestindo farda completa, com todos os galões, broches, pins e alfinetes que pode ostentar. Vimos também um ministro da Suprema Corte fazer inflamado discurso eleitoral e ideológico num encontro de estudantes. No congresso também existem formalidades, mas eles estão vestindo de tudo, há muito tempo. Ah, a batina dos padres. Estão querendo casar.

Jânio Vidal é professor e jornalista

*Texto e foto originalmente publicados pelo autor no dia 14 de julho de 2023, em seu endereço no Instagram.

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Categoria(s): Crônica
terça-feira - 14/04/2020 - 20:12h
Operação Sinal Fechado

Rosalba, Agripino e Carlos Augusto têm bens bloqueados

Dessa feita, apuração de supostas vantagens ocorridas há cerca de dez anos embaraça políticos locais

Do site Justiça Potiguar e Blog Carlos Santos

O desembargador federal Elio Wanderley de Siqueira Filho, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, deferiu o pedido de tutelar liminar em agravo de instrumento do Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-senador José Agripino Maia (DEM), a ex-governadora e atual prefeita de Mossoró Rosalba Ciarlini (PP) e seu marido e ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado , além do empresário e ex-senador José Bezerra Júnior (DEM), o “Ximbica”. Decretou, concomitantemente, a indisponibilidade dos bens até o valor de R$ 1.150,000.

O valor teria sido pago em propina no âmbito da Operação Sinal Fechado que apurou irregularidades no processo de inspeção veicular do Detran-RN no ano de 2010.

Agripino perdeu foro privilegiado, Rosalba coleciona escândalos e Carlos já tem condenação (Fotomontagem Justiça Potiguar)

Segundo denúncia protocolada pelo MPF em dezembro do ano passado, os valores foram pedidos a George Anderson Olímpio da Silveira, que tinha interesse em pagar para assegurar o contrato celebrado com o Consórcio Inspar, administrado por ele.

Em colaboração premiada, o empresário afirmou que também houve acordo para o pagamento mensal de vantagens indevidas. A propina teria sido negociada diretamente pelo ex-senador e por Carlos Augusto Rosado.

O MPF diz que o valor de R$ 1.150.000, pedido como “doação eleitoral extraoficial”, foi repassado de forma fracionada. Os primeiros R$ 300 mil vieram de recursos próprios do empresário. Os demais R$ 850 mil saíram parte por meio de empréstimos junto a agiotas (aos quais pagou juros até o início de 2011), parte de uma empresa do próprio Agripino Maia (R$ 150 mil).

Longa história

O enredo desse caso parece sem fim, algo comum quando nomes graduados da política potiguar estão envolvidos. Arrasta-se na prática há quase dez anos e se junta a outros tantos com igual vocação à eternidade, no labirinto do judiciário.

Em relação à prefeita Rosalba, por exemplo, em 12 de junho de 2018 (veja AQUI), o Supremo Tribunal Federal (STF) a inocentou, mas decidiu aceitar uma denúncia contra o senador José Agripino Maia (DEM-RN) e torná-lo réu pela suposta prática de corrupção, lavagem de dinheiro e uso de documento falso.

Sem o foro privilegiado, em face de não ter sido eleito à Câmara Federal no mesmo ano, após desistir de tentar a reeleição, Agripino viu essa demanda voltar ao primeiro grau.

Condenação

Já Carlos Augusto, Ximbica e outras pessoas foram condenadas pela Justiça Federal do Rio Grande do Norte em processo criminal da mesma Operação Sinal Fechado, em dezembro do ano passado. “A qualidade de marido e influenciador das decisões administrativas do futuro Governo”, segundo o juiz, foram determinantes para ele participar das costuras ilícitas que iriam favorecer a gestão estadual de sua mulher. Em nota ao Blog Carlos Santos, o ex-deputado se disse inocente (veja AQUI).

A prefeita de Mossoró é um caso a ser estudado. Abundam situações estranhas quanto à sua conduta como gestora, mas seu contorcionismo nos escaninhos e intramuros da Justiça a faz sobrevivente de dezenas de denúncias e processos, investigações, bloqueios de contas e bens e outros procedimentos.

Em janeiro do ano passado, por exemplo, o juiz Eduardo Pinheiro, convocado pelo Tribunal de Justiça do RN (TJRN), deferiu pedido do Ministério Público Estadual (MPRN) e decretou a indisponibilidade dos bens, de forma solidária, da ex-governadora, uma entidade que administrou o Hospital da Mulher à época de sua administração no estado e de mais 24 pessoas (veja AQUI).

Declaração de bens de Rosalba, em 2016, mostra a esqualidez de patrimônio (Reprodução BCS)

A indisponibilidade incluía bens imóveis, veículos automotores, aeronaves, embarcações aquáticas e ativos financeiros, até o montante de R$ 11.827.563,84. Os recursos teriam sido desviados.

Patrimônio modesto e Polícia Federal em casa

Entretanto um dos grandes problemas para essa modalidade de decisão cautelar, é conseguir localizar patrimônio de monta em nome de Rosalba, após mais de 30 anos de vida pública. Na sua declaração de bens antes de ser candidata a governador em 2010, a soma deles chegava a R$ 184.423,91. Em 2016, para ser candidata a prefeito pela quarta vez, houve uma melhora: R$ 257.498,01.

Nos dois casos, dinheiro em conta corrente, aplicações e carro usado compõem seus valores materiais e pecuniários. Nem um lugar para morar, para chamar de “meu”, aparece.

Mesmo assim, no dia 10 de dezembro de 2019, há pouco mais de quatro meses, agentes da Polícia Federal estiveram num apartamento de luxo, com mais de 205 metros quadrados, em que ela e Carlos Augusto residem no bairro Nova Betânia em Mossoró, à Rua Luís Lopes, no décimo andar.

Polícia Federal esteve em apartamentos que Rosalba utiliza em Natal e, em Mossoró, em busca e apreensão (Foto: BCS)

Os agentes cumpriam mandados de busca e apreensão na “Operação Mão na Bola”. Investigação trata de possíveis crimes de corrupção ativa e passiva, desvio de finalidade de financiamento e lavagem de dinheiro relacionados à construção da Arena das Dunas (Natal). A Polícia Federal chegou por volta de 6h20 minutos e recolheu diversos materiais e documentos.

Também esteve em outro apartamento na praia de Areia Preta, em Natal, que pertenceria ao casal, com igual finalidade. A prefeita se pronunciou sobre o caso através de sua assessoria no município (veja AQUI). Disse estar de consciência tranquila.

Denúncia de corrupção na montagem às pressas do Hospital da Mulher, denúncia de corrupção na Operação Sinal Fechado, denúncia de corrupção no Arena das Dunas e sequência de dispensa de licitação para limpeza urbana multimilionária na atual gestão (veja AQUI), dão uma mostra da capacidade de sobrevivência de Rosalba a qualquer cerco investigativo, policial ou processual. E é provável que assim prossiga. Até aqui, “tá tranquilo, tá favorável; tá tranquilo, tá favorável…

P.S15 de Abril de 2020Às 19h34Nota de Esclarecimento

A respeito de liminar em meu desfavor proferida no dia 27 de março, noticiada ontem, 14, e que não fui intimada, informo que o Supremo Tribunal Federal já analisou o referido caso e me absolveu. É preciso ratificar que sequer foi aceitada a denúncia contra mim com votação por unanimidade (5 votos a 0), o que é bastante evidente, uma vez que no sétimo dia de um mandato que ocupei, suspendi o referido contrato do consórcio Inspar, que visava realizar inspeção veicular no estado. Isto mostra que não compactuei, não participei de nenhuma ação improba ou conluio e que, quando analisado o mérito, a justiça será feita mais uma vez.

A suspensão do contrato suspeito num primeiríssimo momento prova que o meu governo foi absolutamente contrário à referida inspeção veicular e agiu com presteza evitando cobranças indevidas aos cidadãos.

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sábado - 14/09/2019 - 09:38h
Operação Sinal Fechado

Suspensão de processo beneficia Carlos Augusto Rosado

O processo conhecido como “Operação Sinal Fechado”, que tem como réus o ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado, ex-senador José Bezerra de Araújo Júnior (Ximbica), Antônio Marcos de Souza Lima e George Anderson Olímpio da Silveira, está suspenso na Justiça Federal. A decisão é do juiz federal Walter Nunes da Silva Júnior, da 2ª Vara Federal do RN, com sede em Natal.

Carlos: decisão a seu favor (Foto: arquivo)

A demanda sob o 0804459-26.2018.4.05.8400 envolve, supostamente, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro no âmbito do Departamento Estadual de Trânsito do RN (DETRAN/RN) entre fim do Governo Iberê Ferreira de Souza (PSB), já falecido, e início da administração de Rosalba Ciarlini (DEM, hoje no PP) – mulher de Carlos Augusto Rosado.

Constam nos autos informações detalhadas acerca da movimentação financeira e fiscal dos acusados, além de outras pessoas que com eles mantiveram relações, sem qualquer autorização judicial a respeito.

STF

A posição do juiz está enquadrada no contexto da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que entende pela ilegalidade do compartilhamento de informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) com o Ministério Público Federal (MPF), sem que ocorra autorização judicial.

Como o tema é de Repercussão Geral, o magistrado suspendeu a tramitação dessa demanda até que o processo que originou a decisão na Corte seja analisado pelo plenário do Supremo.

“Com isso, e ressaltando o risco do reconhecimento da futura nulidade, foi determinada a suspensão do processamento de todos os processos judiciais em andamento, que envolvam a matéria, até o julgamento definitivo pelo Plenário da Corte, previsto para 21 de novembro de 2019”, escreveu Walter Nunes na decisão.

Leia também: Justiça aceita denúncia contra Carlos Augusto Rosado;

Leia também: Carlos Augusto afirma confiar na Justiça;

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segunda-feira - 08/04/2019 - 10:50h
Hoje

Morre em Natal a professora Yvete de Sá Bezerra

Ivete: 101 anos(Foto: reprodução)

Faleceu em Natal dona Yvete de Sá Bezerra, mãe da vereadora Professora Eleika Bezerra (PSL), na madrugada desta segunda-feira (8).

Viúva de Dr. José Bezerra de Araújo, Dona Yvete partiu do seu convívio familiar aos 101 anos de idade, deixando, além da Professora Eleika, os filhos Haroldo, Zorilda, Franklin, Regina, Dulce, e o ex-senador José Bezerra Júnior (Ximbica).

O velório acontece a partir das 11 horas no Morada Paz da Rua São José.

A missa de corpo presente será celebrada às 15 horas no mesmo local. Em seguida, o sepultamento ocorrerá no Cemitério do Alecrim.

Com vida social e política ativa em Currais Novos e Natal, Dona Yvete foi membro do Rotary Clube e foi, por 45 anos, presidente do Educandário Oswaldo Cruz, que pertence à Sociedade Eunice Weaver.

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