quarta-feira - 29/03/2023 - 17:00h
Fiern pesquisa

Indústria perde cerca de 40% em faturamento com insegurança no RN

A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), por meio do Observatório da Indústria MAIS RN, acompanhou o impacto da crise na segurança pública do estado para a indústria potiguar. Uma pesquisa qualitativa realizada com 266 indústrias, representando mais de 30 segmentos nas quatro mesorregiões do estado, mostra os principais efeitos da crise para as empresas industriais potiguares, como a perda estimada em até 40% de faturamento durante os dias mais críticos da crise.

Estudo mostra estrago avassalador na indústria potiguar em curto espaço de tempo (Foto ilustrativa/Fiern)

Estudo mostra estrago avassalador na indústria potiguar em curto espaço de tempo (Foto ilustrativa/Fiern)

O estudo contou com dois levantamentos — o primeiro realizado no dia 17 de março, durante o período mais crítico da crise, e o segundo realizado nessa terça-feira (28). A pesquisa destaca que 48% das indústrias entrevistadas já voltaram às rotinas anteriores à crise na segurança e 52% acreditam no retorno completo à normalidade a partir da próxima semana.  

Maiores problemas

No ápice da crise, o estudo constatou que entre os maiores problemas enfrentados estavam: a logística (distribuição e recebimento de fornecedores); o estresse verificado nos trabalhadores; e a falta de funcionários que não conseguiam chegar ao trabalho por falta de transporte público. Todos esses problemas impactaram diretamente na produção, visto que 27% das indústrias entrevistadas precisaram interromper turnos de trabalho ou mesmo parar completamente a produção (21%) por, pelo menos, um dia.  

Já a sondagem realizada nessa terça-feira apresenta um cenário diferente. Dos onze problemas listados pelas indústrias no dia 17 de março, apenas seis permanecem sendo observados. Continua o desafio logístico (21%) e de transporte público (23%), mas ambos em menor intensidade. A questão do transporte público gera, em consequência, redução de turnos (17%).  

Queda de faturamento e perspectivas futuras 

Outra dimensão que a pesquisa buscou captar foi a percepção sobre normalidade das atividades e potencial queda de faturamento em cada dia de crise enfrentada. As respostas relativas ao dia 17 de março demonstraram especial atenção dos entrevistados à perda imediata de faturamento. Já no dia 28, com maior normalização da produção, o foco girou em torno das consequências e externalidades negativas no ambiente de negócios potiguar.  

Os entrevistados estimaram de 17% até 40% de perda de faturamento, conforme porte da empresa (micro, média ou grande) e ramo de atuação (CNAE principal). Considerando os dados do Boletim Fiscal da Secretaria de Tributação (SET), que apontam, em média, uma movimentação diária da indústria potiguar de R$ 63,1 milhões (Valor Médio Diário das Operações/NF-e) no mês de março, e as estimativas dos entrevistados, é possível que, nos piores dias da crise na segurança, as perdas tenham sido entre R$ 10,7 milhões e R$ 25 milhões por dia.

Inadimplência

Porém, a confirmação real das perdas só ocorrerá com fechamento dos caixas das empresas até o dia 15 de abril de 2023 e publicação oficial da SET.  

Quanto ao ambiente de negócios potiguar, constatou-se que, diante da retomada a níveis maiores de produção, a preocupação se deslocou para: o aumento do número de inadimplência entre clientes do setor do comércio e serviços que sofreram impactos econômicos e não estão em condições de cumprir obrigações presentes e futuras; eventual redução na produção, tendo em vista o aumento substancial no estoque gerado pela queda nas vendas durante a primeira semana de crise; aumento nos preços da logística e distribuição, com impacto direto no preço dos produtos; a publicação do Decreto Estadual nº 32.542, em 24 de março 2023, que altera a alíquota do ICMS de 18% para 20%, o que representa, diante de todo o ocorrido, mais um elemento de perda de competitividade para indústrias potiguares.

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Categoria(s): Economia / Segurança Pública/Polícia
quinta-feira - 11/07/2019 - 03:22h
Marcha à-ré

Pressionado, governo recua de resolução do “calote”

Governo estadual e setor produtivo do RN se reuniram nesta quarta-feira (10) pela primeira vez dentro do Comitê de Relacionamento com Fornecedores (COREF), criado no último dia 26 (veja AQUI). Encontro foi na Governadoria, com presença da própria governadora Fátima Bezerra (PT).

Entidades empresariais levaram governo a recuar, quebrando resolução bastante criticada (Foto: Ivanísio Ramos)

O Governo do Estado se comprometeu em revogar a Resolução nº 02/2019 do seu Comitê de Gestão e Eficiência, que estabelecia espécie de “moratória” de débitos com fornecedores e prestadores de serviços, sem tempo para pagamento. Entretanto, mantém a orientação de prioridade para débitos contraídos na atual gestão, ficando em análise as dívidas da ordem de R$ 2,4 bilhões da administração passada.

Além disso, também será traçado um perfil detalhado da dívida do Estado com seus fornecedores de bens e serviços para ser apresentado na próxima reunião.

Outro recuo

A gestão Fátima Bezerra mais uma vez recua de decisão como tantas outras em tão curto espaço de tempo. Sentiu-se pressionada por engavetar (veja AQUI) débitos bilionários e engatou marcha à ré.

A Resolução de nº 02/2019 tinha sido rotulada como “calote” (veja AQUI), segundo nota da Federação das Indústrias do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN (FECOMÉRCIO/RN). O Coref foi instituído às pressas para tentar evitar fosso e ruptura entre governo e setor produtivo, o que poderia levar o estado ao colapso, como na área de saúde.

Integrantes da Federação das Indústrias do RN (FIERN), Fecomércio, Federação da Agricultura (FAERN), Federação das Associações Comerciais do RN (FACERN) e Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL) estiveram na reunião.

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Categoria(s): Administração Pública / Economia
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