domingo - 21/12/2025 - 09:24h

Um conto de Natal

Por Odemirton FilhoImagem natalina, natal, festa de natal, luzes, brilho - 5

O clássico livro do escritor inglês, Charles Dickens, que tem o título desta crônica, inspirou-me a escrever o presente texto. O romance tem como personagem principal o senhor Scrooge, um velho rabugento que odeia o Natal e tudo que o envolve. Ele trabalha em um escritório em Londres com o seu empregado, Bob Cratchit.

No entanto, o fantasma de um falecido sócio de Scrooge aparece para ele, dizendo-lhe que três fantasmas irão acompanhá-lo em uma viagem ao passado, presente e futuro, a fim de que o velho repense a sua vida e seus valores.

Eis, em breves palavras, o resumo do mencionado livro.

De fato, a época do Natal é momento de inúmeras confraternizações, trazendo lembranças e saudades. Muitas famílias e amigos se reúnem nesse período para trocarem presentes e degustarem uma deliciosa ceia, além de sorrisos, abraços e discursos com palavras bonitas e reflexivas.

Por outro lado, entretanto, celebrar o Natal não é a realidade de milhões de pessoas. Para quem não tem o que comer, um teto para se abrigar e um lençol para se cobrir, a Noite do Natal é somente mais uma. Há, também, quem ache essas confraternizações uma verdadeira hipocrisia, pois no ambiente de trabalho, e até mesmo no seio das famílias, existem aqueles que adoram “puxar o nosso tapete”.

De toda forma, a época do Natal, para quem acredita no “clima natalino”, é a oportunidade de repensar atitudes e valores. O que fizemos? Em que posso melhorar enquanto pessoa? Talvez, fazer mea-culpa seja fundamental para se tentar uma mudança na forma de pensar e, sobretudo, de agir.

Certa vez, o escritor José Lins do Rego disse que “não há mais ninguém, neste mundo de Deus, que acredite em sentimentos humanos, em grandeza de alma, em boas intenções”. Eu, todavia, creio que não devemos deixar de acreditar na criatura, porque se assim for, deixaremos de acreditar no Criador.

Enfim, caro leitor, eu não sei se você credita no espírito do Natal. Porém, desejo-lhe muita saúde, sossego e uma ruma de coisas boas.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

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Categoria(s): Crônica
domingo - 26/12/2021 - 09:38h

O que estamos comemorando?

Por Inácio Augusto de Almeida

Chega dezembro trazendo sempre a mesma pergunta que até hoje não consigo responder.

Por que antes de ouvir falar em Jesus Cristo eu já admirava Papai Noel?

E dizemos que estamos comemorando o Natal, o nascimento do Salvador. Digo dizemos, porque, nas conversas ao redor da mesa farta, de quem menos falamos é de Jesus Cristo. presépio, festa natalina, Jesus Cristo, manjedoura

Poderíamos até trocar o nome noite de Natal para noite da ostentação.

Não convidamos a humildade para a festa do mais humilde entre os humildes que por aqui passaram.

Imagine um faminto batendo a uma porta e pedindo um pouco de comida na noite dedicada ao mais caridoso de todos os homens?

Quantos na noite de Natal, que conversam alegremente, falam da fé que devemos propagar a todos?

De esperança até falamos. Mas não, da esperança de um mundo mais fraterno. É da esperança de um acúmulo maior de bens materiais que falamos.

A caridade parece que se foi com Madre Teresa de Calcutá e Irmã Dulce. Não nos lembramos da caridade amorosa, do bem querer ao semelhante.

A nossa caridade, quando acontece, se resume a doação que fazemos sem olhar nos olhos daquele a quem estamos ajudando. Esquecemos que eles também precisam de afeto.

Noite de Natal, noite que deveria ser totalmente dedicada ao amor.

Visitamos algum asilo de velhinhos ou um hospital para levar palavras de conforto a quem, mais do que de bens materiais, necessita de uma palavra amiga?

Quando jovem eu me perguntava por que Deus não fazia de todas as noites, noite de Natal.

Hoje eu entendo a sabedoria do Criador ao limitar a apenas uma noite por ano a comemoração do nascimento de Jesus Cristo.

Se com apenas uma noite por ano para reverenciar àquele que carregou a cruz sozinho para nos livrar dos nossos pecados esquecemos do aniversariante e dos seus belos ensinamentos, imagine se todas as noites fosse noite de Natal.

Para os nossos pequenos filhos e netos, hoje é a noite de Papai Noel.

A noite de Jesus está no coração daquele que tem fartura de amor no coração.

Um dia nos convenceremos de que FÉ, ESPERANÇA e CARIDADE são mais importantes do que ORGULHO, OSTENTAÇÃO e DESAMOR.

Que nossos filhos e netos aprendam que hoje é a noite de Jesus Cristo.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

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Categoria(s): Crônica
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 20/12/2020 - 10:32h

O Natal na casa de meus avós

Por Odemirton Filho

Na noite em que se comemora o Natal, com os meus pais, minhas irmãs, tios e primos íamos à casa dos meus avós. Éramos recebidos com enorme carinho e alegria.

A residência ficava lotada. Meninos e meninas de todas as idades. Os que já eram adolescentes não queriam conversa com os menores. Só falavam em namoro.Já as crianças ficavam correndo pra lá e pra cá, brincando, numa verdadeira festa.

Os adultos, sentados à mesa, conversavam. Talvez sobre as dificuldades do ano que estava perto de terminar. De vez em quando reclamavam da zoada que fazíamos e para que não sujássemos a roupa nova.

Nem escutávamos. Queríamos era brincar e aproveitar o momento.

Antes da ceia, os nossos pais distribuíam os presentes. E, claro, o amigo secreto. Aquele momento de palavras bonitas, choros e risadas.

Sempre tinha um tio ou tia que gostava de fazer um discurso. Minha avó, evangélica, conduzia a oração. Meu avô devia ficar pensando em seus ideais comunistas. Ficávamos doidos para que aquela ladainha acabasse logo.

Depois, a hora da ceia. Comida à vontade, para todos os gostos. Os mais gulosos faziam uma verdadeira “serra” no prato. Ficávamos “tirando onda” uns com os outros.

Até as primas comiam muito, não tinha essa de emagrecer. Se você vacilasse ficava sem comer o peru. Às vezes, sobrava a farofa. Não dava nem pra fazer um “RO”.

Era, sem dúvida, uma das melhores noites de minha infância. Esperava o ano todo pelo Natal.

Hoje, sem a presença de meus avós, a casa da rua 06 de Janeiro está vazia e em silêncio. Tios e primos se reúnem com as suas famílias. A vida, como é natural, cuidou de nos afastar.

Se o leitor viveu momentos como esses, talvez boas lembranças tocaram o seu coração e a sua alma.

Para mim, daquelas noites de Natal, restaram saudades. Muitas. Das grandes.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

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Categoria(s): Crônica
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