terça-feira - 10/03/2026 - 21:50h
Alô, Camaradinha

Curta-metragem sobre Caby da Costa Lima terá pré-lançamento

Cópia de convite

Cópia de convite

Chegou esse convite:

O Banco do Nordeste Cultural Mossoró e a Íntegra Comunicação convidam Vossa Senhoria para o pré-lançamento do filme “Alô, Camaradinha!”, curta-metragem do diretor Esdras Marchezan.

O evento acontecerá no próximo dia 19 de Março, às 19h, no Cafezal Café & Bistrô, do Memorial da Resistência. Também será aberta a exposição “Alô, Camaradinha”, no salão Joseph Boulier, no mesmo local. A exposição continuará até o dia 22, sempre a partir das 17h.

“Alô, Camaradinha!” é um curta-metragem documental sobre o radialista Caby da Costa Lima. “Um filme sobre memória, saudade e muito afeto”, define a produção.

Você é nosso (a) convidado (a).

Pré-lançamento
Filme: Alô, Camaradinha!
Data: 19 de Março de 2026
Hora: 19h
Local: Cafezal do Memorial da Resistência

Nota do BCS – Convite aceito. Encontro marcado.

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Categoria(s): Cultura / Gerais
domingo - 15/02/2026 - 09:20h

Vou de filme

Por Marcelo Alves

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Já disse aqui algumas vezes que é meu costume, antes de viajar para o exterior, ler um livro cuja história/estória esteja ambientada na cidade/país para onde eu vou. É muito bom, asseguro.

Não seria diferente neste verão, já que tinha/tenho uma viagem programada, para o período do Carnaval, com destino ao Marrocos. Portanto, em janeiro, fui para Pirangi/RN misturado na seguinte lógica: litoral, praia e calor. Marrocos: litoral, praia, deserto e, talvez, até mais calor. Mas não achei o livro ideal sobre o Marrocos. Então, escolhi um livro ambientado na Argélia. São países alegadamente com geografia e urbanização comuns, litorâneos, vizinhos, calorentos, ali no Magrebe africano.

O livro escolhido: “La peste” (1947), de Albert Camus (1913-1960), nesse caso com o adendo de ser uma edição em francês (edição de poche da coleção “Folio” da editora Gallimard, 2003), o que, de quebra, ajudaria na proficiência desse idioma ainda falado por aquelas bandas. Daria certo. Afinal, como consta do primeiro parágrafo deste clássico de Camus: “Os curiosos acontecimentos que são o tema desta crônica ocorreram em 194., em Oran. (…) À primeira vista, Oran é, crucial que se diga, uma cidade comum, nada mais que uma administração francesa no litoral argelino”.

“A peste”, rivalizando com “O estrangeiro (1942), é o mais badalado romance de Albert Camus. É muito provavelmente o mais célebre romance sobre “epidemias”. O título ajuda bastante, é verdade. É impactante. Mas o conteúdo é também excepcional.

Em 1940, substituindo os horrores da 2ª Guerra Mundial, uma peste bubônica devasta a cidade de Oran, na costa argelina. A verdadeira Oran foi outrora tomada por outras pragas, a bubônica e a cólera entre elas, mas a narrativa de Camus supera os fatos. Namora com o absurdo. Romance existencialista, é a crônica de uma luta, a dos habitantes da cidade, subjugados pela natureza humana e pelo destino, contra a doença que se torna cada dia mais assustadora. E, claro, há o prestígio do autor.

Camus, argelino, órfão de pai, crescido entre o mar e o sol, resistente francês, diretor da revista Combat, filósofo e ficcionista, prêmio Nobel de literatura em 1957 e falecido muito jovem, em 1960, em um acidente de carro tão absurdo como foi sua própria vida. Tudo isso junto faz de “A peste” um clássico das letras francesa e universal.

Ledo engano. A praia e o calor de Pirangi não estavam propensos à leitura, sobretudo de um livro em francês de um autor existencialista. Cansei nas primeiras páginas. Fui tomar banhos de mar com o pequeno João e, quando podia, “pernas pro ar”, que ninguém é de ferro. No mais, divaguei, xeretei, pensei e me lembrei de Casablanca, a cidade (que seria/será a primeira parada do nosso périplo pelo Marrocos) e, em especial, do filme homônimo. Fui de filme. Ingrid Bergman

Casablanca é considerado um dos melhores filmes de todos os tempos, um clássico do ano de 1942 (direção de Michael Curtiz e vencedor de três Oscars), um drama romântico que busca, em tempos de guerra, traçar a saga dos que tentavam fugir da Europa e África, ocupadas pelos nazistas, para regiões livres do mundo. E talvez nada no filme chame mais atenção do que o fato de a personagem de Humphrey Bogart (Rick) abrir mão do amor de Ingrid Bergman (Ilsa), sob um aparente sentimento patriótico, que ele parecia não possuir. “Sempre teremos Paris”, disse. É um tanto revoltante. Só podiam ser tempos de guerra...

De toda sorte, pesquisando sobre Casablanca” (o filme), descobri num curioso livro que possuo, “Film Facts” (Aurum Press, 2001), de Patrick Robertson, o seguinte: “Crédito único para uma única versão de Casablanca é o caso da violação de Copyright por João Luiz Albuquerque. O dito cineasta brasileiro recortou o filme para uma exibição privada no antigo FestRio. Na célebre cena do aeroporto, Ingrid Bergman não toma o avião que deixa Casablanca e, sim, volta para os braços de Humphrey Bogart”.

Bom, assim irei ao Rick’s Cafe Americain de Casablanca na (vã) esperança de que despedidas eternas nunca mais aconteçam.

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL

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segunda-feira - 02/02/2026 - 16:46h
Homenagem

Curta-metragem revive memória do radialista Caby da Costa Lima

Imagem: divulgação

Imagem: divulgação

Os fãs e amigos do radialista Caby da Costa Lima poderão, em breve, matar um pouco da saudade do camaradinha, ao vê-lo no filme produzido em sua homenagem pela dupla Esdras Marchezan e Alice Lira Lima. Esdras é jornalista e documentarista, além de professor da Universidade do Estado do RN (UERN), e dirige o documentário de curta metragem “Alô, Camaradinha”. Alice é também jornalista, filha de Caby, e assina o roteiro do filme, junto com Esdras.

O filme deve ter suas primeiras exibições em março deste ano.

A ideia do filme começou a ser desenhada ainda em 2023, quando Esdras conheceu Alice e viu algo muito especial na relação dela com o pai, alguém que ele já pensava retratar em um novo trabalho. “Desde que Caby nos deixou, fiquei pensando em como devemos contar e preservar a história de pessoas que tanto contribuiram com a nossa cidade. Ao conhecer Alice e sua história com Caby, percebi que o filme que eu queria fazer ia além do histórico. Era preciso contar a história do afeto”, explica.

É nessa linha que o filme se desenvolve, com Alice tendo papel especial na narrativa sobre seu pai, figura emblemática e querida demais pelos mossoroenses.

“Alô, Camaradinha” é o terceiro documentário de Esdras Marchezan. Produzido com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, com operacionalização da Secretaria de Cultura de Mossoró, o filme tem direção de Esdras, roteiro e argumento dele e de Alice Lira Lima, produção executiva de Izaíra Thalita e Íntegra Comunicação, edição e montagem de Romero Oliveira, interpretação em libras de Daniel Guedes, e designer de João Azevedo, da LabCais.

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Categoria(s): Cultura
domingo - 01/06/2025 - 09:56h

Vida e arte em Nuremberg

Por Marcelo Alves

Foto com alguns dos principais criminosos nazistas (Reprodução da Web)

Foto com alguns dos principais criminosos nazistas (Reprodução da Web)

Por estes dias, enviei um artigo para a revista da Academia de Letras Jurídicas do Rio Grande do Norte – ALEJURN analisando, de uma forma mais extensa do que é possível num espaço de jornal, o filme “Julgamento em Nuremberg” (“Judgment at Nuremberg”), de 1961.

Um clássico dos “filmes de tribunal”, do ponto de vista cinematográfico, “Julgamento em Nuremberg” é simplesmente uma película fantástica. Sob a direção de Stanley Kramer, é protagonizado por gente do top de Spencer Tracy, Burt Lancaster, Marlene Dietrich, Judy Garland, Montgomery Clift, Richard Widmark, Maximilian Schell, Werner Klemperer e William Shatner, entre outros. Em 1962, ele foi indicado a onze estatuetas do Oscar, entre elas as de melhor filme, melhor direção, melhor roteiro adaptado, melhor fotografia, melhor direção de arte, melhor ator (duas vezes) e por aí vai.

Levou dois prêmios, melhor ator (Maximilian Schell) e melhor roteiro adaptado (para Abby Mann), aos quais se somaram alguns globos de ouro. Ao mesmo tempo “film d’acteurs” e “film à thése”, “Julgamento em Nuremberg” dramatiza um acontecimento verídico – na verdade, uma parte dele, e mesmo assim com muita liberdade, já que estamos falando de ficção –, o “julgamento dos juízes” pós-2ª Guerra Mundial, em que, embora não fossem eles as maiores autoridades do sistema de justiça nazista (estas estavam já falecidas), nove membros do Ministério da Justiça do Reich e sete membros de tribunais do povo e de tribunais especiais foram acusados de abusar dos seus poderes de promotores e juízes para cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade, fomentando e autorizando a perseguição racial e horrendas práticas de eugenia, entre outras coisas, levando à prisão e à morte inúmeros inocentes.

O julgamento durou de 5 de março a 4 de dezembro de 1947. Dez dos acusados foram condenados, quatro absolvidos e dois acabaram não julgados.

E foi com a repercussão do envio do artigo que mais uma vez observei algo curioso na relação arte e vida, ficção e fato. Embora o “julgamento dos juízes” não tenha sido nem de longe o mais importante dos julgamentos então acontecidos na cidade de Nuremberg, ele é hoje, pela força de Hollywood, um dos mais badalados. A versão supera os fatos; a arte, muitas vezes, a vida.

De fato, os “julgamentos de Nuremberg”, decorrentes dos horrores acontecidos na 2ª Guerra Mundial, começaram em 20 de novembro de 1945 e terminaram em 13 de abril de 1949. O principal julgamento, o primeiro deles, teve fim em 1º de outubro de 1946 e concentrou-se na suposta cúpula do regime nazista. Vinte e quatro líderes foram indiciados/denunciados, vinte e um réus acabaram sendo ali julgados, gente como Hermman Goering, Ruldof Hess, Joaquim von Ribbentrop, Alfred Rosenberg, Albert Speer e Franz von Papen, que dispensam apresentações, e até militares como Erich Raeder, Wilhelm Keitel, Alfred Jodl e Karl Dönitz.

A ideia, deveras louvável em termos civilizatórios, era de que, com esses julgamentos, os nazistas seriam severamente punidos, mas de uma maneira digna, o que serviria de exemplo para a posteridade. Como lembra Paul Roland (em “The Nuremberg Trials: the Nazis and their Crimes against Humanity”, Arcturus Publishing, 2010), “os julgamentos não fizeram do mundo um lugar mais seguro, nem eles erradicaram a injustiça, a perseguição religiosa e racial, a escravidão, a tortura e o genocídio. Entretanto, os julgamentos de Nuremberg estabeleceram um precedente no sentido da punição dos responsáveis por crimes que a comunidade internacional considera intoleráveis – onde e por quem quer que eles tenham sido cometidos. Depois de Nuremberg, nenhum chefe de Estado pode alegar estar acima do direito e indivíduos não podem mais evadir-se de suas responsabilidades escondendo-se atrás da impessoalidade da administração à qual serviram. A limpeza étnica, a guerra selvagem e os responsáveis por esses males/crimes são agora puníveis sob o direito internacional. Nós agora temos claros códigos de conduta onde uma vez havia incerteza e ambiguidade. Militares não podem mais alegar que foram forçados a cometer crimes sob coação, nem podem se fiar na [antes tão comum] tese de que foram simplesmente obrigados a cumprir ordens superiores”.

Embora tenha sido apenas no primeiro julgamento que as quatro grandes potências aliadas (EUA, Reino Unido, França e União Soviética) estiveram oficialmente representadas com seus respectivos julgadores, subsequentemente, a partir de 9 de dezembro de 1946, foram levados a cabo, pelos americanos, mais doze julgamentos de criminosos de guerra nazistas de suposta menor relevância. E o nosso real e dramatizado “julgamento dos juízes” foi, anote-se, apenas um deles.

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL

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sexta-feira - 04/04/2025 - 15:54h
Cinema

“Nas Trilhas do Poeta” chega à telona versando sobre Antônio Francisco

Cartaz divulga o filme que estreará dia 24 (Reprodução do BCS)

Cartaz divulga o filme que estreará dia 24 (Reprodução do BCS)

A poesia vai tomar conta da tela. No próximo dia 24 de abril, às 19h, o Multicine Cinemas, no Partage Shopping Mossoró, fará uma sessão especial com a estreia do filme “Nas Trilhas do Poeta”, um documentário sobre a vida e obra do poeta Antônio Francisco.

Com produção de Lígia Saraiva, o filme foi realizado com recursos federais da Lei Paulo Gustavo, com operacionalização da Prefeitura Municipal de Mossoró, por meio da Secretaria Municipal de Cultura. Os ingressos são gratuitos e serão distribuídos pouco antes da exibição.

“Nas Trilhas do Poeta” faz um passeio pelas lembranças de infância do poeta, em sua relação com a cidade de Mossoró e alguns lugares importantes da cidade para sua formação afetiva. Com a participação de amigos e familiares, quem assiste ao filme sente-se dentro da casa de Antônio, compartilhando de suas conversas, suas memórias e seu amor pela poesia.

Antônio e sua cidade

O projeto foi pensado pela família do poeta como forma de homenageá-lo e também de evidenciar a forte relação afetiva entre a obra de Antônio e a cidade de Mossoró.

No filme, Antônio conta suas histórias, tendo o neto, Segundo Neto, como interlocutor. Segundo, também poeta, faz parte de um grupo de crianças – hoje, adolescentes -, que encontraram no cordel uma paixão, guiados pelo exemplo e inspiração em Antônio Francisco. Os poetas mirins já participaram de programações culturais diversas, inclusive o Mossoró Cidade Junina (MCJ).

Outro aspecto retratado também é a história de amor entre o poeta e Dona Nira, a sua musa, como ele mesmo descreve.

Membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Doutor Honoris Causa da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e Patrimônio Vivo do Rio Grande do Norte, Antônio Francisco é um dos maiores expoentes da poesia popular brasileira, com obras adotadas em redes públicas de ensino e pesquisas em universidades do Brasil e do mundo.

Caráter social

Com uma obra marcada pela capacidade inventiva e de forte caráter social, Antônio Francisco fez da literatura de cordel seu principal instrumento em favor da transformação do mundo. Pela poesia e pela leitura, sua arte encanta e educa, com afeto, inteligência e muita esperança.

Após a exibição de estreia, “Nas Trilhas do Poeta” deve percorrer escolas e universidades, em apresentações gratuitas.

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Categoria(s): Cultura
segunda-feira - 03/03/2025 - 09:32h
Oscar

“Ainda estou aqui” é o Melhor Filme Internacional

O Oscar de Melhor Filme Internacional vai para “Ainda Estou Aqui”. A produção do diretor Walter Salles faz história, conquistando uma das principais categorias da grande noite do cinema, superando produções da França, Irã, Irlanda e Letônia.

O prêmio foi entregue pela atriz espanhola Penelope Cruz ao cineasta brasileiro Water Salles. A solenidade ocorreu no Dolby Theatre, em Los Angeles, EUA, já na madrugada desta segunda-feira (03), horário do Brasil.

Em seu discurso, Walter Salles homenageou Eunice Paiva. “Uma honra tão grande. Isso vai para uma mulher que teve uma perda tão grande. Esse prêmio vai para ela, Eunice Paiva, e para as mulheres extraordinárias que deram vida a elas, Fernanda Torres e Fernanda Montenegro.”

“Obrigado, primeiramente, em nome do cinema brasileiro. Estou muito honrado de receber isso dentre um grupo de cineastas extraordinários. Isso vai para uma mulher que, após uma perda sofrida durante um regime autoritário, decidiu não se dobrar, mas resistir. Esse prêmio é para ela, seu nome é Eunice Paiva. E também vai para as duas mulheres extraordinárias que lhe deram a vida, Fernanda Torres e Fernanda Montenegra. Tom, Bernard e Michael, vocês são os melhores. Muito obrigado por isso, é algo extraordinário.”

O filme conta a história de Eunice Paiva, mãe de 5 filhos, que precisa lidar com o desaparecimento de seu marido, o engenheiro Rubens Paiva, arrancado de casa e assassinado pela ditadura militar. O filme é baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva, filho caçula de Eunice e Rubens.

*Produção brasileira concorreu ainda ao Melhor Filme, mas vencedor foi “Anora.” A outra disputa foi por Melhor Atriz, que Fernanda Torres foi superada por Mikey Madison, também de Anora.

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domingo - 24/12/2023 - 07:38h

Juristas e bacharelas

Por Marcelo Alves

Cena do filme Legally Blonde (Reprodução)

Cena do filme Legally Blonde (Reprodução)

Não apenas de homens “práticos” é feito o direito. Há também os juristas, numa acepção peculiar do termo, para designar os pesquisadores, doutrinadores, professores e estudantes dessa ciência. E eles têm também o seu devido espaço na literatura universal.

O enorme Honoré de Balzac (1799-1850), o “Napoleão das letras”, por exemplo, se apropriou de muitas coisas do direito: instituições (casamento, herança, falência, crime etc.), linguagem, cenas/dramaticidade e, por que não, de seus juristas. “A comédia humana”, herdeira do “Code Napoléon”, é pródiga em juristas. Aqueles imaginados pelo autor, claro. Mais de 50 “homens da lei”, todos com lugares especiais dentro da “Comédia”, como teria certificado Peirre-François Mourier, em “Balzac, L’injustice de la loi” (Michalon Editeur, 1996). E, mais curiosamente,  juristas de verdade, grandes nomes da França, alguns deles professores de Balzac na Faculdade de Direito de Paris, como Hyacinthe Blondeau (1784-1854), Louis-Barnabé Cotelle (1752-1827), Charles Toullier (1752-1835) e Raymond-Theodore Troplong (1795-1869) ou os famosos quatro “redatores” do Código, Jean-Étienne-Marie Portalis (1746-1807), François Denis Tronchet (1726-1806), Jacques de Maleville (1741-1824) e Bigot de Préameneu (1747-1825), que são citados ou aludidos pelo autor em seus romances.

Assim também o fez o gigante Miguel de Cervantes (1547-1616), o pai do “Dom Quixote de la Mancha” (1605). Grandes jurisconsultos são citados nas obras de Cervantes, anota Luis E. Rodríguez-San Pedro Bezares, em “Atmósfera universitaria em Cervantes” (Ediciones Universidad Salamanca, 2006). Por exemplo, “o nome de Justiniano é referido pela boca da personagem Redondo na comédia Pedro de Urdemalas, ainda que de forma grosseira. O mesmo se dá com os importantes juristas medievais Bartolo ou Baldo”.

Em “La elección de los Alcaldes de Daganzo”, uma farsa, “num coro de músicos e ciganos, faz-se referência a Bartolo”. Há também “uma menção aos juristas Bartolo e Baldo em La tía fingida, atribuída por um tempo a Cervantes”.

De verdade ou fictícios, estudiosos e estudantes do direito também têm lugar, para além da literatura, no cinema. E aqui, no momento em que se discute o papel da mulher no sistema judicial brasileiro, com a controversa questão da inclusão do gênero como critério de promoções por antiguidade e merecimento na magistratura e no Ministério Público, faço referência ao popular filme “Legalmente loira” (“Legally Blonde”, 2001), adaptado do romance homônimo de Amanda Brown e estrelado pela engraçadíssima Reese Witherspoon.

Basicamente, quanto ao seu enredo, segundo o site em português do IMDb (Internet Movie Database), a patricinha Elle Woods, “uma rainha da irmandade da moda, é abandonada pelo namorado. Ela decide segui-lo para a faculdade de direito [no filme, a Harvard Law School]. Enquanto está lá, ela percebe que há mais nela do que apenas aparência”. “Legally Blonde” é um filme divertidíssimo. Foi sucesso de crítica e público. Ganhou uma sequência (“Legally Blonde 2: Red, White & Blonde”). Virou um musical, que, aliás, assisti em Londres. Adorei. Mas ele é também, sob a aparência de “bobinho”, bem mais do que isso.

Legally Blonde”, à sua maneira, representa um final rompimento com a tradição secular, no cinema, de os advogados (e outros operadores do direito) serem sempre personagens masculinos. Levando em consideração a completa ausência de mulheres advogadas em “I Am The Law” (1938), passando pelas personagens femininas de “Suspect” (1987), “The Accused” (1988), “Class Action” (1991) e “The Client” (1994), a onipresença feminina da personagem Elle Woods (interpretada por Reese Witherspoon) é um marco notável.

Bem construído, por detrás da máscara de bobinho, “Legally Blonde”, com a vitória profissional da protagonista e a demonstração da hipocrisia e preconceito masculinos (e de Harvard), tem um forte apelo em favor da mulher. Representa, em certa medida, o espaço que o “sexo frágil” vem ganhando no mundo do direito. “Mesmo de salto alto e vaidosas, as mulheres terão sempre mais espaço daqui para frente”, foi o que me disse certa feita uma amiga querida.

Têm alguma ou bastante razão, o filme e a minha amiga.

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República e doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL

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domingo - 19/11/2023 - 07:48h

A ética do advogado

Por Marcelo Alves

Cena do filme "A anatomia de um crime" (Reprodução)

Cena do filme “A anatomia de um crime” (Reprodução)

A literatura e o cinema são abundantes em personagens advogados. Poucas profissões – certamente nenhuma outra profissão do direito, com exceção dos policiais, se tida esta como tal – foram tão retratadas em obras de ficção. Positiva ou negativamente. Mas deixarei a nomeada dessa plêiade de causídicos ficcionais à boa memória de vocês.

Aqui vou me concentrar em dois desses advogados, personagens principais de dois clássicos do cinema, por sua vez inspirados/adaptados de obras literárias: o advogado Paul Biegler, personagem de Jimmy Stewart (1908-1997) em “Anatomia de um Crime” (1959) e o advogado Atticus Finch, interpretado por Gregory Peck (1916-2003) em “O Sol é para Todos” (1962).

O enredo de “Anatomia de um Crime” gira em torno do homicídio cometido, em uma cidadezinha dos EUA, por um oficial do Exército, contra um homem violento que, alegadamente, teria estuprado sua aparentemente infiel esposa. Paul Biegler/Jimmy Stewart é o advogado do interior que um dia foi o Promotor de Justiça da cidade. Biegler é contatado pela provocante esposa para defender o marido. Ele não quer se envolver no imbróglio, mas, precisando ganhar a vida, acaba aceitando o caso. Biegler é o arquétipo do heroico advogado dos filmes americanos.

Mas será apenas isso? Um olhar crítico nos mostrará que não é bem assim, preto no branco, um filme de mocinhos contra bandidos. Por exemplo, no teatro do tribunal do júri o queridinho Biegler, fugindo do seu bom mocíssimo, pateticamente apresenta ao júri uma surrada calcinha, como evidência do crime sexual que teria levado ao crime de morte. Depois intencionalmente faz, para o júri, uma afirmação que ele, ética e legalmente, não deveria fazer. O júri é instado pelo juiz a desconsiderar essa afirmação. O réu pergunta ao seu advogado como o júri fará isso. A resposta é simples: “eles não farão, eles não conseguem” –, mostrando que um julgamento “se faz” com muito mais do que aquilo que está nos autos. O réu é assim absolvido.

No mais, assistindo ao filme, mesmo sendo contra o argumento de que o estupro justifica o homicídio, a gente torce pela absolvição, acredito que por empatia para com o advogado de defesa. É digno de nota como o ator Jimmy Stewart gera esse tipo de sentimento. Talvez o enxerguemos como em “Do mundo nada se leva” (1938) e “A felicidade não se compra” (1946). E isso é outra coisa a ser pensada: até que ponto os advogados obtêm os seus “resultados” com base em empatias e antipatias pessoais?

Quanto a “O Sol é para Todos”, faço uso do livro “100 filmes: da literatura para o cinema” (organizado por Henri Mitterand, BestSeller, 2010) para resumir o enredo: “Estado do Alabama, Grande Depressão da década de 1930. Desde a morte da mulher, Atticus Finch, advogado idealista, cria sozinho os dois filhos, Scout e Jem. Encarregado de defender um operário negro acusado de espancar e violentar uma jovem branca, Atticus enfrenta o ódio e o racismo da população local, em um julgamento de grande repercussão. Após uma tentativa de linchamento comandada pelo pai da vítima, Bob Ewell, o operário é condenado, apesar das provas de sua inocência. Desesperado, ele tenta fugir, e é abatido. Algum tempo depois, Scout e Jem são brutalmente agredidos por Ewell, mas Boo Radly, vizinho simplório da família Finch, interfere e mata acidentalmente o agressor. O caso é abafado por Atticus e pelo xerife da cidade, tanto mais que uma forte suspeita recai sobre Ewell no caso do estupro de sua filha”.

Anoto que Atticus Finch é talvez o advogado mais famoso da literatura e do cinema. Aquele que mais contribuiu para melhorar a imagem da classe, comumente malvista. Como anotam Ernesto Pérez Morán e Juan Antonio Pérez Millán (em “Cien abogados de ayer e de hoy”, Ediciones Universidad de Salamanca, 2010), “belo, generoso, sereno, sempre bem vestido, dedicado pai de dois filhos cuja mãe faleceu quatro anos atrás, Atticus Finch é um modelo de cidadão, admirado por seus vizinhos do condado de Macon que, em 1932, seguem sofrendo as consequências da quebra da bolsa de valores de 1929”.

Mas lembremos do final do filme. Após o julgamento do operário negro Tom Robinson, as crianças são salvas graças ao misterioso (e com transtornos psiquiátricos) Boo Radley. Bob Ewell é morto por Boo Radley, que é referido como uma das “cotovias” (“mockingbirds”) do filme. Um novo júri é ventilado, quiçá mais terrível que o primeiro, contra mais uma cotovia. Mas o xerife acaba dando o caso por encerrado. Relatará que Bob Ewell caiu, bêbado, ferindo-se mortalmente com a faca que levava. Ele “sentencia”: “há algum tempo morreu um negro inocente, agora foi um branco, o verdadeiro responsável por aquela morte. Que um morto enterre o outro. Não será errado proteger um inocente que fez um favor a todos”.

Scout dá razão ao xerife. As crianças Finch foram ensinadas a não ferir as cotovias (Tom Robinson e Boo Radley), que apenas cantam. Atticus, o advogado exemplo, comovido, aceita a decisão, agradece a todos e abraça sua filhinha. Mas seria essa a solução eticamente correta?

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras (ANRL)

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Categoria(s): Crônica
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domingo - 03/09/2023 - 11:42h
Filme

Cangaço Novo vira fenômeno e é 1º lugar em 49 países

Por NE 9

Filme é um sucesso que rompe as fronteiras do país (Foto: reprodução)

Filme é um sucesso que rompe as fronteiras do país (Foto: reprodução)

Você já assistiu a Cangaço Novo, a série brasileira que está fazendo sucesso no Amazon Prime Video? Se ainda não, você está perdendo uma das produções mais originais e envolventes dos últimos tempos. A série, que estreou no dia 18 de agosto, já é um fenômeno internacional e lidera os rankings da plataforma em diversos países, especialmente na África.

A série já entrou para o Top 10 das séries mais assistidas do serviço de streaming em 49 países, incluindo o Brasil. Desses, 24 estão localizados na África, 13 na América Latina e nove na Ásia. Na América do Norte, só o Canadá integra a lista, enquanto Portugal foi o país que mais consumiu a série na Europa. A Papua-Nova Guiné representa a Oceania.

Em países como Angola, Cangaço Novo já passou 12 dias no ranking, sendo oito deles no topo. Em Moçambique, o seriado ocupa a posição de série mais assistida desde o dia 20 de agosto. Já em nações como a Costa do Marfim, que não tem o português como idioma oficial, a produção também vai bem: são 13 dias no ranking, sendo cinco em primeiro lugar. Os dados foram compilados pelo site FlixPatrol.

Mas qual é o segredo do sucesso de Cangaço Novo? Segundo os criadores da série, a ideia era mostrar parte da história brasileira que é pouco conhecida fora do país, mas que tem muitas semelhanças com outras lutas sociais pelo mundo. Além disso, eles queriam criar uma obra que fosse ao mesmo tempo divertida e reflexiva, que mostrasse a diversidade cultural e étnica do Brasil, e que valorizasse a identidade nordestina.

Como é a série?

Cangaço Novo é uma série que merece ser vista por todos os amantes de boas histórias. É uma obra que celebra a cultura brasileira e que dialoga com questões universais como liberdade, amor, justiça e resistência. Se você ainda não assistiu, aproveite para maratonar essa série incrível no Amazon Prime Video.

A trama gira em torno de Ubaldo (Allan Souza Lima), um bancário paulista que descobre ter duas irmãs e uma herança em Cratará, uma cidade fictícia do Ceará. Lá, ele se depara com um mundo de cangaceiros modernos, que usam técnicas de ‘domínio de cidades’ para assaltar bancos e enfrentar a polícia corrupta. Ubaldo é visto como o sucessor de seu pai, Amaro Vaqueiro, um lendário cangaceiro dos anos 90, e tem que lidar com os conflitos morais e os perigos dessa nova realidade.

Locações

A maioria das cenas de Cangaço Novo foram gravadas na Paraíba e no Rio Grande do Norte. Cidades como Cabaceiras e Pocinhos, no Cariri paraibano foram estratégicas para muitas das cenas. Quando o assunto era tratar uma cidade grande (já que todo o contexto da série se passa no Ceará e em municípios fictícios) Campina Grande era o local escolhido.

O Seridó também está bem presente, com locações tanto na Paraíba quando no Rio Grande do Norte, a terra natal de ninguém menos que Alice Carvalho, a protagonista Dinorah.

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sábado - 11/02/2023 - 09:44h
Realidade

Privacidade na Internet

Cena do filme Janela Indiscreta (Reprodução do Canal BCS)

Cena do filme Janela Indiscreta (Reprodução do Canal BCS)

Um dos paradoxos das redes sociais, até aqui insolúvel, é conseguir privacidade com superexposição.

Se sua vida é do baile, do BBB, não queira cobrar dos seguidores o indevassável e solene zelo dos monastérios.

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Categoria(s): Opinião da Coluna do Herzog / Só Pra Contrariar
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domingo - 05/02/2023 - 12:32h

Cafundó de Gente quer fomentar produção audiovisual mossoroense

Por Esdras Marchezan

Movimento mobiliza inúmeras pessoas focadas na produção audiovisual (Foto: divulgação)

Movimento mobiliza inúmeras pessoas focadas na produção audiovisual (Foto: divulgação)

Há alguns anos, o cenário da produção audiovisual vem apontando um crescimento em Mossoró, com produtores e coletivos independentes apresentando novos trabalhos nos campos da ficção e documentário. Para somar forças e colaborar com a consolidação da cena audiovisual mossoroense, um novo coletivo se apresentou à cidade na semana passada.

O Cafundó de Gente Coletivo Audiovisual lotou a sala de exibição do SESC Mossoró, em duas sessões, com mais de 120 pessoas prestigiando a estréia do primeiro filme do grupo, o curta-metragem “50%”.

O filme foi produzido pela e Embolada Filmes, e realizado pelo Cafundó de Gente. A direção é de Luíza Gurgel e Madson Ney. O elenco é formado por Plínio Sá, Madson Ney e Thiago Bento; a direção de fotografia é de Evelyn Freitas; a direção de arte, de Fefo; entre outros produtores da cidade.

De acordo com o grupo, a proposta do coletivo é contribuir com a formação de novos produtores audiovisuais, com a produção de filmes em Mossoró e por realizadoras e realizadoras mossoroenses, além de pautar o audiovisual junto ao Poder Público.

Integram o coletivo: Luiza Gurgel, artista, bailarina, escritora, produtora cultural, jornalista, documentarista, produtora audiovisual, codiretora da Atuá Produções e redatora da plataforma Reticências Culturais; Plínio Sá, ator, diretor, cineasta, produtor cultural, codiretor da Atuá Produções e idealizador do Festival Alternativo de Cinema de Mossoró (FACIM); Esdras Marchezan, jornalista, professor, escritor, produtor audiovisual e cultural, documentarista e atual Pró-reitor de Extensão da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (PROEX/UERN); Madson Ney, ator, diretor, produtor audiovisual, roteirista, produtor cultural e diretor da Embolada Filmes; Evelyn Freitas, diretora de fotografia, produtora audiovisual e codiretora da Flex Produções; Medson Rigne, artista, produtor cultural, técnico de áudio e integrante da Cia.

Temos ainda a Pão Doce de Teatro; Artur Marques, professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e produtor audiovisual; Elli Cafrê, documentarista, jornalista, produtora audiovisual e roteirista da Rede Globo; e Fefo, artista, produtor audiovisual, jornalista, documentarista e gestor de conteúdo da TCM Telecom.

Para quem quiser conhecer mais as propostas e trabalho da equipe, basta seguir a conta @cafundodegente, no Instagram.

Esdras Marchezan é jornalista e professor da Uern

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Categoria(s): Crônica
segunda-feira - 26/12/2022 - 01:00h
De novo

“O cangaceiro do futuro” se prepara para atacar Mossoró

O cangaceiro do futuro - NetflixSe você tem o serviço online de streaming, Netflix, não perca a oportunidade de obter boa diversão, tão necessária nesses tempos de toxidade e pulverização do mal em busca de visualizações/seguidores em redes sociais.

A série “O Cangaceiro do Futuro” é um excelente achado, com produção nacional.

A comédia gira em torno de um personagem – Virguley – que se passa pelo cangaceiro Lampião. E Mossoró é frequentemente citada, pois o enredo está relacionado satiricamente aos dias que antecedem o ataque à cidade, em 13 de junho de 1927.

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Categoria(s): Gerais
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sexta-feira - 28/10/2022 - 15:30h
Filme

“Jararaca”, o Huno da nova espécie

Em 1927, um bando de cangaceiros liderados por Lampião acampava nas cercanias de Mossoró na iminência de uma invasão à capital do oeste potiguar. No calor dos acontecimentos, o jornal O Mossoroense estampava a seguinte manchete: “Os Hunos da nova espécie”, atribuindo ao Rei do Sertão e seu bando a mesma sede de conquista do povo nômade que ficou famoso por conquistar a Europa sob a liderança do Rei Átila.

Cartaz do filme de Augusto Lula, que tem estreia definida para 1º de novembro (Reprodução do Canal BCS)

Cartaz do filme de Augusto Lula, que tem estreia definida para 1º de novembro (Reprodução do Canal BCS)

A invasão de Lampião fracassou, mas deixou para trás uma lenda em torno do mais controverso ‘cabra’ do bando’: o cangaceiro Jararaca. É ele quem personifica o “O Huno da Nova Espécie”, título do novo curta-metragem do diretor natalense Augusto Lula.

O filme será lançado no dia 1º de novembro às 19h30 e 20h, no cemitério de São Sebastião, em Mossoró, e foi finalizado depois de 20 anos do início das filmagens.

José Leite Santana

Quinto projeto autoral do diretor, “Huno da Nova Espécie” traça a transformação do bandoleiro José Leite Santana, o Jararaca, no imaginário popular. Do fim trágico, quando estava sob custódia da polícia e foi praticamente enterrado vivo em uma cova no cemitério, depois de ter levado um tiro no peito e passar a noite na cadeia. Até os dias de hoje, uma figura cultuada pelo povo, a quem lhe atribui milagres.

Jararaca foi soldado raso do Exército, mas largou a instituição em busca de melhoria financeira no banditismo. Com seu conhecimento de artilharia, foi aceito no grupo. Apesar da curta trajetória no bando de Lampião, as circunstâncias de sua morte o tornaram uma figura mística décadas depois.

O túmulo no cemitério de Mossoró é um local de romaria e acredita-se que ele obra milagres, pois se arrependeu de seus pecados no momento antes de sua morte. “Jararaca passou de cangaceiro tido como sanguinário a santo popular. Seus milagres e má fama se confrontam até hoje no imaginário popular”, comenta o diretor Augusto Lula.

Para Augusto Lula, que não aguentava mais “carregar uma corcunda na cabeça “, mostrar a construção dessa devoção popular, da vida e morte, do deus e do diabo, purgatório, inferno e céu e da santificação pelo povo, muitas vezes não se consegue explicar.

Jararaca (centro), capturado e ferido, mas que depois foi executado (Reprodução/arquivo)

Jararaca (centro), capturado e ferido, mas que depois foi executado (Reprodução/arquivo)

“O Huno de uma Nova Espécie” conta com participações especiais da voz de Pedro Mendes e também de Cyro Papinha, ex-apresentador do programa policial Patrulha da Cidade. As imagens e entrevistas foram captadas no Dia de Finados de 2004 2005, 2007 e 2019 no cemitério de São Sebastião.

A produção é de Danielle Brito, e dos assistentes de produção Raquel Lucena, Paulinha Maux e Gustavo Luz. Imagens de Juliano (Steadicam), Augusto Lula e Danielle Brito. A arte em xilogravura é de Erick Lima.

Mixagem e masterização de Jota Marciano. Os textos narrados por Papinha são de Fenelon Almeida e Luís da Câmara Cascudo. A música cantada por Pedro Mendes é a introdução de ‘Sentinela’, de Milton Nascimento e Fernando Brant.

“Foram muitos anos tentando organizar as ideias e o filme não ficou como eu sonhava, mas a vida é muito curta e precisava colocar um ponto final no curta, pois o meu possível encontro com Jararaca no juízo final fica cada vez mais próximo no Dia de lágrimas (Lacrimosa), aquele que ressurgirá das cinzas um homem para ser julgado”, reflete o diretor.

“Portanto, poupe-o, ó Deus misericordioso Senhor Jesus e conceda-lhe a paz eterna, Amém,” finaliza.

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Categoria(s): Cultura / Gerais
segunda-feira - 24/10/2022 - 21:44h
Cultura

Grupo Clowns de Shakespeare celebra 30 anos com filme

A trajetória do grupo natalense Clowns de Shakespeare reflete a essência do teatro de grupo: uma jornada feita de descobertas, encontros, despedidas, desalentos, vitórias e muitos recomeços. Em 2013, o diretor Carito Cavalcanti acompanhou a trupe durante todo o ano, para fazer um documentário em comemoração ao vigésimo aniversário. A falta de verba impediu o grupo de concluir o filme. O projeto ficou suspenso por quase dez anos, até que em 2021 as atividades puderam ser finalmente retomadas.

Grupo tem história "sem fim" contada em filme documental (Foto: divulgação)

Grupo tem história “sem fim” contada em filme documental (Foto: divulgação)

O documentário “Um Filme Sem Fim” será lançado neste mês de outubro, em uma circulação por escolas públicas da capital, levando para os nossos jovens um pouco da história e do talento desse importante grupo de teatro potiguar.

“Um Filme Sem Fim” tem o patrocínio da Prefeitura do Natal e Colégio CEI, via Lei Djalma Maranhão, apoio do SEBRAE-RN, realização Clowns de Shakespeare e Praieira Filmes e coprodução Bobox Produções.

Durante os últimos anos o grupo Clowns de Shakespeare passou por várias transformações. O grupo circulou por todo o Brasil e vários países da América do Sul e da Europa. Em cerca de 1300 apresentações, 26 espetáculos e inúmeras ações pedagógicas e de pesquisa, mais de setenta integrantes entre atores, atrizes e técnicos participaram dessa jornada.

O filme é um recorte pessoal de uma história que parece não ter fim. E talvez não tenha mesmo, pois já é memória enquanto ainda está sendo escrita: o registro de um trabalho coletivo que é feito da mesma matéria dos sonhos.

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Categoria(s): Cultura
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quarta-feira - 30/06/2021 - 12:38h
Brasil

O dólar furado

O dolar furado - Giuliano GemmaRefilmagem no Brasil de um clássico do Faroeste Espaguete, “O dólar furado”, promete agitar o restante da semana no país.

Ou até mesmo os próximos meses.

Já comprei pipoca e guaraná.

Leia também: Um dólar de propina por dose de vacina mexe com Governo Bolsonaro.

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Categoria(s): Política / Só Pra Contrariar
segunda-feira - 10/02/2020 - 14:40h
Brasil

Sem Oscar

Como de costume, não vi entrega do Oscar ou qualquer filme disputante.

Nem possuo talento e estudo para comentar qualquer fita tecnicamente.

Mas acho importante quando um filme brasileiro vai à disputa, independentemente do seu conteúdo.

Não é vertigem.

É Brasil.

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Categoria(s): Opinião da Coluna do Herzog
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sábado - 22/04/2017 - 08:30h
Mossoró

“Era Uma Vez Lalo” estreia hoje no telão do Multicine

Filme teve produção local (Foto: divulgação)

O filme “Era Uma Vez Lalo” estreia neste sábado (22), às 13h, no Multicine Cinemas, localizado no Partage Shopping Mossoró. A obra é uma realização da cineasta mossoroense Wigna Ribeiro, com produção totalmente independente.

Foi produzido em parceria com atores e companhias teatrais convidadas, e traz para o público um olhar lúdico sobre o universo circense.

Sessão extra

Além da estreia, haverá uma sessão extra no domingo, 23, também às 13h, no Multicine Cinemas.

Os ingressos possuem valor único de 12 reais, e a venda é antecipada no local da exposição do filme, na sala especial próximo ao Magazine Luíza.

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Categoria(s): Cultura
terça-feira - 04/04/2017 - 09:55h
Luz! Câmera! Ação!

Filme mossoroense terá exposição e pré-venda hoje no Partage

Cineasta Wigna Ribeiro comanda produção que vai estrear no Multicine no próximo dia 22 em Mossoró

Com formação acadêmica na Universidade do Estado do RN (UERN) e passagem pelos quadros da TV Cabo Mossoró (TCM), a jornalista, fotógrafa e jovem cineasta mossoroense Wigna Ribeiro prepara lançamento de novo longa-metragem. “Era uma vez… Lalo” estará em cartaz no Partage Shopping Mossoró.

A película totalmente produzida pelo coletivo cinematográfico “Buraco Filmes”, com elenco e retaguarda técnica toda local, vai para a telona no próximo dia 22. Terá sua sala no Multicine do próprio Partage.

Cena do trabalho que estreará dia 22, com produção integralmente mossoroense do coletivo "Buraco Filmes" (Foto: divulgação)

Mas hoje (terça-feira, 4), às 18h, haverá exposição fotográfica e pré-venda dos ingressos no Partage Shopping, numa mostra do que será o filme. Oportunidade também pro público conhecer adereços, figurinos e outros aspectos da produção.

A ambientação estará na ala próxima à loja Ri Happy.

A jovem cineasta Wigna Ribeiro, diretora do filme, vai estar na exposição ao lado de outros componentes do coletivo cinematográfico. Receberá o público para conversar sobre a produção, a chamada “sétima arte”.

O filme

O pitoresco reino de Lutheria passa por disputa de poder, e é palco de cenas de inveja e ganância. As três princesas evitam falar sobre o irmão desaparecido, e temem perder as terras e todas as garantias do reinado.

Longe dali, a ganância e a desonestidade são motivos da decadência do circo que tem como estrela principal o mágico Lalo.

Ele usa sua perspicácia para sonhar com o trono de Lutheria, mas vai ter que fazer muito mais do que mágica para chegar lá.

Nota do Blog – Wigna é um prodígio. Meninos, eu sei!

Wigna: olho nas lentes (Foto: Web)

Talentosa, perfeccionista. Obstinada. Eis um traço comum aos que teimam em não seguir o curso natural e repressor do rio.

Ela faz seu próprio destino, rabisca sua própria história.

O atalho não é escapismo nem rodeio. É seu caminho diferente.

Nele, sua identidade no mundo.

Luz! Câmera! Ação!

Aplausos!

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Categoria(s): Comunicação / Cultura
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quinta-feira - 25/10/2012 - 18:31h
Estreia

“De pai para filho”, Gonzagão e Gonzaguinha para sempre

O aguardado filme Gonzaga – De Pai Para Filho, que tem o patrocínio da Petrobras, estreia nesta sexta-feira (26) nos cinemas de todo o país.

Dirigido por Breno Silveira, de 2 Filhos de Francisco, o longa narra a trajetória de Luiz Gonzaga, uma das mais importantes figuras da música popular brasileira, e do filho Gonzaguinha.

Sempre acompanhado de sua sanfona, Gonzaga, que completaria 100 anos em 2012, inventou o Baião, gravou mais de 600 músicas e participou de 266 discos. Seu grande sucesso, ‘Asa Branca’, tornou-se um hino para os sertanejos.

Gonzaguinha seguiu os passos do pai e criou, entre outros sucessos, a música que é considerada um marco da MPB: ‘O que é, o que é?’

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Para retratar a vida de Gonzaga, desde sua infância em Exu, no sertão pernambucano, passando pelo início da carreira nas ruas do Rio de Janeiro, até sua histórica turnê ‘Vida de Viajante’ com o filho Gonzaguinha, foram gravadas cenas no Nordeste e recriado o Rio de Janeiro dos anos 40.

O diretor Breno Silveira conta que o filme foi rodado com riqueza de detalhes. Foram mais de 200 atores e 600 figurantes. Segundo Breno, o que o motivou a levar a história de Gonzaga para as telonas foi a emoção que sentiu ao conhecer os detalhes da relação entre pai e filho.

“Não são biografias que me interessam, mas boas histórias, que emocionem e toquem em questões universais, sentimentos que digam respeito a todas as pessoas. Há sete anos, a Marcia Braga, produtora, e a Maria Hernandez, idealizadora do projeto, me procuraram com umas fitas cassetes gravadas pelo Gonzaguinha, em que ele tentava resgatar a história do pai”, conta o diretor.

– Quando eu comecei a escutar, em cada fita eu percebia a emoção deles e ia me emocionando também. Fiquei impressionado ao entender que pai e filho estavam se conhecendo ali.  Até que, numa das últimas fitas, o Gonzaguinha dizia: ‘Estou entrando no sertão, sertão que era do meu pai. À minha direita tem uma lua… Deve ser ele, o Velho Lua me olhando… Eu não conheci meu pai direito e, amanhã, é o enterro dele’ – narra o mesmo diretor.

” Fiquei emocionado e com vontade de contar essa história”, atesta.

Nota do Blog – Emocionei-me com o trailler do filme (incluído nesta postagem). A história por si só, é um filme. Aí você junta dois gênios, Gonzagão e Gonzaguinha, como não se emocionar, heim?

Imperdível

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Categoria(s): Cultura
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