Por Carlos Duarte
A realidade começa aparecer na administração da prefeita Rosalba Ciarlini (PP). Os primeiros levantamentos apontam para uma dívida superior a R$ 130 milhões e um orçamento, para o exercício de 2017, superestimado de R$ 600 milhões.
Para conter a crise, Rosalba anunciou os cortes de gastos, incluindo “em até” 50% os cargos comissionados. Como primeira medida de impacto, isso é ainda muito incipiente e tímido.

Rosalba leva dois filhos para secretariado, definindo plano político-familiar claro, mas gestão ainda é interrogação (Foto: arquivo)
Esperava-se que, além dessas medidas necessárias e imprescindíveis, a prefeita de Mossoró revelasse qual o seu plano de governo – elaborado para tirar o município da crise, de modo sustentável e que venha a recuperar a autoestima da população e a confiança dos investidores e empreendedores.
A exemplo do aconteceu quando foi governadora do RN, agora, no pleito de 2016, Rosalba foi novamente eleita sem um plano de governo. Recebeu novo crédito de confiança da população para encontrar uma saída para a grave situação em que se encontram as contas públicas do município de Mossoró.
No plano político, a prefeita deixa clara a estratégia de seu partido (PP)/grupo: quer preservar uma vaga na Câmara dos Deputados, hoje ocupada por Beto Rosado (PP), sobrinho de seu marido, e conquistar uma bancada expressiva, em 2018, na Assembleia Legislativa. Para isso, já conta em sua equipe de governo com um filho e uma filha.
Cadu Ciarlini (Gabinete) e Lorena Ciarlini (Desenvolvimento Social) são nomes potenciais à Assembleia Legislativa, nas próximas eleições, além de outros nomes ligados à família Rosado.
Guardadas as proporções, a situação atual da Prefeitura de Mossoró é muito mais grave do que a encontrada no governo do Estado do RN, quando Rosalba foi governadora e saiu com desaprovação recorde de uma gestão desastrosa.
Mas, parece que a lição não serviu de exemplo.
A estratégia de sobrevivência política de seu grupo já tem planejamento montado e revela a prioridade de suas ações de governo, enquanto ações paliativas são trabalhadas no âmbito da gestão pública.
O momento exige bem mais que isso e, ainda, há tempo para que a prefeita ajuste os rumos de seu governo. É o que todos esperam e torcem para que venha acontecer. Caso contrário, continuaremos entregues à própria sorte.
SECOS & MOLHADOS
Fugas – Somente nos primeiros sete dias deste ano de 2017, já aconteceram duas fugas em presídios do RN. Ao todo fugiram vinte presos. De acordo com a Sejuc, o motivo foi a “falha na equipe que estava de plantão”. O próprio secretário Wallber Virgolino disse, em entrevista à Tribuna do Norte: “a gente sabe que a situação dos presídios é precária e isso facilita as fugas, a gente sabe que tem corrupção dentro dos presídios e que isso facilita as fugas…”. Se já sabe os motivos, por que não os corrigem? Sem comentários.
Chacina – O que vem acontecendo com as chacinas de Manaus (AM) e Boa Vista (RR) pode reverberar nas prisões do Rio Grande do Norte e de todo País. Em 2016, no RN, 34 detentos foram mortos dentro dos presídios, segundo dados da Sejuc. A maioria dos casos está relacionada com a disputa entre facções rivais. Esse é o mesmo quantitativo da recente chacina de Roraima. A diferença é que no RN foram matando aos poucos.
Despreparo – Os massacres desta semana, nos presídios do Amazonas e Roraima, alteraram a pauta do governo Temer – que estava totalmente envolvido com as eleições das presidências do Congresso Nacional. A falta de competência e de pragmatismo de gestão do governo Termer, para situações emergenciais e de crise, mostra o despreparo de sua equipe. Não se pode esperar outra coisa de pessoas que não se destacaram por mérito profissional, político ou acadêmico e que hoje estão aboletados em cargos loteados a partidos políticos. Essa degradação progressiva não é de agora. Pensava-se que tínhamos chegado ao fundo do poço com Dilma Rousseff. Mas, ainda não chegamos.
Desemprego – O IBGE aponta que, no terceiro trimestre de 2016, 31,7% das pessoas empregadas no setor privado estavam sem carteiras de trabalho assinadas. É o resultado da atual crise política e econômica. Com a aprovação da PEC 55 essa situação tenderá a piorar, devido contenções dos investimentos e das despesas de custeio dos governos.
Desenvolvimento – O secretário do Desenvolvimento Econômico do Estado do RN, Flávio Azevedo, diz que o ambiente de negócios no Rio Grande do Norte é “extremamente hostil”. Culpa a insegurança jurídica gerada com a atuação de órgãos de meio ambiente e leis trabalhistas. Por que, então, não executa políticas públicas capazes de fomentar os investimentos?
Perigo – O ministro da Justiça, Alexandre Moraes, que tem mostrado sua incapacidade nestes momentos de crises, caminha por trilhas perigosas quando nega as ameaças das facções criminosas ou quando minimiza o seu poderio.
Descaso – Mossoró continua entregue à própria sorte, em vários aspectos, mas o descaso com a segurança pública é ainda mais evidente. Sem repressão, a bandidagem toma gosto e prospera fazendo suas vítimas. A população acuada, com medo, não tem mais a quem recorrer. O governador Robinson Faria (PSD) já tomou sua providencia: mandou blindar o seu carro. Nós pagamos a conta, é claro!
* Veja AQUI a coluna anterior de Carlos Duarte.
Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa



































