domingo - 03/07/2016 - 07:34h
Flávio Rocha

Quatro conselhos de carreira do líder do Grupo Riachuelo

Por Rafael de Carvalho (Revista Exame)

Filho de um dos fundadores do grupo Guararapes-Riachuelo, Flavio Rocha começou a trabalhar na fábrica de tecidos da família com 14 anos. Hoje, é presidente da rede Riachuelo e responsável por diversas transformações que alavancaram a empresa nos últimos anos.

Flávio Rocha admite arrependimento por não ter concluído graduação (Foto: reprodução)

Sob sua gestão, a rede alcançou a marca de 260 unidades, 561,4 mil metros quadrados de área de vendas e valor de mercado de 5,1 bilhões de reais. “Nosso modelo de negócios é o que Harvard batizou de ‘fast fashion’. Ele se baseia menos no planejamento e mais na velocidade de resposta. Nós temos uma coisa que ninguém consegue fazer no Brasil: temos 10 dias de ‘lead time’ entre nossas fábricas e nossas lojas”, explica.

A seguir, veja quatro dicas que ele compartilhou com exclusividade com os leitores do Na Prática, e que fazem parte do minicurso por email Conselho de CEO – Aprenda sobre a carreira em gestão empresarial com grandes líderes.

Dica 1: Tenha um propósito

Você só será bem-sucedido se fizer o que te emociona, o que te move. Para Flavio Rocha, a compensação material – embora importante – deve vir em segundo plano nas suas escolhas profissionais, e acaba se tornando uma consequência no futuro.

Dica 2: Não menospreze a graduação

Um arrependimento dele é ter largado o curso de graduação na FGV (Fundação Getúlio Vargas) um ano antes de se formar. Esqueça os drop outs célebres, como Bill Gates, Steve Jobs e Mark Zuckerberg…. A graduação é importante. Flavio compensou depois essa lacuna com cursos de extensão.

Dica 3: Tenha uma visão integrada

Não enxergue o negócio como uma série de fatias ou de partes independentes. Tenha uma visão holística, de fluxo, que vai da produção até a venda, e faça com que os departamentos trabalhem em sinergia. Como em um jogo de xadrez, não adianta ter peças eficientes para conseguir o melhor resultado. A eficiência vem da interação das peças entre si.

Dica 4: Não existe sucesso sem equilíbrio

O modelo de trabalho workaholic, muitas vezes elogiado, não traz realização plena nem felicidade – tampouco sucesso. Para ser bem-sucedido, é preciso ter equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

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domingo - 22/02/2015 - 08:18h
Conversando com... Flávio Rocha

“Sem competitividade estarão em risco conquistas recentes”

Para Flávio Rocha,  as conquistas brasileiras recentes, como a estabilidade da moeda e a redução das desigualdades dependem fundamentalmente de o país recuperar espaço não só no mercado externo mas, também, no interno. À frente de uma rede com 257 lojas espalhadas pelo país, Rocha é enfático ao defender o papel do varejo na melhoria de renda da população brasileira a partir dos anos 2000. “Tem muita gente querendo ter a paternidade desse milagre do varejo, mas isso não tem a ver com bolsa isso ou aquilo, crédito, não”, sustenta.

"Ninguém está preocupado em mexer nas raízes da perda de competitividade" (Foto: Tribuna do Norte)

“O crédito se deu naturalmente, com o controle da inflação.”

Ex-deputado federal pelo Rio Grande do Norte, Rocha vê no monopólio estatal a raiz do escândalo de corrupção que assola a Petrobras. O antídoto natural para o problema, acrescenta ele, é o livre mercado.

“O que nos move, o que nos tira da cama de manhã e nos faz dormir tarde é concorrência. É a concorrência que é o motor da humanidade”, acredita o presidente da Riachuelo.

Qual a sua expectativa para a gestão do novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior?

Na última segunda-feira, foram duas reuniões com o Armando Monteiro. Lá na Federação do Comércio, onde estive representando o IDV (Instituto de Desenvolvimento do Varejo), que eu presidi, e, depois, na Fiesp, usando meu outro chapéu, de industrial. Ele está muito focado nessa questão da exportação. Com muito menos esforço, você consegue capturar US$ 100 de mercado que os chineses ou a concorrência internacional estão perdendo aqui dentro. O esforço para você atravessar o oceano e ganhar essa quantia é muito maior.

O país tem condições de concorrer com os chineses?

Tanto na Fecomércio como na Fiesp, a constatação geral é a perda vertiginosa de competitividade. Primeiro, você pede a capacidade de exportar. Depois, começa a perder o seu quintal, o mercado doméstico. Isso ficou muito claro. Nós tivemos um grande momento de exportação, por volta de 2005, quando foi o pico de exportação. Deixamos de exportar, a balança se tornou negativa e começamos a perder terreno dentro de casa. O ministro só está falando em armas, linhas de crédito subsidiadas pelo BNDES, só fala em exportação. Só que é tão mais fácil você recuperar o terreno que perdeu aqui. Primeiro, você já causou uma estranheza no varejo, que foi o grande propulsor do que aconteceu de bom nessa década. Foi o instrumento da inclusão, de que o governo tanto fala.

A inclusão social não tem a ver, também, com o aumento da renda da população?

É uma discussão entre o que veio primeiro, a galinha ou o ovo. O ganho de produtividade da economia que leva ao aumento da renda. Se essa revolução, cujo grande impacto é o aumento de produtividade, não só no varejo. Nasce no varejo, mas contamina toda a cadeia com aumento de produtividade. O melhor cenário seria se nós tivéssemos conseguido conter a pesada carruagem que nós carregamos nas costas, chamada Estado, no mesmo tamanho de quando esta revolução começou, de 20% do PIB. Aí, a China seria aqui. Mas, infelizmente, nesse ganho de produtividade, os efeitos positivos foram parcialmente consumidos pelo inchaço da parcela improdutiva da sociedade pelo Estado, que cresceu por causa da formalização.Enquanto ela tem um efeito positivo de aumento na produtividade, tem um negativo de aumento no tamanho da carruagem. É como se você tivesse um automóvel, no qual você colocou um tubo compressor que ficou duas vezes mais potente. Mas a carroceria ficou duas vezes mais pesada. E a sinalização do governo é o ajuste fiscal pela via fácil, com ainda mais aumento no peso da carruagem. Ninguém está preocupado em mexer nas raízes da perda de competitividade, que é o inchaço dessa carruagem.

Qual o peso da formalização nessa expansão do varejo?

Na última reunião do IDV, a gente apresentou um estudo feito com a McKinsey, que mostra uma transformação muito interessante, na qual o varejo é protagonista. Foi a década da formalização. O Brasil é o país que mais se formalizou nesses dez anos. Dentro desse universo do Brasil, o setor que mais se formalizou foi o varejo. E a correlação entre formalização e produtividade é de um para um, total. Quando você formaliza, automaticamente vem um ganho enorme de produtividade. Uma farmácia de cadeia, de alta produtividade , é oito vezes mais produtiva do que a farmácia de fundo de quintal. Um supermercado de alta produtividade, um Carrefour, um Extra é seis vezes mais prod<CW0>utivo do que um supermercado de fundo de quintal. A loja de departamentos é cinco vezes mais produtiva. Esse efeito de ganho de produtividade tem um contágio em toda a cadeia de suprimentos. Quando você formaliza, o varejo tem esse poder de contágio.

A ênfase nas exporações atrapalha o varejo?

Acho que ele (Armando Monteiro) vai pegar o artilheiro, que fez boa parte dos gols nesse período, e colocar no banco de reservas.

Não dá para varejistas e exportadores caminharem juntos?

Não sei qual é a dose de competitividade adicional que ele (Armando Monteiro) tem na manga do colete para nos proporcionar. Tomara que seja grande a ponto de nos permitir recuperar não só o mercado doméstico, como vender camisa para a China. Não sei qual é a dose de surpresas boas que ele tem. Mas com a mesma dose de competitividade que ele puder proporcionar à indústria hoje, ou à economia brasileira… O timing é este: você perde a capacidade de exportar. A balança comercial de cada setor, em diferentes momentos, vira negativa. Ele (o concorrente estrangeiro) começa a invadir o seu jardim. Em nossa empresa, por exemplo, nós produziamos 80% de toda a confecção vendida. Nossa importação era de 5%. Isso em 2010. Em cinco anos, nós fomos de 5% para 35%. E nossa produção própria caiu para os mesmos 35%. A diferença é de terceiros.

Como avalia a política industrial brasileira?

A melhor política industrial é um ambiente de negócios business friendly. Nós temos um ambiente de negócios hostil. Não é só a carga tributária, que cresce absurdamente. No meu tempo de deputado, a carga tributária era 20% do PIB. De lá para cá, mais do que duplicou, porque tem o déficit. E as alíquotas são mais ou menos as mesmas. Quer dizer, a formalização, que trouxe todo esses fatores positivos, liderados pelo varejo, tem um lado perverso, que é o aumento da quantidade de dinheiro que vai para o que existe de mais ineficiente para um país, seja qual for, que é Estado. Com as mesmas alíquotas de 1994, a arrecadação foi de 20% para 37%, pela simples formalização. E ela vai continuar. Nós competimos com países que têm carruagens de 15% do PIB. A competitividade de um país é a relação de duas forças: a de tração, que puxa a carruagem, e o peso. Enquanto estamos correndo a mesma maratona com concorrentes nossos, com a Coreia e a própria China, que são corredores com uma mochilinha leve nas costas, só com o essencial, com uma mala sem alça de 37% do PIB, que, ainda por cima, nos traz um excesso normativo, regulatório, absurdo. O Código de Defesa do Consumidor é absurdamente exigente, a lei ambiental mais exigente do que a da Dinamarca; um aparato trabalhista absolutamente anacrônico, uma usina de conflitos que gera três milhões de causas trabalhistas por ano. Nós geramos, por hora, mais ação trabalhista do que o Japão em um ano. Por dia, geramos mais do que os EUA em um ano. Isso é custo Brasil na veia.

Loja conceito da Riachuelo na Rua Oscar Freire em São Paulo-SP, um concorrido endereço paulistano (Foto: divulgação)

O ministro Joaquim Levy afirmou que o novo modelo econômico não será mais baseado no consumo, mas no investimento. Não há uma certa contradição aí?

É um falso dilema. Esse momento maravilhoso do consumo na última década não teve nada a ver com interferência estatal. Tem muita gente querendo ter a paternidade desse milagre do varejo, mas isso não tem a ver com bolsa isso ou aquilo, crédito, não. O crédito se deu naturalmente, com o controle da inflação. Mas o driver dessa boa revolução foi o desabrochar do varejo de alta produtividade, a criação de um terreno que era inóspito. Essa revolução estava acontecendo desde os anos 80 lá fora, e não chegava aqui por causa da erva daninha da clandestinidade econômica.

A previsão de um crescimento minúsculo do PIB para 2015 não assusta?

O varejo tem crescido mais do que o PIB, em média três vezes mais. Mas com um crescimento tão baixo do PIB, é um número frustrante. Tem tudo a ver com o fenômeno de aumento do peso da carruagem. Seja qual for o ano que você analise, concluirá que a carruagem vai parar. Ela não vai parar só porque está pesada demais para sua força de tração. O excesso normativo pesa tanto quanto a carga tributária.

Vários governos já prometeram a reforma trabalhista, mas não a realizaram…

Falta um direcionamento de propósito. Se você fala em reforma tributária, todo mundo quer. Os prefeitos querem, sob a alegação de que os municípios estão morrendo a míngua. Entre os governadores, 100% de adesão, porque precisam de mais dinheiro para gerir os seus estados. A União quer a reforma para resolver o déficit público, como está fazendo agora. Todo mundo tem sua visão sobre a reforma, mas são colidentes. A reforma que está na cabeça de 7 mil prefeitos não é a que está na cabeça dos empresários, nem a mesma que está na cabeça dos sindicalistas. Não precisamos convocar forças com visões tão díspares para uma reforma tributária genérica. Precisamos de reformas com vistas à competitividade. Ou nós recobramos a competitividade ou estão em risco todas as conquistas recentes. A redução da desigualdade, a estabilidade da moeda e, em última análise, até a democracia. É isso que essas forças precisam entender. São as três grandes conquistas recentes, que vieram através de consensos. Agora, o consenso que parece estar ficando mais claro na cabeça de toda a sociedade brasileira é o da competitividade. Não existe melhora na qualidade de vida sem prosperidade. A melhoria das condições de trabalho não se dá por leis e bondades aprovadas no congresso, mas pelo aumento da demanda por mão de obra.

Houve aumento, nos últimos anos, no número de casos envolvendo utilização de mão de obra escrava por empresas ligadas ao vestuário. Como você enxerga essa questão? Tem relação com o excesso normativo?

Graças a Deus, nosso modelo de negócio nos protege de um dilema muito sério do setor de confecção. O elo crítico da cadeia têxtil é o da costura. Esse elo virou refém de uma coisa que, em teoria, é boa, mas que traz desdobramentos negativos, que é a questão da lei do Simples. Tirando a nossa empresa, e outras duas ou três, a totalidade do setor de confecção, 35 mil empresas, são reféns do Simples.

Nos últimos anos, o varejo vinha crescendo num ritmo bastante acelerado. No ano passado, até novembro, o IBGE apontava um crescimento nominal de 8,7%, o que dá um crescimento real de pouco mais de 2%. Essa desaceleração era esperada pelo setor?

O varejo vem de uma década de crescimento robusto. Essa desaceleração já era previsível porque não é sustentável uma década de demanda crescente e produção declinante. É como uma fazenda que passa dez anos colhendo, colhendo e colhendo e não semeia. Mais cedo ou mais tarde essa queda da produtividade — que acontece para todos os setores produtivos — mostra a fatura. Por que o varejo continuou crescendo tanto mais do que o PIB e a indústria? Porque a indústria compete diretamente com a concorrência internacional. O varejo — apesar do e-commerce que vai globalizar essa concorrência — a briga ainda é regional. A disputa concorrencial é regional. Varejo e serviços conseguem repassar esse aumento vertiginoso da inflação, mas a indústria não. Ela sente isso na pele. Daí a discrepância de uma banda do Brasil que disputa internamente, varejo e serviços — e a produção, que é quem mais está sofrendo.

Link permanente da imagem incorporada

Para Flávio, "o monopólio é o habitat natural da corrupção" (Foto: divulgação)

Como o senhor enxerga o escândalo de corrupção na Petrobras?

Acredito que é o momento de colocar o dedo em uma ferida que precisa ser tocada: que o monopólio é o habitat natural da corrupção. O que nos move o que nos tira da cama de manhã e nos faz dormir tarde é concorrência. É a concorrência que é o motor da humanidade. É totalmente previsível que uma empresa monopolista caia na preguiça, caia na zona de conforto e a última escala disso é a corrupção. E a solução pra isso é dar concorrência a esse processo. Da mesma forma que o monopólio é o habitat natural da corrupção, o livre mercado é o único antídoto natural da corrupção. Se aqui na Riachuelo eu tivesse um comprador de gravatas que fosse corrupto, que se associasse a um fornecedor de gravata para cobrar uma propina, o mercado puniria automaticamente. Sem nem mesmo saber, a gravata da Riachuelo seria mais feia, seria mais cara do que a gravata do meu concorrente. Então, eu acho que esse é o momento apropriado pra mostrar a que leva o monopólio. E a sociedade brasileira paga um custo altíssimo. O custo da energia está caindo vertiginosamente no mundo inteiro e aqui nós pagamos esse alto preço pra bancar uma máquina absolutamente contaminada pela corrupção.

O senhor defende a privatização da Petrobras?

Bem, eu não preciso de voto. Então posso dizer que sou absolutamente a favor da privatização da Petrobras. Seria a grande solução, teríamos energia muito mais barata: é o que aconteceu com todas as privatizações. O problema é que se demonizou (a privatização) de uma forma…Tenho uma fé religiosa no livre mercado. Eu acho que é isso que distingue o ser humano dos animais. Eu acho que quando Deus criou os seres humanos, ele deu a habilidade de se negociar, de fazer trocas mutuamente consentidas, voluntárias, em benefício comum. Aonde, milagrosamente, acontece o ganha-ganha. Que parte ganha numa negociação? As duas partes ganham. E o PIB de um país é a soma desses ganhos. A visão mais à esquerda acredita que numa negociação tem um ganhador e um perdedor. Um está explorando o outro. Mas na nossa visão liberal é justamente o contrário: em cada negociação tem dois ganhadores. Livre mercado é isso: essa coisa sublime e que trouxe tantos ganhos a outros setores que foram privatizados e estão submetidos aos freios e contrapeso do mercado.

O cenário macroeconômico desfavorável alterou os planos de investimento da Riachuelo para este ano?

Nós não alteramos nosso programa de investimento. Nós tivemos um recorde no ano passado, inauguramos quase 100 mil metros quadrados de área de venda. Nós iniciamos 2014 com 500 mil metros quadrados e encerramos com quase 600 mil metros quadrados. Foram 45 lojas, de grande porte. São lojas com mais de 2 mil metros de área na média. E estamos mantendo o mesmo ritmo. Inclusive, o volume de investimento será um pouco maior do que no ano passado porque estamos investindo em um grande centro de distribuição de última geração, o mais moderno do Brasil e um dos mais modernos do mundo, em Guarulhos.

E o comércio eletrônico? A Riachuelo ainda não vende diretamente pela internet…

Deste ano não passa. Nós temos uma presença online forte, mas não temos venda online. O que já fizemos, com algumas coleções, foi a venda click on colect: de comprar online e retirar na loja. Mas nós vamos ter realmente a logística B2C (business-to-consumer) até o fim deste ano, no máximo no início de 2016.

Nos últimos anos, a Riachuelo, como outros varejistas, vem incorporando à sua operação serviços diversificados, como assistência para automóvel, odontológica… O varejo puro morreu?

A sinergia entre a produção e o varejo é muito grande. O ser humano tem a tendência natural de fatiar o problema. Esse é o retrato fiel da confecção no Brasil. A suposição é que se tiver uma fiação eficiente, uma tecelagem eficiente, uma confecção eficiente, um varejo eficiente, terá o todo eficiente. Mas a Zara e a Toyota mostraram, pelo just in time, que este é um pressuposto falso e não é suficiente para atingir um patamar superior de eficiência e de excelência.

Por quê?

Há decisões que fazem todo o sentido dentro de quatro paredes de uma fiação ou tecelagem, mas podem ferir de morte a eficiência global do sistema. A nossa crença é que o ótimo local é inimigo do ótimo global. A nossa gestão é holística. Pra dar um exemplo simples: fomos a vida toda uma empresa verticalizada e nós estimulávamos esse fatiamento. Mas o bom momento que a empresa está vivendo se deve ao fato de ter rompido com esse mundo do ótimo local para o ótimo global e gerir em função do ótimo global.

Pode dar um exemplo prático?

Na época do ótimo local, a gerente da empresa de logística estava com 70% da carga no CD de Guarulhos numa sexta-feira para ir para a loja de Center Norte. Ela esperava a segunda-feira para completar o 100% da carga e extraía 100% de eficiência do todo local, que é o que ele gere. Alcançava o ótimo no negócio dele, que é o caminhão, mas era um desastre do ponto de vista do ótimo global. O fast fashion é a gestão holística globalizada da cadeia têxtil. A Riachuelo, em relação aos cases bem sucedidos lá fora, acrescentou mais um elo que é mais sinérgico ainda: o elo financeiro, que sofre muitos conflitos pois as diferenças do varejista com o banco são maiores ainda. Então, colocando o produto financeiro embaixo do mesmo guarda-chuva acionário você ganha uma elasticidade em termos de planos de parcelamento, de juros — ao invés de ter, como nossos concorrentes, a cabeça de banqueiro pensando na fatia financeira, sem nenhuma visão comercial do processo. Isso é que o que diferencia o nosso modelo: ir do fio até a última prestação depois da venda. Uma visão holística, gerindo a eficiência global do sistema e escapando armadilha do ótimo local.

Qual a sua fonte de inspiração, na gestão da Riachuelo?

Somos — desculpe a pretensão — nós queremos ser a Apple da cadeia têxtil. A Apple fez essa mesma inovação: na cadeia Microsoft você entrava no Magazine Luiza, comprava um computador Positivo, rodando sistema operacional Windows, tirava foto com câmera Sony, editava com Photoshop e fazia o upload com o Picassa da Google. Você tem aí seis ótimos locais. Seis fatias do problema. A Apple se libertou desses ótimos locais e está tudo embaixo do mesmo guarda-chuva acionário, tem a visão holística do problema. Ninguém está pensando na estreita fatia do problema. Está todo mundo pensando no todo. Essa é a diferença: por isso nós somos a Apple do varejo os outros estão sujeitos a todas as armadilhas do ótimo local.

* Entrevista originalmente publicada pela revista online Brasil Econômico em 09/02/2015 (veja AQUI).

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sexta-feira - 20/02/2015 - 23:52h

Pensando bem…

“A felicidade precisa combinar a alegria de ir para o trabalho com a de voltar para casa”.

Flávio Rocha

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quarta-feira - 03/09/2014 - 07:46h
Revista Forbes

Flávio Rocha, da Riachuelo, é o melhor CEO do Brasil

Por Revista Forbes Brasil

Na última terça-feira (26), Forbes Brasil, em parceria com a GS&MD – Gouvêa de Souza, realizou seu primeiro evento e premiou oito executivos do varejo, entre 24 finalistas, no “Os Melhores do Varejo”.

Flávio Rocha (à direita) agradeceu toda sua equipe (Foto: Forbes Brasil)

Flávio Rocha, da Riachuelo, ganhou o prêmio de Melhor CEO. Ele concorria com Alexandre Costa, da Cacau Show, e Marcio Utsch, da Alpargatas.

“Gostaria de agradecer a esta homenagem. Estou aqui representando os 24 igualmente vencedores que representam um momento fantástico que o varejo está vivendo. Esta iniciativa não poderia ser mais oportuna”, agradeceu o vencedor.

“O varejo, daqui para frente, assume um papel decisivo na condução dos desafios do futuro. Agradeço também às 40 mil pessoas que ajudaram a construir nossa empresa com muito esforço, talento e luta”, finalizou.

Concorrentes

Em um jantar realizado no Iate Clube de Santos, em São Paulo, o mestre de cerimônia, Aluizio Falcão Filho, publisher da revista, entregou o prêmio aos profissionais que se destacaram nas categorias de CEO, recursos humanos, comercial, tecnologia, e-commerce, marketing, finanças e logística.

Além de Rocha, foram contemplados os seguintes concorrentes nas respectivas categorias:

Telma Rodrigues, diretora de Gestão e Pessoas da Magazine Luiza, na área de recursos humanos; Marie Higashi, diretora de Marketing e Comercial da Fast Shop, na área de comercial; Joaquim Dias, diretor de TI, Logística e Governança de Projetos da Livraria Cultura, na área de tecnologia; Malte Huffmann, cofundador da Dafiti, na área de e-commerce; Jerônimo Santos, diretor de Marketing do Ipiranga, na área de marketing; Thiago Borges, diretor financeiro da Arezzo, na área de finanças; e Cássio Macedo, diretor de Logística do Grupo Martins, na área de logística.

Veja matéria completa AQUI.

* O que é um CEO?

CEO é a sigla inglesa de Chief  Executive Officer, que significa Diretor Executivo em Português. CEO é a pessoa com maior autoridade na hierarquia operacional de uma organização. É o responsável pelas estratégias e pela visão da empresa.

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sábado - 02/08/2014 - 09:55h
Economia

Fecomércio empossa diretoria e premia empresários

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte (FECOMÉRCIO/RN) promoveu solenidade para entrega na noite desta sexta-feira (01), dos troféus do Mérito Jessé Freire a cinco empresários de destaque no estado. Ocorreu no Boulevard Recepções, em Natal.

A iniciativa também marcou as comemorações pelo Dia do Comerciante e a apresentação da nova diretoria, que tomou posse formalmente no dia 23 de julho para o mandato 2014/2018.

O presidente da Fecomércio, Marcelo Fernandes de Queiroz, foi empossado para novo mandato de quatro anos. Foi o único orador da noite, agradecendo sobremodo a confiança da classe ao seu nome, ao lado dos demais dirigentes.

Os empresários homenageados com o Mérito Jessé Freire 2014 foram:

Flávio Rocha (Empresário do Ano no Setor de Comércio);
José Maria Figueiredo (Empresário do Ano no Setor de Serviços);
Francisca de Assis Rosado (Empresário do Ano no Setor de Turismo);
Antonio Sales (Jovem Empresário);
Dorian Morais (Experiência Profissional).

A governador Rosalba Ciarlini (DEM) foi convidada para entregar o troféu a Flávio Rocha.

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segunda-feira - 05/08/2013 - 15:46h
Flávio Rocha

“RN é o estado mais difícil para se investir”

Do portal No Ar

Durante lançamento do programa Pró-Sertão na manhã desta segunda-feira, o presidente da Guararapes, Flávio Rocha falou sobre os planos de expansão das lojas Riachuelo, além das principais dificuldades para investir no Rio Grande do Norte. “Atuamos em 26 estados e o RN é o estado mais difícil de investir”, disse Rocha.

Segundo o empresário potiguar, o Estado conta com “forças do contra” em várias áreas como na falta de incentivo para a instalação de empresas, demora no licenciamento ambiental e alta carga tributária.

“As forças do contra dificultam toda a operação e investimento que em outros estados são bem mais facilitadas. Precisamos deter essas forças, trocar os impostos pelos empregos para destravar o crescimento potencial da economia e recuperação da competitividade”, afirmou Flávio Rocha.

Ainda segundo o empresário os elevados custos e falta de apoio do Governo, fazem com que os investimentos sejam direcionados para estados vizinhos como o Ceará e Pernambuco.

Apesar de todas as dificuldades, a identificação com o Estado pela história da Guararapes foi decisiva para o programa Pró-Sertão em que serão investidos cerca de R$ 35 milhões para que sejam implantadas 360 facções – pequenas confecções que costuram peças para venda – dentro do plano de expansão das lojas Riachuelo.

“Cerca de 80 a 90 % da produtividade e emprego está na atividade de costura que precisa ser descentralizada. Nos próximos quatro anos pretendemos investir R$ 2 bilhões para expandir nossa atuação no mercado”, explicou Flávio Rocha.

Duas novas lojas da Riachuelo deverão ser abertas na região metropolitana nos próximos anos segundo Flávio Rocha. “Estamos agregando a criação de lojas para shopping centers, até o momento para Natal deverão ser abertas duas novas lojas com cerca de R$ 18 a 20 milhões investidos”, enfatizou o presidente da Guararapes.

Nota do Blog – Está difícil e vai piorar, infelizmente.

O Corpo de Bombeiros não consegue agilizar laudos necessários à instalação de imóveis empresariais, por falta de pessoal, veículos etc. Ouvi isso de dois grandes empresários com atuação em Natal e até outros estados, recentemente.

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sexta-feira - 25/01/2013 - 13:52h
Economia definha

Cinco grandes empresas deixam o RN para trás

Cinco  empresas de grande oferta de emprego e alcance internacional esvaziam mais ainda a economia do Rio Grande do Norte. A sangria é crescente nos últimos meses. São menos emprego e impostos.

A Coteminas, uma das maiores empresas têxteis do mundo e a Alpargatas, a gigante em calçados e líder na America Latina, foram para a Paraíba. Cada uma chegou a empregar cerca de mil pessoas em suas unidades industriais no estado.

A Bionergy, uma das maiores geradoras de energia eólica do Brasil transfere parte de sua estrutura para o Maranhão, mas o projeto é desaparecer com tudo e de vez..

Guararapes, maior empresa de confecção de vestuário da América Latina está de mudança para nova fábrica no Ceará, reduzindo os empregos daqui. Um de seus principais acionistas – ex-deputado federal Flávio Rocha – chegou a declarar ano passado que o RN era um ambiente “hostil ao empresariado”.

A Agrícola Famosa confirmou a transferência de 30% de sua produção no Rio Grande do Norte para o Ceará devido a baixa oferta de água para irrigação. É a maior exportadora de frutas frescas do país e maior produtora de melão do mundo. Entretanto, tende a sumir completamente na direção das terras cearenses.

Esse quadro foi relatado em matéria bastante ampla e profunda pelo jornal Tribuna do Norte.

Se está ruim, significa que pode ficar ainda pior.

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Categoria(s): Economia
quarta-feira - 14/11/2012 - 07:44h
Natal

Começa hoje a 53ª Convenção Nacional do Comércio Lojista

Acontece nesta quarta-feira (14) em Natal a abertura da 53ª Convenção Nacional do Comércio Lojista. Será às 8h.

Com o tema “Craques do varejo”, campeões na vida, o evento pretende reunir um público de cerca de cinco mil pessoas durante os três dias de programação, que acontece no Centro de Convenções de Natal até a próxima sexta-feira (16).

A Convenção Nacional é uma realização da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do RN (FCDL/RN), Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal (CDL Natal), CDL Jovem e SPC Brasil.

Luiz Felipe Scolari, Flávio Rocha, Rogério Mainardes, Paulo Barros e Fernanda Young, são alguns dos palestrantes do evento, que conta também com nomes do cenário local como Jussier Ramalho, Fred Alecrim e Glauber Gentil.

As inscrições ainda estão abertas.

Os interessados podem entrar em contato com a FCDL/RN ou com a CDL Natal, através do telefone (84) 4009-0000. Outras informações: www.fcdlrn.com.br/convencao

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sexta-feira - 22/06/2012 - 18:07h
Reflexão

Uma sociedade condenada

Por Flávio Rocha (empresário, executivo do Grupo Riachuelo)

“Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então a sua sociedade está condenada”

Ayn Rand.

Nota do Blog – Flávio, ex-deputado federal pelo Rio Grande do Norte, que chegou até mesmo a trilhar candidatura à Presidência da República pelo PL (semente do atual PR), postou esse conteúdo hoje, usando seu endereço no Twitter, direto de Hong Kong (China).

Ayn Rand, a autora citada por  Rocha, era judaico-russa de origem (1905-1982). Desenvolveu um sistema filosófico conhecido como “Objetivismo”, além de fazer bastante sucesso como escritora, dramaturga e roteirista de cinema.

A propósito, será que essa reflexão é uma abordagem sobre o Brasil ou especificamente quanto ao Rio Grande do Norte?

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Categoria(s): Opinião
domingo - 22/04/2012 - 17:08h
"Ambiente hostil"

Deputado aponta importância de desabafo de Flávio Rocha

“Nosso Flávio Rocha é um dos maiores empresários do Rio Grande do Norte e do País. Por isso sua entrevista é muito importante para reflexão de todos.”

A opinião é do deputado federal Henrique Alves (PMDB), sobre entrevista de hoje na Tribuna do Norte, com o dirigente do grupo Riachuelo, ex-deputado federal Flávio Rocha.

– O que quis dizer Flávio Rocha “com ambiente hostil” no Rio Grande do Norte? Governo e FIERN (Federação das Indústrias do RN) precisam clarear esse ponto. Buscar essa verdade. Urgente – diz Henrique Alves usando espaço em seu Twitter.

Flávio Rocha falará sobre o modelo vencedor adotado pelo grupo durante o Fórum Empresarial do Rio Grande do Norte, na próxima terça-feira.

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domingo - 22/04/2012 - 12:59h
Constatação

Empresariado tem “ambiente hostil” no RN, diz Flávio Rocha

A Riachuelo, uma das maiores redes de varejo de moda do Brasil, vai muito bem, obrigado. A empresa pretende inaugurar 30 lojas este ano. Média que deverá se manter nos anos seguintes.

A empresa, que é dona de quase 150 lojas e emprega mais de 40 mil trabalhadores no país, vive a maior expansão de sua história, afirma Flávio Rocha, presidente da Riachuelo e vice-presidente do grupo Guararapes.

Entretanto, a indústria potiguar, observa Flávio, não tem conseguido acompanhar o crescimento do restante do grupo. Enquanto as vendas sobem, a produção própria cai. A fábrica do RN, onde tudo começou, chegou a dispensar sete mil empregados em menos de dois anos e deflagrar um processo de desaceleração difícil de ser revertido.

Para Flávio, o ambiente no estado é hostil ao empresariado. “A Guararapes vai muito bem obrigado, agora o Rio Grande do Norte está jogando fora uma oportunidade”.

Saiba mais AQUI.

Nota do Blog – O pronunciamento de Flávio Rocha é de uma importância sem medidas. É preciso que a questão seja discutida sem politicalha, pois a princípio revela que o Rio Grande do Norte continua fora de prumo e de rumo.

O “cavalo” passa selado e nós continuamos aqui embaixo.

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