domingo - 01/09/2024 - 09:58h

Reminiscências…

Por Marcos Araújo

Imagem ilustrativa Freepik

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“A minha meta de vida? Apenas gastar o resto da areia da ampulheta, antes que chegue ao fim!” 

Segundo o dito popular, “quem vive de passado é museu”, e confesso que estou nessa condição de “museólogo”. Sou um memorialista, um historiógrafo vivencial. Depois de cinco décadas de existência, meu pensamento se retém mais no passado, sem conseguir expectrar quase nada sobre o futuro. Na ampulheta da vida, vejo que escorreu muito mais areia para a parte de baixo, remanescendo uma pequena porção na parte de cima…

Estou preso nas memórias do ontem, vivendo o hoje, sem pensar muito no amanhã. Outro dia, entre jovens do “Segue-me” (movimento da igreja católica), dei um depoimento do tempo de adolescência, falando sobre a importância da Catedral de Santa Luzia na formação das famílias mossoroenses, na construção dos relacionamentos… Contei aos garotos que muitos dos casais de hoje se conheceram nas paqueras da Praça do Cid, depois da missa da Catedral na noite aos domingos. Foi por ali que dei as minhas primeiras piscadas, depois de girar na praça umas cinco vezes…

Desde sempre tive um pendor para olhar o passado. Fui um “velho” na pele de um adolescente. Sempre convivi e adorava conversar com idosos. Fui amigo de Rafael Negreiros, Cristóvão Frota, Negro Chico do Bar, Chiquinho Germano, Tibério Rosado, Osires Pinheiro, Francisco Revorêdo, Heriberto Bezerra, Antônio Rosado, entre tantos…

Ainda garoto, fui frequentador do Café e Bar Mossoró, tendo conhecido seu Fransquinho e Aurino. Minhas primeiras cervejas foram no bar de Raimundão, na rua Almino Afonso, sob seu olhar de censura à minha falta de recursos. Alcancei ainda o Castelinho, e frequentei algumas festas no clube ACEU. Conheci seu João Pinheiro, do IP, e “roía” por não poder beber whisky e conversar sobre política no seu bar.  Assisti a filmes nos Cines Pax e Cid, comprando bombons nos carrinhos que ficavam em frente.

Testemunhei a abertura do bar de Zé da Volta na Abolição II, proximidades da Usibrás, aonde aos domingos papai e mamãe iam dançar. E também “pastorei” minha irmã Odinha e suas amigas Patrícia, Daniela, Rosimeire e as irmãs Kênia e Kélia Rosado na boate/bar Burburinho, propriedade de Gustavo Rosado. Esperei por elas cochilando dentro de um carro muitas noites, enquanto elas se divertiam e dançavam na Hastafari, uma boate de Samuel Alves, na rua Mário Negócio (em cima da Panificadora 2001).

No período político, panfletei algumas vezes durante a madrugada colocando “santinhos” nas portas das casas, com imagens de Vingt Rosado e Francisco Lobato (pai do meu colega do curso de Direito, Serlan Lobato).  Ao receber o título de eleitor, fui recepcionado à vida eleitoral com a candidatura do Professor Paulo Linhares a Prefeito Municipal.

“Ganhei” minha primeira habilitação do então candidato a vereador Regy Campelo, sob o patrocínio do governador Lavoisier Maia, e posso testemunhar haver assistido, com entusiasmo juvenil, no largo do “Jumbo” (local onde está edificado o Ginásio Pedro Ciarlini), os discursos emocionados de Geraldo Melo (o “tamborete”), Odilon Ribeiro Coutinho e do velho alcaide Dix-Huit Rosado.

Minha predileção musical também denuncia a minha maturidade, e, principalmente, a inaptidão aos ritmos atuais.  Fui incitado a refletir sobre cidadania com Zé Geraldo (“Cidadão”); protestei ao som de Geraldo Vandré (“Pra não dizer que não falei das flores”); fui agitado pela revolta cívica de Renato Russo (“Que País é este?”); vibrei com a personalidade confusa de Belchior (“Paralelas”), e envolvido pela loucura sana de Raul Seixas…

O romantismo e a fossa sempre ressoaram como bálsamo nas canções de Tom Jobim, Vinicius de Morais, Roberto Carlos, Moacyr Franco e Altemar Dutra. A devoção à música americana veio pelos acordes de “My Way” e “New York, New York”, com Frank Sinatra. Ou por “Unforgettable”, de Nat King Cole.

A “mão” da idade pesa nos ombros da minha existência. Resguardo no coração a tristeza de ter assistido a partida de tantos amigos para a eternidade, agradecendo a Deus com fervor pela minha vida, e mais ainda pela dos que ficaram.

Observando bem o ontem, fico genuflexo aos céus pela não contemporaneidade com os jovens de hoje. Não vejo muita graça no divertimento dos adolescentes do presente. Os jogos eletrônicos e as redes sociais como passatempo não superam os jogos de bola nos terreiros com carrascos de pedra de antanho. O passado é história. O hoje é o amanhã de ontem. E o hoje será o ontem de amanhã. Por aqui, conto o passado, sem saber o porvir.

Espero que meus filhos possam reproduzir memórias felizes. A minha meta de vida? Apenas gastar o resto da areia da ampulheta, antes que chegue ao fim!

Marcos Araújo é advogado, escritor e professor da Uern

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Categoria(s): Crônica
domingo - 12/11/2023 - 09:28h

Só Rindo (Folclore Político)

Aquela musiquinha…Comunicação, fogoca, fuxico, propaganda, alto-falante, imprensa

Campanha municipal mossoroense de 1972 em andamento, o desportista Olismar Lima é candidato a vereador.

Médico atuante há poucos anos na cidade, mas já muito benquisto, Anchieta Fernandes discursa e pede voto para o amigo. Um reforço de peso, que se diga.

“Vote em Olismar Lima, número 2103” – propaga o médico.

Aflito, o candidato sopra a seu ouvido imediatamente:

– Anchieta, meu número é 2117. Esse 2013 é de Lobato, homem!

Noutro comício, novo lapso. O mesmo:

– Vote em Olismar Lima, número 2103.

Novamente, o candidato alerta o amigo do equívoco, quando ele então justifica candidamente:

– Lobato também é meu amigo; mas é aquela ‘musiquinha’ que me atrapalha…

E emenda, balbuciando trecho daquela ‘musiquinha’, o jingle do outro candidato: “Vinte e um zero três, vote em Lobato outra vez…

Francisco Lobato foi eleito; Olismar, não!

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Categoria(s): Folclore Político
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domingo - 08/01/2017 - 13:45h

Só Rindo (Folclore Político)

Aquela musiquinha…

Campanha municipal mossoroense de 1972 em andamento, o desportista Olismar Lima é candidato a vereador pela Arena.

Médico atuante há pouco tempo, mas já muito benquisto na cidade, Anchieta Fernandes discursa e pede voto para o amigo. Um reforço de peso, que se diga.

– Vote em Olismar Lima, número 2103 – propaga Fernandes.

Aflito, o candidato sopra a seu ouvido imediatamente:

– Anchieta, meu número é 2117. Esse 2013 é de Lobato, homem!

Noutro comício, novo lapso. O mesmo:

– Vote em Olismar Lima, número 2103.

De novo, o candidato alerta o amigo do equívoco, quando ele então justifica candidamente:

– Lobato também é meu amigo; mas é aquela ‘musiquinha’ que me atrapalha…

E emenda: “Vinte e um zero três, vote em Lobato outra vez…”

Francisco Lobato (também da Arena) foi eleito; Olismar, não!

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Categoria(s): Folclore Político
terça-feira - 25/09/2012 - 05:53h
Mossoró

Mossoró Feliz anuncia novas adesões saídas do governismo

A chapa Larissa Rosado (PSB)-professor Josivan Barbosa (PT) continua anunciando apoios à sua postulação à Prefeitura de Mossoró, pela Coligação Mossoró Feliz. Dessa feita, na reunião semana da segunda-feira, mais novidades.

À noite de ontem, no Centro de Educação de Trânsito José Pereira de Souza, Bairro Alto de São Manoel, a Mossoró Feliz proclamou a chegada de nomes que estavam ligados ao governismo.

É o caso do candidato a vereador Omar Nogueira, do PTN, coligado com o DEM. “Esse é o lado certo, confio em Larissa e vou ajudá-la a fazer a grande administração que Mossoró precisa”, disse a liderança do bairro Santa Helena.

Outros líderes foram apresentadas, como Titico, do bairro Nova Esperança, a popular Favela do Velho, Tiago (Barrocas), Geraldo (Belo Horizonte), Joana Darc (Boa Vista), nutricionista Jarda Jacinta, Francisco Lobato, entre outros.

“Nunca é tarde para ser feliz. Comecei minha vida política com o ex-deputado Vingt rosado (avô de Larissa), e estou voltando para onde nunca deveria ter saído, trazendo comigo toda a minha família”, disse Lobato, ex-vereador.

Com informações da Coligação Mossoró Feliz.

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Categoria(s): Eleições 2012
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