terça-feira - 30/01/2018 - 23:57h

Pensando bem…

“A gente não deve se preocupar com a grande mídia. Hoje a grande mídia é que deve se preocupar com a mídia alternativa que aparece através das redes digitais””.

Frei Betto

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domingo - 10/09/2017 - 08:58h
Conversando com... Frei Betto

‘Palocci compromete ex-presidente Lula, mas há que ter cautela’

Um dos fundadores do PT, ex-assessor de Lula cobra "autocrítica" depois de comprovadas "falcatruas"

Por Daniel Haidar (El Pais)

O escritor Frei Betto, 73 anos, conheceu seu amigo Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro de 1980, em João Monlevade, Minas Gerais, durante a posse de um dirigente sindical. Vinte e três anos depois, virou assessor especial de Lula na Presidência da República e coordenador do programa Fome Zero. Nessa época, conviveu com Antônio Palocci, ministro da Fazenda de 2003 a 2006.

"É no mínimo estranho que o PT tenha abandonado a bandeira da ética na política e não punido, até agora, seus militantes comprovadamente envolvidos em falcatruas", diz Frei Betto, um dos fundadores do partido, ao jornal El Pais(Foto: José Cruz)

Frei Betto assistiu ao depoimento de Palocci contra Lula na Operação Lava Jato e defende investigações das “graves acusações” contra o ex-presidente, mas com “cautela”.

Na quarta-feira, Palocci detalhou o que chamou de “pacto de sangue” entre Lula e a Odebrecht, e confirmou os fatos narrados na denúncia do Ministério Público contra ambos.

“O que Palocci declarou, motivado pela ânsia de minorar sua reclusão carcerária, é muito grave e compromete a credibilidade de Lula. Contudo, há que ter cautela”, afirma Frei Betto, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), em entrevista ao EL PAÍS.

Apesar de reconhecer a gravidade das acusações contra o ex-presidente, o escritor exige a “expulsão sumária” de Palocci do partido. E também cobra uma “autocrítica” do PT após as comprovadas “falcatruas” em que se envolveram seus militantes.

Pergunta – Considerando o que o senhor conhece de Palocci e o que o senhor conhece de Lula, como diferenciar a credibilidade de cada um neste momento?

Resposta. Considero precipitado qualquer julgamento e fico à espera das investigações da Justiça. O que Palocci declarou, motivado pela ânsia de minorar sua reclusão carcerária, é muito grave e compromete a credibilidade de Lula. Contudo, há que ter cautela. O ex-senador petista Delcídio Amaral também fez graves acusações a Lula e, depois, a Justiça apurou que ele mentiu, o que resultou na recente absolvição de Lula quanto aos supostos crimes imputados a ele. De qualquer modo, Palocci maculou profundamente a imagem do fundador do PT e o partido deveria, no mínimo, promover o quanto antes a sua expulsão sumária.

P – Palocci se beneficia de uma confissão com redução de pena mesmo sem delação premiada. O depoimento dele traz credibilidade?

R. Palocci se encontra em situação de profundo sofrimento como encarcerado. Estive preso quatro anos e sei que não é fácil para uma pessoa que, como ele, gozava do respeito e da amizade de banqueiros, desfrutava uma vida de luxos e mordomias, suportar a reclusão carcerária. Portanto, ele está disposto a tudo para ver a sua pena reduzida e obter prisão domiciliar. Isso compromete a credibilidade do que declara. Vi muitos companheiros de prisão que, sob tortura física ou psicológica, declararem o que os nossos algozes queriam ouvir. Portanto, repito, é preciso aguardar as investigações da Justiça e as provas que Palocci deverá apresentar para fundamentar o que disse.

P – Como avalia a confissão de crimes de Palocci e a contextualização de crimes que ele entende que Lula cometeu?

R. O fato de uma empresa comprar um terreno e doá-lo a Lula ou ao PT não implica nenhum crime, bem como financiar um apartamento. A gravidade é se o dinheiro dessas transações foi obtido mediante propinas de serviços prestados ao governo federal. Cabe à Justiça apurar se Palocci fala a verdade quando diz que sim, que o dinheiro resultou de licitações ilegais e favorecimentos escusos.

P – Como fica agora a história do Partido dos Trabalhadores?

R. O PT nega qualquer ato ilícito. O ônus da prova cabe a quem acusa. Porém, é no mínimo estranho que o PT tenha abandonado a bandeira da ética na política e não punido, até agora, seus militantes comprovadamente envolvidos em falcatruas. O PT deveria fazer autocrítica.

Sua atual presidente declarou que o partido não fará autocrítica “para não dar munição à direita”. Ora, quem não deve não teme. E não adianta tapar o sol com a peneira. É preciso calçar as sandálias da humildade e ousar separar o joio do trigo, caso contrário fica comprovada a cumplicidade do partido com militantes que comprovadamente se envolveram em corrupção, como Palocci, que se autodenuncia.

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quinta-feira - 10/09/2015 - 03:41h
Dois em um

Prefeito tenta provar que ele é ele mesmo

Nova campanha personalista, com aparente foco institucional, foi disparada nas redes sociais avisando que o prefeito Francisco José Júnior (PSD) “não mudou”. E apela: “acreditem”.

Começaram a perceber que mudou, sim. Se não tivesse dado uma guinada de 180 graus (para pior), nem precisaria avisar que não mudara.

“Vocês verão que ele não mudou, ‘mais’ (sic) Mossoró está mudando para melhor”, diz a mesma peça.

“Vamos deixar nosso prefeito trabalhar”, propõe o viral pulverizado na Net.

Vamos, sim. Pode começar, prefeito. Basta ser o de antes.

A tese popularizada de que temos dois prefeitos, em um, está consolidada a cada dia no inconsciente popular. Um antes e outro depois das eleições suplementares.

O interino era conciliador e democrático; o ‘substituto’ se basta. É o tal. E ponto final.

Estou com Frei Betto: “O poder não muda as pessoas, mas as revela”.

O prefeito interino não é o mesmo que assumiu a Prefeitura de Mossoró, a partir de pleito suplementar em maio de 2014.

Entretanto essa “crise de identidade” é um problema de marketing, não do cidadão que está na Prefeitura.

Prefeito efetivo, “Júnior” pode finalmente ser ele mesmo.

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domingo - 09/09/2012 - 03:54h

O corrupto

Por Frei Betto

Padre Vieira, em São Luís do Maranhão, no sermão em homenagem à festa de santo Antônio, em 1654, indagava:

– O efeito do sal é impedir a corrupção, mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção?

A seu ver, havia duas causas principais: a contradição de quem deveria salgar e a incredulidade do povo diante de tantos atos que não correspondiam às palavras. O corrupto caracteriza-se por não se admitir como tal. Esperto, age movido pela ambição de dinheiro. Não é propriamente um ladrão.

Antes, trata-se de um requintado chantagista, desses de conversa frouxa, sorriso amável, salamaleques gentis. O corrupto não se expõe; extorque.

Considera a comissão um direito; a porcentagem, pagamento por seus serviços; o desvio, forma de apropriar-se do que lhe pertence. Bobos são aqueles que fazem tráfico de influência sem tirar proveito.

Há muitos tipos de corruptos.

O corrupto oficial é aquele que se vale de uma função pública para tirar proveitos a si, à família e aos amigos. Troca a placa do carro, embarca a mulher com passagem custeada pelo erário, faz gastos e obriga o contribuinte a pagar.

Considera natural o superfaturamento, a ausência de licitação, a concorrência com cartas marcadas. A lógica do corrupto é corrupta: “Se não faço, outro leva vantagem em meu lugar”.

Seu único temor é ser apanhado em flagrante delito. Não se envergonha de se olhar no espelho, apenas teme ver seu nome estampado nos jornais. Confiante, jamais imagina a filha pequena a indagar-lhe: “Papai, é verdade que você é corrupto?”

O corrupto não sente nenhum escrúpulo em receber caixas de uísque no Natal, presentes caros de fornecedores ou andar de carona em jatinhos de empresários. Afrouxam-lhe com agrados e, assim, ele afrouxa a burocracia que retém as verbas públicas.

Há o corrupto privado.

Nunca menciona quantias, tão-somente insinua, cauteloso, como se convencido de que cada uma de sua palavras estão sendo registradas por um gravador. Assim, ele se torna o rei da metáfora. Nunca é direto. Fala em circunlóquios, seguro de que o interlocutor saberá ler nas entrelinhas.

O corrupto franciscano pratica o toma lá, dá cá. Seu lema é “quem não chora, não mama”. Não ostenta riquezas, não viaja ao exterior, faz-se de pobretão para melhor encobrir a maracutaia. É o primeiro a indignar-se quando o assunto é a corrupção que grassa pelo país.

O corrupto exibido gasta o que não ganha, constrói mansões, enche o latifúndio de bois, convencido de que puxa-saquismo é amizade e sorriso cúmplice, cegueira. Vangloria-se em sua astúcia em enganar a esposa e mentir aos colegas.

O corrupto nostálgico orgulha-se do pai ferroviário, da mãe professora, de sua origem humilde na roça, mas está intimamente convencido de que, tivessem as mesmas oportunidades de meter a mão na cumbuca, seus antepassados não deixariam passar.

O corrupto não sorri, agrada; não cumprimenta, estende a mão; não elogia, incensa; não possui valores, apenas saldo bancário. Se tal modo se corrompe que nem mais percebe que é um corrupto.

Julga-se um negocista bem sucedido. Melífluo, o corrupto é cheio de dedos, encosta-se nos honestos para se lhe aproveitar a sombra, trata os subalternos com uma dureza que o faz parecer o mais íntegro dos seres humanos.

Aliás, o corrupto acredita piamente que todos o consideram de uma lisura capaz de causar inveja em madre Teresa de Calcutá.

O corrupto julga-se dotado de uma inteligência que o livra do mundo dos ingênuos e torna mais arguto e esperto do que o comum dos mortais.

Frei Betto é escritor e ex-assessor especial do presidente Lula

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quinta-feira - 11/08/2011 - 23:58h
7ª Feira do Livro

Frei Betto lembra descaracterização do PT no poder

Muito interessante o bate-papo literário no “Circo da Luz” da 7ª Feira do Livro de Mossoró, hoje à noite. O protagonista foi o escritor Carlos Alberto Libânio Christo, mais conhecido como Frei Betto.

Como mediador, o ex-vice-prefeito (duas vezes), ex-deputado estadual e ex-reitor da Universidade do Estado do RN Antônio Capistrano.

Integrante do primeiro Governo Lula, onde ficou pouco tempo, Frei Betto falou de religião, literatura, além de política para um público estimado em 150 pessoas.

Lembrou, por exemplo, a essência do seu livro “A mosca azul”, que falava da relação do PT com o poder, a partir da ascensão de Lula.

Em sua ótica, o partido priorizou um modelo de poder em detrimento de um projeto de mudança da ordem político-social do país, fazendo os mais variados tipos de concessões.

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Categoria(s): Cultura / Política
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