Apesar de ter publicado dois livros, escritor não sou. Repito o amigo e também jornalista – Jânio Rêgo: “Sou prisioneiro do ‘lead'”. Jornalistas me entendem.
Ah, gostaria, sim, de ser um romancista! Talento algum. E aqui, deixe-me ser claro: não é caso de humildade, mas de crença.
Por vezes em que me chamam para fazer alguma palestra (palestrante não sou), até me apresentam como escritor. Sempre, de chofre, faço reparo:
– “Eu não sou escritor. Apenas publiquei dois livros.”
Da poesia, do canto, duas outras paixões, também fui vetado.
Falam que existe a “inveja boa”. Discuto.
Sinto admiração, uma completude no talento que não me pertence, mas que me encanta.
Isso é inveja boa?
Inveja boa é o pecado disfarçado. Jogo semântico.
Os felizes com a magia alheia sorriem para ela.
Aplaudem-na.
Eu aplaudo e meus olhos brilham com a poesia de Paulo de Tarso Correia de Melo, Cid Augusto, Antônio Francisco e Aluísio Barros (virou bissexto na produção).
A prosa de Tarcísio Gurgel, o romance de Marcos Ferreira, a crônica escultural de Vicente Serejo, o detalhismo histórico romanceado de José Almeida Júnior; Dorian Jorge Freire e Jaime Hipólito – sacrários de minha infância ainda, quando não imaginava que um dia poderia escrever e ser lido. Honório de Medeiros: único.
Tantos, tantos outros. Eu, tantinho assim.
Sou prisioneiro do lead. Do jornal impresso, revistas, do rádio, da televisão – episodicamente. Da blogosfera há uma infinidade de tempo
Eu não sou escritor. Infelizmente!
Carlos Santos é fundador e editor do Canal BCS – Blog Carlos Santos























