quinta-feira - 15/06/2017 - 07:53h
Política e jornalismo

Wilma de Faria e a pressa desmedida por um “furo” de nada

Segue delicado o quadro de saúde da vereadora em Natal e ex-governadora Wilma de Faria (PTdoB) – veja AQUI. Ela está internada na Casa de Saúde São Lucas em Petrópolis, Natal, enfrentando um câncer.

Wilma: saúde bem delicada e excessos alheios na Web (Foto: arquivo)

Mas durante boa parte do dia passado, incontáveis pessoas em redes sociais noticiavam o falecimento de Wilma. Postura absurda, na ânsia de “dar o furo”.

O “furo” jornalístico perdeu aquele peso lendário de outrora. As principais fontes de notícia irradiam de forma autônoma suas “verdades”; a tecnologia cibernética e móvel não para de obrigar a mídia (e o jornalista) convencional a se adaptar – além de termos em formação uma nova relação de empregabilidade e renda.

O gol de placa do jornalismo, o “furo”, hoje não passa de um ‘furinho’. Às vezes não leva mais do que segundos de vida, sem dar notoriedade alguma ao seu autor. É mais fácil que provoque embaraços e “barrigada” (jargão que significa quando o veículo/jornalista oferece uma informação com erros graves).

Paradoxalmente mais difícil

Com o advento da notícia em tempo real, a utilização das teclas Control C/Control V (copia, cola) replicando tudo – muitas vezes sem respeitar o crédito de quem produziu a matéria, ficou paradoxalmente mais difícil ser um bom jornalista. Fácil é ser comum.

A pressa é, sim, inimiga da perfeição.

A notícia bem-elaborada, o outro lado da notícia e o aprofundamento do fato ganham ainda maior importância. “Fechar o jornal” não encerra os acontecimento. Nada fica mais pro dia seguinte. É tudo já, agora, mas mesmo assim com métodos, exigências de sempre para o comunicador.

Muita gente que tem um Twitter/Facebook etc. acredita piamente que faz “jornalismo” ao divulgar informações sem qualquer tipo de checagem, responsabilidade com as fontes, fatos e com a própria sociedade e pessoas envolvidas.

Com isso, torna situações já particularmente dramáticas em algo ainda mais angustiante.

Lamentável.

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Categoria(s): Opinião da Coluna do Herzog / Política
sexta-feira - 27/07/2012 - 11:42h
Opinião

Pecados na caça ao “furo”, esse “ouro de tolo”

A pressa em informar e ser o “primeiro” a dar um “furo” tem levado muita gente a produzir informações desencontradas sobre alguns fatos. Às vezes, essa rapidez no “gatilho” pode desencadear consequências insanáveis.

Mais confundem do que esclarecem.

Os recentes episódios do sequestro do menino Porcino Segundo, “Popó”, 19; e sumiço e morte de Chíntia Lívia, 12, são um ótimo laboratório para analisarmos isso.

Continuo com a tese de que “furo” deixou de ser o ápice do jornalismo, com o advento do mundo online. Furo de um minuto? Segundos? Sem sentido. Pura psicose. Babaquice. Ou força do hábito, herança primária de nossas redações.

Esse pecado não ocorre apenas entre pessoas que usam redes sociais e não são jornalistas. Grandes cadeias noticiosas cometem o mesmo deslize na corrida para ser a primeira, num mundo de bilhões de webleitores, telespectadores, ouvintes etc.

Estamos participando e testemunhando uma bobagem planetária.

Bom que assinalemos logo, que não é “mérito” da imprensa nativa essa corrida do “ouro de tolo”. Todos somos impulsionados a esse pecado, repórteres de ofício ou não, como se uma força metafísica determinasse: “Vá! Seja o primeiro!”

Mais do que nunca passou a ser uma exigência para profissionais ou não, checar informação antes de reproduzi-la – gerando sua disseminação em escala universal. Volto a repetir: furo de um minuto? Segundos? Sem sentido.

A morte do ditador líbio Muammar Kadhafi, em outubro de 2011, mostrou bem que o problema não está localizado entre nós, potiguares, nesse recanto do Brasil.

Agência como a Reuters, France Press e CNN, além de portais nacionais como G1 e outros, passaram horas alternando notícias desencontradas sobre o ditador. No Twitter, as grandes redes diziam que Kadhafi estava morto, depois que estava ferido, ferido mas não estava morto… O homem morreu e foi ressuscitado numa velocidade de fazer inveja a Cristo, o Messias.

E olhe que as grandes redes internacionais de comunicação tinham correpondentes na Líbia conflagrada. Todas geraram um cabedal de informações conflitantes, numa guerra paralela pelo tal do furo.

Essa é uma discussão, a propósito, necessária à própria academia que formará os futuros comunicadores sociais. O mundo on line não pode esperar.

Veja AQUI detalhes sobre a morte de Kadhafi.

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Categoria(s): Comunicação / Opinião da Coluna do Herzog
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