quinta-feira - 10/05/2012 - 10:45h
Degradação

‘Corsários’ do RN transformam poderes num “bolódromo”

O escândalo do Detran-RN, decorrente da chamada “Operação Sinal Fechado”, que eclodiu ainda no início do ano passado, mostra o nível dos poderes constitucionais no Rio Grande do Norte e o lamaçal em que está mergulhada parte de nossa elite política.

Quando pipocou a Operação Sinal Fechado, com os ex-governadores Wilma de Faria (PSB) e Iberê Ferreira (PSB) em evidência, a claque virtual do DEM e derivados fez barulho nas redes sociais, como Twitter e blogs. Na imprensa convencional, logo passaram a satanizá-los, sem melhor dimensionamento da profundidade desse caso.

Eu avisei em postagens neste Blog e em nosso endereço no Twitter, que era melhor essa claque baixar o fogo. O escândalo iria pegar cabeça de uns e rabo de outros: governistas e oposição estariam juntos no pântano. Com o passar do tempo, o que estamos vendo é exatamente isso.

Como é tola a briga dessas claques virtuais. Não passa de ‘massa cibernética de manobra’, modelo digital do que testemunhamos nas ruas. Até mesmo gente dita esclarecida embarca nesse tipo de peleja sem uma avaliação sequer superfial dos fatos, conjuntura e uso de bom senso.

Quando fazem a defesa do “seu” político, é comparando com outro que supostamente é corrupto ou mais delinquente. A defesa é o ataque ao adversário/inimigo. Ouvi sempre – desde criança – que devemos ter os bons/melhores como parâmetros e não o supostamente mais ruim.

O caso Sinal Fechado-Detran mostra que o Rio Grande do Norte virou um grande “bolódromo”. É bola para todos os lados. Pelo visto, o “Estádio das Dunas” será útil.

Temos que partir, como sociedade, para uma reinvenção do Estado. O Estado uno, do Rio Grande do Norte, é uno na pirataria da coisa pública nos três poderes. Temos quadrilhas que agem em separado ou consorciadas, numa espécie de “joint venture” do crime.

Acompanhe o Blog também pelo Twitter com postagens exclusivas e linguagem mais coloquial AQUI.

Esses corsários são impiedosos e cínicos. Adoram o luxo, o esnobismo, os holofotes e o esbanjamento com o dinheiro que não lhes pertence, fruto de pilhagem continuada do erário. O banditismo engravatado, sempre arrogante, ampara-se na certeza da impunidade para continuar esse infindável butim.

Queixamo-nos da precariedade da Saúde, execramos a Segurança Pública e choramingamos devido a Educação pífia. Falta emprego, infra-estrutura é precária; a desigualdade social continua gritante.

Sobra dinheiro, abundam larápios. As contas nunca batem porque temos que passar, involuntariamente, uma parte do dinheiro público para esses bandidos de colarinho branco e sua malta de dependentes preguiçosos e incapazes.

O modelo de democracia representativa que temos está distorcido. A política como princípio do bem-estar social é desvirtuada e particularizada. Bem-estar é sempre para os seus. É uma autarquia que não produz nada, mas consegue ter alta renda própria, sugando do cofre estatal.

Na blogosfera e outras redes sociais utilizadas no Rio Grande do Norte, há superdimensionamento do personagem Carlinhos “Cachoeira”. Normalmente, com visão político-partidária e não um foco cívico e por zelo à coisa pública. Parece mais “seguro” tratar desse assunto do que sobre o fato local.

Escândalo como do Detran revela que nomes como George Olimpo e Gilmar da Montana, guardada as proporções, não deixam nada a dever a Carlinhos Cachoeira.

Executivo, Judiciário e Legislativo do Rio Grande do Norte devem explicações à sociedade por tamanho nível de degradação moral, desrespeito à lei e insulto ao cidadão. Precisam passar por depuração. Estão sem legitimidade como poder. Essa filtragem deve ser logo. Faz-se urgente uma ação endógena, de auto-purificação, para que os bons não sejam contaminados pela espécimen daninha.

O povo merece respeito.

Mas, a realidade do Rio Grande do Norte é que muitos chegam pobres ao rico poder e muitos saem ricos do pobre poder.

Pobre Rio Grande do Norte!

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Categoria(s): Opinião da Coluna do Herzog
sexta-feira - 30/03/2012 - 11:05h
Operação Sinal Fechado (Detran)

MP pede que José Agripino seja investigado

Advogado afirma que denunciante estava 'sob efeito de medicamentos' quando fez as acusações

Fábio Fabrini (O Estado de São Paulo)

O Ministério Público do Rio Grande do Norte enviou à Procuradoria-Geral da República pedido para que investigue o presidente nacional do DEM, senador José Agripino (RN), apontado como beneficiário de pagamentos feitos pela máfia da inspeção veicular em seu Estado. Em depoimento, o empresário José Gilmar de Carvalho Lopes, preso na Operação Sinal Fechado, relatou o suposto repasse de R$ 1 milhão ao parlamentar e a Carlos Augusto Rosado, marido da governadora do RN, Rosalba Ciarlini (DEM).

Segundo a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, Lopes é sócio oculto do advogado George Olímpio, apontado como mentor das fraudes na inspeção veicular e outros projetos do Detran-RN. Nas declarações, de 24 de novembro, mesmo dia das prisões de envolvidos no esquema, ele disse que Olímpio lhe relatou ter feito pagamentos a Agripino e Rosado.

O valor teria sido pago em dinheiro, parcelado, na campanha de 2010, e a negociação teria ocorrido no sótão do apartamento do senador em Natal. Agripino nega ter recebido propina, mas diz que Olímpio esteve no imóvel, interessado em implementar o contrato de inspeção veicular no governo de Rosalba.

Agripino pediu ao “Estado” que ligasse para o advogado de Lopes, José Luiz Carlos de Lima, que desmentiu o depoimento do cliente. Segundo ele, Lopes estava sob efeito de medicamentos quando fez as acusações. As informações sobre a operação foram enviadas à PGR, que decidirá se há elementos para pedir ao Supremo Tribunal Federal investigação contra o senador.

A Operação Sinal Fechado apurou o desvio de recursos do Detran-RN para empresas de Olímpio e pessoas ligadas a ele. Segundo o MP, políticos receberam vantagens para favorecê-las em licitação e contratos públicos.

Veja AQUI.

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Categoria(s): Justiça/Direito/Ministério Público / Política
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sexta-feira - 30/03/2012 - 10:39h
Operação Sinal Fechado (Detran)

Bando teria dado R$ 1 milhão para Agripino e Carlos Augusto

Depoimento de 'Gilmar da Montana' ao Ministério Público revela que dinheiro foi para campanha-2010

Diário de Natal, Blog do Aílton Medeiros e Redação

A investigação dos desvio de dinheiro do Detran durante a implantação da inspeção veicular obrigatória teve novidades ontem com a a divulgação nas redes sociais, do termo de interrogatório do empresário Gilmar de Carvalho Lopes (Gilmar da Montana), proprietário da Montana Construções, até então mantidas em sigilo, do processo da Operação Sinal Fechado.

De acordo com o documento, datado de 24 de novembro de 2011, e assinado por Gilmar e pelos promotores de Defesa do Patrimônio Público Eudo Rodrigues Leite e Rodrigo Martins da Câmara, o senador José Agripino Maia, presidente nacional do DEM, teria recebido em seu apartamento do Morro Branco, o advogado George Olímpio, acusado de comandar o esquema de corrupção no programa de inspeção veicular do Detran.

Depoente declarou que passou dinheiro 'vivo' para Carlos e José Agripino

Nesse encontro, ainda segundo o termo de interrogatório, estava presente o ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (DEM), marido da então candidata a governador Rosalba Ciarlini (DEM). Eles teriam recebido R$ 1 milhão destinado à campanha eleitoral de 2010. Em espécie e de forma parcelada, que se diga.

O nome de José Agripino não constou originalmente da denúncia, porque o Ministério Público não tem competência para investigar o senador. Por isso, o depoimento de Gilmar foi encaminhado à Procuradoria Geral da República, em Brasília. Desde então, as investigações estão a cargo do procurador geral Roberto Gurgel.

Num determinado trecho do depoimento de Gilmar da Montana, é textualizado o seguinte: “(…) que George Olimpo também confessou ao interrogando que deu R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais) em dinheiro, de forma parcelada, na campanha eleitoral de 2010, a CARLOS AUGUSTO ROSADO e JOSÉ AGRIPINO MAIA, que esta doação foi acertada no sótão do apartamento de JOSÉ AGRIPINO, em Morro Branco;”.

Veja AQUI (podendo ampliar) folhas em que aparece esse e outros trechos do depoente que chegou a ficar preso durante alguns dias, na Operação Sinal Fechado.

Leia também AQUI a postagem “Juíza acata denúncia contra 27 ‘figurões’ do Sinal Fechado.

Veja AQUI, na íntegra, a denúncia do Ministério Público, acatada pela juíza da 6ª Vara Criminal de Natal, Emanuella Cristina Pereira Fernandes, no dia 1º de março deste ano.

 

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Categoria(s): Justiça/Direito/Ministério Público / Política
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