Em fevereiro do ano passado, passei alguns dias em Pernambuco. Sempre que posso, pouso por lá. Cruzando a divisa Paraíba-PE, as notícias de progresso saltam aos olhos, como a instalação de fábrica da Fiat no município de Goiana-PE.
Goiana (64km de Recife-PE, com cerca de 72 mil habitantes), Zona da Mata Norte, vai ganhar uma montadora da Fiat, com reflexos até na vizinha Paraíba e municípios como João Pessoa (capital), Campina Grande, Santa Rita e Bayeux.
Investimentos devem passar dos 5 bilhões de reais. O número de empregos diretos deve superar os 4,5 mil postos inicialmente projetados. O acionamento da linha de produção está previsto para 2015, numa área de 14 milhões de metros quadrados. A Fiat tem cerca de 150 fornecedoras de componentes para seus veículos.
Lembro, que à época, li registros na imprensa de Mossoró e Rio Grande do Norte, que a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) estaria com Cledorvino Belini, presidente da Fiat-Chrysler para a América Latina, articulando atração de empresas para o Rio Grande do Norte, que serviriam à montadora em Goiana.
Dei boas gargalhadas.
Pelo visto, essa reunião nunca aconteceu.
Outra vez a governadora usava do seu senso de oportunismo e se aproveitava da ausência crítica da imprensa e da sociedade potiguar, para vender gato por lebre. O que se noticiava era um absurdo no mundo de negócios, ou seja, uma “camaradagem” em vez de atenção nos números frios do investimento bilionário.
Depois de um ano e seis meses, o assunto morreu de vez. Enfim, teve o destino esperado: lixo.
Sua utilidade à época era inflar a imagem da governante e influir adiante em seu papel dentro das eleições municipais. Fazia parte do jogo de faz-de-conta.
À ocasião, eu perguntava neste Blog, como o RN poderia atrair uma única empresa ligada à Fiat, a milhares de quilômetros fora da área do complexo industrial da montadora. A questão da logística era impraticável.
Também, na mesma época, começaram a ser espalhadas notícias em Mossoró, de que a cidade poderia ser usada na Copa do Mundo de 2014 por alguma seleção, como “sede”.
Mais gargalhadas.
Como?
Mossoró não tem sequer um campo de futebol decente, não possui aeroporto, está entre as cidades mais violentas do país e não conta com um sistema de saúde confiável.
Para completar a pantomima, a governadora prometeu na campanha municipal a reforma e ampliação do “Estádio” Manoel Leonardo Nogueira (Nogueirão), a um custo da ordem de quase 40 milhões de reais.
Tudo potoca, mentira deslavada que outra vez os babaquaras mossoroenses engoliram como verdade. Ela sabia que não tinha meios à obra. Tinha consciência de que não poderia realizá-la.
Outra campanha eleitoral está por vir. Novamente teremos disparates como esses sendo soltos em todas as direções, sem que tenhamos um basta.
Quase nenhuma voz se levanta para contrariar essas notícias insanas, ludibriadoras da boa fé de milhares de mossoroenses e potiguares.
A grande maioria da imprensa, acrítica, é mera máquina de reprodução de notas oficiais e não consegue sequer questioná-las para não contrariar “seus chefes”.
Pobre RN Sem Sorte!























