Por vezes falo sobre gosto musical, de forma crítica. Até pareço irascível quanto à ditadura do forró elétrico, suas letras de apelo lascivo, machismo exacerbado e apologia a humilhações contra as mulheres. É fato!
Mas ninguém me entenda como intolerante; sei ouvir.
Questiono sobretudo o excesso, a imposição da vontade musical pessoal como norma à maioria.
Tenho minhas preferências, gosto do forró, mas não obrigo ninguém a aceitar minhas predileções e aguentar altos decibéis.
Minha geração ouvia Fagner. Também curtíamos Led Zeppelin. Extremos, muitos diriam. Isso mesmo. Passadas algumas décadas, eles continuam aí: são sucessos atemporais.
Quantas bandas de forró de hoje resistirão ao tempo?
Éramos e crescemos assim, para não sermos extremados. Cultivávamos as diferenças. Misto quente que tomamos até nossos dias.
Há quem tenha uma explicação banal para justificar a ditadura do forró eletrizado: “O povo gosta!”
Realmente, “o povo gosta”.
Dizem, também, que “cachorro gosta de osso.”
Já experimentou dar filé mignon diariamente pro seu cãozinho?






















