sábado - 08/10/2011 - 09:51h
Ditadura do forró

O osso e o filé mignon

Por vezes falo sobre gosto musical, de forma crítica. Até pareço irascível quanto à ditadura do forró elétrico, suas letras de apelo lascivo, machismo exacerbado e apologia a humilhações contra as mulheres. É fato!

Mas ninguém me entenda como intolerante; sei ouvir.

Questiono sobretudo o excesso, a imposição da vontade musical pessoal como norma à maioria.

Tenho minhas preferências, gosto do forró, mas não obrigo ninguém a aceitar minhas predileções e aguentar altos decibéis.

Minha geração ouvia Fagner. Também curtíamos Led Zeppelin. Extremos, muitos diriam. Isso mesmo. Passadas algumas décadas, eles continuam aí: são sucessos atemporais.

Quantas bandas de forró de hoje resistirão ao tempo?

Éramos e crescemos assim, para não sermos extremados. Cultivávamos as diferenças. Misto quente que tomamos até nossos dias.

Há quem tenha uma explicação banal para justificar a ditadura do forró eletrizado: “O povo gosta!”

Realmente, “o povo gosta”.

Dizem, também, que “cachorro gosta de osso.”

Já experimentou dar filé mignon diariamente pro seu cãozinho?

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Categoria(s): Cultura / Opinião da Coluna do Herzog
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