terça-feira - 02/05/2023 - 06:46h
Oeste do RN

Jovem de origem quilombola é aprovada para curso de Medicina

Do Blog João Moacir e Canal BCS

Abigail, entre familiares, comemora a conquista histórica (Foto: cedida)

Abigail, entre familiares, comemora a conquista histórica (Foto: cedida)

A  gente recebe informações, via Freitas Bessa, que a comunidade quilombola do sítio Pêga em Portalegre RN, região Oeste, celebra a histórica conquista de ter a primeira descendente a passar no curso de medicina.

Abigail Gomes Bessa de Freitas Neta, 20, concluiu o ensino médio no Instituto Federal do RN (IFRN) – Campus Pau dos Ferros, com formação em Técnica em Apicultura, após ciclo de estudo anterior em escola pública em sua cidade.

Em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), tendo como orientador o professor Francisco Carlos de Lucena, ela tratou do tema “Os fatores que dificultam o fortalecimento da prática da apicultura entre os agricultores quilombolas da comunidade do Pêga”.

Ela recebeu nota máxima e expressou que a escolha do tema “foi um meio de entender a minha história, organização social e as dificuldades de ser um quilombola”.

Filha de Afonso Bessa de Freitas e Maria Zuleide Jacinto de Oliveira, de origem na agricultura local, Abigail Bessa vai cursar medicina na Faculdade Estadual de Feira de Santana (UEFS).

A Prefeitura de Portalegre emitiu nota de congratulações à Abigail Bessa, assinada pelo prefeito José Augusto Rêgo (PP).

*Comunidade quilombola é agrupamento social remanescente de primitivos escravos, sendo formado por afrodescendentes.

Nota do Canal BCS – Essa é uma das notícias que mais gosto de publicar. Entusiasma-me e sei que serve de incentivo para muitos e muitos jovens e adultos.

Parabéns, Abigail. Sucesso, moça.

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sábado - 12/03/2022 - 05:38h
Moizés Henriques

Do sertão para os Estados Unidos, o voo de um menino do IFRN

Jovem de unidade de Pau dos Ferros é selecionado para curso em universidade norte-americana

“Quando eu abri o portal da universidade e encontrei um grande Congratulations!, primeiro veio o estado de choque, depois, a alegria de saber que deu tudo certo. Nem caiu a ficha ainda”. As palavras são de Moizés Henriques da Silva Almeida, de 19 anos, recém-formado no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e aprovado na Universidade de Tufts, nos Estados Unidos.

Moizés Henrique, do sertão para os EUA, um voo com o combustível da educação (Foto: arquivo pessoal)

Moizés Henrique, do sertão para os EUA, um voo com o combustível da educação (Foto: arquivo pessoal)

Em agosto deste ano, o jovem, filho de agricultores, que antes percorria mais de 50 quilômetros entre sua casa, no interior da Paraíba, e o Campus Pau dos Ferros do IFRN, cruzará o continente americano, indo em busca de seu sonho: construir um futuro melhor para si e para sua família.

Morador do município de Bom Sucesso, na Paraíba, com uma população estimada em 4.937 habitantes, Moizés formou-se, no início de 2022, no Curso Técnico Integrado em Informática, no Campus Pau dos Ferros, desejo que carregava desde cedo. “Para os estudantes do interior, estudar no IFRN é um feito muito importante, tanto pela qualidade de ensino que a gente sabe que tem lá, e também pelas oportunidades que sabemos que vamos encontrar”, contou.

A ROTINA DE MOIZÉS começava cedo: às 5h20 já estava saindo de casa, rumo ao Campus. O estudante dirigia-se até a cidade vizinha, Alexandria, no Rio Grande do Norte, onde pegava o ônibus em direção ao Instituto. Após tornar-se bolsista na unidade, o retorno para sua residência ocorria por volta das 19h30.

Foram quatro anos no Curso Técnico Integrado em Informática. Tal escolha foi feita pensando no futuro, em razão das boas opções no mercado de trabalho. Ainda assim, o jovem diz que o início foi “um tiro no escuro”: “antes de ingressar no Instituto, não possuía contato com computadores ou tecnologias. Houve, então, o medo do que viria pela frente. Mas, ao longo do tempo, eu fui conhecendo o curso. O IFRN supriu as minhas necessidades de equipamentos e de conhecimento, e eu gostei muito do curso”. Tanto que decidiu continuar na área e seguir na carreira da Ciência da Computação.

“O IFRN foi muito importante para mim, porque foi basicamente nele que eu vivi todas as oportunidades que eu procurava; projetos de Pesquisa, de Extensão, cursos, minicursos, eventos e atividades estudantis… Eu pude descobrir muito do que eu quero e do que não quero para minha vida. Me inserir num ambiente que reúne tanta diversidade me ajudou a me autoconhecer”, declarou o jovem, relembrando sua trajetória na Instituição.

O inglês e outras oportunidades

Estudar em outro país nem sempre esteve na lista de sonhos de Moizés. Foi após conhecer e aprender a Língua Inglesa, com os recursos que lhe eram possíveis, que o estudante descobriu as oportunidades que estão além do território brasileiro. “Oportunidades essas que não são introduzidas a jovens da minha realidade”, ressaltou.

Assim, em 2021, o jovem se candidatou ao Programa Oportunidades Acadêmicas Graduação, do Departamento de Estado dos EUA, oferecido através do órgão EducationUSA. Moizés foi um dos 20 brasileiros selecionados.

Ao produzir a lista de universidades que gostaria de candidatar-se, o estudante conheceu a Universidade de Tufts, localizada no estado americano de Massachussetts. A partir daí, teve início o processo de admissão, que contou com produção de prova de proficiência; prova americana padronizada; cartas de recomendação; redações; formulários financeiros; entrevistas; e vários outros requisitos.

Congratulations!

A quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022, veio com brilho diferente. Nesse dia, ao acessar o portal da universidade, o jovem deparou-se com o sonhado ‘Congratulations! Welcome to the Tufts University’.

“Foi, definitivamente, o momento mais louco que eu vivi! Eu não pensava que conseguiria, porque é muito competitivo”, contou. A comemoração foi em família, que quase não conseguiu dormir naquela noite. “Hoje, estamos ainda muito felizes, e eles [seus pais] estão me dando suporte em tudo que preciso nos próximos passos até o embarque”.

No momento em que viu o resultado, a mãe do estudante, a agricultora Mônica Simone, estava ao seu lado. Cheia de orgulho, ela desabafa: “é algo pelo qual ele já sonhava e lutava. Não veio de graça; foi através de muita luta e esforço, e Deus o abençoou, porque, quando a gente tem sonhos, temos que acreditar, colocar Deus na frente, e foi isso o que aconteceu. É uma alegria imensa, que a gente nem sabe explicar, mas estamos muito felizes com a conquista dele. O coração um tanto apertado, mas confiante de que tudo dará certo, dando força para ele seguir. É isso o que a gente quer: ver o sonho realizado, para a honra e glória do Senhor. É uma conquista para a família, que está toda orgulhosa”.

Próxima parada

Em alguns meses, Moizés partirá para os EUA em sua primeira viagem internacional, onde cursará, por quatro anos e de forma 100% integral, o curso superior de Ciência da Computação, e talvez, também, Engenharia Ambiental, na Escola de Artes e Ciências da Universidade de Tufts. O jovem revela que o coração está feliz e, ao mesmo tempo, tenso, pois estará longe de casa, mas destaca a empolgação para descobrir tudo que lhe aguarda no novo país.

O estudante finaliza revelando seus planos para os próximos anos: “desejo construir um futuro melhor para mim e para minha família e liderar a mudança do nosso país, que precisa de jovens proativos e dispostos a construírem um futuro melhor para todos. Que mais jovens com a realidade parecida com a minha também conquistem seus sonhos e objetivos”.

Nota do Canal BCS – Você tem ideia de como isso me emociona? Parece que o Moizés é cria minha, tamanho o apego que tenho por ele e sua história emergente. Voa, cara! Serás mais um exemplo (mesmo que ainda escasso, por enquanto) para outros que precisam aprender a sonhar alto.

Com informações da Assessoria de Comunicação Social e Eventos do IFRN

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domingo - 14/10/2018 - 21:20h
Educação

IF de Pau dos Ferros forma apicultores e muda região

Reportagem especial do Globo Rural neste domingo (14) mostra importância de escola federal no RN

Do Globo Rural

No sertão de Pau dos Ferros, no Grande do Norte, divisa com o Ceará, uma escola profissionalizante virou marco na paisagem e símbolo de esperança. Lá é ministrado o primeiro – e único – curso de apicultura de um instituto federal do país.

Curso técnico em apicultura em instituto federal em Pau dos Ferros, Rio Grande do Norte (Foto: Reprodução/TV Globo)

A estrutura é de fazer inveja a muita escola de elite mundo afora. Grande parte da eletricidade que consome é gerada lá mesmo, captando luz solar nos telhados. O Instituto Federal Rio Grande do Norte (IFRN) tem ainda ar condicionado e aparelhagem completa de data show, com telão e controle remoto para os professores, em todas as salas.

As turmas fazem Ensino Médio completo, incluindo aulas de língua estrangeira. Classes de música também estão na grade de ensino. Mas os estudantes não recebem apenas a educação padrão, aprendem junto uma profissão.

Além do curso de apicultura, eles podem escolher o curso de tecnologia de alimentos e de informática.

Dos 1 mil alunos do instituto, 250 cursam apicultura. A seleção é concorrida e, do total de vagas, 50% são reservadas para alunos de escolas públicas.

João Victor, filho de agricultores (Foto: reprodução BCS)

Segundo a diretora Antônia Francimar da Silva, de cada dez alunos, sete vêm de classes mais populares.

É o caso do João Victor Pires da Silva, filho de agricultores, que acorda às 4h30 e viaja 60 quilômetros todos os dias, de moto e ônibus, para chegar à escola.

Também é o caso de José Kelvin de Araújo Silva, filho de um conhecido tapioqueiro da região, José Zildomar Silva, chamado de Zé Tapioca.

A instituição provoca na região uma transformação parecida com a que acontece quando chove na caatinga, quando a vida explode e fica tudo verdinho. Com educação de excelência, a juventude floresce e a cidadania frutifica.

Apicultura do campo à indústria

O curso de apicultura vai na vida real das profissões, para que o aluno já possa, se for o caso, ter um ganha pão longo que conclui o Ensino Médio. Por isso, as aulas práticas são intensas.

Em um dos experimentos práticos, por exemplo, os estudantes desenvolvem estruturas que simulam ninhos para que os apicultores possam criar as abelhas solitárias, sem ferrão e que não formam enxames, que polinizam com mais eficiência algumas culturas e também têm papel importante na preservação da vegetação nativa da região. Já foram coletadas no instituto cerca de 300 dessas abelhas, de 15 espécies diferentes.

Além de técnicas de produção, propriamente, o curso oferece também uma formação mais científica sobre os chamados aspectos físico-químicos dos derivados da abelha, com muita pesquisa de laboratório. É que só uma análise técnica pode indicar a qualidade do mel.

“Por que ter aulas com todo esse conhecimento de análise? Porque enquanto técnicos eles podem prestar consultoria aos produtores, para já dividir e classificar (o mel)”, diz a química e professora do instituto Luciene de Mesquita Carvalho.

IFRN de Pau dos Ferros é um privilégio quando na verdade deveria ser um direito comum no país (Foto: reprodução BCS)

Poderão também prestar consultoria para solucionar um desafio que, na caatinga, é maior que em outras regiões do país, a falta de pasto apícola causada pelos longos períodos de estiagem.

Nas classes, os alunos aprendem a produzir o chamado “bife das colmeias”. Trata-se de uma pasta feita de albumina, uma proteína presente no ovo, da qual os insetos passam a se alimentar quando não encontram mais néctar nem pólen na vegetação ao redor.

Diferentes tipos de alimentação artificial para as abelhas vêm sendo testadas em laboratório há três anos pelo professor do instituto e biólogo Antonio Abreu.

Formação que abre mercado

A educação integrada com formação profissional atraiu novas empresas, novos negócios, novos empregos na região de Paus dos Ferros.

Em um sítio em Marcelino Vieira, os produtores vivem um momento histórico. Fazia seis anos que a caatinga, o semiárido do Alto Oeste do Rio Grande do Norte não via chuva. Com ela, a agricultura voltou e a apicultura também.

Eles acabaram de realizar a primeira safra de mel deste ano: cerca de 10 toneladas, um resultado até bom diante do baque que os enxames sofreram com a longa estiagem.

Dois fatores contribuíram para a reviravolta que estão dando, além do clima: o conhecimento prático do seu Antonio Medeiros, o pioneiro que 30 anos atrás começou a montar apiários na região e, sobretudo, a contribuição do curso do curso que o apicultor Euzir de Queiroz fez. Ele se formou na primeira turma de apicultura do IF, em 2015, e aprimorou várias técnicas para manter e fortalecer os enxames na época que não tem florada.

Produto teve crescimento este ano (Foto: reprodução BCS)

“Antes eu era criador e com o curso eu adquiri o conhecimento teórico. E hoje vejo isso como fundamental para o crescimento dos meus enxames”, avalia Euzir.

E o dinheiro do mel ficou importante na região. “Com ele é que a gente mantém a criação de gado, que compra a ração dos animais, para quem tira leite especialmente. Ele é importante demais para a gente”, diz Antonio.

Educação que amplia horizontes

Mas nem todos os alunos do instituto pretendem abraçar a profissão aprendida ali. Segundo a diretora, pela qualidade do ensino, muita gente procura o curso profissionalizante como plataforma para a universidade.

O José Kelvin, por exemplo, quer ser psicólogo. Há mais de 50 alunos que saíram do IF para fazer medicina e mais de cem fazendo engenharia.

“A qualidade do ensino que é ofertado aqui é que proporciona isso. Ele (o estudante) pode até não ser o apicultor (…) mas ele vira um engenheiro agrônomo, um engenheiro de produção, um médico, um enfermeiro, um advogado”.

Porém, boa parte da turma de apicultura sonha em trabalhar com as abelhas, como João Victor.

“Antes de entrar no curso de apicultura, eu não me via como apicultor, eu não sabia, na verdade, a definição de apicultura. Hoje eu posso afirmar que sou apaixonado pela apicultura.”

Veja a reportagem completa (em vídeo) que foi veiculada no programa Globo Rural da Rede Globo de Televisão neste domingo (14), clicando AQUI.

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