domingo - 05/09/2021 - 10:02h

Independência e respeito à democracia

Por Odemirton Filho

“Às quatro e meia da tarde, montado em sua besta, assoberbado pelo mal-estar, fatigado pela viagem, mas convocado pelo momento, d. Pedro formalizou o que já era realidade: arrancou a fita azul-clara e branca (as cores constitucionais portuguesas) que ostentava no chapéu, lançou tudo por terra, desembainhou a espada, em alto e bom som gritou: “ é tempo… independência ou morte (…) estamos separados de Portugal…” multidão-de-povos-com-bandeira-e-cartaz-que-andam-na-manifestação-demonstração-direitos-ilustração-do-vetor-da-parada-135814951

Eis o relato descrito pelas historiadoras Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling, no livro Brasil: Uma Biografia.

Passando ao lado do romantismo da cena acima, na próxima terça-feira vamos comemorar mais um 07 de setembro.

Contudo, há algumas semanas, partidários a favor do presidente da República e a oposição acenam para um dia da independência diferente, no qual o povo irá às ruas para se manifestar. Uns, em defesa do presidente, outros, criticando alguns atos do Chefe do Executivo Federal ou pedindo o seu impeachment.

A democracia pulsa quando os cidadãos vão às ruas em busca de seus direitos, pois todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente. (Art. 5º, XVI da CF).

Todavia, qual o objetivo das manifestações? Pedido de uma intervenção Militar? Ameaças aos membros do Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF)?

Nas redes sociais circulam notícias para todos os gostos. Ir às ruas para criticar a administração do presidente da República, a atuação dos parlamentares ou discordar de decisões do STF, faz parte da parte da liberdade de expressão, pois nenhum agente político está imune a críticas.

Entretanto, se as manifestações têm por objetivo o fechamento do Congresso Nacional e do STF, a coisa muda de figura, uma vez que se estará minando as bases da democracia. Quero crer que as manifestações serão ordeiras, uma vez que se constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. (Art. 5º, XLIV da CF).

E mais: no último dia primeiro, o presidente sancionou a lei n. 14.197/21, prevendo os crimes contra o Estado Democrático de Direito, com vigência noventa dias após sua publicação, tendo o seguinte teor:

“Tentar, com emprego de violência ou grave ameaça, abolir o Estado Democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício dos poderes constitucionais”: Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, além da pena correspondente à violência. (Art. 359-L do Código Penal).

Segundo a mencionada norma, não constitui crime a manifestação crítica aos poderes constitucionais nem a atividade jornalística ou a reivindicação de direitos e garantias constitucionais por meio de passeatas, de reuniões, de greves, de aglomerações ou de qualquer outra forma de manifestação política com propósitos sociais.

Há quem diga que o STF tem solapado a independência e a harmonia entre os Poderes “por não deixar o presidente trabalhar”. Para outros, porém, a Suprema Corte está cumprindo o seu papel constitucional do sistema de freios e contrapesos.

Enfim. Apesar dos atritos entre os Poderes, e dos inúmeros defeitos de nossa democracia, precisamos lutar, permanentemente, para mantê-la e aperfeiçoá-la.

Assim, esperemos o povo nas ruas no próximo dia 07 de setembro, comemorado a independência do Brasil e reivindicando aquilo que lhe pareça legitimo, sem atos de violência, ameaças ou vandalismo. Tudo, como diz a expressão da moda, dentro das quatro linhas da Constituição Federal, respeitando-se à democracia e às instituições.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça.

Compartilhe:
Categoria(s): Artigo
domingo - 10/09/2017 - 06:52h

Independência, um sonho a ser alcançado

Por Gutemberg Dias

No dia 7 de setembro parte dos munícipios brasileiros e mais o Distrito Federal comemoraram o dia da Independência do Brasil com a apresentação do desfile cívico-militar. Vale ressaltar que reduzido em número de participantes, tanto daqueles que desfilaram como dos que foram para assistir.

Já participei várias vezes desses desfiles, principalmente, na infância quando ainda o regime militar mantinha o controle rígido desse ato. Lembro da ansiedade de ir às ruas e fazer a marcha bem feita para que não fosse recriminado pelas professoras. Estava ali porque era obrigado e sem saber efetivamente qual o propósito. Era a época da escola sem partido!?

Hoje talvez não seja muito diferente. Tenho a certeza que muitos que fazem parte desse cortejo estão presentes devido o chamamento da escola que por outro lado é chamada pela gestão municipal a se fazer presente. E qual é o sentimento de cada jovem daquele? Será que o propósito da Independência está assentada nos seus corações?

Depois dos quarenta e poucos anos de vida, tenho a convicção que a Independência é um sonho a ser alcançado. Basta vermos que desde o famoso Grito do Ipiranga dado por D. Pedro I, em 7 de setembro de 1822,  que estamos lutando por ela. D. Pedro I ao exclamar “Independência ou morte” entrou para a história, mas o nosso Brasil quanto ao uso real da palavra ainda não conseguiu se ver na fala do imperador.

Não consigo ver Independência, pois quando fazemos uma análise da construção do estado brasileiro o que mais vemos são golpes dados nos momentos que o Brasil procura ser independente. Desde a Proclamação da Independência que toda vez que o país se prepara para ser protagonista no cenário mundial, alguém em nome do Brasil toma o poder do povo. Será que isso é independência?

Não vejo Independência quando a maior parte do povo desse país não tem acesso a uma educação ou uma saúde de qualidade. Parece besteira, mas a dependência vem a tona nos momentos de precisão quando muitos que fazem a política usam o poder de acesso aos equipamentos para amarrar o cidadão a seus projetos, que, por vezes, são sórdidos. Onde está o povo independente?

Que Independência é essa onde o cidadão não pode se quer caminhar sem ter medo de ser assaltado pelas ruas de seu bairro? São coisas assim que mostram que não atingirmos nossa plenitude de liberdade. Ainda estamos subjugados a algo que D. Pedro I não foi capaz, no ato de seu grito, de proporcionar ao povo brasileiro.

Olhar para a corrupção que assola esse país, consumindo todos os poderes (judiciário, legislativo e executivo – em letras minúsculas, sim) que por regra deveriam resguardar o Estado brasileiro, não é algo comum e, sobretudo, não condiz com uma nação independente.

Acredito que chegou a hora de ser dado um novo Grito do Ipiranga. Dessa vez, quem deve dar é o povo brasileiro sem ter medo do amanhã. Conviver com tudo que está acontecendo nesse Brasil não pode ser projeto desse povo e, sem pestanejar, as ruas precisam ecoar o grito da Independência que, lá em 1822, D. Pedro I “ensaiou” às margens do Riacho Ipiranga.

Acredito que o brasileiro é um povo lutador. Mas, parece que anda meio entorpecido com tudo que anda acontecendo. Termino esse texto citando Vandré  que diz: “vem, vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

O Brasil Independente só depende de nós!!!!

Gutemberg Dias é graduado em geografia, mestre em Ciências Naturais e empresário

Compartilhe:
Categoria(s): Artigo
Home | Quem Somos | Regras | Opinião | Especial | Favoritos | Histórico | Fale Conosco
© Copyright 2011 - 2026. Todos os Direitos Reservados.